Roteiros para preparação de palestras
elaborados pelo Departamento de Orientação Doutrinária da USE - Ribeirão Preto:
| Roteiro de Palestras 2006 | ||
| Dezembro | Aborto | |
| Novembro | Eutanásia | |
| Outubro | A Violência | |
| Setembro | O Suicídio | |
| Agosto | Depressão | |
| Julho | Afetividade: União e Divóricio | |
| Junho | Sexualidade e Criatividade. | |
| Maio | Em Busca da Paz e da Felicidade. | resumo |
| Abril | A Boa Nova do Evangelho Segundo o Espiritismo. | |
| Março | O Engodo e a Nova Moral. | |
| Fevereiro | A Caridade, a Fidelidade a Deus e a Busca da Perfeição. | |
| Janeiro | Fundamentos Ético-morais - Nossas Dificuldades. | |
Aborto
USE-DEZEMBRO DE 2006
Nilza Teresa Rotter Pelá
ropela@eerp.usp.br
Aborto:
Expulsar prematuramente do útero o produto da concepção - embrião ou feto inviável ou não. (Dicionário Aurélio)
ESTATÍSTICAS
Fonte-AGI- Alan Guttmarch Institute -1999
210 milhões de gestações ocorrem em cada ano no mundo.
46 milhões (22%) terminam em aborto induzidos dos quais
20 milhões são abortos praticados em condições de risco (aborto inseguro), sendo que:
99% são realizados em paises em desenvolvimento
OMS-1998
Estima que, em nível mundial, ocorra 1 aborto a cada 7 nascidos vivos.
Na América Latina e no Caribe a proporção é de 1 aborto a cada 3 nascidos vivos.
1 em cada 5 mulheres que abortam intencionalmente (aborto inseguro), tem conseqüência do aborto provocado que pode levar a infertilidade.
O aborto é a quarta causa de mortalidade materna no Brasil.
OMS 1998/ 2001
13% dos casos de morte materna são decorrentes do aborto praticado em condições de risco (67 mil mortes maternas por ano)
Ministério da Saúde-2003
120 212 internações hospitalares por aborto no grupo de 10 a 24 anos.
A maior taxa de internação foi no grupo de 20 a 24 anos (35%).
O DIREITO À VIDA NO ORDENAMENTO JURÍDICO BRASILEIRO
(ABRAME-Associação Brasileira de Magistrados Espíritas).
Inviolabilidade do direito à vida
(Art 5o da Constituição de 1988)
A personalidade civil começa com o nascimento.(Art 2º Código Civil de 2002)
“Toda pessoa tem direito a que se respeite sua vida Esse direito estará protegido por lei, a partir do momento da concepção”.
(art 41 da Convenção Americana Sobre Direitos Humanos)
“A criança, por falta de maturidade física e mental, necessita de proteção legal tanto antes como depois do nascimento”
(Preâmbulo da Convenção sobre os Direitos da Criança)
Segundo Pontes de Miranda, o direito à vida:
“ ...não existe conforme o crie ou regule a lei; existe a despeito das leis que pretende modificar ou conceituar. Não resulta das leis, precede-as; não têm o conteúdo que elas lhe dão, recebe do direito das gentes.”(destaque nosso)
CONCLUSÃO da ABRAME
Qualquer medida que vise excluir a antijuricidade ou a punibilidade do aborto, e servir de estímulo a prática desse “homicídio uterino de nascentes” agride o Direito Natural e fere frontalmente a Constituição Brasileira.
A Vida Contra o Aborto
(AME-Associação Médica Espírita do Brasil)
Seria o Embrião um mero amontoado de células? Uma coisa?
“ O zigoto e o embrião inicial são organismos humanos vivos, nos quais estão fixados todas as bases do indivíduo adulto.Sendo assim, não é possível interromper qualquer ponto do continuum - zigoto, feto, criança, adulto, velho- sem causar danos irreversíveis ao bem maior que é a própria vida.”
MOORE e PERSAUD,2002 ( apud Nobre,s/d)
( embriologistas)
Individualidade embriofetal
Estudos científicos demonstram que há uma individualidade embriofetal muito nítida, tanto imunológica quanto psicológica, que pode ser acompanhada, desde muito cedo, através da ultra-sonografia. Na realidade, há até mesmo um conflito de interesses maternos-fetais, o que prova a personalidade distinta do feto. Por ser corpo estranho no organismo materno, ele tem de lutar para manter-se vivo, para não ser rejeitado. Estudos científicos revelam que há um mecanismo bioquímico de defesa do feto que procura driblar o da mãe. Ele produziria uma enzima, a IDO, que procuraria neutralizar a ação do triptofano, aminoácido responsável pela produção de células de defesa do tipo T do organismo materno.
Essas pesquisas colocam em xeque, portanto o argumento de que a mulher grávida tem o direito de decidir se o embrião deve viver ou morrer, porque este não seria um ser à parte, não teria personalidade própria. Tanto possui que ele é detentor de um patrimônio genético exclusivo. E, desde o período inicial da gestação, extravasa a sua inteligência através da capacidade de autogerir-se mentalmente, de adaptar-se e adequar-se a situações novas. Essa luta do embrião para sobreviver dá-lhe o status de pessoa e demonstra que ele apenas se hospeda no organismo materno. A propalada autonomia da mãe, o seu direito de decidir, não se sustenta, portanto.(2)
A Psique do feto
Várias observações feitas por cientistas têm evidenciado que o feto apresenta uma psique própria, distinta de sua mãe, conforme relata Dra Marlene Nobre.(2)
Dentre os relato encontramos um particularmente interessante:
Uma psicanalista italiana acompanhou, durante vários meses uma gestação de gêmeos bivitelínos (formados por dois ovos distintos), uma menina e um menino. No acompanhamento familiarizou-se tanto com o jeito deles que foi capaz de descrever para a qual seria o comportamento de ambos, após o parto. No ultra-som a menina era expansiva, buscando contato com o irmão, mas este se retraia e enfiava a cabeça na placenta ou tapava o rosto com a mão, fugindo dela. A médica previu que a menina seria agitada e, nervosinha, enquanto o menino seria de temperamento retraído e acanhado. Para espanto da mãe, após o nascimento, tudo se confirmou, realmente, ele era do tipo quieto e amenina era nervosinha e irrequieta.
Hoje se sabe que experiências emocionais durante a vida intra-uterina influenciam o comportamento das crianças, assim há um caso descrito que a criança se recusava ea mamar na mãe e que se detectou que a mãe havia feito várias tentativas de abortar. Todas essas observações nos levam a concluir que existe uma individualidade no feto que não pode ser marginalizada como se ele fosse uma massa amorfa de um tumor que se pudesse extrair por decisão da mulher.
Memória antes da formação do cérebro
Na década de 80 estudos científicos identificaram um grupo de neuropeptídeos-moléculas fabricadas pelo sistema nervoso- que permitem o diálogo entre os sistemas nervoso, imunológico e endócrino. Outros estudos constataram que a memória independe do sistema nervoso perfeitamente estruturado e funcionante, porque já existem dezenas de neuropeptídeos circulando desde o início da embriogênese. Por exemplo, em um embrião de sete semanas, já se detecta a presença de endorfinas, uma das substâncias que faz o diálogo entre o sistema nervoso, endocrinológico e imunológico. Mesmo em anencéfalos, feto que possui somente parte do córtex ou apenas o diencéfalo, cérebro ligado à função inconsciente, vegetativa, esses neuropeptídeos já circulam, desde o começo da gestação, ainda que de forma imperfeita.
Ainda com relação à memória, há um outro contexto de investigação.
A psicoterapia transpessoal já detectou o armazenamento na fase adulta, de lembranças que ocorrem muito no início da vida intra-uterina e que, sob hipnose, o indivíduo é capaz de resgatar. Muitos bebes rejeitam suas mães ao nascer porque guardam lembranças desagradáveis da vida intra-uterina, como o pensamento de rejeição ou a tentativa de aborto.
Para concluir esse resumo sobre memória queremos lembrar um dos paradoxos da Biologia Molecular, que ainda está para ser decifrado pelos neurobiólogos: o da renovação perpétua das moléculas do sistema nervoso, em contraposição ao armazenamento da memória por 80 anos ou mais na vida do indivíduo.(2)
Conclusão da AME
“O embrião, portanto, não pertence à mãe, ao pai, ao juiz, à equipe médica, ao Estado.
Pertence exclusivamente, a ele mesmo, porque a vida lhe foi outorgada, é um patrimônio intrínseco, inerente à sua condição de organismo humano vivo.”
Projeto de lei do Aborto
Em 7 de dezembro de 2005 o Projeto de lei do Aborto teve sua votação adiada na Comissão de Seguridade Social da Câmara, pois os deputados que são contrários a essa lei não assinaram o livro de presença e não houve quorum para a votação.
O que deveria ser votado:
# retirada do Código penal dos artigos que tipificam como crime contra a vida o aborto feito pela própria gestante ou provocado por outra pessoa com o seu consentimento.
# Cobertura - No primeiro texto, havia um artigo que previa a obrigatoriedade do Sistema Único de Saúde (SUS) e dos planos privados de saúde darem cobertura necessária para a realização do procedimento. O artigo foi bastante polêmico entre os deputados da comissão e foi retirado.(Nós podemos perguntar como fica a argumentação de que a descriminação do aborto impediria que muitas mães morressem por procedimentos inadequados, se não há cobertura nem do SUS, nem de planos de saúde o procedimento vai continuar da mesma forma).
# Regulamentação -O projeto a ser votado apenas tira o aborto do código penal. As regulamentações de como e onde ele poderá ser feito serão responsabilidade do Ministério da Saúde.
# Prazo – Foi retirado o prazo colocado pelo texto anterior. Nele estava prevista a realização do aborto até a 12a semana de gestação, ampliando até a 20a em caso de gravidez decorrente de estupro.Citava o caso de fetos com má-formação congênita incompatíveis coma vida, como no caso de anencéfalos. (Iwasso,2005)
Como é o feto que se pretende autorizar abortar
Com 12 SEMANAS, o feto mede cerca de 7 cm e pesa 14 g. já apresenta movimentos espontâneos, embora a mãe ainda não os perceba.
A genitália externa adquire as características peculiares ao sexo genético do bebê
Crescem os olhos e as orelhas. Começa a formação dos principais ossos do corpo. Os dedos dos pés e das mãos já estão diferenciados e as suas unhas surgem.
Entre 16 e 18 SEMANAS, além de começar a fazer caretas, levantar as sobrancelhas e coça a cabeça, ele começa a desenvolver o sentido do paladar. Nesta idade, as papilas gustativas já estão desenvolvidas.
Sobre a anencefalia
“A anencefalia é proveniente de um defeito de fechamento da parte anterior do tubo neural, que ocorre entre a terceira e quarta semana de gravidez. As suas principais características são a falta da calota craniana, couro cabeludo e, principalmente, o comprometimento da parte anterior do encéfalo que origina os hemisférios cerebrais. As porções médias e posterior do encéfalo podem ter grau variado de desenvolvimento chegando a permitir que essas crianças respirem espontaneamente, chorem, deglutam, façam expressões faciais, movimentem os membros e respondam a estímulos. Mesmo sem embasamento algum tentam definir a criança como em morte encefálica, mas o simples fato dela respirar espontaneamente comprova a presença de um tronco encefálico funcionante e descarta completamente esta possibilidade.
Embora a maioria dessas crianças venha a falecer horas ou alguns dias após o parto, uma pequena parcela recebe alta hospitalar para o convívio com a família, que pode durar alguns meses. No normalmente curto período de sua vida, essas crianças podem receber o amor e o carinho de seus pais, avós e irmãos, serem registradas civilmente e uma vez falecida, sepultadas dignamente.Do nosso conhecimento, o máximo registrado na literatura em termos de sobrevida na anencefalia foi de um ano e dois meses, embora um autor argentino refira genericamente que algumas dessas crianças poderiam atingir vários anos. De qualquer forma não é verdadeira a afirmação utilizada habitualmente como tentativa de descaracterizar o enquadramento como aborto, de que a vida extra-uterina na anencefalia é absolutamente inviável e de que todas as crianças morram logo após o parto” ( Nunes & Martins Leão Junior,2006).
O LIVRO DOS ESPÍRITOS
QUESTÃO 880
Qual é o primeiro de todos os direitos naturais do homem?
O de viver. É por isso que ninguém tem o direito de atentar contra a vida do semelhante ou fazer qualquer coisa que possa comprometer a sua existência corpórea.
(Lei Da Justiça, Amor e Caridade)
357. Que conseqüências têm para o Espírito o aborto?
“É uma existência nulificada e que ele terá de recomeçar.”
358. Constitui crime a provocação do aborto, em qualquer período da gestação?
“Há crime sempre que transgredis a lei de Deus. Uma mãe, ou quem quer que seja, cometerá crime sempre que tirar a vida a uma criança antes do seu nascimento, por isso que impede uma alma de passar pelas provas a que serviria de instrumento o corpo que se estava formando.”
359. Dado o caso que o nascimento da criança pusesse em perigo a vida da mãe
dela, haverá crime em sacrificar-se a primeira para salvar a segunda?
“Preferível é se sacrifique o ser que ainda não existe a sacrificar-se o que já existe.”
344. Em que momento a alma se une ao corpo?
“A união começa na concepção, mas só é completa por ocasião do nascimento”.
Desde o instante da concepção, o Espírito designado para habitar certo corpo a este se liga por um laço fluídico, que cada vez mais se vai apertando até ao instante em que a criança vê a luz. O grito, que o recém-nascido solta, anuncia que ela se conta no número dos vivos e dos servos de Deus.”
Posição FEB
“Os alertas e os esclarecimentos são muitos, mas ante a oscilação moral, pela prática do aborto, não se deve buscar condenar ninguém. O que se pretende é evitar a execução de um grave erro, de conseqüências nefastas, individuais e sociais, como também sua legalização. Como asseverou Jesus “ Eu também não te condeno, vai e não tornes a pecar.”
“Com o avanço da ciência médica e o progresso nos campos da Genética, da Farmacologia e da Biologia molecular, dificilmente haverá necessidade de se sacrificar a vida do filho para preservar a da mãe. A vida da mãe continua a ser prioridade, mas é importante recordar que não se deve permitir o abortamento de forma açodada e sem as devidas constatação,uma vez que os recursos tecnológicos de hoje, na maioria das vezes permitem salvar, ao mesmo tempo, a vida da mãe e da criança.
Mesmo quando a gestação decorre de uma violência, como o estupro, prevalece, para o Espiritismo, a necessidade de preservar-se a vida da criança, sendo a Doutrina Espírita absolutamente contrária à proposta do aborto, mesmo considerando a orientação legal que, nesses casos, permite a interrupção da gravidez.
Na visão do Espírito Joanna de Angelis [Após a tempestade-Aborto deleituoso], ‘mesmo em tal caso, a expulsão do feto, pelo processo abortivo, de maneira nenhuma repara os danos ocorridos (...)’ afirmando a autora espiritual que quase sempre ‘o Espírito que chega ao dorido regaço materno, através de circunstância tão ingrata, se transforma em floração de bênçãos sobre a cruz de agonia em que o coração feminil se esfacelou...’.
Já em relação a utilização da pílulas anticoncepcionais de emergência , as chamadas ‘pílulas do dia seguinte’, o diafragma e o dispositivo intra uterino (DIU) a Doutrina Espírita é clara em considerar estes métodos contraceptivos como abortivos, pois agem impedindo a nidação do ovo já fecundado na parede uterina. De acordo com a citada questão 344 de O Livro dos Espíritos a união começa na concepção(...)’
...mesmo que o feto seja portador de lesões orgânicas graves e irreversíveis, o nascituro deve ser preservado, pois o corpo é instrumento de que o Espírito necessita para sua passagem pela vida matéria, atendendo os desígnios divinos de progresso a que está destinado”( Reformador,julho,2005)
Qual seria a postura dos Espíritas frente à legalização do aborto?
Considerando o exposto a Doutrina Espírita se coloca contra a prática do aborto e cumpre aos Espíritas divulgarem esta posição. Destacamos a seguir duas orientações quando a divulgação dos preceitos Espíritas.
“ Sede mais persuasivos, mais constantes na propagação de vossa nova doutrina”
(São Vicente de Paula – Paris 1858- O Evangelho segundo o Espiritismo cap.XIII )
Q 932 O Livro dos Espíritos: Por que nesse mundo os maus exercem geralmente maior influência sobre os bons?
R: Pela fraqueza dos bons. Os maus são intrigantes e audaciosos, os bons são tímidos. Estes, quando quiserem, assumirão a preponderância.”
Nota ; para este texto foi utilizada a seguinte bibliografia
1)ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DOS MAGISTRADOS ESPÍRITAS, O direito à vida no ordenamento jurídico brasileiro: a questão do aborto. Brasília: ABRAME, s/d.
2) NOBRE, MARLENE, A vida contra o aborto. São Paulo: FE Editora Jornalística, s/d.
3) NOBRE, MARLENE, O clamor da vida: reflexões contra o aborto intencional. . São Paulo: FE Editora Jornalística, s/d.
4) FEDERAÇÃO ESPÌRITA BRASILEIRA, Aborto, Não.Série Respeitemos a vida, s/d.
5)NUNES,R.A.;MARTINS LEÃO JUNIOR, Anencefalia: aliviar o sofrimento sim, matar o paciente não. In:http://www.zenit.org./portuguese/visualizza.phtml?sid=731337
capturado em 29/07/2006
6) IWASSO,S., Acordo muda projeto de lei do aborto, O Estado de São Paulo, terça feira,6 de dezembro de 2005, A14.
7) GUEDES G. Deputados se negam a votar projeto do aborto, O Estado de São Paulo, quarta-feira, 7 de dezembro de 2005, A 16.
8) KARDEC, ALLAN, O Livro dos Espíritos, Tradução de Herculano Pires, São Paulo: LAKE, 40 ed., 1980.
9) O aborto na visão espírita, Reformador, v.123,n.2116,julho de 2005.
Descriminação do Aborto*
Esta matéria encontra-se na Comissão de Seguridade Social na Câmara dos Deputados e só não foi votada em dezembro de 2005 porque os parlamentares a ela contrários conseguiram o adiamento da votação.
O projeto visa retirar do Código Penal os artigos que tipificam o aborto como crime contra a vida quando feito pela própria gestante ou provocado por outra pessoa com o consentimento dela, portanto, seria um procedimento médico como qualquer outro, que desconsidera o zigoto/embrião como um ser com direito à vida como qualquer um de nós.
Dentre os argumentos levantados pelos defensores desse procedimento há o argumento que nos estados iniciais da gravidez essa “massa celular” faz parte do corpo materno e dele é inteiramente dependente, assim a gestante tem o direito de decidir sobre seu corpo.
Dra Marlene Nobre em seus dois livros: “O Clamor da Vida-reflexões contra o aborto intencional” e “A vida contra o aborto-dez perguntas e respostas sobre a origem da vida e a natureza do embrião” clarifica o engano da afirmação acima mencionada. Diz ela:
Estudos científicos demonstram que há uma individualidade embriofetal muito nítida, tanto imunológica quanto psicológica que pode ser acompanhada desde muito cedo através da ultra-sonografia... Por ser um corpo estranho ao organismo materno ele tem de lutar para manter-se vivo, para não ser rejeitado...Estudos realizados pela equipe do Medical College, Georgia - Estados Unidos mostram que há um mecanismo bioquímico de defesa do feto que procura driblar a mãe. Ele produz uma enzima, a IDO, que procura neutralizar a ação do triptofano, aminoácido responsável pela produção de células de defesa do tipo T do organismo materno... Essa pesquisa coloca em cheque, portanto o argumento de que a mulher grávida tem o direito de decidir se o embrião deve viver ou morrer porque esse não seria um ser à parte, não teria personalidade própria. Tanto possui que ele é detentor de um patrimônio genético exclusivo...”
A Associação Médica Espírita do Brasil assume como postura ético-moral que “O embrião não pertence à mãe, ao pai, ao juiz, à equipe médica, ao Estado. Pertence exclusivamente, a ele mesmo, porque a vida lhe foi outorgada, é um patrimônio intrínseco, inerente à sua condição de organismo humano vivo.”
Estamos em campanha para que antes desse projeto ser votado a sociedade brasileira possa discuti-lo e ter a última palavra, conforme assegura o artigo 14 da Constituição Brasileira.
*descriminação: ato ou efeito de descriminar. Descriminar: absorver de crime.(Novo Dicionário Aurélio). Tem sido usado pela USE o termo descriminalização na campanha acima mencionada.
Eutanásia
marcia_pacciulio@yahoo.com.br
Conceito e Classificação:
Eutanásia é um vocábulo de origem grega que significa “boa morte” (Eu = boa; thánatos = morte). É, pois, o ato pelo qual se subtrai a vida de alguém, sob a escusa de evitar-lhe sofrimentos, bem como aos seus familiares.
É prática que existe de longa data, sempre ligada às culturas materialistas de todos os tempos.
Por exemplo, na Grécia Antiga, a Esparta belicosa inseriu no seu estatuto o uso legal da eutanásia eugênica contra os gravemente enfermos ou muito feridos, os mutilados, os velhos, os doentes mentais de todos os matizes, que eram atirados do alto do Monte Taígeto, porque eram considerados um peso na economia do Estado.
Quando foi criado por Aristóteles, o termo Eutanásia era utilizado para referir-se à forma de morrer dos sábios, daqueles que viviam sobriamente, plenamente conscientes do valor da vida e da importância da morte como instrumento de travessia para o Além.
Somente no século XVII o filósofo inglês Francis Bacon (1561-1626) utilizou-o pela primeira vez para denominar o ato de minorar os sofrimentos de alguém pela antecipação de sua morte.
Costuma-se classificar a Eutanásia conforme dois critérios diferentes:
1- De acordo com a ação do médico:
Eutanásia Ativa – quando se utiliza de alguma droga ou algum método que possa suprimir a vida do paciente.
Eutanásia Passiva ( ou Ortotanásia) – quando se omite o uso de medicação ou técnica capaz de prolongar a vida do paciente.
2- De acordo com a participação volitiva do paciente:
Eutanásia Voluntária: quando o próprio paciente solicita a ação supressora da vida.
Eutanásia Involuntária: quando os familiares, os responsáveis ou o Estado decidem pelo doente.
Exemplos:
Eutanásia passiva e involuntária: o caso Terri Schiavo.
Eutanásia ativa e voluntária: personagens dos filmes “Mar Adentro” (15) e “Menina de Ouro”(13).
Eutanásia Ativa e involuntária: sob o regime nazista de Adolf Hitler milhares de pessoas portadoras de deficiências físicas e mentais receberam a eutanásia nos hospitais da Alemanha (eutanásia eugênica).
Afinal, em que momento ocorre a Morte?
Na Visão Médica Oficial:
O progresso da técnica e da maquinaria de suporte à vida, que substituem parcialmente determinadas funções essenciais, bem como a introdução da terapêutica dos transplantes de órgãos, impuseram uma reformulação da conceituação de morte e, atualmente, o maior critério para a constatação da morte, do ponto de vista da ciência médica é a morte encefálica do indivíduo, pois, nessas condições, o cérebro não consegue coordenar as funções elementares da vida orgânica.
Para a determinação dessa lesão cerebral irreversível, o consenso é:
- Eletroencefalograma (EEG) plano, ou seja, sem atividade elétrica, em tomadas contínuas de 30 minutos e intervalos de 24 horas.
- Ausência de resposta cerebral (coma arreativo), com perda absoluta da consciência.
- Abolição dos reflexos cefálicos.
- Juízo clínico (inclusive com a participação de outros médicos, para os casos mais complicados).
Quando se constata a irreversibilidade do quadro, em geral é admitida a suspensão da utilização de técnicas ou medicações mais sofisticadas, que em nada poderão acrescentar ao curso clínico (como, por exemplo, os respiradores). Esta medida não deve isentar a manutenção de cuidados gerais, como a alimentação (parenteral, no caso), cuidados de higiene e assistência médica, permitindo que o processo siga seu curso normal, sem apressá-lo (Eutanásia) ou estendê-lo desnecessariamente, provocando uma morte prolongada e sofrida, em um processo conhecido como Distanásia ( dis = mau estado; thánatos = morte).
Na Visão Espírita:
Morte é a cessação da vida orgânica. Desencarnação é a libertação do Espírito imortal, um período de transição necessário à sua mudança de plano (é o passamento).
“A extinção da vida orgânica acarreta a separação da alma em conseqüência do rompimento do laço fluídico que a une ao corpo, mas essa separação nunca é abrupta. O fluido perispiritual só pouco a pouco se desprende de todos os órgãos, de maneira que a separação só é completa e absoluta quando não mais reste um só átomo do perispírito ligado a uma molécula do corpo.” (3).
“Tratando-se de morte natural resultante da extinção das forças vitais por velhice ou doença, o desprendimento opera-se gradualmente; para o homem cuja alma se desmaterializou e cujos pensamentos se destacam das coisas terrenas, o desprendimento quase se completa antes da morte real.... No homem materializado e sensual, que mais viveu do corpo que do espírito e para o qual a vida espiritual nada significa, tudo contribui para estreitar os laços materiais e, quando a morte se aproxima, o desprendimento, conquanto se opere gradualmente também,demanda contínuos esforços” (3).
Das citações acima depreendemos que é de extrema importância respeitarmos a morte natural, pois que somente a Providência Divina (representada pela ação de Espíritos Técnicos em Desencarnação junto ao desencarnante) é que poderá avaliar com justeza o tempo necessário para que se complete o desprendimento total do Espírito, nos casos de morte por velhice ou doença.
A Associação Médico Espírita do Brasil (órgão representativo do Espiritismo junto à ciência médica oficial) apóia as medidas atuais adotadas em hospitais, conforme descritas no item anterior, como critério para a constatação da morte encefálica. No entanto, ressalta a importância de um juízo clínico apurado para evitar-se a prática de ortotanásia ou distanásia.
Como vimos no item anterior, o fato de suspender-se recursos mais cruentos e especializados para os casos considerados irreversíveis, após acurado juízo clínico e conclusão de sua inutilidade, não deve ser entendido como ortotanásia, mas simplesmente como resignação do paciente e humildade científica para aceitação da própria limitação perante a ação de leis imutáveis da natureza.
É o que nos assegura Divaldo Pereira Franco (11) em entrevista recente, citando como exemplo o caso do Papa João Paulo II, que pediu para permanecer em sua residência e aguardar a morte lúcido, trabalhando e servindo. Esta é uma atitude digna e em nada comprometedora, do ponto de vista espiritual.
Por outro lado, a visão limitada dos profissionais da área de saúde , no tocante ao fenômeno da morte e a pouca aceitação da existência do componente espiritual no ser humano (que exerce pleno domínio sobre as funções biológicas do corpo físico) fazem com que, muitas vezes, o médico escolha prolongar desnecessária e dolorosamente a vida do paciente (Distanásia).
É o que nos confirma o médico Francisco Cajazeiras (4): “Não negarei a obstinação irracional que se apodera de alguns profissionais que, no afã de conseguirem uma maior sobrevida para os seus pacientes, abusam do emprego de métodos e técnicas cruentos, por tempo prolongado, causando mais desserviço que benefício, na forma de última cartada, quando mais que comprovado está o afunilamento do processo obtuário, o que pode ser considerado, sem sombra de dúvida, como Distanásia”.
A Carta de Princípios estabelecida no V Congresso Médico – Espírita (25/05/05) deixa clara a posição da Doutrina Espírita sobre a postura de respeito que todo cristão deve ter frente ao fenômeno da morte: “Favoravelmente à ocorrência da morte natural, a que se dá no tempo certo. Compete-nos respeitar a autonomia do paciente – suas crenças, medos, desejos e esperanças – oferecendo-lhe apoio médico, psicológico, religioso e familiar, que lhe possibilite morrer sem dor e viver com dignidade seus últimos instantes de vida terrena. Compreendemos o processo de morrer como uma fase importante para o aperfeiçoamento do espírito, repleto de experiências enriquecedoras, tanto para o médico, quanto para o paciente, sobretudo, quando ambos têm os olhos voltados para a realidade da vida imortal”.
Argumentos Pró - Eutanásia:
No jornal A Folha de São Paulo de 20/02/05, dezesseis médicos entrevistados disseram que, embora ilegal, a eutanásia é prática habitual em UTIs do país. Para eles é uma forma de abreviar o sofrimento do doente e de sua família, além de satisfazer a aspectos práticos como o de desocupar leitos para os que têm mais chances de sobreviver, ou o de baratear os altos custos da UTI, o que é hoje uma preocupação obsessiva da medicina privada.
Com base nesse modelo, a Holanda e a Bélgica legalizaram a eutanásia e o Estado do Oregon (EUA) aprovou lei que permite, desde 1994, o suicídio medicamente assistido, em que o médico ajuda o doente a morrer. No Brasil também é forte o movimento pró- eutanásia, com a adesão de deputados e senadores, inclusive.
Os principais argumentos pró-eutanásia são:
- Inutilidade da pessoa enferma, que já não pode mais produzir;
- A condição onerosa do paciente terminal à sociedade, devido aos altos custos das UTIs, CTIs e equivalentes;
- A incurabilidade;
- O sofrimento insuportável (dor);
- Anencefalia (ausência de cérebro): quando o diagnóstico era feito no pós-natal defendia-se a suspensão de alimentos à criança recém-nascida (eutanásia neonatal). Hoje, com o progresso de diagnóstico intra-uterino, a proposta é a eutanásia antenatal (o que é uma forma de aborto eugênico).
- “Dignidade de morrer”: seria a eutanásia em idosos para evitar-se, segundo dizem seus defensores, a morte lenta com sofrimento e dor.
Argumentos Espíritas Contrários à Eutanásia:
Divaldo P. Franco (11) e Joanna de Ângelis (5) demonstram-nos que existe um forte vínculo entre o passado comprometedor e as doenças degenerativas longas que afligem atualmente muitas pessoas. Também há casos em que esses fracassos podem ter acontecido na reencarnação atual, provocando uma reparação imediata. De qualquer modo, todo abuso praticado em relação à própria vida ou de outros, produz efeitos justos que são reajustes compreensíveis que a Lei, no seu devido tempo, nos cobra.
No caso em questão, enfrentamos os reajustes pelo mau uso do corpo, pelos vícios morais degradantes, pelos homicídios perversos, pelas agressões físicas e morais aviltantes e pelo suicídio, principalmente. A dor funciona aí como uma mestra eficiente que restitui ao Espírito rebelde a bendita oportunidade de compreensão e aceitação das Leis Divinas e de seu mecanismo educador.
Assim sendo, quem poderá atribuir-se o direito de interromper-lhes a existência preciosa, de expiação educadora e enobrecedora?
Também é necessário considerarmos que as pessoas que lhes estão vinculadas, na condição de pais, cônjuges, irmãos e amigos, muitas vezes são os cúmplices de seus dramas e tragédias do passado, que sendo responsáveis diretos ou inconscientes, ora recebem a oportunidade de reabilitação através do auxílio fraterno e da dedicação amorosa.
Cada instante, em qualquer vida é, portanto, muito precioso para o Espírito em resgate abençoado. Quantas resoluções nobres, decisões felizes ou atitudes ajustadas ocorrem num relance, num pequeno período, que podemos considerar como sendo apenas de sofrimento, mas que certamente também o é de reflexões e reformulações interiores para aquele que sofre!
Exemplos: 1 - André Luiz, em No Mundo Maior (9), relata um caso que demonstra a importância da doença grave e incurável para restituir o equilíbrio ao Espírito seriamente comprometido com as leis divinas.
2- Em Sexo e Destino (10), André Luiz apresenta um caso em que o sofrimento natural e prolongado da desencarnante proporciona-lhe a reflexão em torno dos acontecimentos da atual encarnação, bem como a oportunidade de perdoar-se e perdoar a outros antes de partir para a Vida Espiritual, adquirindo a necessária paz de consciência.
Por outro lado, precisamos considerar os inúmeros casos de pessoas que já estiveram clinicamente mortas e que, após manobras de ressuscitação cardiopulmonar, retornaram à vida, trazendo lembranças vivazes do que se passou com elas nesse intervalo de tempo, tendo a oportunidade pessoal de comprovação da continuidade da vida após a morte. Frequentemente, esse acontecimento modifica-lhes por completo a visão da vida e de seus propósitos, bem como sua concepção de morte, apagando-se-lhe o medo. São chamadas “Experiências de Quase Morte – EQMs” (4).
Resultados semelhantes têm-se constatado em pacientes que recobram a consciência após um período de coma mais ou menos longo.
Reflitamos: se tivesse sido aplicada a “morte suave” nesses pacientes, a reposturação de idéias, que lhes viabilizaria uma vivência melhor e mais produtiva ainda nesta encarnação, lhes teria sido negada!
Exemplos: Os filmes “E Se Fosse Verdade” (16) e “Fale Com Ela” (14).
Para finalizar, vamos considerar as repercussões que a Eutanásia provoca no Espírito desencarnante e no seu agente:
Na Eutanásia Voluntária há verdadeiro suicídio, variando apenas no que se refere ao agente e ao motivo pelo qual se dá, atenuando ou agravando os efeitos da escolha.
Na Eutanásia Involuntária, aquele que realiza, ordena ou participa do apressamento do desenlace carnal de outros, assume a responsabilidade por sua ação frente às leis divinas, na proporção dos motivos que o levaram a esse ato. É um homicídio, pelo qual precisará responder perante as leis divinas.
De qualquer modo, a morte antecipada repercute de imediato no desencarnante, desencadeando-lhe grandes dificuldades no processo de readaptação à vida espiritual, face ao trauma proveniente da maneira brusca e violenta em que se deu a morte física, promovendo uma verdadeira expulsão do Espírito de seu corpo físico.
Considere-se ainda que, naqueles casos m que os momentos de angústia e de sofrimento foram-lhe inseridos para prova ou expiação, o Espírito perde, então, a oportunidade valiosa e certamente precisará reincluí-las em nova etapa reencarnatória. É o que confirmam alguns Espíritos desencarnados por Eutanásia, em relatos ao médium Divaldo P. Franco (11).
Assim, o que poderia ser resolvido em tempo relativamente curto, desde que se usasse de paciência, fé e resignação para com os problemas existenciais, multiplica-se e atinge o Espírito, aprisionando-o nas malhas do sofrimento por período mais longo.
Exemplos: 1- André Luiz, em Nosso Lar (7) apresenta um caso de eutanásia levada a efeito com intenção criminosa para obtenção de herança e a repercussão drástica no desencarnante, que chega ao mundo espiritual detendo o rancor e o desejo de vingança pelo genro, que lhe suprimiu a vida.
3- Em Obreiros da Vida Eterna (8), André Luiz narra o caso de um desprendimento difícil, em que a eutanásia é aplicada pelo uso excessivo de sedativos, apressando a morte física, mas dificultando sobremaneira a adaptação do desencarnante na pátria espiritual.
Conclusão
A postura do Espírita frente aos movimentos de defesa da Eutanásia deve ser sempre de respeito à Vida, sob qualquer condição em que se apresente! Devemos trabalhar para que o amor e a solidariedade ganhem espaço nos corações das pessoas, substituindo a indiferença e o egoísmo criados pelo materialismo no coração e na mente daqueles que cometem esse crime!
Cabe-nos, também, informar ao paciente (quando lúcido) e/ou aos seus familiares que a decisão pela Eutanásia irá apenas transferi-lo de um estado vibratório para outro, de forma abrupta e violenta, sem resolver definitivamente a situação. Devemos esclarecer-lhes que a Vida, enquanto encarnados, tem por principal objetivo dar-nos condições de alcançarmos, pela resignação e pelo esforço, a elevação possível e necessária a nossa evolução. E que a dor é um dos mecanismos corretivos e educadores utilizados pela vida, do qual ninguém consegue se furtar, caso necessite dele!
No mais, do ponto de vista do auxílio fluidoterápico, pode-se oferecer ao doente que se encontra em processo de desligamento longo e doloroso, a ajuda do passe lenitivo e da prece, sendo que esta última pode ser levada a efeito pelos próprios familiares do doente, de maneira equilibrada e consciente.
Bibliografia Consultada e Outros:
(1) Kardec, Allan – O Livro dos Espíritos – questões 953, 953-a e 953-b.
(2) - O Evangelho Segundo o Espiritismo – Cap. V, itens 27 e 28; Cap. XXVIII – item 77.
(3) - O Céu e o Inferno – 2ª Parte – Cap. I: “O Passamento”.
(4) Cajazeiras, Francisco – Eutanásia (Enfoque Espírita) – Editora EME.
(5) Franco, Divaldo P. Franco / Joanna de Ângelis – Após a Tempestade – Cap. 14: “Eutanásia”.
(6) Simonetti, Richard – a Força das Idéias – “Eutanásia” – página 102.
(7) Xavier, Francisco C./ André Luiz – Nosso Lar – Cap. 30: “Herança e Eutanásia”.
(8) - Obreiros da Vida Eterna – Cap. XVIII: “Desprendimento Difícil”.
(9) - No Mundo Maior – Cap. VII : “Processo Redentor”.
(10) - Sexo e Destino – 2ª Parte –Cap. VII.
(11)La Revista Espírita – Edición em Espanõl – Visión Espírita de la Eutanasia – pagina 12.
(12) Internet: site da Associação Médico – Espírita do Brasil: www.amebrasil.org.br
Filmes : (13) Menina de Ouro (diretor: Clint Eastwood).
(14) Fale com Ela (diretor: Almodover)
(15) Mar Adentro (diretor: Almodover).
(16) E Se Fosse Verdade (diretor: Mark Waters).
Por Francisco Sérgio Nalini
Antropologia
Em qualquer aspecto que o relacionamento é discutido sempre se chega à mesma definição, a evolução começa por todos nós. Há uma tendência natural, de nossa parte, em transferir os nossos defeitos para o outro.
Isso é também comum na violência, nós nunca somos violentos, nunca estamos errados. Este trabalho tentará demonstrar que também temos a nossa parcela a transformar, seja aprendendo, ou ensinando.
Segundo William Ury, antropólogo de 52 anos, em recente entrevista à Revista Veja, a dificuldade para se lidar com os outros começa em nós mesmos, isso vale também para os povos e citando Oriente Médio como exemplo. Para ele todos os países envolvidos nos conflitos têm certeza que estão com a razão e o adversário está sempre errado, e isso ocorre há milênios.
O antropólogo defende a tese que, nas negociações, é muito mais necessário saber ouvir do que falar.
Para ele tanto a guerra como a paz fazem parte da natureza humana, mas não concorda com a tese de que o homem guerreia entre si desde sempre. Se as primeiras notícias da evolução humana têm 1 milhão de anos, as primeiras guerras foram registradas há 10 mil anos, mais ou menos.
Segundo Ury, as guerras tiveram início com o agrupamento das civilizações, que deixaram de ser nômades e começaram a necessitar de espaço para suas plantações e criação de animais.
“Estamos vivendo tempos muito turbulentos, de transição. É um período marcado por uma transformação na estrutura da sociedade. Antes, prevaleciam as sociedades verticais, em forma de pirâmide. Assim eram as monarquias, o feudalismo e as ditaduras. Agora, a democracia está se espalhando ao redor do mundo. Essa democratização acontece no trabalho, na estrutura familiar e na política. A pirâmide está sendo achatada, o que significa que todos querem participar das decisões que os afetam. No curto prazo, isso gera mais conflitos.”, afirma o antropólogo.
Willian Ury ainda aborda sobre a importância de pais e países evoluídos e democráticos serem terceiros nos conflitos familiares e de outros países, é a importância da participação dos cultos e moderados.
No dia a dia, para se evitar a violência nas relações humanas, ele sugere a tese de “sair para a sacada”, ou seja, antes de gritar, esbravejar, agredir, devemos refletir meditar e tomar decisões sábias.
***
Já para Herculano Pires, A violência do homem civilizado tem as suas raízes profundas e vigorosas na selva. O homo brutalis tem as suas leis: subjugar, humilhar, torturar, matar. O seu valor está sempre acima do valor dos outros. A sua crença é a única válida. O seu modo de ver o mundo e os homens é o único certo. O seu deus é o único verdadeiro. Só o que é bom para ele é bom para a comunidade. Os que se opõem aos seus desígnios devem ser eliminados pelo bem de todos. A violência é o seu método de ação, justificado pelo seu valor pessoal, pela sua capacidade única de julgar. Tece ele mesmo a trama de fogo do seu futuro nas encarnações dolorosas que terá de enfrentar.
Para Herculano este espírito brutal no ser humano refletiu até nas religiões, que se tornaram também violentas, fazendo de Deus uma divindade implacável praticando homicídios e genocídios em nome de Deus.
Criminologia
Os aspectos criminais não se concentram em um dos conhecimentos científicos, pelo contrário mantém relação com diversos deles. Uma pessoa não é só “violento”, seu caráter foi moldado por outros fatores.
A criminologia tem relações com a Psiquiatria, pelo ângulo patológico, com a Psicologia, por onde se estuda a delinqüência, com a Sociologia, pela influência do meio onde o cidadão vive, e Antropologia, pela importância do meio onde ele vive.
Para nós, espíritas, além de todos dos fatores materiais envolvidos, como o do direito e da educação, por exemplo, temos que levar em conta as questões reencarnatórias também.
Estamos diante de verdadeiro fenômeno de patologia social, sob este ponto de vista, a sociedade tem o seu lado bom, nas manifestações de pureza, dignidade, amor ao próximo, mas tem as suas doenças, como nos organismos biológicos. E a criminalidade é uma dessas doenças, relata o espírito Deolindo Amorim.
Razões da Violência
Ivan René Franzolim, analisando o Livro dos Espíritos, entendeu que, segundo o Espírito de Verdade (P. 785 do LE), os maiores obstáculos ao progresso moral são o orgulho e o egoísmo. Ambos caracterizam o sentimento ainda muito imperfeito que aliados à ignorância das leis naturais e seus mecanismos de atuação, originam as ações contrárias a essas mesmas leis constituindo a violência. Essa ignorância, no entanto, não nos exime de culpa e responsabilidade pelos nossos atos uma vez que a lei de Deus está escrita na consciência de cada um (P. 621 do LE), permitindo ao homem discernir sobre o bem e o mal. As imprudências cometidas sem intenção negativa ou consciência perfeita da situação estariam livres de culpa (P. 954 do LE), embora o Espírito mais adiantado se sinta naturalmente compelido a auxiliar àqueles envolvidos pela sua imprudência.
Já Divaldo Pereira Franco, em um documento elaborado sobre a paz para importante encontro mundial, declara que o ser humano, preservando uma herança ancestral, também se faz agressor do seu irmão, vitimado por fatores de profunda perturbação emocional, mental, social, econômica, religiosa, étnica, cultural, demonstrando que ainda não se identificou com Deus, ou se O conhece, seu relacionamento é superficial ou fanático, não lhe havendo permitido uma perfeita sintonia com a paz que dEle se irradia, e que deve estender-se por todo o mundo.
O tribuno não compreende como alguns acumulam fortunas incalculáveis e centenas de milhões de outros indivíduos vivem na miséria, sem a menor dignidade humana, experimentando a fome, a desolação, as doenças dilaceradoras variadas e a promiscuidade de toda natureza, havendo perdido, inclusive, o direito de existir.
Allan Kardec, nas observações à resposta da pergunta 685, do Livro dos Espíritos, menciona o desemprego generalizado como flagelo e miséria. Para ele os hiatos produtivos do ser humano podem causar uma descompensação na educação moral, a educação do comportamento e dos exemplos.
“Quando se pensa na massa de indivíduos lançados a cada dia na torrente da população, sem princípios nem freios e entregues aos próprios instintos, devem causar espanto as conseqüências desastrosas que resultam disso? Quando essa arte for conhecida e praticada, o homem trará hábitos de ordem e de previdência para si e para os seus, de respeito pelo que é respeitável, hábitos que lhe permitirão atravessar menos angustiado os maus dias inevitáveis. A desordem e a imprevidência são duas chagas que uma educação bem conduzida pode curar; aí está o ponto de partida, o elemento real do bem-estar, a garantia da segurança de todos.”, explica Kardec. (grifo do preparador)
Já na resposta da pergunta 930, de como os incapacitados farão para sobreviver, o Espírito de Verdade é enfático:
– Numa sociedade organizada de acordo com a lei do Cristo ninguém deve morrer de fome.
Kardec na sua observação à resposta entende que, com uma organização social sábia e previdente, o homem pode carecer do necessário apenas por sua culpa, mas mesmo essas suas faltas são geralmente o resultado do meio onde vive. Quando o homem praticar a lei de Deus, terá uma ordem social fundada na justiça e na solidariedade, e ele mesmo também será melhor.
O Espírito de Verdade vai mais além quando a pergunta é:
- Com que sinais uma civilização pode ser reconhecida como completa?:
– Vós a reconhecereis pelo desenvolvimento moral. Acreditais estar bem avançados, pelas grandes descobertas e invenções maravilhosas, e estais melhor alojados e vestidos do que os selvagens. Mas apenas tereis verdadeiramente o direito de vos dizer civilizados quando tiverdes banido da sociedade os vícios que a desonram e viverdes como irmãos praticando a caridade cristã. Até lá, sois somente povos esclarecidos, que percorreram apenas a primeira fase da civilização.
Tipos de Violências
Para catalogarmos a violência basta abrir o jornal do dia. Infelizmente os órgãos de imprensa, refletindo a vontade do próprio povo, dão um destaque enorme para os atos cruéis, programas com audiência fantástica até se especializaram no assunto.
A primeira violência a se referir é a que causamos a nós mesmos, dando vazão aos prazeres da matéria, esquecendo-nos que o fundamental é a evolução do espírito e o atingimento dos princípios cristãos.
Na sociedade a violência permeia pelo racismo, política, família, economia, religiões, honra, e tantas outras.
Existe até livro best seller para apontar os crimes mais famosos no mundo
Cada um de nós fica mais ou menos chocado com os tipos de violências, principalmente contra idosos, mulheres e crianças, por exemplo, tendo origem dos mesmos fatores já mencionados.
Entre os atos de violência um dos mais difíceis de combater é o da violência doméstica/intrafamiliar, principalmente as contra crianças e adolescentes. Pressões psicológicas, espancamentos, entre outras que minam sua auto-estima merecem nosso estudo e atenção.
Não podendo esquecer também de atos de intolerância, indiferença, assédio moral, desequilíbrio emocional e afetivo, entre outras.
Para lembrar alguns atos de rara violência, citaremos apenas três da história recente, os jovens que atearam fogo em um índio, depois ainda argumentaram que o confundiram com um pedinte; a filha que patrocinou e participou do assassinato dos pais a pauladas, e do pai que matou seus filhos para se vingar da mãe, sem contar inúmeros casos de membros da família, que são mortos por não fornecer dinheiro para drogas, não poupando nem a própria mãe.
Livre Arbítrio
Na Revista Espírita Allan Kardec, N.º 39, Umberto Ferreira explica que, depois de reencarnados, os espíritos conservam o livre-arbítrio. Podem desviar-se dos rumos traçados no Mundo Espiritual, abandonar os planos de trabalhar pelo próprio aperfeiçoamento e desviar-se para o caminho do mal. Os espíritos mais imperfeitos correm maiores risco de cometer tais desvios, enquanto os que já conquistaram certas qualidades costumam cumprir os planos traçados antes da reencarnação.
Deus não intervém. Deixa que suas leis se cumpram no momento oportuno. Ensina-nos Allan Kardec: "A prosperidade do mau não é senão momentânea, e se ele não expia hoje, expiará amanhã, ao passo que aquele que sofre, está expiando o passado" (O ESE, cap. V, item 6).
Fica claro, pois, que o próprio espírito, utilizando o livre arbítrio que Deus concede a todos, traça a sua trajetória de deslizes e crimes hoje e grande sofrimentos no futuro, ou de aprendizado, lutas e sofrimentos hoje e felicidade no futuro.
Como combater a violência
Neste ponto já podemos concluir que vai ser pelos princípios morais cristãos que combateremos a violência, nunca se esquecendo da necessidade de se alcançar alguns objetivos para este aperfeiçoamento:
- Conhecer melhor a si mesmo;
- Enriquecer o dia-a-dia o conhecimento espiritual;
- Estimular continuamente o bem interior;
- Trabalhar pelo auto-aprimoramento
- Fazer o bem
- Evitar o mal
- Orar (e vigiar)
- Exercitar a empatia - colocar-se no lugar da outra pessoa.
Jiddu Krishnamurti, filósofo indiano, alerta: "O homem ignorante não é o homem sem instrução; é aquele que não conhece a si próprio".
"Conhece-te a ti mesmo..., e conhecerás o Universo de Deus", frase atribuída por muitos ao filósofo grego Sócrates, o que nunca foi comprovado, mas que nem por isso perde sua importância no contexto deste trabalho.
Para Herculano Pires a tônica é o Cristianismo, pois somente ele mostrou-se capaz de reformular o mundo em sua globalidade. Para ele é importante que cheguemos ao futuro pelos meios adequados, com o mínimo de conflitos criminosos e o máximo de compreensão racional dos nossos objetivos. Lembra que, como observou Gandhi em suas memórias, os meios que nos podem levar à verdade e à dignidade só podem ser verdadeiros e dignos. Esses meios não precisam da justificação dos fins, pois se justificam por si mesmos.
As ações de combate à violência, por tudo que vimos, estão longe da idéia de fazê-la com mais violência. Elas transitam por uma melhor distribuição de oportunidades, uma melhor e equânime educação, ou seja, mais chances de uma vida digna a todos.
Na parte educacional, no livro O Mestre na Educação da FEB, Pedro Camargo (Vinícius), vai mais além:
Quando Jesus preconizou o - amai os vossos inimigos; fazei bem aos que vos fazem mal - não proclamou somente um preceito altamente humanitário, preferiu uma sentença profundamente pedagógica e sábia. A benevolência, contrastando com a agressão, é o único processo educativo capaz de corrigir e regenerar o pecador.
É muito fácil encarcerar ou eletrocutar um criminoso. Educá-lo é mais difícil, mais trabalhoso, demanda esforço, tempo, saber e caridade. Por isso, o Estado manda os criminosos à forca e as religiões remetem os pecadores, que não são da sua grei , para o inferno. Mas, se aquele é o único processo eficaz, procuremos empregá-lo, e não este, anticientífico, imoral e cruel.
A educação vence e previne o mal. O homem educado conhece o senso da vida, age conscienciosamente com critério, com discernimento: é um valor social. É pela educação que se hão de vencer os vícios repugnantes (haverá algum que o não seja? ), que se hão de domar as paixões tumultuárias que obliteram a inteligência e a razão. E, de tal modo, sanear-se-á a sociedade. (grifo do preparador)
As penas, inclusive a de morte
Nazareno Tourinho, por duas vezes, publicou no reformador observações sobre as penas que devem passar os criminosos, pela visão terrena, e porque o espírita não pode se aliar à idéia da pena de morte.
De plano afasta o “olho por olho, dente por dente”, já que é necessário respeitar os fatores e circunstâncias atenuantes ao delito. Por outro lado, argumenta que é obrigação do Estado proteger a sociedade e que a prisão perpétua, se cumprida, já é uma pena bastante rigorosa.
Com a morte por sentença, interrompe-se o plano de vida traçado pela espiritualidade e evita que o acusado tenha, ainda naquela encarnação, a chance do arrependimento e a infalível cobrança de sua consciência.
Por outro lado não se têm como esquecer fatos históricos de inúmeros inocentes condenados e executados, e que as leis que determinam tais mortes são feitas pelo homem e levam em conta questões religiosas, políticas, econômicas, entre outras.
Conclusão
O ser humano foi criado por Deus para fazer brilhar a Sua Luz, nós temos que ter como objetivo nos tornar Espíritos de Luz, e a primeira iniciativa é que nos desfaçamos das paixões e dos vínculos à matéria. Esse um caminho difícil, tendo em vista nossa imperfeição, mas o combate à violência, principalmente à que nos move, já é um grande passo.
Nossa missão é melhorar o mundo através da Lei Natural, o amor, sem regras ou condições, quando isso for possível, os seres humanos terão um só comportamento, ajudando-se mutuamente, afastando qualquer estado bélico ou agressivo.
O pensamento terá de ser harmônico, tendo Jesus e seus ensinamentos como meta, não afastando a firme convicção na imortalidade da alma e da justiça divina, sabendo que a fraternidade, o perdão e a caridade em relação ao próximo são fundamentais para tal objetivo.
Rezemos sempre para que nossos governantes não se esqueçam dos programas de educação e saúde, o saneamento, o trabalho digno, sem explorações, aperfeiçoando as crianças para evitar a perversidade futura.
O mal é a ausência do bem, cultivemos a paz em nossos corações para derrotarmos a violência e a maldade, e que Deus nos proteja nessa fase de transição.
Bibliografia e citações:
- Documento remetido pelo tribuno e médium Divaldo Pereira Franco ao Secretário Geral do Encontro de Cúpula Mundial de Líderes Religiosos e Espirituais pela Paz Mundial.
- Livro Violências, Pena de Morte e outros Dramas
Celso Martins, Ivan René Franzolim, Deolindo Amorim (espírito), entre outros. - J. Herculano Pires – Agonia das Religiões - Paidéia
- Umberto Ferreira - Revista Espírita Allan Kardec, nº 39.
- Pedro de Camargo (Vinícius) - em O Mestre na Educação. FEB
- Amílcar Del Chiaro Filho – Jornal Verdade e Luz – julho de 2000
- Bismael B. Moraes, livro Pena de Morte & Cremação Numa Visão Espírita (Dados Históricos, Procedimentos Legais - Normas, Requisitos e Objeções).
- Nazareno Tourinho - Reformador dezembro de 1959 e junho 1993.


A PALAVRA SUICÍDIO ETIMOLOGICAMENTE QUER DIZER:SUI = SI MESMO; CAEDES = AÇÃO DE MATAR.
O SUICÍDIO,DESDE A ANTIGUIDADE ,SEMPRE FOI PUNIDO SEVERAMENTE. EM TEBAS E CHIPRE , O MORTO ERA PRIVADO DAS HONRAS FÚNEBRES. EM ATENAS, NO SÉCULO IV, CORTAVA-SE A MÃO DIREITA DAQUELE QUE COMETERA O SUICÍDIO. ESTA ERA ENTERRADA DISTANTE DO RESTO DO CORPO DO INDIVIDUO. NA IDADE MÉDIA, O SUICIDA NÃO RECEBIAM A BENÇÃO DA IGREJA.
AO LONGO DOS TEMPOS TIVEMOS SUICIDAS QUE FICARAM NA HISTÓRIA, COMO: CLEÓPATRA, JUDAS, GETÚLIO VARGAS E OS KAMIKAZES.
O CONCEITO DE SUICÍDIO É RELATIVO A CULTURA E RELIGIÃO, NO CONCEITO HUMANO TEMOS A AÇÃO PELO QUAL ALGUÉM PÕE INTENCIONALMENTE TERMO A PRÓPRIA VIDA E NO CONCEITO ESPÍRITA SERIA TUDO QUE FAÇA CONSCIENTEMENTE PARA APRESSAR A EXTINÇÃO DAS FORÇAS VITAIS.
NO MUNDO SUICIDAM-SE DIARIAMENTE 2000 PESSOAS, APROXIMADAMENTE 90% DE QUEM TENTA, AVISA ANTES E EM TORNO DE 70% DOS SUICÍDIOS OCORREM EM DECORRÊNCIA DE UMA FASE DEPRESSIVA.
AS CAUSAS DA ATITUDE DE SAIR DO MUNDO PELA PORTA DO SUICÍDIO SÃO MUITO DISCUTIDAS, MAS DE FORMA GERAL TEMOS:
BIOLÓGICAS
LIGADO AO FATOR GENÉTICO COMO A ESQUIZOFRENIA
PSICOLÓGICA
ANSIEDADE, DEPRESSÃO, SOLIDÃO
DESEJO VINGANÇA: FANTASIAM AS REAÇÕES DOS VIVOS
SOCIOLÓGICA
EGOISTA: PARA NÃO SOFRER
ALTRUISTA: PARA NÃO DAR TRABALHO
ANÔNIMO: DESEQUILÍBRIO
ESPIRITA
RELACIONADO A FATORES OBSESSIVOS LEVANDO A VÍTIMA AO GRAU DE SUBJULGAÇÃO.
POR QUE AS PESSOAS SE MATAM?
O QUE PODERÁ LEVAR O HOMEM A RECORRER A ESSE ATO TÃO IRRACIONAL?
FALTA DE FÉ? - É A TOTAL DESCRENÇA DE UMA OUTRA VIDA APÓS A MORTE. TEM A ILUSÃO DE QUE, PROVOCANDO A PRÓPRIA MORTE, SERÁ O FIM DE TODO O SOFRIMENTO E O INÍCIO DE UM ETERNO SONO PROFUNDO. É A FALTA DE ESPIRITUALIDADE E DA CRENÇA NAS OBRAS DO CRIADOR.
ORGULHO FERIDO? - PODE SER CONSIDERADO, TAMBÉM, COMO FALTA DE FÉ, PORQUE A FÉ‚ CONDUZ À HUMILDADE, E ESTA É INIMIGA DO ORGULHO.
TÉDIO DA VIDA? MUITAS VEZES, AS PESSOAS NÃO CONSEGUEM DEFINIR UM OBJETIVO EM SUA VIDA. NO FUNDO, É AUSÊNCIA DA FÉ PARA SUPORTAR AS PROVAS QUE A VIDA LHE IMPÕE. AS DIFICULDADES SÃO TANTAS, E NÃO ENCONTRANDO FORÇAS PARA SAIR DO MARASMO, A PESSOA ACABA SE ENTEDIANDO. QUEM TEM FÉ NÃO DESERTA DA VIDA, POIS SABE QUE OS RECURSOS DIVINOS SÃO INESGOTÁVEIS. E A ORAÇÃO É O MAIOR DOS INSTRUMENTOS PARA SE CONSEGUIR QUE ESSA AJUDA VENHA DOS PLANOS MAIS ALTOS
MEDO DO FRACASSO? - MEDO DE SER HUMILHADO, IRONIZADO POR NÃO TER SIDO UM VENCEDOR. NO FUNDO, TODOS OS PROBLEMAS QUE LEVAM AS PESSOAS AO SUICÍDIO É A FALTA DE FÉ, É A FRAGILIDADE ESPIRITUAL.
FALTA DE DINHEIRO? – A FALTA DE CONDIÇÕES FINANCEIRAS NÃO ESTÃO RELACIONADAS DIRETAMENTE COM O SUICÍDIO.
KARDEC EXPLICA QUE OS PRINCIPAIS FATORES RELACIONADOS AO SUICÍDIO SÃO: OCIOSIDADE E FALTA DE FÉ POIS ONDE TEM O TRABALHO E A FÉ NASCE O PROGRESSO.
NO MEIO SOCIAL OBSERVAMOS ALGUNS SINTOMAS QUE PODE SUGERIR UMA TENDÊNCIA SUICIDA:
DEPRESSÃO: TRISTEZA CONSTANTE, ANSIEDADE, INSÔNIA, PERDA DE APETITE, PESSIMISMO, DIFICULDADE DE SE CONCENTRAR FALTA DE PERSPECTIVA: O QUE É DIFERENTE DE UMA TRISTEZA TEMPORÁRIA
FICAR ATENTO A FATOS IMPORTANTES DA VIDA DA PESSOA. GRANDES PERDAS OU MUDANÇAS PODEM PRECIPITAR UMA TENTATIVA AO SUICÍDIO.
VERIFICAR SE A PESSOA JÁ TENTOU SE MATAR ANTES. ESTAS PESSOAS TÊM MAIOR TENDÊNCIA A REPETIR A TENTATIVA.
FICAR ATENTO PARA ANÚNCIOS ESPONTÂNEOS DE SUICÍDIO.
FALAR CLARAMENTE SOBRE O TEMA. PERGUNTE DIRETAMENTE SE A PESSOA PENSA EM SE MATAR.
NA VISÃO DA DOUTRINA ESPÍRITA E RECORRENDO AO “O LIVRO DOS ESPÍRITOS” TEMOS AS QUESTÕES:
P-944: O HOMEM TEM O DIREITO DE DISPOR DA SUA PRÓPRIA VIDA?
R: NÃO; SOMENTE DEUS TEM ESSE DIREITO. O SUICÍDIO VOLUNTÁRIO É UMA TRANSGRESSÃO DA LEI.
P-946: QUE PENSAR DO SUICIDA QUE TEM POR FIM ESCAPAR ÀS MISÉRIAS E ÀS DECEPÇÕES DESTE MUNDO?
R: POBRES ESPÍRITOS QUE NÃO TIVERAM A CORAGEM DE SUPORTAR AS MISÉRIAS DA EXISTÊNCIA! DEUS AJUDA AOS QUE SOFREM E NÃO AOS QUE NÃO TÊM FORÇAS, NEM CORAGEM. AS TRIBULAÇÕES DA VIDA SÃO PROVAS OU EXPIAÇÕES. FELIZES OS QUE SUPORTAM SEM SE QUEIXAR, PORQUE SERÃO RECOMPENSADOS!...
P-948: O SUICIDA QUE TEM POR FIM ESCAPAR À VERGONHA DE UMA AÇÃO MÁ É TÃO REPREENSÍVEL COMO O QUE É LEVADO AO DESESPERO?
R: O SUICÍDIO NÃO APAGA A FALTA. PELO CONTRÁRIO, COM ELE APARECEM DUAS EM LUGAR DE UMA...
P-949: O SUICÍDIO É PERDOÁVEL QUANDO TEM POR FIM IMPEDIR QUE A VERGONHA ENVOLVA OS FILHOS OU A FAMÍLIA?
R: AQUELE QUE ASSIM AGE NÃO PROCEDE BEM, MAS ACREDITA QUE SIM E DEUS LEVARÁ EM CONTA A SUA INTENÇÃO, PORQUE SERÁ UMA EXPIAÇÃO QUE A SI MESMO SE IMPÔS. ELE ATENUA A SUA FALTA PELA INTENÇÃO, MAS NEM POR ISSO DEIXA DE COMETER UMA FALTA. PROVA QUE TEM MAIS EM CONTA A ESTIMA DOS HOMENS QUE A DE DEUS
P-956: OS QUE, NÃO PODENDO SUPORTAR A PERDA DE PESSOAS QUERIDAS, SE MATAM NA ESPERANÇA DE SE JUNTAREM A ELAS, ATINGEM SEUS OBJETIVOS?
R: O RESULTADO PARA ELAS É BASTANTE DIVERSO DO QUE ESPERAM, POIS EM VEZ DE SE UNIREM AO OBJETO DE SUA AFEIÇÃO, DELE SE AFASTAM POR MAIS TEMPO.
NO ESPIRITISMO CLASSIFICAMOS O SUICÍDIO COMO DIRETO OU INTENCIONAL OU CONSCIENTE E INDIRETO OU NÃO INTENCIONAL OU INCONSCIENTE. ASSIM TEMOS COMO SUICÍDIO DIRETO AQUELE QUE DIRETAMENTE PÕE FIM A VIDA FÍSICA, COMO: TIRO NO PEITO, CORTAR OS PULSOS, ATIRAR-SE DE UM EDIFÍCIO E MUITAS OUTRAS. NO INDIRETO TEMOS:
ALCOOLISMO
TABAGISMO
ALUCINÓGENOS
GASTRONÔMICOS
ALTAS VELOCIDADES
SEXO DESREGRADO
MÁGOA, DESESPERO, IRRITAÇÃO E PROBLEMAS DE DESEQUILIBRIO EMOCIONAL QUE LEVAM A LESÕES MENTAIS ACARRETANDO PATOLOGIAS ORGÂNICAS.
NO EXEMPLO ABAIXO TEMOS UM CASO DE SUICÍDIO INDIRETO:
ANALISANDO OS RELATOS DOS ENCARNADOS NOS INSTANTES ANTES DO SUICÍDIO OBSERVAMOS QUE O INDIVIDUO ESTÁ EM DESEQUILIBRIO E QUE INCONSCIENTEMENTE SABE DO EQUIVOCO QUE VAI COMETER E ATÉ MESMO AGRADECE A DEUS ESPERANDO ALCANÇAR O CRIADOR COM O FATO DE ENTRAR NO “MUNDO DOS MORTOS”.
Sexo/Idade: M, 22
Cor: branca
Meio: ingestão de veneno
Forma da mensagem: escrito
“Essa atitude foi muito bem analisada e achei que a hora era essa. Não chorem por mim...
Deus é grandioso; eu espero poder ajoelhar-me em seus pés no dia do juízo final, pois sei que só assim serei perdoado e reintegrado com os meus.
Eu estou feliz, não chorem.
Tudo será mais belo.
Meus dias neste planeta chegaram ao fim. Estou contente.
Mãe eu te amo
Eu amo todos vocês
Não chorem
NOS RELADOS DOS DESENCARDOS TEMOS O ARREPENDIMENTO E SOFRIMENTO COM O ATO DE ABANDONAR O MUNDO PELO SUICÍDIO. VEJAMOS ABAIXO ESSES RELATOS:
Sra. F. : 32 anos
suicídio devido cíumes do marido
tomou formicida
relata ter vido a própria autópsia
espíritos inferiores abusaram da condição de mulher sem respeito ou piedade
LUIS ALVES
Enfermeiro
Tiro no coração devido pobreza
Indigente Escola de Medicina
Sentia a própria degradação
Médicos diziam que os seus tecidos eram mais consistentes
O QUE FAZER SE PARENTE OU AMIGO QUISER SE MATAR?
OFEREÇA AJUDA MÉDICA OU PSIQUIÁTRICA. SE NECESSÁRIO, LEVE-A MESMO A CONTRAGOSTO.
MANTENHA-A LONGE DE ARMAS DE FOGO, OBJETOS CORTANTES, REMÉDIOS COMO CALMANTES E DE LUGARES ALTOS CONVERSE SOBRE A SITUAÇÃO QUE ELA VIVE. LEMBRE-SE DE QUE A DEPRESSÃO TEM CURA E É PASSAGEIRA, COM TRATAMENTO ADEQUADO ESSES PROBLEMAS TENDE A MELHORAR. PARA A PESSOA DEPRIMIDA, ENTRETANTO, A SENSAÇÃO É DE QUE JAMAIS HAVERÁ SOLUÇÃO.
NEM A DEIXE SOZINHA, NEM DURANTE A NOITE. ALÉM DE TER SEUS ATOS VIGIADOS, ELA SE SENTIRÁ QUERIDA E ESTIMULADA.
TRATE O TEMA COM CLAREZA E SEM PRECONCEITOS.
DESENVOLVER A RELIGIOSIDADE ORIENTANDO:
A VIDA NÃO ACABA COM A MORTE.
OS PROBLEMAS NÃO ACABAM COM A MORTE.
O SOFRIMENTO NÃO ACABA COM A MORTE.
A MORTE NÃO APAGA AS NOSSAS FALTAS.
A DOUTRINA ESPÍRITA PROPICIA ESPERANÇA E CONSOLAÇÃO, QUANDO DÁ A CERTEZA DA CONTINUIDADE INFINITA, QUE SERÁ TANTO MAIS FELIZ, QUANTO MELHOR SUPORTARMOS AS PROVAS DO PRESENTE.
ASSIM PARA TRANSFORMAR AS TEMPESTADES DO MAL EM ATITUDES DO BEM DEVEMOS TER:
- VIGILÂNCIA
- ORAÇÃO
- PRÁTICA DO BEM E DA CARIDADE
- NÃO À FOFOCA E A MALIDISCÊNCIA
- NÃO AOS VÍCIOS E AS DROGAS
- NÃO AO ÓDIO E A RAIVA
- CORRIGIR IMEDIATAMENTE QUALQUER ERRO COMETIDO
- LUTAR CONTRA AS INJUSTIÇAS E NÃO SE OMITIR
- PENSAMENTO CONSTANTE NO BEM
- EVOLUIR A CADA DIA
Ciclo de Palestras da USE-RP 2006
Reflexões Espíritas sobre Problemas Atuais do Mundo
DEPRESSÃO
Palestra de Agosto de 2006
UM POUCO DE HISTÓRIA
Desde os mais recuados tempos da história da humanidade, encontramos a presença da depressão, demonstrando a existência deste transtorno emocional entre indivíduos das mais variadas condições sociais e culturais.
Encontramos na Bíblia os primeiros registros da existência do tormento depressivo - conhecido na Antigüidade como melancolia - quando vemos que o rei Saul, era tomado por regulares crises emocionais, trafegando entre a tristeza e a exaltação, em nítidos comportamentos de depressão bipolar.
Eram os cânticos de Davi e a harmoniosa melodia de sua harpa que tranqüilizavam o rei hebreu. Nos deparamos aí com o primeiro registro da musicoterapia aplicada.
Também no Livro de Jó, vemos mais ostensivamente as manifestações e conseqüências do distúrbio depressivo.
Jó que viveu nas extensões da riqueza e da miséria, temente a Deus, íntegro e reto, se vê mergulhado em provações e aflições das mais diversas, apresentando sua alma absorvida pela descrença, tédio e sofrimento:
“Pereça o dia em que nasci e a noite em que se disse: Foi concebido um homem! Converta-se aquele dia em trevas e Deus, lá de cima, não tenha cuidado dele, nem resplandeça sobre ele a luz” Jó (3:3-4)
“A minha alma tem tédio à minha vida; darei livre curso à minha queixa, falarei com amargura da minha alma” Jó (10:1)
Hipócrates, o pai da medicina grega, 400 A.C. já detectava em seus pacientes a predisposição à melancolia, identificando-os com uma tristeza profunda e inexplicada.
Em 200 A.C., Galeno, também médico grego, aponta a causa da melancolia como sendo o resultado do desequilíbrio dos quatro humores: sangue, bílis amarela, bílis negra e fleuma, tidos naquela época como os responsáveis pela integridade da saúde dos indivíduos.
No séc. IV, o teólogo e monge grego Evágrio do Ponto teria escrito uma relação com os oito maiores vícios humanos, incluindo a acédia ou acídia (enfraquecimento da vontade; inércia, apatia) nesta lista. Dois séculos mais tarde, o Papa Gregório I, ocidentalizava a lista, definindo os 7 pecados capitais e trocando a acédia pela melancolia - os religiosos eram arrebatados por uma tristeza intensa, incapazes de enfrentar as vicissitudes circundantes às suas existências, ameaçando de alguma forma, a estrutura clerical predominante, através de posturas provenientes de “assédios demoníacos”. Somente no séc. XVII, a melancolia é removida da lista, por apresentar uma conceituação vaga e abstrata, sendo substituída então pela preguiça.
É apenas no séc. XVI que iniciam-se novas tentativas de melhor definir estes estados melancólicos; a palavra depressão vai surgir pela primeira vez, na literatura médica, no final do séc. XVII.
Fortalecem-se, desde então, as concepções de que cérebro é o responsável pelos distúrbios perturbadores.
A ciência estabelece novas conquistas no estudo deste órgão, bem como sua fisiologia, estrutura biológica, suas células nervosas, reações eletro-químicas, neurocomunicações, sinapses etc; o que faz que a década entre 1990 e 2000, seja proclamada pelo presidente americano G.W. Bush como a Década do Cérebro, atendendo ao anseio da comunidade científica internacional.
OS NÚMEROS DA DEPRESSÃO
O Relatório Anual de Saúde de 2001, publicado pela OMS foi totalmente dedicado à saúde mental e traz como título: SAÚDE MENTAL: NOVA CONCEPÇÃO, NOVA ESPERANÇA.
Os números ali divulgados fornecem estatísticas alarmantes sobre a depressão e outros distúrbios mentais.
Tais informações têm feito com que as comunidades médica, científica, religiosa e estudiosos sobre o assunto, busquem soluções e abordagens conjuntas na identificação e tratamento dos males decorrentes dos distúrbios mentais.
O estudo conclui que hoje a depressão é a quarta causa de incapacitação no mundo e que até 2020 será a segunda, atrás apenas das doenças cardíacas.
As estatísticas estimam que aproximadamente 125 milhões de pessoas no mundo sejam vítimas da depressão e que de 10% a 15% dos deprimidos tentam suicídio. Do total de um milhão de pessoas que se matam anualmente, 60% delas são portadoras de depressão ou esquizofrenia.
Quem já apresentou um episódio de depressão no passado corre um risco 50% maior de repeti-lo novamente; caso tenha tido dois casos, a probabilidade da doença voltar sobe para 90%.
A depressão e a ansiedade são responsáveis pela metade das doenças mentais existentes no mundo.
Pessoas que sofrem de depressão tem risco três vezes maior de desenvolver a doença de Parkinson.
Nos Estados Unidos, há 25 milhões de pessoas que sofrem de depressão crônica.
No Brasil, uma pesquisa iniciada em maio de 2005 e ainda não concluída, coordenada pela psiquiatra e pesquisadora da Universidade de São Paulo, Prof. Drª Laura Andrade, demonstra pelos seus primeiros resultados que cerca de 40% dos 3.000 entrevistados na Grande SP, apresentam algum tipo de transtorno, não se podendo identificar se leve, moderado ou grave. Há uma estimativa de que 10% necessitem de tratamento adequado.
O Ministério da Saúde estima que 3% da população (mais que 5,2 milhões de pessoas) sofram de transtornos mentais.
A depressão também pode ter causas hereditárias e filhos com um dos pais depressivos podem apresentar 30% de probabilidade de ter a doença, este percentual sobe para 70% quando pai e mãe sofrem do distúrbio.
Diante de tais estatísticas, o estudo da depressão, suas causas, conseqüências e tratamentos tornam-se vitais para minimizar o problema nos próximos anos.
O QUE É A DEPRESSÃO, SUAS CAUSAS E CONSEQÜÊNCIAS
A depressão é conceituada cientificamente como uma perturbação do humor ou um desequilíbrio afetivo, podendo-se prolongar por tempo indeterminado, situando o portador da doença num estado emocional de profunda tristeza e descrença, alienando-o da realidade vivencial e induzindo-o a comportamentos letárgicos, gerando sofrimentos diversos e regular descontrole perante sua “vontade de viver”.
Pode ser dividida em depressão primária - quando a doença não depende de fatores causais para surgir, sendo em si mesma causa e efeito – e depressão secundária, quando decorre de um fator causal, podendo ser, por exemplo, uma outra doença grave resultando ao paciente ficar deprimido.
Sua natureza, segundo o psiquiatra alemão, Emil Kraepelin, pode ser classificada como unipolar, menos grave, mais simples e rápida e bipolar, quando responsável pelas associações maníacas e extremos do humor.
Todos estamos suscetíveis às variações de humor e alternância natural de nossos estados emocionais.
Sentimentos como tristeza e nostalgia, aborrecimentos ou mágoas, são relativamente normais no nosso estágio evolutivo, desde que sejam sentimentos passageiros e que não impeçam a “normalidade” do dia-a-dia.
A perda de entes queridos, por exemplo, naturalmente nos provoca um estado de tristeza e saudosismo; todavia, caso estes sentimentos se prolonguem durante mais de seis semanas, podemos estar diante de um quadro depressivo patológico, exigindo tratamento especializado.
De uma maneira geral, podemos identificar os principais sintomas da depressão como sendo: manifestação de tristeza constante, abatimento moral, desinteresse nas atividades que antes proporcionavam prazer, desânimo e apatia, insônia ou aumento do sono, falta de alegria, de apetite, de realizar pequenas e simples tarefas, diminuição geral do nível de energia e entusiasmo.
Fatores diversos podem ser responsáveis pelo desencadeamento do transtorno depressivo e são classificados em dois grupos: fatores exógenos ou externos e fatores endógenos ou internos.
Como principais fatores externos, encontramos o conjunto de situações vivenciadas - absorvidas do exterior para o interior - que provocam algum tipo de desequilíbrio emocional do indivíduo, tais como: necessidades psico-sociais, relacionamentos afetivos difíceis, uso de substâncias entorpecentes, alcoolismo, perdas reais ou simbólicas etc.
Já os fatores endógenos ou internos são aqueles originados de disfunções orgânicas diversas, inclusive as genéticas, restringindo-se à natureza fisiológica; além naturalmente das origens e aspectos espirituais.
A neurociência identificou a serotonina e a noradrelanina como as duas principais substâncias da afetividade.
Estes responsáveis químico-cerebrais pela sensação de bem-estar quando abaixo dos níveis exigidos pelo organismo podem acarretar o desenvolvimento da depressão; felizmente, a farmacologia em particular, já é capaz de sintetizar tais substâncias – antidepressivos – facilitando as neurocomunicações e regulando os níveis destes elementos.
É importante observarmos que as causas para os transtornos depressivos são bastante variadas e evidentemente dependerão exclusivamente da natureza íntima de cada indivíduo, bem como de seu estado de saúde física, emocional e mental.
Resumidamente, apresentamos um quadro geral das principais causas que podem levar o indivíduo a desenvolver desequilíbrios afetivos:
O comprometimento do sistema imunológico é o reflexo imediato da depressão. O desequilíbrio existente entre a mente e o corpo, desencadeará a desarmonia no sistema de autodefesa do organismo, promovendo gradativamente estados enfermiços em diversos órgãos. Natural, desta forma, o desenvolvimento de enfermidades orgânicas, a depender do estado de saúde e gravidade do transtorno depressivo.
Distúrbios digestivos, úlceras, disritmia cardíaca, problemas hepáticos, disfunções intestinais, manifestações cancerígenas, estados degenerativos graves, infecções, alergias, problemas de pressão entre outras poderão estar presentes nos quadros enfermiços da doença mental.
A conseqüência mais terrível da depressão, contudo, ainda é o suicídio.
Este lamentável equívoco que muitos depressivos se utilizam é o ato extremado de livrarem-se da desesperação e angústia provocadas pela doença. Na tentativa de fugir dos males que considera invencíveis, o depressivo aniquila a vida orgânica; não para se matar, mas para se ver livre da dor, dos problemas, dos estados patogênicos da doença.
Entretanto, a Doutrina Espírita demonstra que o suicida acaba sendo impelido a situações ainda mais agravantes e sofríveis, comprometendo encarnações futuras e entregando-se a dores e lamentações. O depressivo entrega-se ao suicídio, acreditando que o fracasso é inevitável e de conseqüência natural.
DEPRESSÃO: UM OLHAR ESPÍRITA
A neurociência, de uma maneira generalizada e não científica, pode ser definida como o conjunto de disciplinas que estudam o sistema nervoso, sua anatomia, fisiologia e psiquismo.
Suas principais disciplinas (neurologia, bioquímica, psicofarmacologia, psiquiatria e psicologia) desenvolvem continuamente importantes estudos e ações na identificação e tratamento dos transtornos depressivos.
Distúrbios diversos nos neurotransmissores (substâncias químicas produzidas pelos neurônios – células nervosas), implicando baixa ou nenhuma produção das substâncias químicas da afetividade (serotonina/noradrenalina), frustrações diversas, conflitos sócio-afetivos são entre tantas outras, possibilidades desencadeadoras dos chamados episódios depressivos.
Embora as ciências médicas exerçam importante e inegável contribuição neste tema, ainda não alcançam, todavia, a verdadeira essência causal do transtorno, que reside nos refolhos da alma.
É no espírito eterno que encontramos as reais causas dos transtornos depressivos.
“No transcurso das experiências carnais sucessivas, acumularam-se no perispírito as realizações negativas, animosidades, mágoas, ressentimentos e revoltas geradas pelo próprio espírito; em si mesmo e em tantas outras almas, cujos sentimentos foram lesados. Ao reencarnar, seu perispírito “imprime” no programa genético os requisitos depurativos indispensáveis para o seu crescimento e reparação dos erros outrora praticados. Os distúrbios do quimismo cerebral serão resultados deste desequilíbrio vibratório impregnado nos genes”
Quando enfim se apresentam as circunstâncias específicas, o quadro conflituoso já existente nas conexões neuroniais se manifesta, iniciando-se então os processos desequilibrantes.
Diante deste quadro, terapias especializadas deverão atender o indivíduo, especialmente a psicoterapia da renovação moral e espiritual por meio da mudança de comportamento e compreensão dos deveres que devem ser praticados.
Não se deve compreender que o surgimento da depressão transcorre em uma única existência; tratam-se de processos desenvolvidos gradualmente, acumulados em decorrência da desarmonia moral e espiritual mantida contínua e regularmente em existências transatas.
Durante existências sucessivas o espírito enfermo apresentou-se num estado de profunda centralização, produzindo intimamente desajustes contínuos, extrapolando limites numa expansão descontrolada da vontade. Este comportamento hiper-egóico, gerado em posturas competitivas com o próprio Criador, revoltando-se profundamente com as vontades do Pai e as próprias necessidades do espírito, culmina numa conspiração contra a vida - a manifestação divina.
Voltado exclusivamente às conquistas e prazeres materiais, ignorando e recusando os convites de elevação e aprendizado, impregna-se de ingratidão, mágoas, ressentimentos, vazio existencial e rebeldia.
Tais impressões, distantes do progresso e evolução naturais, vão sendo sulcadas no perispírito até que o grito de cansaço espiritual é dado e inicia-se o processo de correção exigido pelas Leis Naturais de renovação e reparação.
A depressão atua, desta forma, como um doloroso estado de desilusão.
O espírito obriga-se assim a mergulhar em si mesmo, observando os danos causados e a força mental redirecionada para si próprio. Percebe-se falido, com profundos registros de inferioridade e desvios das Leis Naturais.
A rebeldia é então a matriz de todas as depressões severas.
O deprimido, para melhorar, necessita olhar-se com profundidade, perdoando-se e reconhecendo sua revolta, sua não aceitação de circunstâncias ou acontecimentos diversos em sua vida.
Urge reconhecer a necessidade de compreender-se intimamente, valorizando a oportunidade redentora para a sua reeducação, sendo grato à vida e aceitando-a como ela é e não como gostaria que fosse.
Se o Criador é infinitamente justo e bom, devemos crer que temos o melhor para nosso aprendizado.
A depressão torna-se altamente reeducativa, inspirando novas oportunidades de desenvolvimento de nossos próprios recursos.
Segundo uma pesquisa realizada por cientistas americanos na área psiquiátrica, a pessoa que supera a depressão desenvolve dois importantes valores: um insuperável domínio de si mesmo e um profundo auto-conhecimento.
O Espiritismo, aliado aos tratamentos psicológicos e/ou psiquiátricos é um excepcional instrumento terapêutico.
O conhecimento da vida espiritual; o reconhecimento das sutis ligações entre pensamento, matéria e energia; a sintonia mental; a consciência de que doenças são resultados somatizados de desequilíbrios energéticos, emocionais e mentais; são drágeas curativas para todos.
Como tratamento auxiliar e indispensável são indicados passes fluídicos nos centros de força genésico, esplênico e gástrico, exercícios respiratórios para melhorar a captação da vitalidade, alimentação com qualidade, prática de esportes, meditação e relaxamento (se possível), execução de pequenas tarefas voluntárias, prática da oração, leitura edificante proporcionando elevação do padrão vibratório.
O desejo sincero de espiritualização é o indicativo para novas conquistas enquanto a vontade e a aceitação subsidiam e fortalecem o aprendizado necessário.
De posse da instrumentação adequada, da terapêutica profícua, do profundo desejo de melhorar-se através da transformação íntima, a alma se deparará com forças para o amparo na retomada de seu caminho rumo à felicidade.
Edegar Tão
ed.tao@uol.com.br
BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
- O Evangelho Segundo o Espiritismo – Allan Kardec – IDE – 302 ed.
- Depressão – Causas, Conseqüências e Tratamento - Izaias Claro - CASA EDITORA O CLARIM – 11 ed.
- Reforma Íntima sem Martírio - Ermance Dufaux - Psic. Wanderley Soares de Oliveira - INEDE – 3 ed.
- Aspectos Psiquiátricos e Espirituais nos Transtornos Emocionais – Organizado por: Washington Luiz Nogueira Fernandes - LEAL – 2 ed.
- Autodescobrimento – Uma Busca Interior - Joanna de Angelis - Psic. Divaldo Franco – LEAL
13 ed. - Amor, Imbatível Amor - Joanna de Angelis - Psic. Divaldo Franco - LEAL – 13 ed.
- Triunfo Pessoal - Joanna de Angelis - Psic. Divaldo Franco - LEAL – 5 ed.
- Conflitos Existenciais - Joanna de Angelis - Psic. Divaldo Franco - LEAL – 2 ed.
- As Dores da Alma – Hammed - Psic. Francisco do Espírito Santo Neto - BOA NOVA – 16 ed.
- Relatório Mundial de Saúde – 2001 - Saúde Mental: Nova Concepção, Nova Esperança - Organização das Nações Unidas
- Palestra: Estudando a Depressão - Divaldo Franco
- Palestra: Depressão - Wanderley Soares de Oliveira
Afeição: afeto, amizade, amor
Afeto: 1.disposição de alma, sentimento
2.amizade, simpatia
Afetividade: conjunto dos fenômenos afetivos ( tendências, emoções, sentimentos, paixões, etc... )
L.E. - Q695 – O casamento, ou seja a união permanente de dois seres é contrária à lei da Natureza?
- É um progresso na marcha da Humanidade.
A solidão do Ser gera a busca do outro.Sócrates definiu o amor como um vazio que procura preencher-se.
A busca do outro é o preenchimento do vazio, que dá ao homem e à mulher a capacidade da reprodução da espécie, o poder criador.No casamento o homem busca a sua metade feminina e a mulher a sua metade masculina.Se não predominar esse critério dos opostos não se completa a unidade biológica e espiritual que sustenta a espécie humana, pois a finalidade do casamento em todas as sociedades é a constituição da família e a preservação da espécie.
O casamento ou a união permanente de dois seres implica o regime de vivência pelo qual duas criaturas se confiam uma à outra, no campo da assistência mútua. Ambos devem caminhar juntos na criação e no desenvolvimento de valores para a vida.Ele tem por meta a comunhão física, afetiva, o desenvolvimento da emoção psíquica e o companheirismo.Exercita a fraternidade e o entendimento.
Um jovem e uma jovem se amam e o amor que os atrai é o amor de Deus nas criaturas.A bênção do amor já os ligou e eles não necessitam de palavras, ritos ou sacramentos para se unirem, pois unidos já estão.Se não houver amor entre eles, não estão unidos e de nada valerá a união formal por meios sacramentais. É por isso que no Espiritismo não há sacramento, nem formalismo algum, pois tudo depende, em todas as circunstâncias da essência única e verdadeira, que é o amor.Lembremos a resposta à questão 701 do L.E.O casamento segundo as vistas de Deus, deve fundar-se na afeição dos seres que se unem.
O Espiritismo reconhece a necessidade humana de disciplinação social, e por isso recomenda apenas o casamento civil.Imperioso porém que a ligação se baseie na responsabilidade recíproca, respeito e consideração pelo cônjuge, firmando-se na fidelidade e nos compromissos da camaradagem, da afetividade, em qualquer estágio da união.
O lar, estruturado no amor e no respeito aos direitos dos seus membros, é o local onde as criaturas se harmonizam e se completam.Dinamizam os compromissos que se desdobram em realizações que dignificam a sociedade, pois os envolvidos passam a compreender a grandeza das emoções profundas e realizadoras, administrando as dificuldades que surgem, prosseguindo com segurança e otimismo.Eles se sentem membros integrantes do grupo social, com o qual contribui a favor do progresso geral e da felicidade de cada um, como de todos em conjunto.
Para esse desiderato, são fixados compromissos de união antes do berço, estabelecendo diretrizes para a família, cujos membros se voltam a reunir com finalidades específicas de recuperação espiritual e de crescimento intelecto-moral, no rumo da perfeição relativa que todos alcançarão.Em muitos lances da experiência é a própria individualidade, antes da reencarnação, que assinala a si mesmo o casamento difícil que faceará na existência, chamando a si o parceiro ou a parceira de existências pretéritas para os ajustes que lhe pacificarão a consciência, à vista de erros perpetrados em outras épocas.Em tese, o agrupamento doméstico se forma a partir de princípios de afinidade. Devemos entender bem que afinidade psíquica não significa simpatia, mas sim atração devido a compromissos emocionais.Por isso que nas ligações terrenas, encontramos as grandes alegrias e também dento delas somos habitualmente defrontados pelas mais duras provações.
Quando nos relacionamentos conjugais surgirem dificuldades de entendimento, estes devem ser solucionados mediante o diálogo, ajuda especializada e principalmente por intermédio da oração que facilita melhor entendimento dos objetivos existenciais. Desse modo, a tolerância toma o lugar da irritação, a compreensão satisfaz os estados de desconforto, favorecendo com soluções hábeis para que sejam superadas essas ocorrências.A amizade assume o seu lugar, amenizando o conflito e proporcionando o companheirismo agradável e benéfico, que refaz a comunhão, sustentando a afeição.Em verdade, o que mantém o matrimônio não é o prazer sexual, sempre fugidio, mesmo quando inspirado pelo amor, mas a amizade, que responde pelo intercâmbio emocional através do diálogo, do interesse nas realizações do outro, na convivência compensadora, na alegria de sentir-se útil e estimado.
Há muitos fatores que contribuem para o desencontro conjugal na atualidade, como os houve no passado.Primeiro os de natureza íntima: insegurança, busca de realização pelo método da fuga, insatisfação em relação a si mesmo, transferência de objetivos, que nunca se complementarão em uma união que não foi amadurecida pelo amor real.Segundo: os de ordem psico-social, econômica, educacional, nos quais estão embutidos os culturais, de religião, de raça, de nacionalidade, que sempre comparecem como motivo de desajuste, passados os momentos de euforia e de prazer.Ainda se podem relacionar aqueles que são conseqüências de interesses subalternos, nos quais o sentimento do amor esteve ausente. Nesses casos já se iniciou o compromisso com programa de extinção, o que logo sucede; e outros motivos vários.
È claro que o casamento não impõe um compromisso irreversível, o que seria terrivelmente perturbador, em razão de todos os desafios que apresenta, os quais deixam muitas seqüelas, quando não necessariamente diluídos pela compreensão e pela afetividade.A separação legal ocorre quando já houve a de natureza emocional, e as pessoas são estranhas uma à outra.Ademais a precipitação faz com que as criaturas se consorciem não com a individualidade, o ser real, mas sim, com a personalidade, aparência, os maneirismos, com as projeções que desaparecem nas convivências, desvelando cada qual conforme é, e não como se apresentava no período da conquista.Essa desidentificação, causa, não poucas vezes, grandes choques, produzindo impactos emocionais devastadores.Ainda por isso o Espiritismo reconhece a necessidade do divórcio, pois no plano ilusório da matéria as criaturas se confundem e misturam sexualidade e desejo com amor.
É importante observar que existe diferença entre programação e determinismo.Embora eu tenha me comprometido, posso a qualquer momento mudar o meu planejamento, pois tenho o livre arbítrio.Por isso é difícil emitir opinião a respeito de problemas alheios.Cada um precisa analisar-se honestamente e sentir o que vai no fundo do seu Ser, da sua consciência, antes de tomar qualquer decisão.
Todo compromisso afetivo, portanto, que envolve dois indivíduos, torna-se de magna importância para o comportamento psicológico de ambos. Rupturas abruptas, cenas agressivas, atitudes levianas e vulgaridade geram lesões na alma da vítima, assim como naquele que as assume.A precipitação e o desgoverno das emoções respondem pela ruptura da responsabilidade assumida, levando muitos indivíduos ao naufrágio conjugal e à falência familiar por exclusiva responsabilidade deles mesmos.Enquanto houver o sentimento do amor no coração do homem - e ele sempre existirá, por ser manifestação de Deus inserida na Vida – o matrimônio permanecerá, e a família continuará sendo a célula fundamental da sociedade.Envidar esforços para a preservação dos valores morais, estabelecidos pela necessidade do progresso espiritual, é dever de todos que, unidos, contribuirão para uma vida melhor uma humanidade mais feliz, na qual o bem será a resposta primeira de todas as aspirações.
Interrogam muitos discípulos do evangelho: Não é mais lícito o divórcio, em considerando os graves problemas conjugais, à manutenção de matrimônio que culmine em tragédia? Não será mais conveniente uma separação, desde que a desinteligência se instalou, ao prosseguimento de uma vida impossível? Não tem direito, ambos os cônjuges, a diversa tentativa de felicidade, ao lado de outrem, já que se não entendem?E muitas outras inquirições surgem, procurando respostas honestas para o problema que dia a dia mais se agrava e se avulta.
Inicialmente deve ser examinados que o matrimônio em linhas gerais é uma experiência de reequilíbrio das almas no ambiente familiar e oportunidade de edificação sob a bênção da prole. Não poucas vezes os nubentes, mal preparados para o casamento ou para uma vida a dois,



