Material de Apoio às Palestras

elaborados pelo Departamento de Orientação Doutrinária da USE - Ribeirão Preto:

Material de Apoio às Palestras 2009
Dezembro O Reino de Deus | Mme. Allan Kardec
Novembro A Parábola do Rico e Lázaro e as Duas portas | 2
Outubro Parábola de Candeia
Setembro Parábola do Joio e do Trigo
Agosto A Parábola da Ovelha Perdida
Julho As Dez Virgens e o Servo Vigilante | download
Junho As Parábolas de Jesus à Luz das Leis Morais | Samaritano
Maio Parábolas do Semeador
Abril As Parábolas de Jesus à Luz Lei Morais | 2
Março Autoconhecimento | 2
Fevereiro Perfeição Moral
Janeiro Lei de Justiça, Amor e Caridade

Veja Material de Apoio às Palestras de 2006
Veja Material de Apoio às Palestras de 2007
Veja Material de Apoio às Palestras de 2008

Veja Material de Apoio Anteriores

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Kardec descrevendo a participação de Amelie na sua tarefa de Codificador

Mme. Allan Kardec

“MINHA MULHER ADERIU PLENAMENTE AOS MEUS INTENTOS E ME SECUNDOU EM MINHA LABORIOSA TAREFA, COMO O FAZ AINDA, ATRAVÉS DE UM TRABALHO FREQUENTEMENTE ACIMA DE SUAS FORÇAS , SACRIFICANDO SEM PESAR, OS PRAZERES E AS DISTRAÇÕES DO MUNDO AOS QUAIS A SUA POSIÇÃO DE FAMÍLIA HAVIA HABITUADO.”
( WANTUIL,Z.; THIESEN, F.Allan Kardec, vol. III)



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Parábola do Mau Rico e do Pobre Lázaro e a Porta Estreita

Nilson Freire Torres – nilson@supperia.com.br

Os leitores e freqüentadores das Casas Espíritas que recebem os expositores da União das Sociedades Espíritas Intermunicipal de Ribeirão Preto têm acompanhado durante esse ano os textos e palestras enfocando as Parábolas de Jesus à luz das Leis Morais de O Livro dos Espíritos (OLE).

Nesse mês de novembro a escolhida foi a magnífica Parábola do Mau Rico e do Pobre Lázaro ligando-a ao ensinamento da Porta Estreita.

Assim, vamos à Parábola e ao Ensinamento, para em seguida fazermos a análise;


Parábola do Mau Rico e do Pobre Lázaro; (Lucas, cap. XVI, v. 19-31)

"Havia um homem rico, que se vestia de púrpura e de linho finíssimo,
e que todos os dias se regalava esplendidamente. Havia também certo mendigo, chamado Lázaro, coberto de chagas, que ficava ao seu portão, desejoso de receber as migalhas que caíam da mesa do rico, mas ninguém lhas dava; e os cães vinham lamber-lhe as úlceras. Morreu o mendigo, e foi levado pelos anjos para o seio de Abraão; morreu também o rico, e foi sepultado. No Hades, estando em tormentos, levantou os olhos e viu ao longe Abraão e a Lázaro no seu seio. E clamou: -- Pai Abraão, tem compaixão de mim! E mande a Lázaro que molhe a ponta do seu dedo, e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama! Mas Abraão respondeu: -- Filho, lembra-te de que recebeste os teus bens na tua vida e Lázaro do mesmo modo os males; agora, ele está consolado, e tu em tormentos. Demais, entre nós e vós está firmado um grande abismo, de modo que os que querem passar daqui para vós não podem, nem os de lá passar para nós. Ele replicou: “ -- Pai, eu te rogo, então, que os mandes à casa de meu pai, pois tenho cinco irmãos, para os avisar a fim de não suceder virem eles também para este lugar de tormento! Mas Abraão disse: -- Eles têm Moisés e os profetas ouçam-nos. Respondeu ele: -- Não, Pai Abraão, mas se alguém for ter com eles dentre os mortos, hão de se arrepender. Replicou-lhe Abraão: -- Se não ouvem a Moisés e aos profetas tampouco se deixarão persuadir, ainda que ressuscite alguém entre os mortos.


A Porta Estreita; (Mateus, VII: 13 e 14)

“-- Entrai pela porta estreita, porque a porta da perdição é larga, o caminho que a ela conduz é espaçoso, e existem muitos que entram por ela. Como é pequena a porta da vida! Como é estreito o caminho que a ela conduz! E como são poucos os que o encontram!”
Dois esclarecimentos importantes para se entender melhor a Parábola;

• Hades; Na mitologia grega,Hades é o deus do submundo. Está situado no mundo inferior, embaixo da superfície terrestre.
- A palavra latina correspondente a Hades é inférnus , que significa "o que jaz por baixo; a região inferior".
É importante registrar que não existem lugares circunscritos para onde vão os Espíritos após o desencarne, ver questão 1011 de OLE.

• E o que é o “Seio de Abraão”? Podemos entender como sendo um Mundo Espiritual Elevado, da Luz e da Verdade onde os Espíritos são Livres e Felizes. Jesus usa Abraão como referencia um personagem que representa um mundo Feliz.
Uma reflexão: Porque a Parábola não se chamou; “O Pobre e o Rico”? Por que Jesus identificou o pobre, deixando de fazê-lo ao rico? Entendemos que como o personagem da Parábola conduzia bem a sua prova resolveu identificá-lo. Já a postura do rico, como não era boa, ou seja, não conduzia bem a sua prova, optando pela “porta larga” da vida, como acontece com a maioria daqueles que passam pela difícil prova da riqueza material, Jesus preferiu não identificá-lo, pois, o mal não deve ser exaltado e também porque exporia publica e negativamente um Irmão.
Na Parábola, o Rico só deu importância aos prazeres materiais. É o símbolo daqueles que se esquecem das leis de amor e fraternidade, que desprezam os valores espirituais. Na maioria dos casos, a riqueza material dá uma falsa sensação de independência, que os afasta de Deus. São insensíveis e indiferentes à miséria e ao sofrimento do próximo.
Ricos e pobres são espíritos em provação. A pobreza é uma prova dura. A riqueza é uma prova perigosa, que normalmente impede os bons sentimentos em relação ao próximo, e desenvolve o egoísmo e o orgulho.
Na questão 712 de OLE, Kardec perguntou; “-- Por que Deus colocou o atrativo do prazer na posse e uso dos bens materiais? Ao que responderam os Espíritos Superiores; “– Para estimular o homem ao cumprimento de sua missão e experimentá-lo por meio da tentação” E na seguinte; “--Qual é o objetivo dessa tentação? Resposta; “– Desenvolver sua razão, que deve preservá-lo dos excessos”.
Por outro lado, a pobreza normalmente deixa o homem mais perto de algumas virtudes, como; a paciência, a humildade e a fé.
É importante que fique claro que a Parábola identifica e exemplifica o que ocorre com a maioria das pessoas que passam por essas duas provas, mas não é uma regra;
- Existem na Terra, ricos que são verdadeiros luminares, autênticos apóstolos do bem.
- Por outro lado, existem pessoas desprovidas de recursos materiais, que são cruéis e dotadas de grande capacidade para a pratica do mal.
- Também são muitos os desafortunados, que inconformados com a vida, apontam os Céus como responsável pelas suas dificuldades, revoltam-se e perdem a oportunidade que lhes foi concedida, tendo que repetir as provas em outras vidas, as quais poderão ser ainda mais penosas.
Devemos compreender que o Evangelho não foi revelado ao mundo para a transformação de todos os homens em miseráveis e mendigos.
Fazem o bem aqueles que auxiliam os necessitados, mas, serão bem-aventurados os que dedicarem-se ao bem das coletividades, proporcionando o progresso, e ajudando os desamparados a encontrarem meios de vencerem as duras tribulações da vida terrena com dignidade.
Passarão pela Porta Estreita aqueles que compreendendo não serem vítimas, mas sim que estão cumprindo os desígnios da Lei de Causa e Efeito, vivenciam suas provas com humildade, resignação e amor ao próximo, entendendo que elas fazem parte de um longo processo evolutivo que os conduzirá a Felicidade eterna.
Nota: Caso deseje ter acesso à matéria completa sobre esse tema, consulte o site da USERP no endereço; www.userp.org.br.



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USE – Ciclo 2009
As Parábolas de Jesus à Luz das Leis Morais
Novembro/09;
PARÁBOLA DO MAU RICO E DO POBRE LÁZARO e Reflexões sobre o Ensinamento;

A PORTA ESTREITA ou AS DUAS PORTAS
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PARÁBOLA;
Lucas, cap. XVI, v. 19-31

"Havia um homem rico, que se vestia de púrpura e de linho finíssimo, e que todos os dias se regalava esplendidamente.
Havia também certo mendigo, chamado Lázaro, coberto de chagas, que ficava ao seu portão, desejoso de receber as migalhas que caíam da mesa do rico, mas ninguém lhas dava; e os cães vinham lamber-lhe as úlceras."Morreu o mendigo, e foi levado pelos anjos para o seio de Abraão; morreu também o rico, e foi sepultado. No Hades, estando em tormentos, levantou os olhos e viu ao longe Abraão e a Lázaro no seu seio.
E clamou: “ -- Pai Abraão, tem compaixão de mim! E mande a Lázaro que molhe a ponta do seu dedo, e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama!”
Mas Abraão respondeu: “ -- Filho, lembra-te de que recebeste os teus bens na tua vida e Lázaro do mesmo modo os males; agora, ele está consolado, e tu em tormentos. Demais, entre nós e vós está firmado um grande abismo, de modo que os que querem passar daqui para vós não podem, nem os de lá passar para nós”
Ele replicou: “ -- Pai, eu te rogo, então, que os mandes à casa de meu pai, pois tenho cinco irmãos, para os avisar a fim de não suceder virem eles também para este lugar de tormento!”
Mas Abraão disse: “ -- Eles têm Moisés e os profetas ouçam-nos”
Respondeu ele: “ -- Não, Pai Abraão, mas se alguém for ter com eles dentre os mortos, hão de se arrepender”
Replicou-lhe Abraão: “ -- Se não ouvem a Moisés e aos profetas tampouco se deixarão persuadir, ainda que ressuscite alguém entre os mortos“.
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Alguns esclarecimentos;
Púrpura: Cor vermelha puxando para o roxo – cor que antigamente era normalmente usada pelos nobres
Hades: Na mitologia grega, Hades é o deus do submundo - Situado no mundo inferior, em baixo da superfície terrestre - A palavra latina correspondente a Hades é inférnus , que significa "o que jaz por baixo; a região inferior"
Cairbar Schutel sobre o Hades:
O Hades, não deve ser entendido como um "lugar", mas como um estado de espírito, um estado de sofrimento.
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1011; “-- Haverá no Universo lugares circunscritos para as penas e gozos dos Espíritos, segundo seus merecimentos?“
R.; “ -- As penas e os gozos são inerentes ao grau de perfeição dos Espíritos. Cada um tira de si mesmo o princípio de sua felicidade ou de sua desgraça. E como os Espíritos estão por toda parte, nenhum lugar circunscrito ou fechado existe especialmente destinado a uma ou outra coisa."
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Os antigos acreditavam na existência de um mundo subterrâneo, para o qual iam as almas daqueles que não foram bons na Terra.
O corpo ficava no sepulcro, e o Espírito ia para o Hades: "mundo localizado nas entranhas da Terra". (por isso Jesus citou o Hades, para ser mais bem compreendido na época)
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Abraão;
Alta personagem do Antigo Testamento, deve ter vivido, por volta do 1900 A.C., e é considerado um patriarca por mais da metade da população do planeta (cristãos, judeus e muçulmanos).
- Que é o seio de Abraão?
- É o Mundo Espiritual elevado, da Luz e da Verdade onde os Espíritos são livres e felizes.
- Jesus usa Abraão como referencia de um personagem que representa um mundo Feliz.

 

Porque a Parábola não se chamou; O POBRE E O RICO ?
Por que Jesus deu nome ao pobre, deixando de o fazer ao rico?
Pedro de Camargo (Vinícius) entende o seguinte;
- O Mestre decidiu formular uma parábola sobre as duas categorias de provações, a riqueza e a pobreza.
Voltou seu olhar para a sociedade dos pobres, e encontrou ali um homem paciente e resignado, humilde e cheio de fé, suportando com firmeza a dura prova que lhe fora destinada.
Esse homem chamava-se Lázaro.
Definiu o Senhor: “Eis aqui um dos personagens para a Parábola”
Verificando a seguir a sociedade dos ricos constatou que eram todos, ou quase todos, igualmente egoístas e duros de coração.
Diante disso, concluiu o Mestre, ser mais adequado citar genericamente a figura do rico na Parábola.
Ainda sobre o nome da Parábola;
Outra interpretação (minha e da Márcia Pacciulio);
Como Lázaro era um homem bom e conduzia bem a sua prova, o Mestre resolveu identificá-lo – talvez até o conhecesse – (sabemos de “três” Lázaros, aquele que Jesus fez voltar à vida – que estava em estado de letargia ou catalepsia – esse da Parábola e o Espírito Superior que participou da codificação) Já a postura do rico, como era, e ainda é a mais comum, Jesus preferiu não nominar a ninguém, pois, a pratica do mal não deve ser exaltada e também porque exporia publica e negativamente um Irmão, o que absolutamente não condiz com seu Evangelho.
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Interpretação da Parábola;
Lucas, VI: 24 e 25;
“ ...ai de vós, ricos! Porque tendes a vossa consolação no mundo.
Aí de vós que estais saciados, porque tereis fome. Ai de vós, que rides agora, porque gemereis e Chorareis”
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O Rico só deu importância aos prazeres materiais
É o símbolo daqueles que esquecem-se das leis de amor e fraternidade, que desprezam os valores espirituais.
-Na maioria dos casos, a riqueza material dá uma falsa sensação de independência que os afasta de Deus.
-Vivem apenas para a satisfação física, buscam a felicidade nos gozos da matéria, são os egoístas que vivem unicamente para si, os orgulhosos, não vêem senão o que, e quem lhes pode proporcionar posse e poder, são escravos do dinheiro.
- São insensíveis e indiferentes à miséria e aos sofrimentos do próximo.
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- Ricos e Pobres são Espíritos em provação.
- A Pobreza é uma prova dura.
- A Riqueza é uma prova perigosa;
- Normalmente impede os bons sentimentos em relação ao próximo, desenvolve o egoísmo, acirra o orgulho.
712. Por que Deus colocou o atrativo do prazer na posse e uso dos bens materiais?
“ – Para estimular o homem ao cumprimento de sua missão e experimentá-lo por meio da tentação”
712a. Qual é o objetivo dessa tentação?
“ – Desenvolver sua razão, que deve preservá-lo dos excessos”
883. O desejo de possuir é natural?
– Sim, mas quando é apenas para si e para satisfação pessoal é egoísmo.
913. Entre os vícios, qual se pode considerar o pior?
“ – Já dissemos várias vezes: é o egoísmo; dele deriva todo mal (...)”
715. Como o homem pode conhecer o limite do necessário?
– Aquele que é sensato o conhece pela intuição; muitos o conhecem pela experiência e à sua própria custa.
716ª. A natureza não traçou o limite de nossas necessidades em nossa estrutura orgânica?
– Sim, mas o homem é insaciável. A natureza traçou o limite às suas necessidades no seu próprio organismo, mas os vícios lhe alteraram a constituição e criaram necessidades que não são reais.
717. O que pensar dos que monopolizam os bens da terra para obter o supérfluo em prejuízo dos que precisam do necessário?
– Eles desconhecem a lei de Deus e terão que responder pelas privações que impuseram aos outros.
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• as provas e da riqueza e da beleza (física), são das mais difíceis, uma vez que facilitam a sedução e normalmente afastam os homens de Deus

ESE, Cap. VI, item 6; O Espírito Verdade;
(...) Assim como o vento varre a poeira, que também o sopro dos Espíritos dissipe os vossos despeitos contra os ricos do mundo, que são, não raro, muito miseráveis, porquanto se acham sujeitos a provas mais perigosas do que as vossas.
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Jesus disse;
“ -- É mais difícil um camelo passar pelo buraco de uma agulha, que um rico entrar no Reino dos Céus”
? - agulha como porta comprida das muralhas ?
- O homem rico ser alijado dos Planos Superiores não é uma regra. Jesus deixa isso claro na sua passagem com Zaqueu.
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811. A igualdade absoluta das riquezas é possível e alguma vez já existiu?

– Não, ela não é possível. A diversidade das faculdades e do caráter entre os homens se opõe a essa igualdade.
811a. Entretanto, há homens que acreditam que aí está o remédio para os males da sociedade; que dizeis disso?

– São posições sistemáticas ou ambições ciumentas; eles não compreendem que a igualdade com que sonham seria logo rompida pela força das coisas. Combatei o egoísmo, que é a vossa praga social, e não procureis fantasias.
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A pobreza deixa o homem mais perto de certas virtudes, como; a paciência, a humildade e a fé.
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O rico, ao chegar ao Plano Espiritual deparou-se com as conseqüências das suas escolhas / livre arbítrio.(Lá não tem “jeitinho”)
Q. 275; “O poder e a consideração que um homem desfrutou na Terra, dão-lhe supremacia no mundo dos Espíritos?”
“ – Não; pois que os pequenos serão elevados e os grandes rebaixados....
275-a: “Como devemos entender essa elevação e esse rebaixamento?”
“ – Não sabes que os Espíritos são de diferentes ordens, conforme seus méritos? Pois bem! O maior na Terra pode estar na última categoria entre os Espíritos, ao passo que o seu servo pode estar na primeira. Compreendes isto? Não disse Jesus: “ -- Aquele que se humilhar será elevado e aquele que se elevar será humilhado?’ ”
---------------------------------- Em Depois da Morte Léon Denis acentua:
“ -- Os homens na Terra, estejam vestidos de andrajos ou de suntuosos hábitos, os seus corpos são animados por Espíritos da mesma origem e todos reunir-se-ão na vida futura. Aí somente o valor moral é que os distingue. O que tiver sido grande na Terra pode tornar-se um dos últimos no espaço; o mendigo, talvez, aí, venha a revestir uma brilhante roupagem.”
- Lázaro representa os excluídos
- Os Lázaros, são os que sofrem com resignação ( suportou a fome, a doença, o abandono, toda a sorte de privações), foi humilde, não se revoltou.
- Buscam as coisas do alto, com esperança e paciência.
- Eles sabem que existe um Criador, um Pai Supremo.
- Crêem que após a morte do corpo físico receberão as recompensas, que sabem não lhes faltarão.
- Lázaro fortificou-se na dor;
- Resistiu, venceu, subiu.
- Lázaro retornou ao Plano Espiritual com a Paz do dever cumprido, passou com louvor pela prova.
Lucas, VI: 20 e 21;
“Bem-aventurados, vós que sois pobres, porque o reino dos céus é para vós. Bem-aventurados vós que tendes fome agora, porque sereis saciados. Felizes sois, vós que agora chorais, porque rireis”
• Lázaro passara naquela encarnação pela prova da pobreza e em função de sua resignação, saldara seus débitos com as Leis Divinas – ( provavelmente em vida passada também deve ter se afastado das coisas Divinas, privilegiando as materiais, a exemplo do mau rico )
• Assim, Lázaro não era vítima (como ninguém o é, pois, todos somos regidos pela Lei de Causa e Efeito – colhemos o que plantamos )
• Pela transformação da morte do corpo, Lázaro é feliz no Plano Espiritual;
• Encontra a doce paz da consciência tranqüila e a alegria do combatente que venceu a batalha (prova)
Lázaro foi “vítima” virtual do rico;
O rico nada tinha contra ele;
Na verdade, na embriaguez dos prazeres materiais nem o via.
- Lázaro fora vítima de sua cegueira (do rico), pelo mau uso dos recursos materiais que Deus lhe emprestou.
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888. O que pensar da esmola?
– (...) Numa sociedade baseada na lei de Deus e na justiça, deve-se prover a vida do fraco sem humilhação e garantir a existência daqueles que não podem trabalhar sem deixar sua vida sujeita ao acaso e à boa vontade.
888a. Vós reprovais a esmola?
– Não; não é a esmola que é reprovável, é muitas vezes a maneira como é dada. O homem de bem que compreende a caridade, como Jesus, vai até o infeliz sem esperar que ele estenda a mão.
Ver ESE, Capítulo 13, item 04: “Os Infortúnios ocultos”
Muitos questionam o “dar esmola”, alegando que ao fazê-lo estamos estimulando a acomodação do Irmão necessitado e afastando-o do trabalho que o faria progredir e ter uma vida mais digna. (?)
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- O Rico não lhe fez mal, mas nada fez para amenizar a sua dor.
642. Basta não fazer o mal para ser agradável a Deus e assegurar um futuro melhor?
“– Não. É preciso fazer o bem no limite de suas forças, porque cada um responderá por todo o mal que resulte do bem que não tiver feito”
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Rico;
“ -- Pai Abraão, tem compaixão de mim! E mande a Lázaro que molhe a ponta do seu dedo, e me refresque a língua.
Após o desencarne dos dois, dá-se uma inversão;
- Já não é Lázaro que mendiga do Rico;
- É o rico, agora, que mendiga de Lázaro,
Cada um colhe aquilo que planta (somos herdeiros de nós mesmos)
- O rico queria água;
Era sede de consolação, de esperança, de perdão!
Ele já havia compreendido que a causa das suas dores era a maneira como conduziu sua última encarnação e o remorso queimava a sua consciência!
621. Onde esta escrita a Lei de Deus?
“ -- Na consciência”
Cada um traz consigo o seu próprio juiz.
• Ele queria água, mas a água da vida, da salvação, a mesma água que Jesus havia dado à Mulher da Samaria.
Jesus: (João 4:14) “ ...mas aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede; pelo contrário, a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água que jorre para a vida eterna”
• Ao retornar ao Plano Espiritual, deu mostras que compreendeu o contexto que o envolvia, acordou para a realidade, arrependeu-se.
• Mas o arrependimento não basta, é necessária a reparação.
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O rico pede ajuda;
- Mas como a maioria de nós quando em aflição, implora, na verdade, deseja ter as faltas de toda uma encarnação desconsideradas de um momento para outro,
- Nada pode suspender o curso da Lei de Causa e Efeito.
Jesus; “ -- Digo-te que dali não sairás enquanto não tiveres pago até o último ceitil!”
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Abraão:
“ – ...existe um grande abismo entre nós e vós, de maneira que os que desejam passar daqui para junto de vós, não podem fazê-lo, como também ninguém pode passar do lugar onde estás para aqui.”
• Abraão indicava ao rico que, sem voltar à vida corporal, e a exemplo de Lázaro, sofrer as conseqüências do seu orgulho e egoísmo, ele, o rico, não chegaria ao seu Seio – não tem jeitinho – a natureza não dá saltos
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Q.279; “ -- Todos os Espíritos têm reciprocamente acesso aos diferentes grupos ou sociedades que eles formam?
“ -- Os bons vão a toda parte e assim deve ser, para que possam influir sobre os maus. As regiões, porém, que os bons habitam estão interditadas aos Espíritos imperfeitos, a fim de que não as perturbem com suas paixões inferiores.”
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Leon Denis em No Invisível :
“O grau de pureza de sua forma fluídica atesta a riqueza ou a indigência da alma. Etérea, radiosa, pode elevar-se até as esferas divinas, penetrar-se das mais sublimes harmonias; opaca, tenebrosa, precipita-se nas regiões inferiores e nos arrasta aos mundos de luta e sofrimento. Assim, para determinada camada, convergem os que se afinam não só pelos caracteres psíquicos, mas também pela densidade do Perispírito. Existe, dessa forma, um impedimento “material” e espiritual para que os ocupantes dos níveis inferiores possam chegar pela sua livre vontade em níveis mais altos, o que não ocorre com os mais elevados, capazes de manipular os fluidos e moldar seu perispírito com materiais extraídos das atmosferas mais densas, sendo-lhes permitido cumprir missões de resgate e esclarecimento junto aos mais imperfeitos”
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Podemos dizer que o peso específico do Perispírito define o nível evolutivo do Espírito, e que eles se colocam por “gravidade” no exato lugar do seu merecimento.
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- Após os esclarecimentos de Abraão, o rico percebe, compreende, o porquê de seu atual padecer e o da felicidade de Lázaro.
- Passa a ter consciência das razões de seu fracasso. Sente-se angustiado, o remorso queima sua consciência, compreendeu o contexto que o envolvia, acordou para a realidade, arrepende-se.
Reconhecer-se em erro, arrepender-se é o primeiro e o mais importante passo para uma mudança de postura,
Mas não basta, é necessária a reparação.

O rico;
“ -- Então eu te suplico, pai Abraão, que o mandes à casa de meu pai, onde tenho cinco irmãos, para lhes contar estas coisas, a fim de que eles também não venham para este lugar de tormentos”
- Ele não diz; “ -- Manda avisar a todos que agem como eu agi” , e sim pede para alertar aos seus irmãos;
O Amor ensinado por Jesus faria com que pensasse em todos os que estivessem na mesma situação, – ele fez o que faria a maioria de nós; procurar proteger os “seus”
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Abraão;
“ -- Eles têm Moisés e os profetas, que os ouçam”
(Se a Parábola fosse contada hoje, Ele poderia dizer;
“— Eles tem Moisés, os Profetas, o Meu Evangelho e o Consolador que eu mesmo prometi, a Doutrina Espírita “ )
Q 619. Deus deu a todos os homens meios de conhecer Sua lei?
“ – Todos podem conhecê-la, mas nem todos a compreendem; os que a compreendem melhor são os homens de bem e os que procuram pesquisá-la; entretanto, todos a compreenderão um dia, porque é preciso que o progresso se realize”
Kardec;
A justiça das diversas encarnações do homem é uma conseqüência desse princípio, uma vez que a cada nova existência sua inteligência é mais desenvolvida e compreende melhor o bem e o mal.
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Mas o rico insistiu com Abraão;
“ -- Mas, Pai Abraão, se algum dos mortos for ter com eles, e lhes falar, lhes aparecer, e a eles se manifestar, hão de se arrepender."
Desejava que seus irmãos recebessem uma manifestação dos “mortos”, porque entendia que, por essa forma, eles compreenderiam o quanto estavam enganados pelos caminhos escolhidos.
Algumas considerações:
- UM AVISO ESPECIAL aos seus, SERIA UM PRIVILÉGIO – inconcebível na justiça Divina
- Seria também uma interferência no Livre Arbítrio dos Irmãos.
843. O homem tem o livre-arbítrio dos seus atos?
“--Visto que tem a liberdade de pensar, tem igualmente a de fazer. Sem o livre-arbítrio, o homem seria máquina”
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- Os homens que se entregam aos prazeres sensuais, ficam animalizados e inacessíveis às vibrações e inspirações que os bons espíritos tentam lhe transmitir.
- Só elevando nosso pensamento é que nos colocamos em condições de receber as inspiração do Alto.
- Jesus ao incluir na Parábola o pedido do rico, para que fosse enviado um Espírito para alertar os seus irmãos, deixa clara a possibilidade de comunicação entre os “dois mundos”
- Referência explicita às manifestações mediúnicas (citadas muitas vezes nas Escrituras)
- As comunicações de além-túmulo fazem parte da crença universal desde a antiguidade.
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A PORTA ESTREITA; Mateus, VII: 13 e 14;
“ -- Entrai pela porta estreita, porque a porta da perdição é larga, o caminho que a ela conduz é espaçoso, e existem muitos que entram por ela. Como é pequena a porta da vida! Como é estreito o caminho que a ela conduz! E como são poucos os que o encontram!”
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909. O homem poderia sempre vencer suas más tendências pelos seus esforços?
– Sim, e algumas vezes com pouco esforço; é a vontade que lhe falta. Como são poucos dentre vós os que se esforçam!
---------------------------------------ESE, Cap. 18, A Porta Estreita, item 5;
- A porta da perdição é larga, porque as más paixões são numerosas, e porque é maior o número dos que freqüentam o caminho do mal. A da salvação é estreita, porque o homem que quer atravessá-la deve fazer grandes esforços sobre si mesmo para vencer suas más tendências, e poucos são os que a isso se submetem.
A porta estreita simboliza a difícil caminhada do espírito em busca da luz; a porta larga, o roteiro fácil do espírito pelo caminho do erro e da perdição.
Jesus; “Nenhuma de minhas ovelhas se perderá”
• O Mestre deixa claro que todos um dia passarão pela Porta Estreita adentrando os Mundos Felizes.
• A questão é sair da inércia e dependendo do uso do nosso Livre Arbítrio, chegar mais rápido ou mais lentamente à Porta Estreita, por onde hoje muito poucos passam...
- Ganham o direito de passar pela Porta Estreita, aqueles que são verdadeiramente felizes em praticar o bem.
- São aqueles que entendem (vivenciam) que “O jugo é suave e o fardo é leve”
- Para aquele que já está, há algum tempo, lutando o bom combate da Reforma Íntima, a porta estreita é vista de maneira diferente da dos materialistas;
- As coisas materiais já não lhe importam, não tem apego.
- O mundo material e a encarnação são vistos e sentidos como uma escola de aperfeiçoamento e uma oportunidade de resgate de débitos, principalmente pelo exercício da Caridade.
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A ponte, o “link” da Parábola do Rico e Lázaro e o Ensinamento a Porta Estreita;
- O Rico, não fez bom uso da oportunidade que foi concedida, ligando-se exclusivamente aos prazeres materiais, sem “olhar” para os Irmãos do caminho em dificuldades, optou pela estrada larga da vida, pelos prazeres da matéria.
- Sofreu no Plano Espiritual no lugar que lhe cabia por merecimento e certamente reencarnou passando por privações de ordem material, para que vivenciando a experiência da pobreza, viesse a mudar de postura e reformar-se até poder um dia passar pela Porta Estreita ....
- Lázaro ao contrário soube aproveitar a oportunidade, a prova, com paciência, humildade, resignação, conquistando o acesso à Porta Estreita, que o conduziu a um Mundo Feliz.
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Outras considerações (gerais);
- Existem na Terra ricos que são verdadeiros luminares, autênticos apóstolos do bem.
- Por outro lado, também existem pobres materialmente falando, que são muito cruéis e dotadas de grande capacidade para a pratica do mal.
- Também são muitos os desafortunados que inconformados com a vida, apontam os Céus como responsável pelas suas dificuldades, revoltam-se e perdem a oportunidade que lhes foi concedida, tendo que repetir as provas, que muitas vezes serão ainda mais penosas.
- Que devemos compreender que o Evangelho não foi revelado ao mundo para a transformação de todos os homens em miseráveis e mendigos.
- Que fazem o bem aqueles que auxiliarem os necessitados, mas, serão bem-aventurados os que dedicarem-se ao bem das coletividade, proporcionando o progresso, e ajudando os desamparados a encontrarem meios de vencerem as duras tribulações da vida terrena com dignidade.
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Depoimentos relacionados ao tema em O CÉU E O INFERNO
2ª PARTE - CAPÍTULO IV, ESPÍRITOS SOFREDORES
* 3 Depoimentos;
- O CASTIGO, Espírito Georges
- EXPROBRAÇÕES DE UM BOÊMIO
- FRANÇOIS RIQUIER
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Carlos Drummond de Andrade; “A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade”
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BIBLIOGRAFIA;
- Evangelhos de Lucas e Mateus
- O Livro dos Espíritos
- O Evangelho Segundo o Espiritismo
- Céu e Inferno
- Parábolas e Ensinos de Jesus – Cairbar Schutel
- Nas Pegadas do Mestre - (Pedro de Camargo - Vinicius)
- Sites; Comunidade Espírita, Portal do Espírito



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As Parábolas de Jesus à Luz das Leis Morais

Parábola da Candeia

Márcia Pacciulio
marcia_pacciulio@yahoo.com.br

 

Introdução:

No relato de Mateus a parábola da Candeia está inserida no Sermão do Monte (5:1 a 48; 6:1 a 34 e 7:1 a 29).

Embora tenha sido dirigido inicialmente aos discípulos, esse sermão foi acompanhado por uma enorme multidão que tinha vindo “da Galiléia, de Decápolis, de Jerusalém, da Judéia e de além do Jordão” (Mt, 4:25), procurando conhecer Jesus e ouvir o seu verbo iluminado.

Muitos consideram o Sermão do Monte o principal discurso de Jesus, aquele em que teria exposto pela primeira vez as propostas moralizadoras e regeneradoras da Boa Nova, utilizando-se de linguagem simples e de fácil entendimento.

O Sermão do Monte inicia-se com as 7 Bem-Aventuranças (Mt, 5: 1 a 12) que relacionam as disposições íntimas e as virtudes necessárias à todo aquele que deseja “entrar no Reino dos Céus” e tornar-se um bem-aventurado (feliz).

Logo em seguida, Jesus exorta os discípulos e todos aqueles que “têm ouvidos de ouvir”, que empreguem as suas conquistas interiores em benefício dos semelhantes, sem se deixarem corromper (Vós sois o sal da terra) e sem ocultarem os benefícios que a prática do conhecimento da Verdade já lhes despertava (Vós sois a luz do mundo).

Mais adiante (Mt, 6: 19 a 24), Jesus alerta para a necessidade de colocarmos os valores espirituais acima dos valores materiais temporais ( Não ajunteis tesouros na Terra... mas ajuntai tesouros no céu) e sugere que vigiemos a nossa forma de ver e analisar as coisas, para que tiremos melhor proveito do conhecimento da Verdade para o nosso progresso espiritual (A candeia do corpo é o olho).

Para os nossos estudos estaremos considerando estas duas passagens em que a figura da candeia é utilizada por Jesus com o intuito de exortar seus discípulos a assumirem novas responsabilidades que a propagação da Boa Nova lhes cobraria à partir de então. (Vide nota nº1).


Uma proposta de Leitura da Parábola da Candeia :

“Vós sois a luz do mundo: não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte; nem se acende a candeia e se coloca debaixo do alqueire, mas no velador, e dá luz a todos que estão na casa. Assim, resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus” (Mt, 5: 14 a 16).

Em todas as épocas, a luz sempre foi utilizada pelos iniciados de diferentes doutrinas ou religiões como um símbolo para a sabedoria que advém da compreensão da verdade.

“Vós sois a luz do mundo” é uma metáfora (vide nota nº 3) utilizada por Jesus para transmitir aos seus discípulos a responsabilidade que lhes cabia diante do mundo, pelo fato de terem travado contato com a verdade através dele, que por sua vez, a tinha recebido diretamente do Pai (“Porque eu não tenho falado de mim mesmo; mas o Pai, que me enviou, ele me deu mandamento sobre o que hei de dizer e sobre o que hei de falar” – Jo, 12: 49).

Sobre Jesus, diria João, o Evangelista: “Ali estava a luz verdadeira, que alumia a todo o homem que vem ao mundo” (Jo, 1: 9); (vide questão 625 de O Livro dos Espíritos e comentário de Kardec).

Como bom semeador que é, ao mesmo tempo em que recomenda aos seus discípulos que a verdade deve ser uma luz que não “pode ser colocada debaixo do alqueire” (não deve ser ocultada), dá o exemplo de como ela deve ser dosada da forma mais adequada a quem é dirigida: “Eu lhes falo em parábolas, porque eles não estão em condições de compreender certas coisas; eles vêem, olham, ouvem e não compreendem; assim, dizer-lhes tudo, ao menos agora, seria inútil; mas a vós o digo, porque já vos é dado compreender esses mistérios” (Evangelho Segundo o Espiritismo – capítulo 24, item 4). Vide também a nota nº4.

“Deve notar-se que Jesus só se exprimiu em parábolas sobre as questões, de alguma maneira, abstratas da sua Doutrina. Mas, tendo feito da caridade e da humildade a condição expressa da salvação, tudo o que disse a esse respeito é perfeitamente claro, explícito e sem nenhuma ambiguidade. Assim devia ser, porque se tratava de regra de conduta, regra que todos deviam compreender, para poderem observar... Sobre outras questões, só desenvolvia os seus pensamentos para os discípulos. Estando eles mais adiantados, moral e intelectualmente, Jesus podia iniciá-los nos princípios mais abstratos... não obstante, mesmo com os apóstolos, tratou de modo vago sobre muitos pontos, cuja inteligência completa estava reservada aos tempos futuros” (E.S.E. – capítulo 24, item 6); (vide também as questões 627 e 628 de O Livro dos Espíritos).

A prioridade na missão dos discípulos do Cristo era, portanto, a divulgação dos princípios morais do Evangelho, em espírito e verdade, ou seja, transformar em vivência o conhecimento adquirido junto a Jesus: esclarecer, consolar, curar e praticar toda forma de caridade ao seu alcance. Iriam levar a Boa Nova para homens ainda ignorantes e atrasados moralmente, para os quais a compreensão de um Deus misericordioso, justo e bom era extremamente difícil. Desse modo, a observância do Evangelho pelos discípulos serviria de modelo a esses homens ainda embrutecidos e os aproximaria da compreensão necessária à sua futura edificação: “Assim, brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus” (vide as seguintes questões de O Livro dos Espíritos: 768 – Lei de Sociedade e 779 – Lei de Progresso).

Mais uma vez, os discípulos deveriam seguir o exemplo daquele que foi “A luz verdadeira”: “Vendo os feitos e curas admiráveis de Jesus, o povo judeu maravilhou-se e glorificou a Deus, que dera tal poder aos homens” (Mt, 9:8).

Por que Jesus comparava os discípulos às candeias?

As candeias são os instrumentos que produzem a luz. A luz se produz no interior da candeia como resultado da combustão do óleo, assim como a luz dos discípulos do Cristo deve se desenvolver primeiramente em seu íntimo, como resultado de sua capacidade de interpretar a verdade e apropriar-se dela para a sua transformação moral. Os discípulos são candeias a iluminarem os corações e as mentes daqueles que ainda não dispõem de luz, até que aprendam a cultivar luz própria, pois todos necessitaremos dela para atingirmos a perfeição e conhecermos a verdadeira felicidade (vide questão 780-a de O Livro dos Espíritos).

O Espírito Emmanuel (Caminho, Verdade e Vida – Lição 180) afirma: “Em meio da grande noite, é necessário acendamos nossa luz. Sem isso é impossível encontrar o caminho da libertação... Nossa necessidade básica é de luz própria, de esclarecimento íntimo, de auto-iluminação, de conversão substancial do eu ao Reino de Deus”.

Os indivíduos-candeia seguem à frente, clareando caminhos sem violentar o livre-arbítrio daqueles que lhes seguem os passos, mas oferecendo-lhes as “ferramentas” de que precisam para alcançarem discernimento próprio (vide a questão 804 de O Livro dos Espíritos).

Mas, a qualidade da luz depende da qualidade do combustível que produz a luz.

Assim é que, mais adiante no Sermão do Monte, Jesus volta a se utilizar da figura da candeia:

“A candeia do corpo são os olhos; de sorte que, se teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz; se, porém, os teus olhos forem maus, o teu corpo será tenebroso. Se, portanto, a luz que em ti há são trevas, quão grandes serão tais trevas!” (Mt, 6: 22 e 23).

Esta parábola é uma advertência para que os discípulos vigiassem a forma como viam e interpretavam os acontecimentos à sua volta, porque disso dependeria a qualidade da luz que produziriam. Basta que recuemos na história para que encontremos diversas épocas em que as trevas se disseminaram pelo mundo porque aqueles que detinham a verdade e que deveriam ser as candeias da humanidade optaram por ocultar ou adulterar a luz, deixando-se guiar pelo personalismo e o preconceito ou corrompendo-se pela ambição de poder e pela riqueza.

Sendo a Doutrina Espírita o Consolador Prometido pelo Cristo (Jo, 14: 15 a 17 e 26), tem como principal finalidade o restabelecimento do Cristianismo em espírito e verdade: “Estamos encarregados de preparar o Reino de Deus anunciado por Jesus, e por isso é necessário que ninguém possa interpretar a lei de Deus ao sabor de suas paixões, nem falsear o sentido de uma lei que é toda amor e caridade” (Livro dos Espíritos, questão 627- Lei Divina ou Natural). Vide também a questão 801 – Lei de Progresso.

E como estamos em outubro, que é o mês em que se comemora o nascimento de Allan Kardec, não poderíamos deixar de lembrar que ele foi uma verdadeira “candeia”, um discípulo do Cristo, que trabalhou até o sacrifício de si mesmo para a codificação da Doutrina Espírita, que é o Consolador prometido por Jesus, vivenciando em Espírito e Verdade essa doutrina, lançando luz sobre o nosso entendimento e ampliando a compreensão de nossa origem, nosso destino e a finalidade de nossa existência.

Os espíritas conscientes da missão do Espiritismo e que se disponibilizam como instrumentos da Espiritualidade na propagação da Doutrina Espírita são as candeias da atualidade, para os quais as orientações deixadas por Jesus aos seus discípulos são de extrema importância e devem sempre ser estudadas e levadas à reflexão, por serem muito atuais.

Finalmente, queremos destacar o conselho de Emmanuel ao divulgador espírita:

“Ensinemos o caminho da redenção, tracemos programas salvadores onde estivermos; brilhe a luz do Evangelho em nossa boca ou em nossa frase escrita, mas permaneçamos convencidos de que se esses clarões não descortinam as nossas boas obras, seremos invariavelmente recebidos no ouvido alheio e no alheio entendimento, entre a expectação e a desconfiança, porque somente em fundido pensamento, verbo e ação, no ensinamento do Cristo Jesus, haverá em torno de nós glorificação construtiva ao Nosso Pai que está nos Céus” (Vinha de Luz – lição 159). Vide também a questão 841 – Lei de Liberdade – O Livro dos Espíritos.


Notas Importantes:

1 - No relato de Lucas a Parábola da Candeia não faz parte do Sermão do Monte (Lc, 6: 17 a 49), mas aparece também como parte da orientação dada por Jesus aos discípulos, em um momento em que eles se encontravam rodeados pelo povo:

“E ninguém, acendendo uma candeia, a põe em oculto, nem debaixo do alqueire, mas no velador, para que os que entram vejam a luz. A candeia do corpo é o olho. Sendo, pois, o teu olho simples, também todo o teu corpo será luminoso; mas, se for mau, também o teu corpo será tenebroso. Vê, pois, que a luz que em ti há não seja trevas. Se, pois, todo o teu corpo é luminoso, não tendo em trevas parte alguma, todo será luminoso, como quando a candeia te alumia com o seu resplendor.” (Lu, 11: 33 a 36).

2 - Questões de O Livro dos Espíritos utilizadas nesse estudo:

Questão 625 (Lei Divina ou Natural): Qual o tipo mais perfeito que Deus ofereceu ao homem para lhe servir de guia e de modelo?

R: Vede Jesus.

Comentário de Allan Kardec: “Jesus é para o homem o tipo da perfeição moral a que pode aspirar a Humanidade na Terra. Deus no-lo oferece como o mais perfeito modelo e a doutrina que ele ensinou é a mais pura expressão de sua lei, porque ele estava animado do espírito divino e foi o ser mais puro que já apareceu na Terra...”

Questão 627 (Lei Divina ou Natural): Desde que Jesus ensinou as verdadeiras leis de Deus, qual é a utilidade do ensinamento dado pelos Espíritos? Têm eles mais alguma cosa para nos ensinar?

R: O ensino de Jesus era frequentemente alegórico e em forma de parábolas, porque ele falava de acordo com a época e os lugares. Faz-se hoje necessário que a verdade seja inteligível para todos. É preciso, pois, explicar e desenvolver essas leis, tão poucos são os que as compreendem e ainda menos os que as praticam...O ensinamento dos Espíritos deve ser claro e sem equívocos a fim de que ninguém possa pretextar ignorância e cada um possa julgá-lo e apreciá-lo com sua própria razão...”

Questão 628 (Lei Divina ou Natural): Por que a verdade não esteve sempre ao alcance de todos?

R: É necessário que cada coisa venha a seu tempo. A verdade é como a luz: é preciso que nos habituemos a ela pouco a pouco, pois de outra maneira nos ofuscaria...

Questão 768 (Lei de Sociedade): O homem, ao buscar a sociedade, obedece apenas a um sentimento pessoal ou há também nesse sentimento uma finalidade providencial, de ordem geral?

R: O homem deve progredir, mas sozinho não o pode fazer porque não possui todas as faculdades; precisa do contato dos outros homens. No isolamento ele se embrutece e se estiola.

Questão 779 (Lei de Progresso): O homem tira de si mesmo a energia progressiva ou o progresso não é mais do que o resultado de um ensinamento?

R: O homem se desenvolve por si mesmo, naturalmente, mas nem todos progridem ao mesmo tempo e da mesma maneira; é então que os mais adiantados ajudam os outros a progredir, pelo contato social.

Questão780-a (Lei de Progresso): Como o progresso intelectual pode conduzir ao progresso moral?

R: Dando a compreensão do bem e do mal, pois então o homem pode escolher. O desenvolvimento do livre-arbítrio segue-se ao desenvolvimento da inteligência e aumenta a responsabilidade do homem pelos seus atos.

Questão 801 (Lei de Progresso): Por que os Espíritos não ensinaram desde todos os tempos o que ensinam hoje?

R: Não ensinais às crianças o que ensinais aos adultos e não dais ao recém-nascido um alimento que ele não possa digerir. Cada coisa tem o seu tempo. Eles ensinaram muitas coisas que os homens não compreenderam ou desfiguraram, mas que atualmente podem compreender. Pelo seu ensinamento, mesmo incompleto, prepararam o terreno para receber a semente que vai agora frutificar.

Questão 804 (Lei de Igualdade): Por que Deus não deu as mesmas aptidões a todos os homens?

R: Deus criou todos os Espíritos iguais, mas cada um deles viveu mais ou menos tempo e, por conseguinte, realizou mais ou menos aquisições; a diferença está no grau de experiência e na vontade, que é o livre-arbítrio: daí decorre que uns se aperfeiçoam mais rapidamente, o que lhes dá aptidões diversas. A mistura de aptidões é necessária a fim de que cada um possa contribuir para os desígnios da Providência, nos limites do desenvolvimento de suas forças físicas e intelectuais; o que um não faz, o outro faz, e é assim que cada um tem a sua função útil...

Questão 841 (Lei de Liberdade): Devemos, por respeito à liberdade de consciência, deixa que se propaguem as doutrinas perniciosas ou podemos, sem atentar contra essa liberdade, procurar conduzir para o caminho da verdade os que se desviaram para falsos princípios?

R: Certamente se pode e mesmo se deve; mas ensinai, a exemplo de Jesus, pela doçura e persuasão e não pela força,porque seria pior que a crença daquele a quem desejásseis convencer. Se há alguma coisa que possa ser imposta é o bem e fraternidade,mas não acreditamos que o meio de fazê-lo seja a violência; a convicção não se impõe.

3 - Diferença entre Símile, Metáfora e Parábola:

Símile: É uma analogia.

Exemplo: “Como um cordeiro mudo diante daquele que o tosquia”.

Metáfora: É uma palavra usada fora de sua significação natural, por semelhança subtendida.

Exemplo: “Vós sois a luz do mundo”.

Parábola: É uma narrativa alegórica que encera doutrina moral.

Exemplo: as parábolas de Jesus.

4 - Por que Jesus ensinava por parábolas?

- Ao usar elementos simples do dia-a-dia do povo, conseguia fornecer imagens de grande poesia e/ou impacto, revelando algo da vida espiritual ou apresentando sua doutrina moral.

- Podia falar as mais duras verdades sem se expor aos adversários, que o queriam apanhar em falta.

- Por serem estórias, não sofreram as alterações com que a ignorância ou má fé de tradutores, copiadores e divulgadores prejudicou o registro de alguns de seus ensinos.

- O ensino por parábolas já era conhecido dos hebreus que, como outros povos orientais, a empregavam muito.

Exemplos:

“Inclinarei os meus ouvidos a uma parábola; decifrarei o meu enigma na harpa”(Salmos, 49:4).

“Abrirei a minha boca n’uma parábola; proporei enigmas da antiguidade” (Salmos, 78:2).

“... e o entendido adquira habilidade para entender provérbios e parábolas, as palavras e enigmas dos sábios” (Provérbios, 1: 6).

Bibliografia:

- O Evangelho Segundo o Espiritismo – Allan Kardec.

- O Livro dos Espíritos – Allan Kardec.

- O Novo Testamento – Edição dos Gideões Internacionais.

- Estudos Espíritas do Evangelho – Therezinha Oliveira.

- Caminho, Verdade e Vida – Emmanuel/Chico Xavier, Lição 180.

- Palavras de Vida Eterna – Emmanuel/ Chico Xavier, Lição 13.

- Fonte Viva – Emmanuel/ Chico Xavier, Lição 105.

- Vinha de Luz – Emmanuel/ Chico Xavier, Lição 159.



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PARÁBOLA DO JOIO E DO TRIGO

elianemacarini@yahoo.com.br

O reino dos céus é semelhante a um homem que semeou boa semente no seu campo; as, enquanto os homens dormiam, veio o inimigo dele, semeou joio no meio do trigo, e retirou-se. E, quando a erva cresceu e produziu fruto, apareceu também o joio. Então, vindo os servos do dono da casa, lhe disseram: Senhor, não semeaste boa semente no teu campo? Donde vem, pois, o joio? Ele, porém, lhes respondeu: Um inimigo fez isso. Mas os servos lhe perguntaram: Queres que vamos e arranquemos o joio? Não! replicou ele, para que, ao separar o joio, não arranqueis também com ele o trigo. Deixai-os crescer juntos até a colheita, e, no tempo da colheita, direi aos ceifeiros: Ajuntai primeiro o joio, atai-o em feixes para ser queimado; mas o trigo, recolhei-o no meu celeiro." (Mateus, XIII: 24-30)

A vivência do ser em busca de sua evolução pressupõe intrínseco processo educativo, que acontece através de suas várias experiências entre os dois mundos. É-nos de primordial importância nesse caminhar constante e de transformação abençoada, o conhecimento de nossa origem. Origem que remonta ao momento de nossa criação, simples e ignorantes, porém todos, sem exceção, dotados de uma consciência, na qual se encontram gravadas, através do amor imensurável de nosso Pai Amoroso, as Leis Naturais, a Lei de Deus, “eterna e imutável, como o próprio Deus.”
A bondade de Deus nos presenteou com a presença de seu filho Jesus, nosso irmão abençoado, que viveu entre nós com um único e maior objetivo: auxiliar-nos a acordar a consciência adormecida, através de seus exemplos magníficos, de amor e perdão. Um desses excelentes momentos podemos encontrar na Parábola do Joio e do Trigo; quando Jesus fala do campo, vislumbramos aí uma importante referência a humanidade, nós somos as sementes que foram semeadas.
As sementes de trigo que representam os filhos do reino, o homem bom, aquele que auxilia ao seu próximo, sem julgá-lo em suas limitações, porque já consegue fazer o bem pelo bem; como também são encontradas as sementes de joio, que representam o homem mal, filhos do inimigo, aqueles que ainda transitam pelas trevas de sua própria mente, que ainda não conseguem diferenciar a verdadeira felicidade, baseada no altruísmo em benefício de todos, mas ainda se iludem em busca de prazeres imediatos, tão materiais quanto a sua visão do mundo; e, o inimigo, a figura do mal, sobre a Terra, aparência transitória, se acreditamos em nossa origem divina. “A lei de Deus é a mesma para todos; mas o mal depende, sobretudo, da vontade que se tenha de fazê-lo. O bem é sempre o bem e o mal sempre mal, qualquer que seja a posição do homem; a diferença está no grau de Responsabilidade. (O Livro dos Espíritos – Livro III – Cap. I - Ítem III – O Bem e o Mal – Q. 636)
O semeador, Jesus, o mestre dos mestres, que quando questionado sobre a possibilidade de se arrancar o joio, responde: “Não! para que, ao separar o joio, não arranqueis também com ele o trigo. Deixai-os crescer juntos até à colheita, ...” , ou seja, dê-lhes oportunidade de conviver, partilhar, trocar emoções, sentimentos, conhecimentos, e vivenciar a oportunidade da transformação, experimentando algo melhor, para que no futuro possam comparar com o que conhecem; e somente com a observação do outro podemos questionar sobre as diferenças e avaliar, sem julgar.
E ainda acrescenta: “e, no tempo da colheita, direi aos ceifeiros: Ajuntai primeiro o joio, atai-o em feixes para ser queimado; mas o trigo, recolhei-o no meu celeiro", em mensagem de esperança, que nos lembra sublime fala do Mestre: "os mansos herdarão a Terra", e para aqueles que ainda persistirem na prática do mal, haverá esperança em mil formas diferentes e necessárias ao seu processo reeducativo.
A esperança é sempre a base desses ensinamentos, a diversidade evolutiva dos habitantes do planeta, deixa de ser uma chaga a corromper corações e mentes, e passa a ser instrumento de evolução, pois partilhar com o irmão a nossa retaguarda, o pouco que sabemos é cooperar no processo de educação de todos nós; como também, ter a humildade de aceitar que temos muito ainda a aprender com espíritos mais adiantados, o que nos torna mais felizes, menos orgulhosos e menos vaidosos.
Na questão 804, de O Livro dos Espíritos, encontramos a seguinte resposta dos amigos espirituais: “Necessária é a variedade das aptidões, a fim de que cada um possa concorrer para a execução dos desígnios da Providência, no limite do desenvolvimento de suas forças físicas e intelectuais.
Alteridade, uma palavra que muito se tem ouvido em nosso momento histórico, que quer dizer: estado de ser o outro; concepção que parte do pressuposto básico de que todo o homem social interage e interdepende de outros indivíduos; isso se refere a “amar ao teu próximo como a ti mesmo.”

Eliane Macarini



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AS PARÁBOLAS DE JESUS À LUZ DAS LEIS MORAIS
MATERIAL DE APOIO AOS EXPOSITORES DA USE-RP
AGOSTO 2009

EDEGAR TÃO
Edegar.tao@mac.com

AS PARÁBOLAS DA OVELHA PERDIDA e DA DRACMA PERDIDA

 

A PARÁBOLA DA OVELHA PERDIDA
LUCAS 15:3-7

“Então, lhes propôs Jesus esta parábola:
Qual, dentre vós, é o homem que, possuindo cem ovelhas e perdendo uma delas, não deixa no deserto as noventa e nove e vai em busca da que se perdeu, até encontrá-la? Achando-a, põe-na sobre os ombros, cheio de júbilo. E, indo para casa, reúne os amigos e vizinhos, dizendo-lhes: Alegrai-vos comigo, porque já achei a minha ovelha perdida. Digo-vos que, assim, haverá maior júbilo no céu por um pecador que se arrepende do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento.”

 

A PARÁBOLA DA DRACMA PERDIDA
LUCAS 15:8-10

“Ou que mulher há que, tendo dez dracmas, e, perdendo uma, não acenda a candeia e não varra a casa, e não a busque com muito empenho, até que a ache? E que, depois de a achar, não convoque as suas amigas e vizinhas, para lhes dizer: Congratulai-vos comigo, porque achei a, dracma que tinha perdido?
Assim vos digo eu que haverá júbilo entre os anjos de Deus por um pecador que faz penitência.”

 

CONTEXTUALIZANDO...

Instantes antes de proferir as parábolas, conforme narra o Evangelho de Lucas:

Jesus recebe os pecadores

“Aproximavam-se de Jesus todos os publicanos e pecadores para ouvir. E murmuravam os fariseus e os escribas, dizendo: Este recebe pecadores e come com eles.” Lucas 15:1-2

Mais uma vez, fariseus e escribas, criticam o comportamento de Jesus ao vê-lo entre os publicanos, meretrizes e outros considerados pecadores.

Lembremos que os fariseus formavam numeroso e influente grupo. Legalistas rigorosos, defendiam a rígida observância da letra, das formas da Lei e das tradições, mas na sua maioria, eram conhecidos pelo orgulho, cobiça, crueldade, justiça própria e hipocrisia.

Os escribas, por outro lado, eram copistas dos textos sagrados e também encarregados de ensinar a Lei. Se posicionavam como peritos na interpretação e aplicação da Lei, e em outras Escrituras do Velho Testamento.

As tradições orais cresciam continuamente e o estudo das escrituras desenvolveu excessivo rigor para com detalhes menores, onde a obsessão pelas letras rompia a essência das mensagens na sua origem.

Jesus narra em Marcos 7:6-8:

“Respondeu-lhes: Bem profetizou Isaías a respeito de vós, hipócritas, como está escrito:

Este povo honra-me com os lábios, mas seu coração está longe de mim. E em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens.
Negligenciando o mandamento de Deus, guardais a tradição dos homens”.
Os publicanos prestavam serviços ao Império Romano e não formavam grupo religioso ou político. Eram desrespeitados e odiados pelos judeus, em manifestações explícitas de preconceito e segregação, que os consideravam tão pecadores quanto as meretrizes.

 

QUEM SÃO OS NECESSITADOS...
MATEUS 9:10-13

“E aconteceu que, estando ele em casa sentado à mesa, chegaram muitos publicanos e pecadores, e sentaram-se juntamente com Jesus e seus discípulos. E os fariseus, vendo isto, disseram aos seus discípulos: Por que come o vosso Mestre com os publicanos e pecadores? Jesus, porém, ouvindo, disse-lhes:
Não necessitam de médico os sãos, mas, sim, os doentes. Ide, porém, e aprendei o que significa: Misericórdia quero, e não sacrifício. Porque eu não vim a chamar os justos, mas os pecadores, ao arrependimento”.

 

O BOM PASTOR
JOÃO 10:7-11

“Tornou, pois, Jesus a dizer-lhes: Em verdade, em verdade vos digo que eu sou a porta das ovelhas. Todos quantos vieram antes de mim são ladrões e salteadores; mas as ovelhas não os ouviram.

Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, salvar-se-á, e entrará, e sairá, e achará pastagens. O ladrão não vem senão a roubar, a matar, e a destruir; eu vim para que tenham vida, e a tenham com abundância.

Eu sou o bom Pastor; o bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas.”.

“Eu sou o bom Pastor, e conheço as minhas ovelhas, e das minhas sou conhecido.
Assim como o Pai me conhece a mim, também eu conheço o Pai, e dou a minha vida pelas ovelhas.

Ainda tenho outras ovelhas que não são deste aprisco; também me convém agregar estas, e elas ouvirão a minha voz, e haverá um rebanho e um Pastor.”

“As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu conheço-as, e elas me seguem; E dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará da minha mão.

Meu Pai, que mas deu, é maior do que todos; e ninguém pode arrebatá-las da mão de meu Pai.”

 

AS IMAGENS DAS PARÁBOLAS

Como já estudamos em outras ocasiões, Jesus utiliza-se das parábolas para seus ensinamentos, oportunizando valiosas lições que identificam-se com seus ouvintes, traçando elementos simples, lúdicos e naturais ao cotidiano do povo daquela época. Estas imagens e as circunstâncias em que são apresentadas formam o veículo de ligação para as verdades celestiais que Jesus anunciava.

Entre outras, as imagens de ovelhas e pastores, assim, ancoravam com naturalidade as idéias e sentimentos que Jesus semeava no coração de todos.
As ovelhas são animais frágeis que necessitam de orientação e indicação do caminho, alguém que as proteja e alimente, cuidando e livrando-as do perigo; dirigindo-as ao aprisco seguro.

Profundamente dóceis, as ovelhas não possuem nenhum mecanismo natural de defesa, sendo comumente associadas à idéia de brandura e inocência.
Sociais, em grupo se protegem, mantendo-se coesas e fortalecidas nos blocos que formam.

Isoladas, porém, são presas vulneráveis sucumbindo facilmente às armadilhas dos predadores que as espreitam.

Sem o pastor e os cuidados que dele advém, nada podem.

O Pastor responsabiliza-se pelas ovelhas de seu rebanho. Desta forma, deve ele cuidar de todas elas, dedicando atenção, carinho e vigilância; localizando as melhores pastagens, as fontes de água fresca e cristalina, os locais mais seguros e tudo o mais que seja necessário a fim de que as ovelhas vivam saudáveis.

 

PRIMEIRAS CONSIDERAÇÕES

Segundo Rodolfo Calligaris, em Parábolas Evangélicas:

As cem ovelhas totalizam o domínio universal de Deus, as humanidades espalhadas pelas infinitas moradas da casa do pai;
A ovelha desgarrada somos nós, espíritos rebeldes às Leis de Deus e que buscam, através do desvio, alimento às suas paixões;
O pastor dessa ovelha é Jesus, o governador do planeta Terra;
A ovelha desgarrada se perde, pois é atraída pelas ervas tenras de certas regiões, afasta-se cada vez mais do pastor, a ponto de não mais poder ouvir-lhe a voz, quando, à tarde, ele recolhe todas as outras ovelhas para o retorno ao aprisco.
“Também nós outros, em nossa jornada evolutiva, temo-nos transviado pelas desordens do apetite. Deixamo-nos seduzir pelo mundanismo; andamos à cata de gozos e conquistas materiais; familiarizamo-nos com os vícios, que se degeneram em maus costumes; entregamo-nos às paixões e aos excessos de toda a. ordem; movidos pela ambição, enveredamos, muitas vezes, pelos ínvios caminhos do crime; desorientamo-nos, afinal, em tão sinuoso labirinto, e, entregues ao desespero, já não atinamos como voltar para a companhia de nossos irmãos situados em melhor plano.
Assegura-nos, porém, a parábola, que não ficaremos perdidos para sempre, pois Jesus, “o bom pastor, que dá a própria vida pelas suas ovelhas” (João, 10:11), virá a nossa procura, até que nos encontre e nos ponha a salvo”.

 

À LUZ DAS LEIS MORAIS
A OVELHA PERDIDA

619. A todos os homens facultou Deus os meios de conhecerem sua lei?
“Todos podem conhecê-la, mas nem todos a compreendem. Os homens de bem e os que se decidem a investigá-la são os que melhor a compreendem. Todos, entretanto, a compreenderão um dia, porquanto forçoso é que o progresso se efetue.”

621. Onde está escrita a lei de Deus?
“Na consciência.”
a) — Visto que o homem traz em sua consciência a lei de Deus, que necessidade havia de lhe ser ela revelada?
“Ele a esquecera e desprezara. Quis então Deus lhe fosse lembrada.”

766. A vida social está em a Natureza?
“Certamente. Deus fez o homem para viver em sociedade. Não lhe deu inutilmente a palavra e todas as outras faculdades necessárias à vida de relação.”

767. É contrário à lei da Natureza o isolamento absoluto?
“Sem dúvida, pois que por instinto os homens buscam a sociedade e todos devem concorrer para progresso, auxiliando-se mutuamente.”

768. Procurando a sociedade, não fará o homem mais do que obedecer a um sentimento pessoal, ou há nesse sentimento algum providencial objetivo de ordem mais geral?
“O homem tem que progredir. Insulado, não lhe é isso possível, por não dispor de todas as faculdades...”

907. Será substancialmente mau o princípio originário das paixões, embora esteja na natureza?
“Não; a paixão está no excesso de que se acresceu a vontade, visto que o princípio que lhe dá origem foi posto no homem para o bem, tanto que as paixões podem levá-lo à realização de grandes coisas. O abuso que delas se faz é que causa o mal.”

908. Como se poderá determinar o limite onde as paixões deixam de ser boas para se tornarem más?
“As paixões são como um corcel, que só tem utilidade quando governado e que se torna perigoso desde que passe a governar. Uma paixão se torna perigosa a partir do momento em que deixais de poder governá-la e que dá em resultado um prejuízo qualquer para vós mesmos, ou para outrem.”

785. Qual o maior obstáculo ao progresso?
“O orgulho e o egoísmo...”

787. Não há raças rebeldes, por sua natureza, ao progresso?
“Há, mas vão aniquilando-se corporalmente, todos os dias.”
787a) — Qual será a sorte futura das almas que animam essas raças?
“Chegarão, como todas as demais, à perfeição, passando por outras existências. Deus a ninguém deserda.”

779. A força para progredir, haure-a o homem em si mesmo, ou o progresso é apenas fruto de um ensinamento?
“O homem se desenvolve por si mesmo, naturalmente. Mas, nem todos progridem simultaneamente e do mesmo modo. Dá-se então que os mais adiantados auxiliam o progresso dos outros, por meio do contacto social.”
781. Tem o homem o poder de paralisar a marcha do progresso?
“Não, mas tem, às vezes, o de embaraçá-la.”

909. Poderia sempre o homem, pelos seus esforços, vencer as suas más inclinações?
“Sim, e, freqüentemente, fazendo esforços muito insignificantes. O que lhe falta é a vontade. Ah! quão poucos dentre vós fazem esforços!”

803. Perante Deus, são iguais todos os homens?
“Sim, todos tendem para o mesmo fim e Deus fez suas leis para todos. Dizeis freqüentemente: ‘O Sol luz para todos’ e enunciais assim uma verdade maior e mais geral do que pensais.”

 

À LUZ DAS LEIS MORAIS
O PASTOR

910. Pode o homem achar nos Espíritos eficaz assistência para triunfar de suas paixões?
“Se o pedir a Deus e ao seu bom gênio, com sinceridade, os bons Espíritos lhe virão certamente em auxílio, porquanto é essa a missão deles.”

624. Qual o caráter do verdadeiro profeta?
“O verdadeiro profeta é um homem de bem, inspirado por Deus. Podeis reconhecê-lo pelas suas palavras e pelos seus atos. Impossível é que Deus se sirva da boca do mentiroso para ensinar a verdade.”

625. Qual o tipo mais perfeito que Deus tem oferecido ao homem, para lhe servir de guia e modelo?
“Jesus.”

886. Qual o verdadeiro sentido da palavra caridade, como a entendia Jesus?
“Benevolência para com todos, indulgência para as imperfeições dos outros, perdão das ofensas.”

918. Por que indícios se pode reconhecer em um homem o progresso real que lhe elevará o Espírito na hierarquia espírita?
“O Espírito prova a sua elevação, quando todos os atos de sua vida corporal representam a prática da lei de Deus e quando antecipadamente compreende a vida espiritual.”

 

CONCLUSÃO

“Das ovelhas que meu Pai me confiou, nenhuma se perderá”

Todos chegaremos à perfeição relativa que nos está destinada. Todos temos, oprtanto, a mesma destinação. Todos seremos “salvos” e é a Lei do Progresso que nos impulsiona aos aprendizados que nossas existências exigirão.

Os justos já erraram antes; quem erra hoje será o justo de amanhã, sendo sempre um momento de alegria a chegada ao aprisco de um pecador que se arrepende e recomeça nova construção de sua vida.



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As Dez Virgens e o Servo Vigilante

Gustavo Marcelo R. Daré
gmadea@ig.com.br

Em estado febril para dar cabo ao que me cabia (escrever este artigo), tive uma visão inaudita: figuras transcendentes caminhavam na escuridão. Eram dez virgens que tinham saído ao encontro do noivo. Destemidas, estavam sozinhas e carregavam consigo apenas suas lamparinas.
Dez mulheres para apenas um noivo... Quem eram estas mulheres?
Perguntando a mim mesmo, uma voz interior respondeu: “Em hebraico, espírito é conhecido por ruah, palavra feminina. Estas mulheres são nós, espíritos: homens e mulheres na roupagem física, mas sem sexo como habitualmente se entende, quando livres da matéria”.
Intrigado, questionei confuso: Por que tantas mulheres e apenas um esposo? Trata-se de uma ficção sobre um mundo poligâmico? Paciente, minha razão redarguiu: “Não entendeu ainda que não se refere a casamento carnal? Por que tanta dificuldade em conceber homem e mulher como metáforas, polaridades, das forças criadoras do universo? Nós, espíritos eternos, somos a força criativa do mundo que busca união com Deus, Pai único, inteligência suprema e causa primária de todas as coisas, fonte da união infinita no amor e felicidade”.
Semelhantes na aparência, talvez iguais em essência (todas virgens e corajosas – como espíritos surgidos simples e ignorantes que se dirigem intrépidos à perfeição), aquelas mulheres eram diferentes em índole: metade era prudente, levando azeite de reserva para uma viagem que ninguém sabia quando terminaria; a outra metade, néscia, não se preocupou em ter reserva de azeite. E a espera foi longa e todas adormeceram. Chegaram a sonhar com outros mundos ou foram simplesmente vencidas pelo cansaço? Não sei, não consegui adentrar suas intimidades, mas me assustei tanto quanto elas, quando, na calada da noite e de supino, uma voz-trombeta retumbou: “Eis o noivo! Saiam ao seu encontro!”. Então se levantaram todas aquelas virgens e prepararam suas lamparinas. As néscias disseram às prudentes: “Dai-nos do vosso azeite, porque as nossas lamparinas estão se apagando”. As prudentes, porém, responderam: “Talvez não haja bastante para nós e para vós. Ide antes aos que vendem e comprai-o”.
Vozeei incauto: Estas néscias! Como puderam ser tão negligentes! Reprovando-me em seguida, a indulgência ponderou: “Néscias significa ignorantes; se tivessem azeite da sabedoria suficiente para sua iluminação, não seriam néscias. Azeite é o fruto-conhecimento destilado na prática do bem. O cultivo da inteligência é promessa de liberdade e bondade (‘Conheça a si mesmo e a verdade o libertará!’), mas não se esqueça que conhecimento apenas traz alguma superioridade sobre o mundo e faz seres arrogantes, enquanto que aquele que se torna realmente livre através do conhecimento é escravo por causa do amor àqueles que ainda não tiveram condições de alcançar a mesma liberdade. O conhecimento os torna capazes de serem livres e o amor nunca diz que algo lhes pertence; ainda que realmente o possuam. Ele nunca diz ‘isto é meu’, ‘aquilo é meu’, mas ‘tudo isto é vosso’. O amor espiritual é vinho e fragrância; o conhecimento em verdade e espírito é azeite-combustível para a luz do mundo. Note que o anúncio da vinda do noivo (ou do Reino dos Céus) veio à meia-noite, na primeira hora de um novo dia, quando as trevas ainda prevalecem, mas já se há adentrado em novo ciclo”. Seria este novo dia representação da vinda de Jesus, o novo estado d’alma do Homem tocado por seu Evangelho ou o Mundo de Regeneração prometido? – deixei perguntas sem respostas imediatas, pois a cena se desenvolvia ante meus olhos:
Enquanto as néscias foram comprar o azeite, veio o noivo; e as prudentes entraram com ele para as bodas e fechou-se a porta. Depois vieram as outras virgens e disseram: “Senhor, Senhor, abre-nos a porta”. Mas ele respondeu: “Em verdade vos digo que não vos conheço.”
Fiquei perplexo. O esposo as deixou sem misericórdia do lado de fora, entregues à escuridão e seus perigos?! Mas o bom gênio mais uma vez veio em meu socorro: “Não julgue injustamente, não deixe a paixão e o medo cegar seu coração. À sabedoria, não basta ser comprada – deve ser vivenciada; ninguém pode emprestá-la – será sempre conquistada”. Continuando, ele me disse em tom misterioso: “A Mística da Câmara Nupcial era tão querida aos primeiros cristãos que é encontrada nos mais diferentes evangelhos; é símbolo da reunião com Deus, onde dois corpos se tornam um só – a almejada unidade. Perceba que ‘tornar-se Um com o Pai’ não é concepção panteísta de ‘retornar ao todo’, mas ser fecundado por Deus. Nossos espíritos não procuram outra coisa senão a troca de qualidades com as esferas sublimes do Universo, sequiosos do Eterno Princípio Fecundante.” Com um ar sombrio e profundo, concluiu: “Seja como aquele servo vigilante que o dono encontrará acordado e preparado, quando este chegar, pois, em um Universo de Providência e livre-arbítrio, ninguém poderá precisar dia e hora em que os fatos se sucederão (nem os bons espíritos!), exceto Deus. Ore e vigie, para não ver os frutos dos seus conhecimentos roubados pelo orgulho e egoísmo, pois, quando menos esperar, o Pai o destituirá do campo arrendado (seu corpo e atual encarnação), a Humanidade será chamada a uma Nova Era ou você será escalado para o trabalho da última hora e, então, não bastará dizer ‘Senhor, Senhor!’ para se entrar no Reino dos Céus”...
Quem tiver ouvidos de ouvir que ouça.

Ref. Bibliográficas:

Evangelhos segundo Mateus, Lucas, Tomé e Felipe.
O Livro dos Espíritos (Allan Kardec).
A Gênese (Allan Kardec).
Missionários da Luz (André Luiz).
O Evangelho de Tomé – texto e contexto (Hermínio Miranda).

 



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TEMA DO MÊS.

AS PARÁBOLAS DE JESUS À LUZ DAS LEIS MORAIS.

PARÁBOLA DO BOM SAMARITANO.
Basílio Leme.
basiliotleme@ig.com.br

Nesse mês de junho estudaremos e apresentaremos nas casas espíritas adesas a USERP, a parábola do Bom Samaritano, Lucas, 10: 25-37 (1) e OESE. Capítulo XV, item 2(2).

“E eis que se levantou um doutor da lei, e lhe disse, para o tentar: Mestre, que hei de eu fazer para entrar na posse da Vida Eterna? Disse-lhe Jesus: Que é o que está escrito na lei? Como lês tu? Ele, respondendo, disse: Amarás o Senhor te Deus de todo o coração, de toda a sua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo. E Jesus lhe disse: Respondeste bem; Faze isso, e viverás. Mas ele, querendo justificar-se a si mesmo, disse a Jesus: E quem é meu próximo? E Jesus, prosseguindo no mesmo discurso, disse: Um Homem, baixava de Jerusalém a Jericó, e caiu nas mãos dos ladrões, que logo o despojaram do que levava, e depois de o terem maltratado com muitas feridas, se retiraram, deixando-o meio morto.Aconteceu pois que passava pelo mesmo caminho um Sacerdote; e quando o viu, passou de largo. E assim mesmo um Levita, chegando perto daquele lugar, e vendo-o, passou também de largo.Mas um Samaritano, que ia a seu caminho, chegou perto dele, e quando o viu, se moveu à compaixão:E chegando-se lhe atou as feridas, lançando nelas azeite e vinho; e, pondo-o sobre sua cavalgadura, o levou a uma estalagem, e teve cuidado dele. E ao outro dia tirou dois denários, e deu-os ao estalajadeiro, e lhe disse: Tem-me cuidado dele: e quanto gastares demais, eu to satisfarei quando voltar. Qual deste três te parece que foi o próximo daquele que caiu nas mãos dos ladrões? Respondeu logo o outro: Aquele que usou com o tal de misericórdia. Então lhe disse Jesus: pois vai, e faze tu o mesmo.” (2)

Tendo como paradigma as leis morais, analisemos os personagens da parábola e suas conseqüências, utilizando a bibliografia mencionada abaixo.
Inicialmente, observamos que o doutor da lei é astuto, orgulhoso, mas soube colocar a questão e respondeu acertadamente. Jesus (4), depois da resposta inteligente do consulente, esclarece com profundidade: Faze isso, e viverás (3). Sobre aquele que viria a ser a vítima, Jesus situa-o apenas “UM HOMEM”, não faz distinção de raça, cor, religião ou outra particularidade (5). O Sacerdote e o Levita têm comportamentos análogos, ambos são instruídos, religiosos, mas longe ainda de por em prática o amor ao próximo, conforme preceitua a lei (6). O Samaritano, tido pelos Judeus ortodoxos como herético e desprezível, entretanto, tem compaixão da vitima e espontaneamente o socorre, unta as feridas com azeite e vinho, e o conduz a uma estalagem, ou seja, cuida dele sem saber quem era e sem esperar recompensa (7), podemos mesmo considerá-lo um homem de bem (8).
Reflitamos nessa sublime lição, e concluamos, conforme leciona Kardec, que Jesus não faz da caridade uma das condições da salvação, mas a condição única (2-item 3)
Em suma; estudar o Evangelho de Jesus à luz do Espiritismo é conveniente a todos nós, assim como devemos empregar todas as forças para realizar nossa transformação moral, fazendo todo empenho em alijar nossas tendências inferiores, e praticar a caridade (7), fazendo o bem e evitando o mal.

 

Bibliografia.

1 – O Evangelho de Lucas, 10: 25-37.
2 – O ESE. Capítulo XV, item 2.
3 – Livro, Caminho, Verdade e Vida, lição 157 – Emmanuel.
4 – Livro dos Espíritos – questão, 625.
5 - Livro dos Espíritos – questão, 803.
6 – Livro dos Espíritos – questão, 642.
7 – Livro dos Espíritos – questão, 886.
8 – Livro dos Espíritos – questão, 918.



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SAMARITANO.

TEMA: PARÁBOLA DO BOM SAMARITANO (1 e 2 ) À LUZ DAS LEIS MORAIS./JUNHO/2009.

Recordando: Objetivos do ciclo de Palestras, convencionados pelo grupo sob orientação da confreira Nilza, em 14/03/2009.

* Analisar sentimentos e comportamentos dos personagens das parábolas usando como paradigma as Leis Morais, contidas no 3º livro de OLE e desdobramento de OESE.
* Destacar as conseqüências morais do comportamento de cada personagem.
* Evidenciar a atualidade das parábolas.
* Analisar o contexto original da parábola e possível significado dela para os primeiros cristãos.

INTRODUÇÃO.

A critério de cada expositor (a). Eu prefiro além dos cumprimentos habituais, destacar que as exposições públicas tem por objetivo a nossa confraternização e deveremos nos esforçar em nos mantermos dentro do tema proposto, com começo, meio e fim, tendo como parâmetro o Evangelho de Jesus, sob as luzes da D.E. etc.

DESENVOLVIMENTO.

- Deveremos expor o conteúdo da parábola na íntegra, de memória, ou proceder à leitura (2) “Os personagens da parábola destacamos em negrito”.
“E eis que se levantou um doutor da Lei, e lhe disse, para o tentar: Mestre que hei de eu fazer para entrar na posse da Vida Eterna? Disse-lhe então Jesus: Que é o que está escrito na Lei? Como lês tu? E respondendo, disse: Amarás o Senhor teu Deus de todo o coração, de toda a sua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo. E Jesus lhe disse: Respondeste bem; Faze isso, e viverás. Mas ele, querendo justificar a si mesmo, disse a Jesus: E quem é o meu próximo? E Jesus, prosseguindo no mesmo discurso, disse: Um Homem baixava de Jerusalém a Jericó, e caiu nas mãos dos ladrões, que logo o despojaram do que levava; e depois de o terem maltratado com muitas feridas, se retiraram, deixando-o meio morto. Aconteceu pois que passava pelo mesmo caminho um Sacerdote; e quando o viu, passou de largo. E assim mesmo um Levita, chegando perto daquele lugar, e vendo-o, passou também de largo. Mas um SAMARITANO, que ia a seu caminho, chegou perto dele, e quando o viu, se moveu à compaixão: E chegando-se lhe atou as feridas, lançando nelas azeite e vinho; e, pondo-o sobre a sua cavalgadura, o levou a uma estalagem, e teve cuidado dele. E ao outro dia tirou dois denários, e de-os ao estalajadeiro, e disse-lhe. Tem-me cuidado dele; e quanto gastares demais, eu to satisfarei quando voltar. Qual destes três te parece que foi o próximo daquele que caiu nas mãos dos ladrões? Respondeu logo o outro: aquele que usou com o tal de misericórdia. Então disse-lhe Jesus: Pois vai, e faze tu o mesmo”.

Analisar os Personagens do Contexto: poderemos optar em comentar o comportamento de cada um e posteriormente desdobrar com as instruções das Leis Morais, e também desenvolver simultaneamente conforme demonstramos abaixo: (em razão da exigüidade do tempo, poderemos omitir dois personagens – ladrões e hoteleiro – sem prejuízos significativos).

O doutor da Lei; instruído, astuto, soube colocar a questão, porém é orgulhoso e presunçoso, mas responde acertadamente (10).
JESUS; O Mestre, indulgente, enérgico, bom, sábio, educador, o Ser consciente (11), esclarece com profundidade, Faze isso, e viverás (5).
O homem; o Mestre situa-o simplesmente “um Homem” não lhe identifica a raça, a cor, a posição social ou outra particularidade (12).
Os ladrões; O ser, mais no animal do que espiritual, mais nas trevas, do que à luz, indivíduos ainda numerosos em um planeta de Expiações e Provas (13).
O sacerdote; instruído, detém um título religioso, porém longe ainda de colocar em prática a teoria Cristã, o amor ao próximo (14 e 15).
O Levita; podemos situa-lo no mesmo patamar do Sacerdote ( Cairbar Schutel, qualifica-o como “padre da tribo de Levi”. (3, 14 e 15).
O SAMARITANO; homem comum, porém tido pelos Judeus ortodoxos como herético, desprezado e perseguido.entretanto Jesus, coloca-o na parábola como quem melhor soube interpretar e agir, no amor ao próximo; quem melhor representa a caridade, tem compaixão, espontaneamente se propõe a socorrer a vítima, sem saber quem é e sem esperar recompensa, pensa mais no outro do que em si (16,17 e 18).
O Hoteleiro; homem de boa vontade; faz mais do que a obrigação, oferece assistência e solidariedade (19).

Sugestão; Dispondo de tempo, poderemos esclarecer o porquê do antagonismo entre Judeus e Samaritanos.
(9) – (Livro Boa Nova , Jesus na Samaria).

CONCLUSÕES

A critério de cada um (estilo e inspiração), porém, exponho o que eu entendo e procuro propagar.A palavra acoplada ao sentimento. Exaltando a excelência da Doutrina Espírita; Esclarecedora, Consoladora, Libertadora, e Dinâmica.
Convidar os presentes a reflexão do tema apresentado, lembrando que a Doutrina Espírita é a Doutrina da razão; e tem como objetivo principal a transformação moral do Ser.
Alertar que esta parábola bem interpretada é o melhor ensino que nos esclarece que a caridade é a virtude indispensável na evolução do homem, e nessa virtude, que a espiritualidade Superior inspirou o Codificador a alicerçar a Doutrina na máxima “FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO”.
Porém, esses esclarecimentos dispensados aos Espíritas, implicam em responsabilidades, propagar a Doutrina e colocar em prática a fé que professamos (21 e 22).
Concluindo: a receita para nosso aprimoramento é: vigiar e orar, estudar, trabalhar, servir, ser solidário, ser fraterno e praticar a caridade (17). Em suma; fazendo a nossa parte, estejamos certos que Jesus fará o resto.

Um fraternal abraço, Basílio.

P.S:Lembremo-nos do que instrui Erasto, no capítulo XX, item 4, de OESE , nos preparando adequadamente, os benfeitores espirituais, por bondade e solidariedade, nos inspirará, para que a mensagem que desejamos divulgar seja a melhor para o público presente (encarnados e desencarnados).
Peço indulgências aos confrades e confreiras pelos possíveis erros gramaticais e ortográficos cometidos. Porém, coloco-me a disposição, tanto para esclarecer dúvidas, quanto para discutir sugestões. Telefone; 3620:0694 e e-mail basiliotleme@ig.com.br
Que Jesus nosso Mestre e Senhor nos abençoe.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA.

1 - Novo Testamento; Lucas: capitulo X vs. de 25 a 37.
2 - OESE. Capítulo XV – Fora da Caridade não há Salvação, itens 2, 3 e 6.
3 – Livro, Parábolas e Ensinos de Jesus, pg. 74 – Cairbar Schutel.
4 – Livro, O Espírito Verdade – lição 86 – Eurípides Barsanulfo.
5 – Livro, Caminho, Verdade e Vida – lição 157 – Emmanuel.
6 – Livro, Jesus no Lar - lição 29 - Neio Lúcius
7 – Livro, Roteiro - lição 16 - Emmanuel.
8 – Livro, Coragem – lições 18 e 23 - Emmanuel.
9 – Livro, Boa Nova - lição 17 - Humberto de Campos.
10 - OLE., Questão 913 – Dentro os vícios, qual o que se pode considerar como radical?
11 – OLE., Questão 625 – Qual é o tipo mais perfeito que Deus ofereceu ao homem p/ lhe servir de Servir de guia e modelo?
12 - OLE., Questão 803 - Todos os homens são iguais diante de Deus?
13 - OLE., Questão 756 – A sociedade dos homens de bem estará, um dia livre dos malfeitores?
14 - OLE., Questão 621 – Onde está escrita a Lei de Deus?
15 - OLE., Questão 642 – Bastará não fazer o mal para ser agradável a Deus e assegurar sua posição futura?
16- OLE., Questão 888 a. O homem de bem, que compreende a caridade segundo Jesus, se antecipa ao infeliz sem esperar que ele lhe estenda a mão.
17 - OLE., Questão 886 – Qual é o verdadeiro sentido da palavra caridade, como entendia Jesus?
18 - OLE., Questão 918 - O homem de bem é aquele que pratica a Lei de Justiça, de amor e Caridade na sua maior pureza.
19 – OLE., Questão 643 – Haverá pessoas que pela sua posição, não possam fazer o bem?
20 - OLE., Questão 876 – Desejar para os outros o que querereis para vós mesmos.
21 – Livro, Caminho, Verdade e Vida – lição 41 – regra áurea - Emmanuel.
22 – OLE., Questão 919 – Observar o último parágrafo, ditado por Santo Agostinho.



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CICLO DE PALESTRA –USE
2009-2010

AS PARÁBOLAS DE JESUS À LUZ LEIS MORAIS
A VERDADE E A PARÁBOLA

Nilza Pelá
ropela.nilza@gmail.com

(CONTO JUDAICO)Um dia, a Verdade decidiu visitar os homens, sem roupas e sem adornos, tão nua como seu próprio nome.
E todos que a viam lhe viravam as costas de vergonha ou de medo, e ninguém lhe dava as boas-vindas.
Assim, a Verdade percorria os confins da Terra, criticada, rejeitada e desprezada.
Uma tarde, muito desconsolada e triste, encontrou a Parábola, que passeava alegremente, trajando um belo vestido e muito elegante.
- Verdade, por que você está tão abatida? — perguntou a Parábola.
- Porque devo ser muito feia e antipática, já que os homens me evitam tanto! — respondeu a amargurada Parábola.
- Que disparate! — Sorriu a Parábola. — Não é por isso que os homens evitam você. Tome. Vista algumas das minhas roupas e veja o que acontece.
Então, a Verdade pôs algumas das lindas vestes da Parábola, e, de repente, por toda parte onde passava era bem-vinda e festejada.

Parábola
Originária do grego parabole, significa narrativa curta ou apólogo, muitas vezes erroneamente definida também como fábula. Sua característica é ser protagonizada por seres humanos e possuir sempre uma razão moral que pode ser tanto implícita como explícita. Ao longo dos tempos vem sendo utilizada para ilustrar lições de ética por vias simbólicas ou indiretas.
Sinteticamente:
narração figurativa na qual, por meio de comparação, o conjunto dos elementos evoca outras realidades, tanto fantásticas, quando reais. Era através delas que Cristo fazia analogias e passava suas mensagens. Este gênero já era utilizado por muitos dos antigos profetas.
Seu objetivo é comunicar uma grande lição, ou apresentar um grande aspecto de uma verdade positiva. Sendo esse o seu objetivo e propósito, nada é mais tolo do que chegar a conclusões negativas a respeito de uma parábola.

OBJETIVOS DO CICLO DE PALESTRA
- Analisar os sentimentos e comportamentos dos personagens das parábolas usando como paradigma as leis morais contidas no livro terceiro de O Livro dos Espíritos e desdobradas no Evangelho Segundo o Espiritismo.
- Destacar as conseqüências morais do comportamento de cada personagem.
- Evidenciar a atualidade das parábolas.
- Analisar o contexto original da Parábola e possível significado dela para os primeiros Cristãos.( sugestão do Marcelo)

Exegese
- A palavra exegese deriva do grego exegeomai, exegesis; ex tem o sentido de ex-trair, ex-ternar, ex-teriorizar, ex-por; quer dizer, no caso, conduzir, guiar.
- Por isso, o termo exegese significa, como interpretação, revelar o sentido de algo ligado ao mundo do humano, mas a prática se orientou no sentido de reservar a palavra para a interpretação dos textos bíblicos

Exegese, portanto, é a denominação que se confere à interpretação das Sagradas Escrituras desde o século II da Era Cristã. O termo exegese restou ligado à interpretação alegórica, ensejando abusos de interpretação, a ponto de alguns autores afirmarem, ironicamente, que a Bíblia seria um livro onde cada qual procura o que deseja e sempre encontra o que procura.

PRÓDIGO ( incluído conceito por sugestão do Basílio)
Que despende com excesso; dissipador, esbanjador.
Que dá, distribui, faz ou emprega profusamente e sem dificuldade
Generoso, liberal

Dualidade do comportamento humano
- Lucas,15:11-32 Filho Pródigo
- Matheus,21:28-31 Dois Irmãos

Filho Pródigo -Contexto
- Jesus recebe pecadores Conta as parábolas Dracma Perdida e Ovelha Perdida ( Solicitude de Deus)

Dois irmãos-Contexto
- A Figueira sem frutos (fé inoperante)
- A Autoridade de Jesus e o batismo de João

Filho Pródigo
Quantos personagens há na parábola?

- PAI
- FILHO mais velho
- FILHO mais novo
- CIDADÃO
- SERVO E OS JORNALEIROS

FILHO X SERVO
- Estaria significando o grau de evolução?
- Filho = possuidor razão para fazer julgamentos e portanto possuindo livre arbítrio
- Servo = início da humanidade , portanto mais sujeito ao instinto que a razão. Prevalece o instinto de sobrevivência.
- 14 As raças a que chamais selvagens são formadas de Espíritos que apenas saíram da infância e que na Terra se acham, por assim dizer, em curso de educação, para se desenvolverem pelo contacto com Espíritos mais adiantados. Vêm depois as raças semicivilizadas, constituídas desses mesmos os Espíritos em via de progresso. São elas, de certo modo, raças indígenas da Terra, que aí se elevaram pouco a pouco em longos períodos seculares, algumas das quais hão podido chegar ao aperfeiçoamento intelectual dos povos mais esclarecidos.( Há muitas moradas na casa de meu Pai- Mundos de expiações e de provas)



FILHO X SERVO
“Ora o servo não fica para sempre na casa; o filho fica para sempre”
(João,8:35) (Cerqueira Filho, p.70-73)

FILHO
- Comunhão espontânea com o Pai
- Interesse comum com o Pai
- Segue os mandamentos Divinos como algo vivo dentro de si e não como imposição externa

SERVO
- Esta na fazenda por obrigação
- Aguarda o salário
- Não tem comunhão de pensamento com o Pai
- Quando não tem o que deseja dá as costas , busca outro senhor para receber remuneração especial

FILHOS
Vinicius
FILHO MAIS NOVO
- Concentra-se na gratificação dos sentido
- Reconhece-se o único culpado pela sua desventura
- Espontaneamente toma a resolução de emendar-se, não é coagido por terceiros
- É fraco mas não revela desamor nem maldade

FILHO MAIS VELHO
- É egoísta, invejoso,ciumento,tem despeito e cobiça
- Mostra aridez e secura da alma
- Abstem-se do mal visando ao proveito próprio
- Intristece-se com a felicidade alheia
- É mais um servo que um filho ( Cerqueira Filho)
- Filho Mais Velho

Caibar Schutel
- Enterrou seus talentos
- Cheio de egoísmo e avareza
- Ficam não só com os bens que receberam, como também com as paixões más que não se querem despojar.

Filho Mais Velho
Cerqueira Filho
- Parece dedicado mais não é
- É bonzinho, mas sua comunhão com o Pai não é espontânea
- Pseudo superioridade
- Desejaria fazer o que o irmão fez, mas reprimiu-se
- Projeta sua indignidade nos outros

Dualidade do Comportamento Humano( Filho Pródigo)
- Ambos os filhos usaram o livre arbítrio
- O mais velho permaneceu
- O mais novo tomou sua herança e partiu

Dualidade do Comportamento Humano (Dois Filhos)
- Mentalidades religiosas : aparência e real
- “ Quando quisermos saber onde estão os cristãos devemos procura-los,não entre os que exteriormente se dizem tais,mas no meio daqueles cujos atos reflitam o espírito de justiça,tolerância, fraternidade.”
( Vinicius, p.15)
“Meu pai dá-me a parte dos bens que me toca.
E Ele repartiu os seus haveres entre ambos. Poucos dias depois partiu para um pais longínquo”
843. Tem o homem o livre-arbítrio de seus atos?
“Pois que tem a liberdade de pensar, tem igualmente a de obrar. Sem o livre-arbítrio,o homem seria máquina.”
(Lei de Liberdade-Livre Arbítrio)
863. Os costumes sociais não obrigam muitas vezes o homem a enveredar por um caminho de preferência a outro e não se acha ele submetido à direção da opinião geral, quanto à escolha de suas ocupações? O que se chama respeito humano não constitui óbice ao exercício do livre-arbítrio?(OLE)
“São os homens e não Deus quem faz os costumes sociais. Se eles a estes se submetem, é porque lhes convêm. Tal submissão, portanto, representa um ato de livre-arbítrio, pois que, se o quisessem, poderiam libertar-se de semelhante jugo. Por que, então, se queixam? Falece-lhes razão para acusarem os costumes sociais. A culpa de tudo devem lançá-la ao tolo amor-próprio de que vivem cheios e que os faz preferirem morrer de fome a infringi-los. Ninguém lhes leva em conta esse sacrifício feito à opinião pública, ao passo que Deus lhes levará em conta o sacrifício que fizerem de suas vaidades.
(Lei de Liberdade-Livre Arbítrio)
DESPERDIÇOU A SUA FAZENDA, VIVENDO DISSOLUTAMENTE
712 Com que objetivo Deus ligou um atrativo aos gozos dos bens materiais?
Para excitar o homem ao cumprimento de sua missão, e também para prová-lo pela tentação.
(Lei de Conservação- Gozos dos bens materiais)
Qual o objetivo da tentação?
Desenvolver sua razão que deve preservá-lo dos excessos.
Se o homem não fosse excitado ao uso dos bens materiais, senão pela sua utilidade, sua indiferença poderia comprometer a harmonia do universo; Deus lhe deu o atrativo do prazer que o solicita ao cumprimento dos objetivos da Providência.Mas, por esse mesmo atrativo Deus quis experimentá-lo pela tentação que o arrasta para o abuso, do qual sua razão deve defendê-lo. (Lei de Conservação- Gozos dos bens materiais)
713 Os gozos têm limites traçados pela natureza?
Sim, para vos indicar o limite do necessário;mas pelos vossos excessos chegais à saciedade e vos punis a vós mesmos.
O homem que procura nos excessos de todo o gênero um refinamento dos prazeres, coloca-se abaixo do animal, porque o animal sabe deter-se na satisfação da necessidade. Ele abdica da razão que Deus lhe deu por guia e, quanto maiores seus excessos, mais dá à natureza animal império sobre sua natureza espiritual. As doenças, as enfermidades, a própria morte, que são abusos, ao mesmo tempo são punição á transgressão da lei de Deus. (Lei de Conservação- Gozos dos bens materiais)
816... A riqueza e o poder fazem nascer as paixões que nos ligam à matéria e nos afastam da perfeição espiritual.Por isso Jesus disse “Eu vos digo em verdade, é mais fácil a um camelo passar pelo buraco de uma agulha que um rico entrar no reino dos céus.”
( Lei de Igualdade - Provas da riqueza e da miséria)
679...Se o homem a quem Deus distribuiu bens suficientes para assegurar a sua existência não está forçado a se sustentar com o suor de seu rosto, a obrigação de ser útil aos seus semelhantes é tanto maior para ele quanto o seu adiantamento lhe dá oportunidade para fazer.
( Lei do Trabalho – Necessidade do Trabalho)
E, HAVENDO ELE GASTADO TUDO, HOUVE NAQUELA TERRA UMA GRANDE FOME, E COMEÇOU A PADECER NECESSIDADES
715- Como pode o homem conhecer o limite do necessário?
O sábio o conhece por intuição. Muitos o conhecem por experiência e ás suas custas.
(Lei de Conservação – Necessário e Supérfluo)

815-Qual das duas provas é a mais terrível para o homem, a infelicidade ou a fortuna?
Tanto uma como a outra o são. A miséria provoca queixas e lamentações contra a providência e a riqueza leva a todos os excessos
(Lei de Igualdade – Provas da Riqueza e da Miséria)

COMEÇOU A PADECER NECESSIDADES
133 a) Demais, as aflições da vida são muitas vezes a conseqüência da imperfeição do Espírito. Quanto menos imperfeições, tanto menos tormentos. Aquele que não é invejoso, nem ciumento, nem avaro, nem ambicioso, não sofrerá as torturas que se originam desses defeitos.” (Da Encarnação dos Espíritos – Objetivo da Encarnação)

Ensaio teórico da sensação nos Espíritos

Os sofrimentos deste mundo independem, algumas vezes, de nós; muito mais vezes, contudo, são devidos à nossa vontade. Remonte cada um à origem deles e verá que a maior parte de tais sofrimentos são efeitos de causas que lhe teria sido possível evitar. Quantos males, quantas enfermidades não deve o homem aos seus excessos, à sua ambição, numa palavra: às suas paixões? Aquele que sempre vivesse com sobriedade, que de nada abusasse, que fosse sempre simples nos gostos e modesto nos desejos, a muitas tribulações se forraria.
(O Livro dos Espíritos- Vida Espírita

Chegou-Se A Um Dos Cidadãos Daquela Terra, O Qual O Mandou Para Os Seus
Campos A Apascentar Porcos
674-O trabalho é uma lei natural, por isso mesmo é uma necessidade e a civilização obriga o homem a trabalhar mais porque aumenta suas necessidades.
(Lei do trabalho – Necessidade do trabalho)

676 [o trabalho] É uma conseqüência de sua natureza corporal.É uma expiação e, ao mesmo tempo, um meio de aperfeiçoar sua inteligência. Sem o trabalho o homem permaneceria na infância da inteligência. Por isso ele não deve seu sustento, sua segurança, e seu bem-estar senão ao seu trabalho e a sua atividade.(Lei do trabalho – Necessidade do trabalho)
E, CAINDO EM SI, DISSE
621 Onde está gravada a lei de Deus?
Na consciência
614 que se deve entender por lei natural?
É a lei de Deus e a única verdadeira para a felicidade do homem. Ela indica o que fazer e o que não deve fazer, e ele não é infeliz senão quando se afasta dela.
( Lei divina ou natural – Conhecimento da lei natural)

LEVANTAR-ME-EI, E IREI TER COM MEU PAI
650...A consciência de sua fraqueza leva o homem a se curvar diante daquele que o pode proteger.
654...os cânticos não chegam a ele [DEUS] senão pelas portas do coração.
(Lei de Adoração – Objetivo da Adoração)

LEVANTAR-ME-EI, E IREI TER COM MEU PAI, E DIR-LHE-EI:
PAI, PEQUEI CONTRA O CÉU E PERANTE TI. JÁ NÃO SOU DIGNO DE SER CHAMADO TEU FILHO; FAZE-ME COMO UM DOS TEUS TRABALHADORES

661- Deus sabe discernir o bem do mal; a prece não oculta as faltas. Aquele que pede a Deus o perdão de suas faltas, não o obtém senão mudando de conduta . As boas ações são as melhores preces, porque os atos valem mais que mil palavras.( Lei de Adoração – Da prece)

919a “Examinai o que pudestes ter obrado contra Deus, depois contra o vosso próximo e, finalmente, contra vós mesmos. As respostas vos darão, ou o descanso para a vossa consciência, ou a indicação de um mal que precise ser curado. ( Perfeição Moral – Conhecimento de si mesmo)

- Pecado = Hamartia( Palavra Hebraica) Errar O Alvo
- Idade Média Algo Abominável Que Precisa Ser Eliminado de Nossa Vida Com Muita Penitência e Sofrimento

QUANTOS TRABALHADORES DE MEU PAI TÊM ABUNDÂNCIA DE PÃO, E EU AQUI PEREÇO DE FOME! LEVANTAR-ME-EI, E IREI TER COM MEU PAI...

IDEALIZAÇÃO
- Mentalizar Um Ideal
- A Idéia Está No Plano das Pontecialidades
- Gera Uma Motivação Para A Ação
- Planejar Nossas Ações Antes De Exercitá-Las
(Cerqueira Filho, p.45)
MAS ELE[FILHO MAIS VELHO] SE INDIGNOU E NÃO QUERIA ENTRAR. E, SAINDO O PAI, INSTAVA COM ELE
654. Tem Deus preferência pelos que O adoram desta ou daquela maneira?
“Deus prefere os que O adoram do fundo do coração, com sinceridade, fazendo o
bem e evitando o mal, aos que julgam honrá-Lo com cerimônias que os não tornam
melhores para com os seus semelhantes.
(Lei de Adoração – Adoração exterior)
- 717-Desta[ da civilização] têm apenas o verniz, como muitos há que da religião só têm a máscara.
(Necessário e supérfluo- Lei de conservação)

MÁSCARA - APARÊNCIA
- Persona era o nome da máscara que os atores do teatro grego usavam. Sua função era tanto dar ao ator a aparência que o papel exigia, quanto amplificar sua voz, permitindo que fosse bem ouvida pelos espectadores. A palavra é derivada do verbo personare, ou "soar através de". (Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre)
“aqueles que cultivam as máscaras estão sempre focados nos outros ,no que eles fazem ou deixam de fazer, e acreditam que somente eles são cumpridores dos mandamentos divinos e, portanto, têm que ter o privilégio e os demais pecadores, devem ser punidos e banidos do reino... É uma postura típica da criatura mascarada atribuir os seus problemas aos outros e não a si mesmas.”
( Cerqueira Filho, p.75)

E, LEVANTANDO-SE, FOI PARA SEU PAI; E, QUANDO AINDA ESTAVA LONGE, VIU-O SEU PAI, E SE MOVEU DE ÍNTIMA COMPAIXÃO, E, CORRENDO, LANÇOU-SE-LHE AO PESCOÇO, E O BEIJOU
Caracteres do homem de bem
q.918
VI INTRODUÇÃO“As qualidades da alma são as do Espírito que está encarnado em nós; assim, o homem de bem é a encarnação de um bom Espírito, o homem perverso a de um Espírito
“impuro.
888 a O homem de bem, que compreende a caridade de acordo com Jesus, vai ao encontro do desgraçado, sem esperar que este lhe estenda a mão.(lei de Amor, Justiça e Caridade – Caridade e Amor ao Próximo)
918 É indulgente para com as fraquezas alheias, porque sabe que também precisa da indulgência dos outros e se lembra destas palavras do Cristo: Atire a primeira pedra aquele que estiver sem pecado.
( perfeição Moral – Caracteres do Homem de Bem)

ALEGREMO-NOS, PORQUE ESTE MEU FILHO ESTAVA MORTO E REVIVEU; TINHA-SE PERDIDO E FOI ACHADO
895. Postos de lado os defeitos e os vícios acerca dos quais ninguém se pode equivocar, qual o sinal mais característico da imperfeição?
“O interesse pessoal. “O apego às coisas materiais constitui sinal notório de inferioridade, porque, quanto mais se aferrar aos bens deste mundo, tanto menos compreende o homem o seu destino.
(Perfeição Moral – As Virtudes e os Vícios)
896. Há pessoas desinteressadas, mas sem discernimento, que prodigalizam seus haveres sem utilidade real, por lhes não saberem dar emprego criterioso. Têm algum merecimento essas pessoas?
“Têm o do desinteresse, porém não o do bem que poderiam fazer. O desinteresse é uma virtude, mas a prodigalidade irrefletida constitui sempre, pelo menos, falta de juízo. A riqueza, assim como não é dada a uns para ser aferrolhada num cofre forte, também não o é a outros para ser dispersada ao vento. Representa um depósito de que uns e outros terão de prestar contas, porque terão de responder por todo o bem que podiam fazer e não fizeram, por todas as lágrimas que podiam ter estancado com o dinheiro que deram aos que dele não precisavam.” (Perfeição Moral – As Virtudes e os Vícios)

E, SAINDO O PAI, INSTAVA COM ELE. MAS, RESPONDENDO ELE[O FILHO MAIS VELHO], DISSE AO PAI: EIS QUE TE SIRVO HÁ TANTOS ANOS, SEM NUNCA TRANSGREDIR O TEU MANDAMENTO

913. Dentre os vícios, qual o que se pode considerar radical?
“Temo-lo dito muitas vezes: o egoísmo. Daí deriva todo mal. Estudai todos os vícios
e vereis que no fundo de todos há egoísmo. Ele neutraliza todas as outras qualidades.” (Perfeição Moral – Do Egoísmo)

ATUALIDADE DO ENSINO

- Terceira ordem. - Espíritos imperfeitos
- Predominância da matéria sobre o Espírito. Propensão para o mal. Ignorância, orgulho, egoísmo e todas as paixões que lhes são conseqüentes.
- Em alguns há mais leviandade, irreflexão e malícia do que verdadeira maldade.
- Uns não fazem o bem nem o mal; mas, pelo simples
fato de não fazerem o bem, já denotam a sua inferioridade.
- Outros, ao contrário, se comprazem no mal e rejubilam quando uma ocasião se lhes depara de praticá-lo.
( O LIVRO DOS ESPÍRITOS-Terceira ordem. - Espíritos imperfeitos)
Mas, também, os numerosos vícios a que se mostram propensos constituem o índice de grande imperfeição moral. Por isso os colocou [)eus num mundo ingrato, para expiarem aí suas faltas, mediante penoso trabalho e misérias da vida, até que hajam merecido ascender a um planeta mais ditoso.(Mundos de expiações e de provas O Evangelho segundo o Espiritismo)
“Examinando-se a figura do filho pródigo,toda gente idealiza um homem rico, dissipando possibilidades materiais nos festins do mundo... Em toda parte ,vemos os dissipadores de bens de saber,de tempo, de saúde, de oportunidade...” ( Emmanuel, lição24)
“O ensinamento velado do Mestre demonstra dois extremos da ingratidão filial.Um reside no esbanjamento; o outro na avareza. São as duas extremidade que fecham o círculo da incompreensão humana...Esse tipo de egoísta é muito vulgar nos quadros da vida. Ante o bem-estar e a alegria dos outros, revolta-se e sofre, através da secura que o aniquila e do ciúme que o envenena.” (Emmanuel. Lição157)
MORAL
- NÃO HÁ PECADO, HÁ ERRO DO ALVO
- TODOS PODEMOS FAZER O CAMINHO DE VOLTA A CASA DO PAI
- A LEI DE DEUS ESCRITA NA NOSSA CONSCIÊNCIA NOS INDICARÁ O CAMINHO
- O EGOISMO É GERADOR DE DOENÇA EXISTENCIAL, POIS GERA CONFLITOS DESNECESSÁRIOS

Para Reflexão
- Foi Freud quem nos ensina a culpar nossos pais e Max quem disse para culparmos as classes dominantes. Na verdade a única pessoa que você realmente pode considerar responsável é você mesmo.(não sei quem é o autor, encontrado em um quadro de consultório médico)
Bibliografia
- Evangelho de Matheus e Lucas
- O Livro dos Espíritos
- O Evangelho Segundo o Espiritismo
- Parábolas e ensinos de Jesus - Caibar Schutel
- Na seara do Mestre – Vinicius
- Parábolas Terapêuticas - Alírio Cerqueira Filho
- Pão Nosso – Emmanuel Lição 24 e 157 ( Incluído por sugestão do Basílio e do Anésio)



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EVANGELHO SEGUNDO FELIPE

Logion 45: "A fé recebe, o amor dá. [Ninguém pode receber] sem a fé; ninguém pode dar sem amor. Por isso creiamos, para poder receber; mas, para poder dar de verdade [temos de amar também]; pois se alguém dá, mas não por amor, não tira utilidade alguma do que deu."

Logion 62: "Não tenhas medo da carne nem a ames; se a temeres, assenhorear-se-á de ti; se a amares, te devorará e entorpecerá." 

Fonte: Apócrifos II - Os Proscritos da Bíblia; Editora Mercuryo; 1991.(*)

Copiladora: Maria Helena de Oliveira Tricca

(*) Trata-se de uma coleção que tem a virtude de fornecer a tradução para o português dos principais evengelhos gnósticos encontrados em Nag Hammadis acrescidos de uma pequena introdução para cada evangelho, como os ótimos evangelhos de Tomé (para o qual, o livro de Hermínio Miranda ainda é insubstituível), de Felipe, (do Espírito) da Verdade, etc.

No todo, a qualidade dos textos é muito heterogênea, como era a literatura daqueles séculos e não deixa de o ser ainda hoje. Fantasiosas me parecem as narrativas da infância de Jesus, onde cada "grupo redator" parece tentar convencer o leitor que o menino Jesus esteve entre eles antes da sua vida pública adulta, mas ainda vale a pena ter contato com estas "cartas" para termos a noção mais exata da literatura que "corria" na época, suas características e diversidade.

 

Gustavo Marcelo Daré

 



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AUTOCONHECIMENTO

COMPILAÇÃO

919 - QUAL O MEIO PRÁTICO MAIS EFICAZ PARA SE MELHORAR NESTA VIDA E RESISTIR AO ARRASTAMENTO DO MAL ?

- UM SÁBIO DA ANTIGUIDADE VOS DISSE:
“CONHECE-TE A TI MESMO”
O LIVRO DOS ESPÍRITOS
CAPÍTULO XII
PERFEIÇÃO MORAL

“O CONHECIMENTO DE SI MESMO É PORTANTO
A CHAVE DO MELHORAMENTO INDIVIDUAL”
SANTO AGOSTINHO

"O momento atual é, essencialmente, o das questões psicológicas, a tal ponto que os estudiosos e pesquisadores desse atraente campo estão voltados para um esforço conjunto de se fazer um mapeamento do psiquismo humano, do cérebro e seus meandros e a sua fantástica potencialidade. Estuda-se a mente desde as suas reações a partir do feto até os doentes terminais em idade avançada ou não, e também nas experiências de quase morte (EQM). Há um novo entendimento, uma nova visão e uma constante busca desde que tais especialistas concluíram que existe algo mais além do cérebro."
SUELY CALDAS SCHUBERT

14. VÓS SOIS A LUZ DO MUNDO; NÃO SE PODE ESCONDER UMA CIDADE EDIFICADA SOBRE UM MONTE;
15. NEM SE ACENDE A CANDEIA E SE COLOCA DEBAIXO DO ALQUEIRE, MAS NO VELADOR, E DÁ LUZ A TODOS QUE ESTÃO NA CASA.
16. ASSIM RESPLANDEÇA A VOSSA LUZ DIANTE DOS HOMENS, PARA QUE VEJAM AS VOSSAS BOAS OBRAS E GLORIFIQUEM A VOSSO PAI, QUE ESTÁ NOS CÉUS.
MATEUS (5,14:16)
“...TRANSFORMAI-VOS PELA RENOVAÇÃO DE VOSSA MENTE, PARA QUE EXPERIMENTEIS QUAL SEJA A BOA, AGRADÁVEL E PERFEITA VONTADE DE DEUS”
PAULO (RO,12:2)

AUTOILUMINAÇÃO
Iluminar-se é dotar-se de luz, a fim de clarear a própria vida. Iluminar o mundo interior é o mesmo que adicionar energia à luz interna, chama divina do Criador da Vida, adquirindo a consciência das potencialidades inerentes ao próprio Espírito.
O ser humano é mais do que imagina e do que percebe que é. Ele tem mais capacidades do que acredita que possuí. Mesmo as pessoas que ainda se encontram no início de sua caminhada evolutiva, possuem esse sentido interior de crescimento, portanto a potencialidade de realizá-lo. Esse sentido interno que o direciona a auto-realização chama-se Self.
Essa iluminação interna não é uma simples descoberta de algo que se encontra escondido, mas se dá no encontro com a realidade externa. Trata-se de um longo processo de amadurecimento do Espírito, o qual vai a busca de si mesmo para iluminar-se interiormente, não mais perdendo seu brilho. Esse processo se dá por etapas que sintetizamos em quatro para melhor compreensão:
O processo de iluminação interior é a descoberta do deus interno, parcela criadora gerada diretamente por Deus, em nós.
Há um Deus, Absoluto, Único, Criador e Causa de todas as coisas. Há um deus interno, imagem e semelhança de Deus, descoberto inicialmente pelas manifestações da Natureza, confirmado pela necessidade psicológica de sua existência e sentido pela vivência do amor em plenitude.
Iniciar um processo de auto-iluminação é passar a espiritualizar o próprio olhar sobre o mundo, colocando o amor na consciência, inundando a razão do sentimento de amorosidade.
Dessa forma, as idéias e raciocínios passam a ser contaminados pelos sentimentos superiores oriundos do Espírito, dotado de amor e sabedoria, proporcionando prosperidade e tranqüilidade na vida.


AS QUATRO ETAPAS
1. AUTOCONHECIMENTO
O autoconhecimento representa a percepção da identidade pessoal frente ao mundo, incluindo origem familiar, situação no contexto social, perspectivas futuras de realização nos vários campos das relações humanas, além do reconhecimento externo da própria existência.
A atuação do ego é sempre no sentido de se colocar na captação dos eventos externos, associá-los aos conteúdos da consciência e do inconsciente que estejam mais acessíveis por semelhança emocional.
Para se formar, o ego, utiliza certos mecanismos de identificação, isto é, necessita de uma imagem na qual se espelhe para estabelecer aquela identidade. Muitas vezes, essa identificação, que varia ao longo da vida do indivíduo, se dá primeiramente com os pais e, depois, com personagens que se assemelhem às características do espírito, adquiridas nas várias existências.
Essa identificação é um referencial sob o qual o ego orbita enquanto o Espírito não se descobre verdadeiramente. A partir do momento em que se dá a percepção do ego às diretrizes superiores do Espírito, ele se identificará com o referencial próprio.
Por ser o centro da consciência, o ego procura ocupar lugar de destaque em sua atuação frente ao mundo. Seu desejo de poder e de atenção é notório. Muitas vezes desviando as motivações que vêm do Espírito, inflando-se ou deprimindo-se, neste último caso, quando as coisas não ocorrem de acordo com seus planos. Suas aspirações se situam na esfera da manutenção do status quo, isto é, em assegurar sua posição frente ao mundo. Isso quer dizer que o ego, enquanto identidade, ainda é imaturo.
Saber compreender e lidar com pensamentos perturbadores, sendo capaz de regular os próprios estados emocionais é proposta do autoconhecimento. Nem sempre os pensamentos conseguem plasmar psiquicamente nossas idéias, pois elas são oriundas das camadas profundas da psiquê. É preciso, portanto, fazer silêncio interior para melhor distingir suas emoções, idéias e conseqüentes pensamentos e atitudes.

“... EXAMINAI O QUE PUDÉSSEIS TER FEITO CONTRA DEUS, DEPOIS CONTRA O PRÓXIMO E POR FIM CONTRA VÓS MESMO. AS RESPOSTAS SERÃO MOTIVO DE REPOUSO PARA VOSSA CONSCIÊNCIA OU INDICARÃO UM MAL QUE DEVE SER CURADO.”
SANTO AGOSTINHO


2. AUTODESCOBRIMENTO
O processo de autodescobrimento é uma fase posterior ao do autoconhecimento, muito embora se possa iniciá-lo enquanto se vive o reconhecimento das características do ego.
Autodescobrir-se é conseguir revelar à consciência, gradativamente, os conteúdos que se encontram inconscientes, além de descobrir como funcionam os mecanismos psíquicos entre a vida consciente e a inconsciente.
No autodescobrimento, obtém-se a capacidade de acreditar em si mesmo independente das contingências externas. Essa crença é fruto do autoconhecimento e da consciência do próprio processo existencial.
O indivíduo, que nessa fase, já atravessou algumas contingências aversivas da vida, já obteve experiências para lidar com outras adversidades sem os medos e receios característicos do início. Acreditar em si mesmo não quer dizer extrapolar os limites da própria capacidade, mas considerar que é possível alcançar algum ganho, mesmo que não se consiga os objetivos que se almeja, isto é, a partir de qualquer experiência pode se obter algum tipo de aprendizado.
Tomar consciência da existência dos complexos e suas origens, das influências das fantasias que cria, dos potenciais que possui, das virtudes, bem como das perspectivas quanto ao futuro para além da atual existência.
“... QUE AQUELE QUE TEM A VERDADEIRA VONTADE DE SE MELHORAR EXPLORE, PORTANTO, A SUA CONSCIÊNCIA, A FIM DE ARRANCAR DALI AS MÁS TENDÊNCIAS COMO ARRANCA AS ERVAS DANINHAS DO SEU JARDIM...”
SANTO AGOSTINHO

3.AUTOTRANSFORMAÇÃO
A autotransformação é o processo de retomada da própria vida a partir do referencial do Self, dispondo-se o indivíduo a atuar nela com o conhecimento de si mesmo e com a descoberta e utilização adequada dos próprios potenciais interiores. É um processo de relação com o mundo e que deve ser feito na convivência social, no contato com o que se lhe opõe, internalizando as experiências e crescendo nelas.
A autotransformação ocorre quando nos dispomos a por em prova o que somos e verificando se o que acreditamos já ter conquistado pode ser posto em prática. Nessa fase do processo de crescimento pessoal, descobre-se se os valores alicerçados nas experiências vividas, de fato funcionam e se são consistentes na personalidade.
Muitas vezes pensamos já possuir determinadas virtudes, porém não as colocamos em prática, não só diante das adversidades como também quando nos relacionamos com pessoas que nos opõem na forma de pensar e agir. Equivale a dizer que, entre os bons é fácil ser bom, porém entre os maus é que se prova a virtude do bem.
O processo de transformação interior decorre da necessidade da reforma íntima, a qual pressupõe a educação dos pensamentos e das emoções. É uma decisão interna de mudar, face à necessidade de se desligar de situações e conflitos que não mais favorecem o crescimento pessoal.
No processo de autotransformação o indivíduo se conscientiza da capacidade de alterar sua vida e eu destino. Percebe que o mundo chega até si como reflexo da própria transformação interior. Parece que são as pessoas que mudam, que se transformam. E de fato elas se modificam interiormente e no trato pessoal, porém a grande mudança está ocorrendo naquele que se encontra em processo de autotransformação. O universo conspira a favor desse processo de transformação, o qual se constitui num dos objetivos divinos.

“... ME PERGUNTAVA A MIM MESMO SE NÃO TINHA FALTADO AO CUMPRIMENTO DE ALGUM DEVER... FOI ASSIM QUE CHEGUEI A ME CONHECER E VER O QUE EM MIM, NECESSITAVA DE REFORMA...”
SANTO AGOSTINHO


4.AUTOILUMINAÇÃO
O processo de auto-iluminação nos permite colocar, no lugar mais reservado de nosso ser, a realização do destino pessoal em consonância com os objetivos divinos. Descobrir como encaixar o que fazemos e queremos da Vida com aquilo que acreditamos que sejam os desígnios do Criador, é fundamental na própria evolução espiritual. A luz de nossa essência interior deverá brilhar a fim de que se realize em nós a presença de Deus. O ser humano é simultaneamente material e espiritual, pois, sua origem e raízes estão na Terra e sua destinação e essência se encontram nas estrelas.
No processo de auto-iluminação, depois de vencidas as barreiras dos processos anteriores e feitas as conquistas necessárias, devemos buscar o estado permanente de paz e harmonia interior e exterior. Isso ocorre quando, além de descobrirmos o sentido da Vida, vamos a busca de novos e maiores objetivos. Nesse estado o indivíduo consegue ser feliz como é, visto que se percebe ainda em processo de constante evolução.
Nesse processo de auto-iluminação as dificuldades de compreensão do significado do espiritual já não existem. As dúvidas e resistências em aceitar a realidade espiritual já não perseguem a consciência. O indivíduo possui uma vivência espiritual adequada à sua tarefa no mundo, sem os medos e receios característicos de fases anteriores de sua vida.
O iluminado não é o santo, o religioso, mas o consciente de Deus, de si mesmo e de seu destino. É o ser que ama tendo o amor como sentimento que o une ao universo. É o ser que, integrado aos objetivos divinos, manifesta-os em suas realizações sem se ausentar do mundo
O iluminado não é o diferente, mas o que se iguala para realizar sua própria singularidade. Ele nem sempre está nas hostes religiosas, nem nos templos erigidos pelos homens, nem tampouco tem assento garantido nos poderes mundanos, mas se encontra no mundo, servindo a Deus junto aos seres humanos. Seu lugar é ao lado, compartilhando, crescendo junto, implicando-se e envolvendo-se com as pessoas de sua convivência. Onde existir oportunidade de colocar-se a serviço do próximo, aí ele se fará presente.
“... QUE FAÇA O BALANÇO DA SUA JORNADA MORAL. SE ELE PUDER DIZER QUE A SUA JORNADA FOI BOA, PODE DORMIR EM PAZ E ESPERAR SEM TEMOS O DESPERTAR NA OUTRA VIDA...”
SANTO AGOSTINHO
“ASSIM, TUDO O QUE VÓS QUEREIS QUE OS HOMENS VOS FAÇAM, FAZEI-O TAMBÉM VÓS A ELES; ESTA É A LEI E OS PROFETAS”
MATEUS (5,14:16)

 

Bibliografia

ALLAN KARDEC
O LIVRO DOS ESPÍRITOS
ADENÁUER NOVAES
PSICOLOGIA E ESPIRITUALIDADE
PSICOLOGIA DO ESPÍRITO
REVISTA REFORMADOR - JUL/1998



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AUTOCONHECIMENTO
Edegar Tão
Edegar.tao@mac.com

“O CONHECIMENTO DE SI MESMO É PORTANTO
A CHAVE DO MELHORAMENTO INDIVIDUAL”

SANTO AGOSTINHO

A decisão de crescer intimamente exige-nos pensamentos, sentimentos e atitudes, capazes de promover as necessárias transformações que desejamos realizar.

O filósofo grego Sócrates, há aproximadamente 450 anos antes de Cristo, já indicava no “conhece-te a ti mesmo” o caminho para a descoberta do ser. Na busca do crescimento intelectivo e moral, no conhecimento e na aplicação das virtudes, teremos maior consciência da nossa ignorância nos vários campos do saber.

Somos eternos aprendizes do viver e toda experiência traz um aprendizado; assim, devemos estar receptivos e permeáveis às novas idéias. Nos encontraremos mais dispostos e menos amedrontados para experimentar as diversas manifestações vivenciadas na vida de relação. Os atritos naturais, gerados no convívio social, permitirão o contato com a diferença, com a multiplicidade de idéias, conceitos, posturas e atitudes, bem como questionamentos, que quando positivos, tornam-se forças estimulantes ao burilamento de nós mesmos.

Jesus Cristo nos asseverava: “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”. Conhecer a verdade pode ser visto como o encontro de si mesmo, com o seu deus interior, habilitando-se para a busca superior e a aproximação de novas possibilidades de realização e entendimento.

De fato, a ignorância nos afasta da liberdade, mantendo-nos acorrentados a hábitos e idéias cristalizados que acreditamos serem imutáveis. Se agimos e pensamos conforme sentimos, bastante natural, pois, que muitas vezes ajamos equivocadamente, semeando incompreensões e conflitos, dentro e fora de nós, sofrendo com as dores decorrentes da obtusão momentânea em que nos encontramos.

Cada um tem seu próprio momento de despertar, de buscar o seu melhor; e o seu melhor nunca estará fora de si mesmo.

Descobrimos o que necessitamos quando estamos prontos para tal; quando isto não acontece, nos sentimos como se tivéssemos um mapa do tesouro nas mãos, estando na ilha errada; confundindo paisagens e rotas, orientações e caminhos, causas com efeitos, transferindo para fora de nós o que a nós pertence.

Muitos vivemos buscando tesouros em ilhas erradas e demoramos muito tempo para compreender onde está o engano; procuramos em todos os lugares e nos esquecemos de usar o mapa dentro do nosso próprio território.



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PERFEIÇÃO MORAL

Chegamos ao último capítulo do livro terceiro de O Livro dos Espíritos a cerca das Leis Morais. Trata-se do estudo da Perfeição Moral, alvo e destino de todos nós. Neste riquíssimo material encontram-se, didaticamente, os subsídios seguros para esta conquista, bem como os seus obstáculos para o intento. Somos Espíritos imortais depositários de inúmeras tendências mantenedoras da condição inferior, bem como de potencialidades superiores, muitas delas adormecidas. O trabalho é, pouco a pouco, fazer com que as potencialidades se transformem em virtudes e dominem todas as inquietações características do início da jornada. Como saber se está na direção certa? é só verificar o quanto o interesse pessoal predomina no ser, o incontestável indício da imperfeição e fruto do mais radical vício moral, o egoísmo, assevera-nos a lição. O egoísmo se mostra na indiferença ao drama alheio, na condução das ações para proveito próprio, na intolerância aos erros de outrem, no atendimento de prazeres vis, na busca incessante pela evidência de suas realizações, no distanciamento da caridade... Estar-se-á na rota ascendente quando se resiste a essas e todas más inclinações do ser. A Sociedade dos Alcoólicos Anônimos detém a maior taxa de sucesso na luta contra o alcoolismo porque o seu sócio reconhece o seu vício e o mal advindo dele e renova diariamente a força para resistir o apelo para a entrega do seu prazer. Ao seu exemplo, é preciso reconhecer as atitudes negativas algemantes e investir força para não sucumbir a elas. Mas a tarefa do conhecimento de si mesmo deve ser profunda e desprovida das tão comuns máscaras mantidas para o falso bem-estar social. Coragem para reconhecer a própria sombra é imprescindível para êxito. Elencadas as más tendências, é hora de resistir ao seu arrastamento com que os Espíritos da codificação conceitua a virtude. O trabalho é árduo, mas é acessível e gratificante. Como auxílio para a proposta, recomenda-se a prática da maior das virtudes, a caridade desinteressada e a prece. Ao ajudar alguém, forças invisíveis são mobilizadas na estrutura íntima do ser que levam o equilíbrio, auto-estima e fortaleza moral. A prece permite a ligação com a esfera superior e com ela, eflúvios de paz e harmonia. Por fim, assinala-se que ao eclodir as potencialidades no passo da abolição das atitudes inferiores estar-se-á conquistando as características do Homem de Bem contidas na lição do Livro dos Espíritos a qual convidamos o leitor para o estudo.

Pedro Herbert



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LEI DE JUSTIÇA, AMOR E CARIDADE

Eduardo Sassi Santucci
dusantucci@terra.com.br

O Livro dos Espíritos
Cap. XI
As Leis Morais

A justiça consiste no respeito aos direitos de cada um; assim tanto a justiça como o direito deveriam andar juntas, se completar, ter o mesmo caráter, expressar a mesma virtude.
O sentimento de justiça é inerente a nós, somos feitos imagem e semelhança de Deus. Porém acumulamos tendências de nossas vidas passadas, valores nem sempre elevados, paixões, que nos levam muitas vezes a julgar as coisas do ponto de vista de nossas personalidades, de nossos interesses e de nossas convenções, levando-nos a pensar que temos privilégios, sendo que todo tipo de privilégio é contrário ao direito comum.
Podemos dar alguns exemplos como a escravidão com seus requintes de crueldade foi por muito tempo tida como coisa legal, isto é, um “direito”, em inúmeras circunstâncias o assassínio igualmente tem sido utilizado, qual um “direito”, nos casos da defesa da honra e dos bens adquiridos, também encontramos como sendo “direito” condições de trabalhos e aposentadorias especiais, isenções, que tantas pessoas gozam em detrimento de outras.
Como podemos observar essas “leis humanas” variam com o progresso.
Todas estas situações, não condizem com a verdadeira Justiça Natural que nosso mestre Jesus sintetizou na máxima “Querer para os outros o que quereis para vós mesmos” o que é bem diferente de “Querer para si o que deseja para os outros”, sendo esta mais aplicada nos dias de hoje.
Tendo necessidade de viver em sociedade, o homem tem algumas obrigações particulares a serem cumpridas, e a primeira delas é respeitar os direitos dos semelhantes, independente da situação em que se encontram, pois Deus criou todos iguais, mas é importante asseverar que temos aptidões diferentes, para que os mais fortes ajudem os mais fracos e não os tornem escravos diante da sua “superioridade”.
Sendo assim não há razão para temer o reconhecimento da igualdade dos homens, pois a “subordinação não se achará comprometida, quando a autoridade for deferida à sabedoria”.
Então para que possamos conhecer nossos limites e responsabilidades devemos lembrar Paulo o Apóstolo dos Gentios quando disse: “Tudo me é lícito, mas nem tudo me convém”, que nos pede uma reflexão profunda dos nossos atos para com o próximo, colocando-nos na mesma situação e de maneira recíproca.
A Doutrina Espírita nos ensina que o direito de viver é o primeiro de todos os direitos do homem; e que o homem pode acumular bens durante sua vida, através de trabalho digno e honesto que o permita ao repouso quando não mais puder trabalhar, não de maneira egoísta, mas em sociedade.
O homem tem o direto de defender aquilo que ajuntou pelo trabalho honesto, pois sendo uma propriedade legítima e fruto do seu trabalho constitui-lhe um direito natural, tão sagrado como o de viver e trabalhar.
Na questão 885 nos é esclarecido que é ilimitado o direito de propriedade, sendo que tudo o que é legitimamente adquirido é uma propriedade, mas, como já dissemos as leis humanas são imperfeitas, dando alguns direitos que a justiça natural reprova.
Daí a afirmação do Mestre “é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no reino dos céus”.
Porém o roubo vai muito além das coisas materiais, não é só dinheiro que podemos roubar, matando nós estamos roubando uma vida, roubando da esposa o direito de ter um marido, roubando dos filhos um pai, quando mentimos, estamos roubando de alguém o direito de saber a verdade, quando trapaceamos, estamos roubando o direito à justiça.
Assim como a caridade não esta circunscrita às doações de bens materiais, aos pobres e deserdados e sim na benevolência para com todos, na indulgência para as imperfeições alheias e no perdão das ofensas, como nos disse Jesus “Amai-vos uns aos outros, como irmãos”, isto inclui também nossos inimigos, que devemos perdoá-los e pagar-lhes o mal com o bem.
Sendo assim “o homem de bem que compreende a caridade, como Jesus, vai até o infeliz sem esperar que ele estenda a mão.
A verdadeira caridade é sempre boa e benevolente, tanto no ato quanto na forma. Um serviço que nos é oferecido com delicadeza tem seu valor aumentado; mas se é feito com ostentação, a necessidade pode fazer com que seja aceito, porém o coração não se sente tocado.
Lembrai-vos também que a ostentação tira, aos olhos de Deus, o mérito do benefício. Jesus ensinou: “Que a mão esquerda não saiba o que faz a direita”, ensinando a não ofuscar a caridade com o orgulho.
É preciso distinguir a esmola propriamente dita da beneficência. O mais necessitado nem sempre é aquele que pede; o temor da humilhação tolhe o verdadeiro pobre, que sofre sem se lamentar; é a esse que o homem verdadeiramente humano deve procurar sem ostentação.
Amai-vos uns aos outros, eis toda a lei. Lei divina pela qual Deus governa os mundos. O amor é a lei de atração para os seres vivos e organizados; a atração é a lei de amor para a matéria inorgânica.
Nunca vos esqueçais de que o Espírito, seja qual for seu grau de adiantamento, sua situação como reencarnado ou no mundo espiritual, está sempre colocado entre um superior que o guia e aperfeiçoa e um inferior diante do qual tem esses mesmos deveres a cumprir.
Sede caridosos, praticando não apenas a caridade que tira do bolso a esmola que dais friamente àquele que ousa pedir, mas a que vos leve ao encontro das misérias ocultas. Sede indulgentes para com os defeitos de vossos semelhantes. Em vez de desprezar a ignorância e o vício, instruí-os e moralizai-os. Sede doces e benevolentes para todos que são inferiores; sede doces e benevolentes mesmo em relação aos seres mais insignificantes da criação e tereis obedecido à lei de Deus”.

São Vicente de Paulo



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