Roteiros para preparação de palestras
elaborados pelo Departamento de Orientação Doutrinária da USE - Ribeirão Preto:
Lei do Trabalho - Necessidade do trabalho - I
Lei do Trabalho - Necessidade do trabalho - II
Lei de Reprodução - I
Lei de Reprodução II - CELIBATO
Lei de Reprodução - Casamento
Egoísmo
A personalidade de Allan Kardec
* Imortalidade da alma
Jesus - Mestre e Messias
Léon Denis - O Apóstolo do Espiritismo
Lei de Reprodução - Contracepção
Por que encaminhar as Crianças à Evangelização?
O Evangelho no Lar
O Evangelho no Lar- II
O Evangelho Segundo o Espiritismo - Fundamentos Éticos Morais
* O Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap. I e II - Fundamentos Éticos Morais
As aflições humanas e "O Evangelho Segundo o Espiritismo"
"O Evangelho Segundo o Espiritismo":- O Cristo Consolador
"O Evangelho Segundo o Espiritismo":- Cap. VII a X
"O Evangelho Segundo o Espiritismo":- Cap. X, XII e XIV
"O Evangelho Segundo o Espiritismo": Cap. XIII, XV, XVI e XVII
*sem texto*
Planejamento de Trabalho para o mês de março de 2004 aos Expositores da USE-Ribeirão Preto
O Livro dos Espíritos
Livro III - As Leis Morais
Cap. III - Lei do Trabalho
I - Necessidade do Trabalho
Objetivos?
identificar no trabalho uma lei divina ou natural
entender porque o trabalho é um meio de progresso
perceber a natureza do trabalho nos mundos inferiores e superiores
Introdução:
Recordar a importância e necessidade de conhecer as leis morais
• onde estão contidas
• quem as viveu em plenitude
• o que trazem ao homem que se dispõe a vivê-las aperfeiçoando-se no relacionamento:consigo
com o próximo
com Deus
Desenvolvimento:
1. Definição e conceito de Trabalho
2. Histórico: o trabalho através dos tempos
3. Idéia do trabalho hoje
4. Desse modo qual o objetivo do trabalho
Conclusão:
Síntese do estudado e exortação:
"Não te escuses à glória de trabalhar pelo progresso de todos, do que resultará a tua própria evolução".
Bibliografia básica:
1. O Livro dos Espíritos - Allan Kardec - q. 674 a 681
2. Dicionário Etmológico Nova Fronteira da Língua Portuguesa
3. Enciclopédia para o Histórico
4. Estudos Espíritas - Joanna de Ângelis/Divaldo P. Franco
5. Depois da Morte - Léon Denis - pág. 303 e 304
6. O Evangelho Segundo o Espiritismo - Allan Kardec - cap. XXV - it. 2 e 3
7. A Gênese - Allan Kardec - cap. XI - it. 28
8. Na era do Espírito - J. H. Pires - lição 10
9. O Céu e o Inferno - Allan Kardec - cap. III - it. 7, 8 e 9
Leda Marques Bighetti
Diretora do Departamento de Orientação Doutrinária
Planejamento de Trabalho para o mês de maio de 2004 aos Expositores da USE-Ribeirão Preto
O Livro dos Espíritos
Livro III - As Leis Morais
Cap. III - Lei do Trabalho
II - Necessidade do Trabalho
Objetivos?
• identificar no trabalho uma lei divina ou natural
• entender porque o trabalho é um meio de progresso
• perceber a natureza do trabalho nos mundos inferiores e superiores
Introdução:
Recordar a importância e necessidade de conhecer as leis morais
• onde estão contidas
• quem as viveu em plenitude
• o que trazem ao homem
que se dispõe a vivê-las aperfeiçoando-se no relacionamento:
consigo
com o próximo
com Deus
Recordar os itens:
1. Definição e conceito de Trabalho
2. Histórico: o trabalho através dos tempos
3. Idéia do trabalho hoje
4. Desse modo qual o objetivo do trabalho
Desenvolvimento:
Diferença entre o trabalho realizado pelo animal e pelo homem.
O trabalho como necessidade só no campo do encarnado? Por que?Como?
Aqueles que materialmente já possuem bens, são dispensados do trabalho?
Da utilidade do trabalho - efeitos.
Paralelo entre a natureza do trabalho nos mundos inferiores e superiores.
Conclusão:
Síntese do estudado e exortando a que toda ocupação útil pode ser usada em favor do outro.
"Não te escuses à glória de trabalhar pelo progresso de todos, do que resultará a tua própria evolução".
Bibliografia básica:
1. O Livro dos Espíritos - Allan Kardec - q. 674 a 681
2. Dicionário Etmológico Nova Fronteira da Língua Portuguesa
3. Enciclopédia para o Histórico
4. Estudos Espíritas - Joanna de Ângelis/Divaldo P. Franco
5. Depois da Morte - Léon Denis - pág. 303 e 304
6. O Evangelho Segundo o Espiritismo - Allan Kardec - cap. XXV - it. 2 e 3
7. A Gênese - Allan Kardec - cap. XI - it. 28
8. Na era do Espírito - J. H. Pires - lição 10
9. O Céu e o Inferno - Allan Kardec - cap. III - it. 7, 8 e 9
Leda Marques Bighetti
Diretora do Departamento de Orientação Doutrinária
Planejamento de Trabalho para o mês de junho de 2004 aos Expositores da USE-Ribeirão Preto
Veja a escala dos Expositores para junho/2004
O Livro dos Espíritos
Livro III - As Leis Morais
Cap. IV - Lei de reprodução - I
Objetivos:
• Entender o que é, e o que significa para o Espírito
• Caracterizá-la como meio de povoamento, sucessão e aperfeiçoamento das raças
• A correlação reencarnação e reprodução
Bibliografia:
• O Livro dos Espíritos, q. 686 a 692a
• Vida e Sexo - Emmanuel/Francisco Cândido Xavier: Lição 5
• Forças Sexuais da Alma, Jorge Andréa: Prefácio, introdução e capítulo V
Planejamento de Trabalho para o mês de julho de 2004 aos Expositores da USE-Ribeirão Preto
O Livro dos Espíritos
Livro III - As Leis Morais
Cap. IV - Lei de reprodução - II
CELIBATO e ABSTINÊNCIA SEXUAL
Objetivo:
• Refletir sobre o uso das energias sexuais nas situações de celibato
Introdução:
Definir o que é celibato (dicionário)
(O Expositor deverá pesquisar o celibato ao longo da história, para que possa estar apto a responder questões formuladas pelos assistentes).
Desenvolvimento:
• O que leva o individuo ao Celibato
• Celibato como forma de agradar a Deus
• Celibato voluntário, para dedicar-se ao próximo
• Celibato por questões orgânicas.
• Entender abstinência sexual.
Bibliografia:
1. Celeiro de bênçãos - Joanna de Ângelis/Divaldo P. Franco - lição 34
2. Curso Dinâmico do Espiristismo - J. Herculano Pires - cap. XIX
3. O Livro dos Espíritos, q. 637, 680a, 830, 698 e 699
4. Vida e Sexo - Emmanuel/Francisco Cândido Xavier: Lição 23
5. A Gênese - cap. III, it. 10 (final)
6. Vampirismo - J. Herculano Pires - íncubos e súcubos
Planejamento de Trabalho para o mês de agosto de 2004 aos Expositores da USE-Ribeirão Preto
O Livro dos Espíritos
Livro III - As Leis Morais
Cap. IV - Lei de reprodução - II
CASAMENTO
Objetivo:
• conhecer a origem dos casamentos e seus motivos
• identificar o casamento como um dos meios do progresso humano
• citar as principais finalidades do casamento
Introdução:
• Definir o que é casamento (dicionário)
Desenvolvimento:
• Histórico sobre o casamento (Enciclopédia, internet)
• Desenvovolver o tema apoiado na bibliografia indicada.
Bibliografia:
1. Pesquisa sobre o amor - J. H. PIRES
2. O Livro dos Espíritos - q. 695
3. Amor, Casamento e Família - Jacy Regis - 23 a 31
4. Curso Dinâmico do Espíritosmo - J. H. PIRES, cap. XiX
5. Estudos Espíritas - Divaldo Franco/Joanna de Ângelis - cap. 24 - p. 178
Planejamento de Trabalho para o mês de setembro de 2004 aos Expositores da USE-Ribeirão Preto
O Egoísmo
Objetivo: Esclarecer em que se apóia o egoísmo, enfatizando o seu efeito danoso para a humanidade, bem como os meios de combatê-lo e sensibilizar os participantes para a necessidade de eliminá-lo da face da terra.
Bibliografia:
KARDEC, Allan – O Evangelho Segundo o Espiritismo, Trad. Guillon Ribeiro. 119 ed. Rio de Janeiro: FEB, 2002. Cap. XI, Item 11.p. 191-11
KARDEC, Allan – O Egoísmo, Livro dos Espíritos. Trad. Guillon Ribeiro. 59 ed. Rio de Janeiro: FEB, 1984. Parte 3a , cap XII, Questões 913 a 917; 418 a 422.
XAVIER, Francisco C. Ninguém vive para si. Mens. 154 . In Fonte Viva. Pelo espírito Emmanuel. 16a ed. Rio de Janeiro FEB, 1988. P. 347.
XAVIER, Francisco C. O Filho egoísta; mens. 157. In Pão Nosso. Pelo espírito Emmanuel. 13 ed. Rio de Janeiro: FEB, 1987. P.325.
XAVIER, Francisco C.; VIEIRA Waldo. Crises sem dor; mens. 26. In Estude e Viva. Pelos espíritos Emmanuel e André Luiz. 6 ed. Rio de Janeiro: FEB, 1986. p. 150.
Op. Cit. Mortos voluntários; mens. 26. P. 151.
1 – Em que se apóia o egoísmo e por que ele impede o progresso moral?
2 – Porque é necessário combater o egoísmo dentro de nós?
3 – Por que é mais fácil vencer aos outros do que a nós mesmos?
4 – Como devemos entender a atitude de Pilatos, diante de Jesus?
5 – É possível eliminar o egoísmo da face da Terra?
6 – Como promoveremos a destruição do egoísmo em nós?
7 – A ingratidão não será obstáculo à nossa boa ação?
Conclusão
O egoísmo se baseia no sentimento de interesse pessoal. Constitui a negação da caridade e, por isso, o maior obstáculo ao progresso moral. Para a felicidade dos homens é necessário combatê-lo, através de um processo de reforma íntima que os torne sensíveis às necessidades e sofrimentos do próximo.
Planejamento de Trabalho para o mês de outubro de 2004 aos Expositores da USE-Ribeirão Preto
A personalidade de Allan Kardec
Objetivo: Aprofundar a compreensão sobre a personalidade do Codificador do Espiritismo para melhor entender a Doutrina Espírita.
Bibliografia:
KARDEC, Allan – Obras Póstumas, Tradução de Guillon Ribeiro - FEB
WANTUIL, Zêus; THIESEN, Franciusco - Allan Kardec - FEB, Volumes I, II e III
Jornal VERDADE E LUZ - Encartes comemorativos do Bicentenário de Allan Kardec (2004)
INCONTRI, Dora - Para entender Kardec
1 – Características
2 – Herança Espiritual
3 – Herança da Educação
4 – O Educador
Objetivo: Voltar aos caminhos de Jesus com reflexão e ternura, abrindo o nosso entendimento e coração, através dos registros do Evangelho para revisar, reconsiderar, repensar seus ensinamentos percebendo em seus gestos e palavras o sentido verdadeiro da sua atuação no mundo.
BIBLIOGRAFIA:
1) Ev. De João: (8:58), (10:30), (8;12), (10:9), (6:38), (4:25e26), (13:13), (14:6)
2) Epístola do Apóstolo Paulo aos Gálatas (2:20)
3) Quem é o Cristo?-Fco de Paula Vítor (J. Raul Teixeira)
4) Pontos e Contos-irmão X (F.C.X.)
5) A caminho da Luz- Emmanuel (F.C.X.)
Introdução:
Desde todos os tempos analisaram e escreveram a respeito da vida de Jesus.
Teólogos considerados, filósofos respeitados, homens de estatura intelectual avantajada, de várias correntes e escolas de pensamento se viram envolvido nas reflexões sobre o Mestre, pronunciando e falando a seu respeito, uns contra, outros a favor, uns com a tranqüilidade das convicções, outros exagerados e violentos no seu fanatismo, como se o Cristo pudesse ser enquadrado nos limites da percepção humana.
Observamos, nessas notáveis discussões, que estivessem eles em posições contrárias ou favoráveis a esse Homem Excepcional, o mais importante é que estiveram envolvidos por Ele, sem que conseguissem deixar de pensar Nele, que perceberam ser Ele grande transformador do mundo, transformador de opiniões e de idéias.
Observamos que isto decorre até os dias atuais desde a sua aparição no meio dos homens há mais de 2000anos.
Mas, sem dúvida, onde encontramos referências mais abundantes acerca dessa existência luminosa é nos textos dos evangelistas. Cada um deles em sua época, com sua sensibilidade e senso crítico, legou-nos ricas evocações da sua convivência desse Ser de Luz ou das formosas narrativas que lhes foram feitas por quem com Ele conviveu ou que mais próximo a Ele esteve.
São fascinantes os textos atribuídos a Mateus, a Marcos, a Lucas e a João. Deles extraímos preciosos elementos para melhor pensar sobre o Cristo, mergulhando mais profundamente nessas águas cristalinas do Evangelho do Reino.
Cada um a seu modo, são os evangelistas, os que melhor nos dão indicação para o entendimento, ainda que pequeno, desse grandioso Espírito, que um dia esteve na atmosfera do mundo terrestre, com o aroma do seu sublimado amor.
Por isto a proposta do nosso estudo de hoje: voltar aos caminhos de Jesus com reflexão e ternura, abrindo o nosso entendimento e coração, através dos registros do evangelho para revisar, reconsiderar, repensar seus ensinamentos percebendo em seus gestos e palavras o sentido verdadeiro da sua atuação no mundo.
Desenvolvimento.
1) Quem é o Cristo? - (Jo 8:58)
“ Em verdade , em verdade vos digo que antes de Abrão existir Eu Sou”
2)Relação de Jesus com Deus nosso Criador - ( Jo,10:30)
“ Eu e o Pai somos um”
3) Ligação de Jesus com o nosso Planeta
A caminho da Luz-1º-cap.
4)Como se apresentou ao povo e aos díscipulos?
a) como sendo a luz do mundo-(Jo,8:12)
“Eu sou a luz do mundo, quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida”.
b) como sendo a porta-(Jo,10:9)
“Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, salvar-se-á e entrará, e sairá e achará pastagens”.
c) como sendo Aquele que veio cumprir a vontade do Pai-(Jo,6:38)
“Por que eu desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou”.
d) como sendo o Messias , o Mestre-(Jo,4:25e26)-(Jo,13:13)
Messias: ( dic ) s.m.
1.pessoa ou coletividade na qual se concretizam as aspirações de salvação ou redenção
2.pessoa a quem Deus comunica algo de seu poder ou autoridade
3.líder carismático
4.pessoa esperada ansiosamente
5.reformador ou pretenso reformador social
Mestre: ( dic )
1.homem que ensina, professor
2.homem superior e de muito saber
3.aquele que se avantaja em qualquer coisa
4.diretor espiritual, mentor, confessor
5.que é superior a
6.grande, extraordinário
7 que é mais importante, que serve de base ou de guia, básico, fundamental
Jesus foi Mestre sim, porque Mestre é aquele que transcende das próprias palavras e ensina por suas ações.
Jesus foi o Messias esperado ansiosamente, foi sim o representante de DEUS aqui na Terra.
e) como sendo o Caminho, a Verdade, a Vida-(Jo,14:6)
Disse-lhe Jesus :Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vai (vem) ao Pai, senão por mim.
5)A que veio Jesus? Qual a sua missão?
6) Qual a proposta de Jesus?
7) O que Jesus espera de nós?
CONCLUSÃO
Jesus é o irmão maior que veio ao mundo material com um programa de realizar a Vontade do Pai Criador, ensinando-nos a fazer o mesmo.
A evolução do Cristo transcende a de qualquer outro ser que tenha pisado no solo terreno.A sua dianteira é que O apresenta como o maior Espírito que Deus enviou ao Mundo para que fosse seu guia sublime e seu Modelo Perfeito.Jesus o Grande Governador da Terra. O Espírito mais sublimado que já habitou a terra, existia antes da terra existir, desde as primeiras horas do Planeta era Ele quem tudo coordenava.
Jesus é o exemplo maior de amor entre nós na Terra. Nos faz perceber que o amor sendo a energia que impulsiona toda a composição da vida pelos trilhos do progresso, é a expressão do próprio Criador.
É ele que nos aponta o caminho para ser percorrido sob o sol da verdade em prol de melhor qualidade de vida para a alma.
Jesus Cristo se apresenta para todos nós como o Administrador por excelência ao cumprir no Planeta Terreno todo o planejamento que foi posto em Suas Mãos, representando a vontade perfeita de Deus e a ela se submetendo.
Jesus é o caminho da verdadeira vida. Quando nos demoramos a compreender, quando marcamos passos diante da imperiosa assimilação do que nos é urgente e vital assimilar, Ele sempre se mostra de maneiras diversas em nossa existência, que está de braços abertos nos esperando tomar a decisão de ir buscá-lo, de ir até Ele, de ir encontrá-Lo.
Jesus é o Grande Senhor da liberdade com verdade, porque jamais negou uma só da orientação que ofertou, mas, ao contrário, as confirmou com a vivência impoluta ( pura, imaculada ) e feliz. Atrelou o seu discurso à sua vivência em franca demonstração de uma personalidade perfeitamente livre, porque verdadeiramente responsável, porque verdadeiramente coerente.
Ele é aquele que nos traz a vida verdadeira, vibrante, feliz, abundante, propondo-nos fazer nobre uso dela, a fim de que nele possamos viver para sempre.
LÉON DENIS – O Apóstolo do Espiritismo
Nilza Teresa Rotter Pelá
Prólogo
Paris, 2 de outubro de 2004, Congresso Espírita Mundial, Divaldo Pereira Franco psicografa mensagem em francês escrita de trás para frente alusiva ao bicentenário de Allan Kardec:
“No mesmo ano em que Napoleão Bonaparte foi consagrado imperador dos franceses, Hippolyte Léon Denizard Rivail nasceu em Lion, em 3 de outubro de 1804.
Transferido da fogueira de Constance em 6 de junho de 1415, para os dias gloriosos da intelectualidade de Paris, Kardec dedicou-se ao apostolado da Doutrina ensinada e pregada por Jesus.
Sua Vida e sua obra testemunham sua grandeza-Missionário da Verdade!
Nós os beneficiários de sua sabedoria agradecemos emocionados, e pedimos humildemente: ore por nós, tu que já estas no reino dos céus!
LÉON DENIS
Quem é este Espírito que vem dar notícias de Kardec, qual foi seu papel na consolidação do Espiritismo nascente? Que ligação ele teve com o movimento Espírita Brasileiro? O que podemos apreender com sua vida enquanto encarnado?
É objetivo desta palestra explanar sobre a biografia, produção escrita de Léon Denis, bem como discorrer sobre seu papel na consolidação da Doutrina dos Espíritos. Buscamos assim prestar-lhe uma homenagem ao tempo em que refletimos sobre o nosso próprio papel no movimento espírita e agente de transformação de nosso planeta.
Sua Vida, Sua Obra.
Nascimento: Foug, França - 1846.
Falecimento: Tours, França - 1927.
Léon Denis nasceu numa aldeia chamada Foug, situada nos arredores de Tours, em França, a 1 de Janeiro de 1846, numa família humilde.
Cedo conheceu, por necessidade, os trabalhos manuais e os pesados encargos da família.
Não era seu hábito desperdiçar um minuto sequer de seu tempo, com distrações frívolas, às quais a maior parte dos homens recorre para matar as horas.
Desde os seus primeiros passos neste mundo, sentiu que os amigos invisíveis o auxiliavam. Ao invés de participar em brincadeiras próprias da juventude, procurava instruir-se o mais possível. Lia obras sérias, conseguindo assim, com esforço próprio desenvolver a sua inteligência. Tornou-se um autodidata sério e competente.
Aos 12 anos concluiu o curso primário, mas a situação modesta da sua família não lhe permitiu grandes estudos. Desde cedo teve problemas de saúde física: com os olhos principalmente. Aos 16 anos salientou-se como um dos melhores oradores e ardente propagandista.
Aos 18 anos tornou-se representante comercial da empresa onde trabalhava, fato que o obrigava a viagens constantes. Adorava a música e sempre que podia assistia a uma ópera ou concerto. Gostava de dedilhar, ao piano, árias conhecidas e de tirar acordes para seu próprio devaneio.
Não fumava, era quase exclusivamente vegetariano e não fazia uso de bebidas fermentadas. Encontrava na água a sua bebida ideal.
Era seu hábito olhar, com interesse, para os livros expostos nas livrarias. Um dia, ainda com 18 anos, o chamado acaso fez com que a sua atenção fosse despertada para uma obra de título inusitado. Esse livro era “O Livro dos Espíritos” de Allan Kardec.
Dispondo do dinheiro necessário, comprou-o e, recolhendo-se imediatamente ao lar, entregou-se com avidez à leitura. O próprio Denis disse: “Nele encontrei a solução clara, completa e lógica, acerca do problema universal. A minha convicção tornou-se firme. A teoria espírita dissipou a minha indiferença e as minhas dúvidas... Como tantos outros procurava provas, fatos precisos, de modo a apoiar a minha fé, mas esses fatos demoraram muito a chegar. A princípio insignificantes, contraditórios, mesclados de fraudes e mistificações, que não me satisfizeram, a ponto de, por vezes, pensar em não mais prosseguir as minhas investigações. Mas, sustentado, como estava, por uma teoria sólida e de princípios elevados, não desanimei. Parece que o invisível deseja experimentar-nos, medir o nosso grau de perseverança, exigir certa maturidade de espírito antes de entregar-nos aos seus segredos”.
Denis ainda relata sobre seu contato com o Livro dos Espíritos: “Li o livro com avidez, escondido de minha mãe, que controlava, desconfiada minhas leituras. Ela havia descoberto meu esconderijo e por sua vez, lia essa obra na minha ausência... Ela se convenceu, como eu, da beleza e grandeza dessa revelação”.
O encontro pessoal entre Kardec e Léon Denis ocorre no ano de 1867 na cidade de Touraine (França). O codificador, a convite de um amigo, passava alguns dias na cidade em companhia de sua esposa e seu anfitrião havia convidado todos os espíritas da cidade a vir cumprimentá-lo. Léon Denis descreve seu encontro com Kardec em um relato respeitoso e poético vendo além do Codificador o esposo atencioso: “Tínhamos alugado para recebê-lo e ouvi-lo, uma sala, na Rua Paul Louis Courrier e havíamos solicitado à Prefeitura a autorização para a reunião, pois, no Império, uma lei severa, proibia qualquer concentração com mais de 20 pessoas. Entretanto, no momento aprazado pela assembléia, uma recusa formal nos foi comunicada. Fui encarregado de ficar à porta do local, para prevenir os convidados, a fim de se dirigirem para a Spirito-Villa, casa do Sr Rebondin, na rua du Sentier, onde a reunião se fazia no jardim. Éramos bem uns 300 ouvintes, em pé e apertados uns aos outros, apinhados sob as árvores, pisando nos canteiros de nosso hospedeiro. Sob a claridade das estrelas, a voz suave e grave de Allan Kardec se elevava, e sua fisionomia meditativa, iluminada por uma pequena lâmpada colocada sobre uma mesa, no centro do jardim, produzia um aspecto fantástico. Ele nos falava sobre obsessão, que era um assunto em voga. Foram-lhe feitas perguntas às quais respondia com fisionomia sorridente. Os canteiros do Sr Rebondin ficaram bem pisoteados, mas cada um levou dessa noite uma inesquecível lembrança. No dia seguinte, retornei a Spirito-Villa para fazer uma visita ao Mestre; encontrei-o sobre um pequeno banco, junto a uma grande cerejeira, colhendo frutos que atirava para a Sra Allan Kardec - cena bucólica que contrastava alegremente com esses graves acontecimentos”. A partir desses textos já podemos constatar o grande respeito que Léon Denis tinha por Kardec, a quem chamava de Mestre.
Ainda, outras vezes Denis encontrou-se com o Codificador. No ano de 1867 esteve duas vezes na casa de Kardec na Rua Sainte-Anne em Paris e depois em Bonneval, onde o Codificador tinha falado aos espíritas de Eure-et-Loir e de Loi-et-Cher.
As viagens eram para ele uma fonte de alegria e de aprendizado. Em França e no estrangeiro aproveitava as oportunidades que poderiam enriquecer materialmente o patrão sem desprezar tudo o que poderia contribuir para o conhecimento próprio.
Interessavam-lhe as praças, os monumentos, o povo, os hábitos, os costumes e a meditação entre os velhos caminhos das montanhas. Delicia-se com os bosques, com os rios e os lagos. Estas longas horas de meditação solitária no seio da Natureza conduziram-no a uma mais completa compreensão de Deus.
Em 1880, pelas cidades e vilas que percorria, por força dos seus afazeres profissionais, pronunciava conferências e fundava círculos e bibliotecas populares. É incalculável o número de conferências por ele proferidas em França, no propósito de propagar a “Liga de Ensino”, fundada por Jean Macé. Na Argélia, onde esteve várias vezes em serviço, também desenvolveu uma intensa atividade de divulgação doutrinária.
O ano de 1882 marca, em realidade, o início do seu apostolado, durante o qual teve que enfrentar sucessivos obstáculos: o materialismo e o positivismo que olham para o
Espiritismo com ironia e risadas e os crentes das demais correntes religiosas, que não hesitam em aliar-se aos ateus, para o ridicularizar e enfraquecer. Léon Denis, porém, como bom paladino, enfrenta a tempestade. Os companheiros invisíveis colocam-se ao seu lado para o encorajar e exortá-lo à luta.
“Coragem, amigo” - diz-lhe o espírito de Jeanne - “estaremos sempre contigo para te sustentar e inspirar. Jamais estarás só. Meios ser-te-ão dados, em tempo, para bem cumprires a tua obra”.
A 2 de Novembro de 1882, dia de Finados, um evento de capital importância produzisse na sua vida: a manifestação, pela primeira vez, daquele Espírito que, durante meio século, havia de ser o seu guia, o seu melhor amigo, o seu pai espiritual - Jerônimo de
Praga - que lhe disse: “Vai meu filho. Pela estrada aberta diante de ti. Caminharei atrás de ti para te sustentar”. E como Léon Denis indagasse se o seu estado de saúde o permitiria estar à altura da tarefa, recebeu esta outra afirmativa:
“Coragem, a recompensa será mais bela”.
A partir de 1884, achou conveniente fazer palestras visando à maior difusão das idéias espíritas. Escreveu, em 1885, o trabalho “O Porquê da Vida”, no qual explica, com nitidez e simplicidade, o que é o espiritismo.
Em 1892, recebeu um convite da duquesa de Pomar, para falar de espiritismo na sua residência, numa dessas manhãs célebres, em que se reunia quase toda a Paris. Ele ficou indeciso e temeroso. Depois de muito meditar as responsabilidades, aceitou o convite.
“Le Journal” de Paris publicou, acerca da reunião na casa da duquesa, a seguinte notícia: “A reunião de ontem, para ouvir a conferência de Léon Denis sobre a Doutrina”.
Espírita, foi uma das mais elegantes. De uma eloqüência muito literária, o orador soube encantar o numeroso auditório, falando-lhe do destino da alma, que pode, diz ele, reencarnar até à sua perfeita depuração. Ele possui a alma de um Bossuet e soube criar um entusiasmo espiritualista”.
O êxito do seu livro “Depois da Morte” situara-o como escritor de primeira ordem. Os grandes jornais e revistas ecléticas solicitavam-no e as tiragens sucessivas desse livro esgotavam-se rapidamente.
A principal obra literária de Denis foi a concernente ao Espiritismo, mas escreveu, outrossim, segundo o testemunho de Henri Sausse, várias outras, como: Tunísia,
Progresso, Ilha de Sardenha, etc., certamente fruto das suas memórias de viagem.
Desde 1901 foi Presidente Honorário da Federação Espírita Brasileira e seu representante permanente na França e na Europa. Foi colaborador de “Reformador” Há nos arquivos da FEB uma carta de Léon Denis datada de 26-1-1915 que diz da remessa de livros seus juntamente com outros de Kardec e Delanne, através de Leymarie, editor, esclarecendo que por motivo de fadiga e doença, não pode pessoalmente cuidar dos detalhes.
A partir de 1910, a visão de Léon Denis foi, dia a dia, enfraquecendo. A operação a que se submetera, dois anos antes, não lhe proporcionara nenhuma melhora, mas suportava, com calma e resignação, a marcha implacável desse mal que o castigava desde a juventude. Aceitava tudo com estoicismo e resignação. Jamais o viram queixar-se.
Todavia, bem podemos avaliar quão grande devia ser o seu sofrimento.
Mantinha volumosa correspondência jamais se aborrecia. Amava a juventude, possuía a alegria da alma. Era inimigo da tristeza.
O mal físico, para ele, devia ser bem menor do que a angústia que experimentava pelo fato de não mais poder manejar a pena. Secretárias ocasionais substituíam-no nesse ofício. No entanto, a grande dificuldade para Denis, consistia em rever e corrigir as novas edições dos seus livros e dos seus escritos. Graças, porém, ao seu espírito de ordem e à sua incomparável memória, superava todos esses contratempos, sem molestar ou importunar os amigos.
Depois da morte da sua genitora, uma empregada cuidava da sua pequena habitação. Ele só exigia uma coisa: o absoluto respeito às suas numerosas notas manuscritas, as quais ele arrumava com meticulosa precaução. E foi justamente por causa dessa sua velha mania que a duquesa de Pomar o denominara “o homem dos pequenos papéis”.
Em 1911, após despender não pequeno esforço, no preparo da nova edição d’ “O Problema do Ser, do destino e da Dor”, ficou gravemente doente com uma pneumonia; foi o tratamento a tempo do seu médico que, num curto espaço de tempo, o colocou de novo em pé.
Contudo uma grande e profunda dor lhe estava reservada: veio a Guerra de 1914-18 e o seu espírito condoía-se ao ver partir para a frente de batalha a maioria dos seus amigos.
Léon padecia, então, de uma doença intestinal e estava parcialmente cego.
Pela incorporação, os seus amigos do Espaço e, entre eles, um Espírito eminente, comunicavam-lhe, de tempos em tempos, as suas opiniões sobre essa terrível guerra, considerada nos seus dois aspectos: o visível e o oculto.
Estas comunicações levaram-no a escrever um certo número de artigos, publicados na
“Revue Spirite”, na “Revue Suisse des Sciences Psychiques” e no “Echo Fid”, onde transparece, dentro da lei de causa e efeito, o seu grande amor pela terra onde nasceu.
Quando a Guerra se aproximava do fim, a “Revue Spirite” passou a publicar, em todos os seus números, artigos de Léon Denis.
Após a 1ª Grande Guerra, aprendeu Braille, o que lhe permitiu fixar no papel os elementos de capítulos ou artigos que lhe vinham ao espírito, pois, nesta época da sua vida, estava, por assim dizer, quase cego.
Em 1915 iniciava ele uma nova série de artigos, repassados de poesia profunda e serena, sobre a voz das coisas, preconizando o retorno à Natureza.
Nesta época, um forte vento soprava contra o Kardecismo. O fenomenismo metapsiquista espalhava aos quatro ventos a doutrina do filósofo P. Heuzé que fazia muito barulho através do “L’Opinion”, com as suas entrevistas e comentários tendenciosos. Afirmava, prematuramente, que, à medida que a metapsíquica fosse avançando, o Espiritismo iria, a par e passo, perdendo terreno. A sua profecia, no entanto, ainda não se realizou.
Após a vigorosa resposta de Jean Meyer na “Revue Spirite”, Léon Denis por sua vez, entrou na discussão, na qualidade de presidente de honra da União Espírita Francesa, numa carta endereçada ao “Matin”, na qual estabelecia, com admirável nitidez, a diferença entre Espiritismo e Metapsiquismo.
A partir desse momento, Léon Denis teve que exercer grande atividade jornalística para responder às críticas e ataques de altos membros da Igreja Católica, saindo-se, como era de esperar, de maneira brilhante.
Em Março de 1927, com 81 anos de idade, terminara o manuscrito que intitulou de “O Gênio Céltico e o Mundo Invisível”. Neste mesmo mês a “Revue Spirite” publicava o seu derradeiro artigo.
A hora de partir para o plano espiritual, de onde continua sua missão, vem encontrar o trabalhador, já ancião, com 81 anos, em plena atividade. Apressa-se em concluir o livro "O Gênio Céltico e o Mundo invisível", para entregá-lo a seus editores. Não chegaria a vê-lo publicado.
Dita para a sua secretária, Claire Baumard, o prefácio prometido a Henri Sausse, que irá publicar uma biografia de Kardec. Que trabalho seria mais digno de encerrar a carreira de Denis?
Manhã chuvosa de 12 de abril de 1927... no quarto de Denis amigos fiéis acompanham seus últimos instantes. Gaston Luce e sua esposa estão entre eles. "Mademoiselle" Baumard tem nas suas as mãos do agonizante, que não cessa de lhe dar recomendações pelo futuro da Doutrina Espírita.
As cerimônias fúnebres realizaram-se a 16 de Abril. A seu pedido, o enterro foi modesto e sem o ofício de qualquer Igreja confessional. Está sepultado no cemitério de La Salle, em Tours.
Denis parte, vitorioso, e, de lá, continua nos esclarecendo, consolando e animando
Abaixo, alguns livros de Léon Denis:
Editora CELD
- "Espíritos e Médiuns"
- "O Espiritismo e o Clero Católico"
- "O Gênio Céltico e o Mundo Invisível"
- "O Mundo Invisível e a Guerra"
- "O Progresso"
- "Socialismo e Espiritismo"
Editora FEB
- "Cristianismo e Espiritismo"
- "Depois da Morte"
- "Joana D'Arc, Médium"
- "No Invisível"
- "O Além e a Sobrevivência do Ser"
- "O Grande Enigma"
- "O Porquê da Vida"
- "O Problema do Ser, do Destino e da Dor"
OBRAS DE LÉON DENIS:
O PROGRESSO -1890- Texto de uma conferência onde defende que a lei de solidariedade que une todos os tempos e todas as raças precisa de tempo para ser esclarecida. Se a humanidade progride lenta e penosamente é que ela não sabe de onde vem e para onde vai. Dai suas crises de desespero, sua revolta contra o destino. Há necessidade de se percorrer infindas existências para adquirir tudo o que lhe falta. O homem é artífice de seu destino, sua felicidade futura será sua obra.
O PORQUE DA VIDA -1885-seu objetivo é uma mensagem de fé e de consolo aos que sofrem, oferecendo uma possibilidade de crença e de esperanças. Alguns estudiosos da obra de Denis vêm claramente neste livro a influência que a parte terceira – Esperanças e Consolações de O livro dos Espíritos, exerceu sobre ele.
DEPOIS DA MORTE-1890- é um livro de definição do Espiritismo, escrito para atender uma moção aprovada no Congresso Espiritualista Internacional reunido em Paris, em setembro de 1889.A Obra tem como subtítulo “Exposição da filosofia dos Espíritos, das suas bases científicas e experimentais e suas conseqüências morais”. Esta obra nasce em um momento muito importante para a consolidação da Doutrina Espírita, pois neste congresso havia nova tática dos adversários que pretendiam atrelar a doutrina Codificada por Kardec ao carro desgovernado das envelhecidas e superadas doutrinas espiritualistas do passado. Ele busca estabelecer os verdadeiros princípios tal como foram transmitidos pelos Espíritos para que se coloque um fim nas discussões sobre Deus, a alma, a realidade das comunicações do mundo terrestre e do mundo espiritual. A primeira parte descreve as grandes religiões do passado, na segunda parte apresenta o que denominou “os grandes problemas”: universo e Deus, vida imortal, pluralidade das existências, o alvo da vida, as provas e a morte, onde expõe com clareza as questões filosóficas espíritas, a seguir mais dois capítulos: “O mundo invisível” e “Além Túmulo”, partes estas denominadas por Gaston Luce como sendo uma enciclopédia do mundo invisível, a quinta parte “O caminho reto” trata da parte moral da doutrina.
CRISTIANISMO E ESPIRITISMO -1898- Compreende quatro partes: As vicissitudes dos evangelho, A doutrina secreta do cristianismo, Relações com os espíritos dos mortos, A nova revelação. Busca estabelecer a pureza da doutrina do Cristo livrando-a das interpretações que lhe agregaram e que as desvirtuaram.
O ALÉM E A SOBREVIVÊNCIA DO SER-1901- Pequena obra onde apresenta uma série de fatos e de opiniões sobre a sobrevivência da alma. O autor inicia o livro fazendo a indagação: “Haverá em nós um elemento, um princípio que persista depois da morte?”.
NO INVISÍVEL-1903- Desde a publicação de O Livro dos Médiuns de Allan Kardec, um vasto e permanente movimento de experimentação mediúnica se desenvolvera principalmente nos países anglo-saxões. Na França ainda não havia uma obra onde estivesse condensado o resultado de semelhante pesquisa. O livro de Léon Denis vinha preencher essa lacuna; era uma apresentação da questão espírita no começo do novo século e também uma obra de divulgação e de defesa. Nesse tempo a Doutrina havia tido um rápido desenvolvimento, mas vivia um período conturbado, pois os que tinham fé, freqüentemente demonstravam impaciência e intransigência à propagação da mesma nos meios refratários; os indecisos mostravam-se reservados e renovavam suas críticas à mediunidade; os cépticos cobravam aprofundamento nas investigações. O livro descreve a vida no mundo espiritual, discorre a respeito das comunicações dos espíritos, bem como sobre a mediunidade. Na introdução afirma: “Todo o adepto deve saber que a regra por excelência das relações com o invisível é lei das afinidades e atração. Nesse domínio, aquele que procura coisas inferiores as encontra e se confunde com elas; aquele que prefere os altos cumes, os atingirá, cedo ou tarde, fazendo deles novo meio de progresso. Se quiserdes manifestação de meio elevado, esforçai-vos para vos elevardes. A experimentação, no que ela possui de belo e grandioso, a comunhão com o mundo superior, não é conseguida pelo mais sábio, mas sim pelo mais digno, ou melhor, por aquele que tenha mais paciência, consciência e moralidade.” A obra é dividida em três parte: O Espiritismo Experimental - as leis; O Espiritismo experimental - os fatos; Grandezas e misérias da mediunidade. Um crítico do livro assim se expressou: “Passa do fato à idéia, da experimentação científica ao nobre impulso da alma em busca da virtude”.
O PROBLEMA DO SER DO DESTINO E DA DOR -1908- Ao escrever este livro Léon Denis passava por sérias dificuldades, sua visão estava bastante deficiente, ela não tinha secretária para ajudá-lo e sua mãe, por quem tinha forte vínculo afetivo, havia desencarnado. Tem como subtítulo: os testemunhos, os fatos e as leis. Em sua folha de rosto destaca os seguintes conteúdos: estudos experimentais sobre os aspectos ignorados do ser humano, as personalidades duplas, a consciência profunda, a renovação da memória, as vidas anteriores e sucessivas. No livro ele destaca: “O espiritismo fornece o meio de afastar a dúvida de vossos corações, de vossos pensamentos, ele vos desperta e vos persuade, arrastando-vos irresistivelmente, rumo a um horizonte onde brilham inesperadas claridades. Escutai as vozes reveladoras dos túmulos; elas nos trazem uma renovação de pensamento com os segredos do além, que o homem tem necessidade de conhecer para viver melhor, agir melhor e morrer melhor”.
JOANA D’ARC MÉDIUM -1910-1912 - Precedendo a elaboração da obra Léon Denis havia proferido várias conferências a partir de 1896: “Joana d’Arc, sua vida, seu processo, e sua morte”; Joana d’Arc, suas vozes”; “Joana d’Arc e o Espiritualismo Moderno”; “Joana d’Arc em Touraine” e “O papel da mediunidade na História”. A primeira versão do livro (1910) se intitulava “A verdade sobre Joana d’Arc: refutação das teorias de Anatole France, Thalamas H. Bérenger, etc. Reabilitação da donzela d’Orleans”. Neste tempo Joana d’Arc era vista de duas distintas formas, como uma visionária e santa pela Igreja Católica ou como uma histérica pelos materialistas anticlericais. Leon Denis sustenta a tese de que a donzela era médium, nem santa, nem histérica. O livro só alcança repercussão em 1912 quando é publicado como Joana d’Arc, Médium.
O GRANDE ENIGMA - 1911 - Dirigindo-se aos leitores Denis conta que iniciou esta obra após ter ouvido uma voz que o inspirava a escrevê-la para demonstrar a todos “que a vida não é uma coisa vã, de que se possa usar levianamente, mas uma luta para a conquista do céu, uma obra elevada e grave de edificação, de aperfeiçoamento, uma obra que leis augustas e eqüitativas regem, acima das quais plana a eterna Justiça, temperada pelo Amor”. É constituída de duas partes: 1) Deus e o Universo; 2) O livro da natureza; A lei circular, a missão do século XX; Notas complementares. É uma apresentação em alto estilo poético e filosófico dos magnos problemas da vida, incutindo coragem e fé em seus leitores.
O MUNDO INVISÍVEL E A GUERRA - 1919 - Trata-se de uma coletânea de artigos publicados durante a primeira guerra mundial de 1914 a 1918. Denis apela para a fé, a resignação e a coragem dos franceses nos horrores da guerra.
RESPOSTA DE UM VELHO ESPÍRITA A UM DOUTOR EM LETRAS DE LYON (?) Brochura de 30 páginas trazendo respostas a uma ofensiva, em grande estilo lançada pelo clero católico.
ESPÍRITOS E MÉDIUNS (?) Essa monografia é mais uma contribuição de observações e de conselhos à mediunidade. Orienta como evitar as emboscadas dos espíritos mistificadores, dificultando-os no sentido de os desencorajar.
O ESPIRITISMO E AS CONTRADIÇÕES DA IGREJA (?) Trabalho de 18 páginas em defesa do Espiritismo contra os ataques da Igreja Católica.
SÍNTESE DOUTRINAL E PRÁTICA DO ESPIRITUALISMO (?) É uma pequena obra em forma de diálogo, onde Léon Denis começa pela pergunta mais simples: Quem sois? E vai se aprofundando até chegar ao conceito de Deus.
O GÊNIO CÉLTICO E O MUNDO INVISÍVEL-1917- É uma exaustiva e apaixonada pesquisa de Léon Denis a respeito das origens célticas da Franca, bem como dos costumes e religião desse antigo povo que tinha conhecimento das leis de reencarnação. Kardec já havia tratado desse assunto na Revista Espírita (abril de 1858), no artigo “Espiritismo entre os druidas”.
OS CONGRESSOS
A) 1889 Congresso Espiritualista Internacional-reuniu kardecistas; adeptos de Swedenborg, os teosofistas, os cabalistas, e os rosa-cruzes. “Um verdadeiro aeóropago.” Quando fazia uso da palavra o presidente do congresso Dr. Encause (Papus) defendendo o panteísmo e uma idéia de Deus oposto ao Deus cristão, o mesmo sentiu-se mal e Denis pediu a palavra e defendeu o Espiritismo que estava sendo muito atacado
Dizem que Allan Kardec tem sido muito econômico e deixou muito lugar em sua obra para idéias místicas e católicas. Isso não é exato. O Mestre poupou o Cristianismo e não o Catolicismo. Allan Kardec manteve a moral evangélica porque ela não é somente a moral de uma religião, de um povo, de uma raça, mas porque é a moral superior, eterna, que reconstruiu e haverá de reconstruir tanto as sociedades terrenas como as sociedades do Espaço”.
B) Congresso Espiritualista de 1900 - Era um encontro de espiritualistas de todas as correntes. Léon Denis foi nomeado presidente efetivo. Faz uma explanação da característica particular do Espiritismo, bem como da contribuição do Espiritismo para a ciência e a educação Esclarece que a Doutrina Espírita não é contra nenhuma religião e que todos juntos devem expandir a divulgação do Evangelho e buscar extirpar o materialismo. No decorrer do congresso foram levantadas várias objeções sobre a tese da reencarnação e Léon Denis, baseando-se nos ensinos das velhas religiões do oriente e nas tradições da sabedoria antiga e nas instruções do kardecismo faz brilhante defesa. Ataques foram feitos a Doutrina Espírita e sempre com eloqüentes discursos Denis faz a defesa. Também faz a defesa da visão Espírita de Deus, pois alguns influentes membros do congresso queriam tirar o conceito de Deus das doutrinas espiritualistas. A figura de Denis foi solidificada como expositor com firmeza, bom-senso, prudência, aliados a uma fé vibrante e firme e portador de grande simplicidade.
Congresso de Liège - 1905 Léon Denis foi seu presidente de honra. Destaca a importância de congressos, pois é um momento de convivência de espíritas de diferentes regiões para estreitar os laços de solidariedade entre as pessoas e as Federações. Faz importante avaliação dos 50 anos da Doutrina: “Creio poder dizer que o Espiritismo foi chamado para se tornar o grande libertador do pensamento, há tantos séculos escravizado. A magnífica obra do Espiritismo será aproximar os homens, as nações, as raças, formar corações e desenvolver as consciências. Mas para isso, é preciso trabalho, perseverança, espírito de devotamento e sacrifício. ... Somos impacientes porque a vida é curta. Todavia, já podemos dizer que o Espiritismo tem feito muito mais em 50 anos que qualquer outro movimento do pensamento, não importa em qual época da história... Faz 50 nos que os espíritas sabem o que a ciência pretende hoje descobrir.” “O esplêndido esforço do além para tirar da alma humana suas dúvidas, suas vergonhas, suas lepras, suas doenças morais, a fim de obrigá-la a tomar consciência de si mesma, de suas energias ocultas, para forçá-la a realizar seu destino glorioso pela comunhão das almas que se chamam e se respondem através da imensidão.”
Congresso Espírita Universal – Bruxelas de 14 a 18 de maio de 1910. Léon Denis foi delegado da França e do Brasil e recebeu saudação especial do presidente do congresso. Embora sendo um congresso dito espírita o Kardecismo foi deixado um pouco na penumbra. Foi destaque deste congresso a questão do ensino e o papel educador da mulher. Léon Denis apresenta e é aprovada a proposição de moralização de grupos que trabalham com o fenômeno mediúnica principalmente àqueles que se dedicam aos fatos físicos, transportes e materializações visto a existência de fraudes que denigrem o trabalho de médiuns honestos e desinteressados. A conferência “A missão do século XX” causou forte impressão nos presentes.
2° Congresso Espírita Universal –Genebra-maio de 1913, promovido pela Sociedade de estudos Psíquicos de Genebra. Foi presidido por Charles Piguet que dividiu a tarefa com Léon Denis e Gabriel Delanne. Em uma de suas exposições, sempre pautadas pelo esforço de divulgar as bases da Doutrina Espírita, Denis afirma: “O grande mérito do Espiritismo é também ter dado mais apreço à vida e ter mostrado que ela é o instrumento indispensável à nossa elevação, ao nosso progresso, à nossa grandeza futura... Eis o que o Espiritismo tem feito. Ele transforma a vida em uma coisa sagrada, mostrando seu fim nobre e generoso, seu fim sublime. É, pois pelo fim moral que o Espiritismo triunfa...” Nesse congresso Delanne e Denis enfrentaram a polêmica questão sobre mediunidade, pois Delanne defendia que o médium devia ser preparado em “escolas de médiuns” e os opositores defendiam a tese do que se convencionou chamar de “boa psicose” que para eles significava mais sujeição que livre arbítrio. Depois do discurso de Delanne, Denis faz a seguinte colocação: “Minha opinião é que o homem é livre, na medida que desejar ser e na medida em que se esforça para se tornar mais livre, libertando-se das falsas sugestões, das influências materiais, de todas as paixões, dos erros e da ignorância. O homem é livre pelo nascimento e por natureza e nenhum sofisma destruirá jamais sua liberdade, porque a liberdade é a dignidade de sua vida, de seu valor moral e de seu futuro, porque, se não formos livres, como poderemos entender o futuro? Não teremos nem mesmo a idéia desse porvir, nem a capacidade de compreendê-lo. Se o Espiritismo estendeu ao infinito os horizontes da vida, se ele pôs em destaque as forças ocultas do ser, se ele nos ensinou a utilizá-la, afirmo que não foi para nos reduzir a um papel passivo, não foi para nos curvar sob influências opressoras, mas foi para nos ensinar a conquista, por nós mesmos, uma liberdade cada vez maior, uma situação sempre mais elevada, um papel e missões cada vez mais nobres e mais generosas.”
3° Congresso Espírita Internacional -1925-Paris. Encontrava-se em idade avançada e seu estado de saúde era delicado, portanto recusa o oferecimento para que presidisse o congresso, entretanto um apelo de seu guia Jerônimo de Praga e uma mensagem de Allan Kardec o fazem aceitar. Fica hospedado na casa de Srta. Chaise que havia sido sua secretária. Reuniu representantes de 24 países e a cobertura jornalística foi feita por 60 jornais. A proposta do congresso era debater “o caráter científico do Espiritismo Experimental e, bem como o alcance moral e social da Doutrina Espírita no desenvolvimento da fraternidade humana”. Denis estabelece a diferença entre os metapsiquistas e os espíritas, os primeiros vêem a matéria os segundos acima de tudo inspiram-se nas leis do Espírito. Outro importante alerta é feito por Denis com relação ao intercâmbio entre o mundo visível e invisível, pois assim como aqui na Terra lá também há espíritos levianos, mistificadores, pouco evoluídos e sofredores que podem trazer confusão à tarefa mediúnica. Neste congresso Denis também foi representante do Brasil.
Nota: No livro Seara bendita (Espíritos diversos) vamos encontrar o relato de uma reunião ocorrida no plano espiritual após o encerramento do Congresso Espírita de Goiânia -1999 onde o Dr Bezerra faz uma palestra para um grupo de Espíritos no qual aborda os três períodos do Espiritismo: Consagração das origens e das bases; Tempo de proliferação, Terceiro Portal. Em relação ao primeiro período faz a seguinte colocação: “A primeira etapa consagrou o Espiritismo como ideário do bem, atraindo a simpatia e superando preconceitos... Os primeiros setenta anos do Espiritismo constituíram o período da consagração das origens e das bases em que assentam a Doutrina que lhe conferiu legitimidade. Heróis da tenacidade e fibra moral, dispostos a imolar-se pela causa, venceram os preconceitos do tempo e a pressão da inferioridade humana no resguardo e defesa da empreitada de Allan Kardec. O último lance que delimitou esse período foi o Congresso Internacional de Espiritismo realizado em Paris onde o arauto do bem, Léon Denis, suportou a lâmina sutil da mentira e consolidou o perfil definitivo do Espiritismo como Doutrina dos Espíritos eximindo-a de desfigurações que em muito prejudicariam sua feição educativa e conscientizadora.”
CONCLUSÕES:
I. Pelo momento histórico e pela atuação de Léon Denis no cenário social podemos constatar que o zelo de Jesus pela doutrina se fez manifesto, através desse missionário, permitindo vislumbrar que a presença de mensageiros do Senhor sempre estiveram e sempre estarão conosco.
II. Léon Denis, embora missionário, não recebeu privilégios tendo ao longo de sua vida as vicissitudes de homens comuns.
III. Apesar das muitas atividades e de seu estado de saúde frágil mostra-se compromissado com os espíritas brasileiros conforme pudemos constatar em sua biografia.
IV. A maior homenagem que podemos prestar-lhe neste mês de seu aniversário é o estudo e a divulgação de sua obra.
Referências
BAUMARD, C. Léon Denis na intimidade. Tradução de Wallace Leal V. Rodrigues. Matão: O Clarim, 1982. 300p. Tradução de Léon Denis intime
CARVALHO, A.C.P. Bicentenário reúne espíritas em Paris. Revista Internacional do Espiritismo, Matão, v.74, n. 9,p.494-5,out.2004
GASTON, L. Léon Denis - o apóstolo do espiritismo: sua vida, sua obra. 2ed. Tradução de José Jorge. Rio de Janeiro: CELD, 2003.501p. Tradução de Léon Denis, l’apótre du spiritisme, sa vie, son oeuvre.
JORGE, J. Allan Kardec no pensamento de Léon Denis. Rio de Janeiro: Centro Espírita Léon Denis, 1978. 47p.
LÉON DENIS, apóstolo do espiritismo, Reformador, Rio de Janeiro, v.95, n.1777, p.7-10, abril 1977.
PEREIRA, C. Atitudes de Amor. In: OLIVEIRA, M.J.S.; OLIVEIRA, W.S. Seara Bendita. Belo Horizonte: INEDE, 2000.p.39-55.
QUEM somos: biografia de Léon Denis. Disponível em: http://www.celd.org.br. Acesso em 15 out. 2004.
Tema: Lei de Reprodução e Contracepção
Objetivo: Refletir sobre os mecanismos de reprodução da espécie humana frente às imposições axiológicas da modernidade, especialmente em relação aos métodos contraceptivos e de planejamento familiar, e situá-los no Cristianismo, sob a ótica espírita.
- Definição etimológica de termos fundamentais: Reprodução e Contracepção;
- Contextualização doutrinária: Livro dos Espíritos, Livro terceiro (As Leis Morais), Capítulo IV – Lei de Reprodução, item III – Obstáculos a Reprodução, questões 693, 693-a, e 694;
- Necessidade e Processo de Reencarnação;
- Homem, Mulher e Família;
- Relativismo Cultural, Feminismo, Liberdade, Realidades do Mundo Moderno (Globalização, Trabalho, Consumo, e Educação);
- Consciência Ecológica e Preservação da Vida
- Direito: Diferenças entre “Crimes Contra a Vida,” e “Métodos Contraceptivos e Planejamento Familiar”, Aspectos Civilizatórios;
- Citações e Exemplos
- Necessidade de Consciência Moral e Cristianização de Valores como única possibilidade de pertinência ética da experiência humana;
Conclusão
Indicações Bibliográficas: Allan Kardec – Livro dos Espíritos, questões 693 e 694
Emmanuel / Chico – O Consolador, itens 27 a 41
André Luis / Chico – Evolução em Dois Mundos, páginas 145, 146, 191 a 193, e 209
Eurípedes Kuhl – Genética e Espiritismo (FEB) livro todo.
Jorge Andréia – Forças Sexuais da Alma (FEB) capítulos 3 e 5
Chico – Dos Hippies aos Problemas do Mundo (FEESP), paginas 64, 95, 107
Chico – Plantão de Respostas (CEU), páginas 19, 39, 81, 125 e 127
Pinga Fogo com Chico Xavier (Edicel), páginas 58, 65, 71
Lições de Sabedoria – Chico Xavier nos 22 anos da Folha Espírita (fé), capítulos 6, 7, 8, 9, 10.
POR QUE ENCAMINHAR AS CRIANÇAS À EVANGELIZAÇÃO?
Marlene Fagundes Carvalho Gonçalves
ROTEIRO
• Questões: acordar domingo cedo, ficar com a família, dormir mais
• Missão pais
-
Criança: Espírito dócil
- Cérebro não está formado ainda
- “Instrumentos” não estão prontos
- Reformar o caráter das crianças e reprimir suas más tendências
• Intelectual x Moral
• Teóricos da educação
• Elaboração da criança: TV, informações, muitos fragmentos vão construir a visão dela, que vão pesar nas opções
• Achou que passarinho ia morrer, pois morreu o gato – capta informações das experiências
• Construção do conhecimento e dos valores
• Hora de “rebelião”
- Socialização em meio espírita
- Fortalecimento pelo grupo
• Espiritismo é mais que religião, é entendimento é estudo, ciência e filosofia
• Confúcio: fala esquecerá, mostra lembrará, envolva entenderá
- Não se dá só a partir do que se fala para ela. “exemplo do não cabeu”
• Deixar a criança escolher sua religião quando crescer é bom?
-
Perdendo o momento de docilidade
• Conclusão:
- Importância da Educação Moral
- Deus confia que nós, pais, cumpriremos nossa missão
- Evangelização é um instrumento para nos ajudar em nossa missão
• Deixai vir a mim os pequeninos Evangelho Cap. VIII
Questões: acordar domingo cedo, ficar com família, dormir mais
Muitas vezes os pais se questionam, pensando sobre a propriedade de se encaminhar as crianças à evangelização. As razões que surgem para dificultar tal ação são muitas: a criança acorda todos os dias da semana cedo para a escola, por que não deixá-la dormir até mais tarde no domingo? Ou então, o único dia que se tem para passear em família, ou ainda para descanso dos próprios pais, que trabalham a semana inteira... E quando chove, então! Dá pena de tirar da cama? Ou ainda, meu filho já tem aula de religião na escola, precisa ir à Evangelização? Razões essas importantes, sem dúvida, e que precisam ser trazidas à tona para podermos encontrar a melhor solução para a criança e para o próprio núcleo familiar.
Em função da importância desse questionamento, é que vamos pensar, refletir aqui mais alguns elementos para serem pesados na decisão final.
Missão pais
Criança: Espírito dócil
Cérebro não está formado ainda
“Instrumentos” não estão prontos
Reformar o caráter das crianças e reprimir suas más tendências
Claro está que, para início de conversa, os pais têm uma enorme responsabilidade diante do encaminhamento a ser dado aos filhos. Kardec, na pergunta 582, de O Livro dos Espíritos¹, já coloca: “Pode-se considerar como missão a paternidade?” A resposta não deixa dúvidas: “- É, sem contestação possível, uma verdadeira missão. É ao mesmo tempo grandíssimo dever e que envolve, mais do que o pensa o homem, a sua responsabilidade quanto ao futuro. Deus colocou o filho sob a tutela dos pais, a fim de que estes o dirijam pela senda do bem, e lhes facilitou a tarefa dando àquele uma organização débil e delicada, que o torna propício a todas as impressões. Muitos há, no entanto, que mais cuidam de aprumar as árvores do seu jardim e de fazê-las dar bons frutos em abundância, do que de formar o caráter de seu filho” (grifo meu).
Que a responsabilidade dos pais é grande, está claro. Mas gostaríamos de chamar atenção para as condições que Deus nos dá para que tal tarefa se realize: e lhes facilitou a tarefa dando àquele uma organização débil e delicada, que o torna propício a todas as impressões. Ou seja, a criança não assume sua verdadeira identidade de Espírito imortal, com todas suas lembranças e vivências. Embora elas estejam ali, pois fazem parte de sua própria essência, no período da infância há uma espécie de adormecimento, que permite aos pais propiciar diferentes experiências que poderão possibilitar a transformação daquele Espírito, sua Educação.
Ainda no Livro dos Espíritos¹, a pergunta 385 reforça essa idéia: “A infância ainda tem outra utilidade. Os Espíritos só entram na vida corporal para se aperfeiçoarem, para se melhorarem. A delicadeza da idade infantil os torna brandos, acessíveis aos conselhos da experiência e dos que devam fazê-los progredir. Nessa fase é que se lhes pode reformar os caracteres e reprimir os maus pendores. Tal o dever que Deus impôs aos pais, missão sagrada de que terão de dar contas.”
Também no O Evangelho Segundo o Espiritismo ², Cap. VIII, item 4 esta idéia é clara: “ao aproximar-se-lhe a encarnação, o Espírito entra em perturbação e perde pouco a pouco a consciência de si mesmo, ficando, por certo tempo, numa espécie de sono, durante o qual todas as suas faculdades permanecem em estado latente. E necessário esse estado de transição para que o Espírito tenha um novo ponto de partida e para que esqueça, em sua nova existência, tudo aquilo que a possa entravar. Sobre ele, no entanto, reage o passado. Renasce para a vida maior, mais forte, moral e intelectualmente, sustentado e secundado pela intuição que conserva da experiência adquirida. A partir do nascimento, suas idéias tomam gradualmente impulso, à medida que os órgãos se desenvolvem, pelo que se pode dizer que, no curso dos primeiros anos, o Espírito é verdadeiramente criança, por se acharem ainda adormecidas as idéias que lhe formam o fundo do caráter. Durante o tempo em que seus instintos se conservam amodorrados, ele é mais maleável e, por isso mesmo, mais acessível às impressões capazes de lhe modificarem a natureza e de fazê-lo progredir, o que toma mais fácil a tarefa que incumbe aos pais.”
Intelectual x Moral
Quando se fala em Educação, nossa primeira idéia refere-se a aspectos da ordem da inteligência (ensinar a falar, a escrever, a contar), ou de hábitos (escovar os dentes, tomar banho, ter uma boa postura, cumprimentar as pessoas). Normalmente a educação moral, aquela dos sentimentos e condutas aparece em último lugar. Talvez por ser a mais difícil...
Qual seria, a relação entre o desenvolvimento moral e o desenvolvimento intelectual? Segundo a pergunta 780 de O Livro dos Espíritos¹, o progresso moral decorre do progresso intelectual, mas nem sempre o segue imediatamente. Decorre dele, pois que supõe o entendimento do que é bem e do que é mal, possibilitando a escolha. “O desenvolvimento do livre-arbítrio acompanha o da inteligência e aumenta a responsabilidade dos atos.”
Kardec, na pergunta 917 de O Livro dos Espíritos¹, já dizia que “quando se conhecer a arte de manejar os caracteres como se conhece a de manejar as inteligências, poder-se-á endireitá-los.”
Ocorre ainda que o desenvolvimento moral supõe tanto trabalho do sujeito, para desenvolvê-lo, quanto o desenvolvimento intelectual. Não é automático, nem é mágica, nem é espontâneo. Precisamos, sim, buscá-lo. Como? Através da educação, principalmente. Temos entendido, através dos tempos, que ninguém desenvolve-se sozinho, todos precisam do outro para sua própria caminhada. No campo intelectual isso é muito claro. Não foi necessário que cada um inventasse a roda. As pessoas apropriaram-se de cada descoberta de um semelhante seu. Chegamos onde estamos hoje porque partíamos sempre do ponto de onde antepassados nossos já haviam chegado. Quanto ao desenvolvimento moral ocorre algo semelhante. Também precisamos um dos outros para tal progresso.
Teóricos da educação
Elaboração da criança: TV, informações, muitos fragmentos vão construir a visão dela, que vão pesar nas opções
Achou que passarinho ia morrer, pois morreu o gato – capta informações das experiências
Os teóricos em Educação e Psicologia tem estudado, cada vez mais, os processos de aprendizado e desenvolvimento infantil, e muitos concordam que todo o conhecimento da criança, bem como os valores morais, são construídos por ela própria, a partir das experiências que mantém com as pessoas que convivem com ela. A criança não absorve, simplesmente, o que ouve ou vê, mas a partir de todas as cenas que vivencia, busca elementos para fazer sua própria construção. Cada experiência entra como se fosse um tijolinho, para uma construção que ela terá que fazer, particular dela. Para essa construção ela poderá, inclusive, rejeitar alguns tijolos.
Podemos perceber aqui como são importantes tais experiências. O programa visto na TV, uma situação assistida na rua, um acontecimento na escola... Tudo isso vai contribuir para a construção da criança, de seu conhecimento e de seus valores. Vejam que nem sempre sabemos tudo aquilo que nossos filhos vivenciam.
Exemplo de uma criança que ganhou um bichinho de estimação e, embora adorasse bichinhos, recusou com medo de que o bichinho morresse por causa dele. Aí, conversando com a mãe, esta descobriu que ele achava que um gato que tiveram anteriormente morrera por causa dele. Pois a mãe havia dito: Vocês querem animal mas não cuidam...Eles acabam morrendo, quando na verdade o gato morreu por doença. A criança aprende coisa que não imaginamos que estamos ensinando. Aprende a mentir quando dizemos a ela para dizer ao telefone que não estamos, ou a chantagear quando dizemos para ela que se fizer toda a lição vai ganhar um bombom.
Construção do conhecimento e dos valores
Hoje, quando se ensina a criança a escrever, por exemplo, procura-se sempre partir daquilo que ela já traz ou conhece sobre a escrita, mesmo que as hipótese que ela tenha não se confirmem na prática. A partir do que ela já sabe, ela vai comparando com o novo, transformando aquilo que não dá certo, construindo sua própria escrita.
Também os sentimentos já existem, de alguma forma, nas crianças. Muitas delas apresentam emoções que supomos inferiores. Buscamos aqui a contribuição de Vigotski ³, teórico soviético que muito contribuiu para a reflexão sobre a educação: “As emoções não podem ser inaceitáveis nem indesejáveis ao pedagogo. Ao contrário, ele deve sempre partir das chamadas sensações inferiores e egoístas como sensações primárias, basilares e fortes e já com base nelas lançar o fundamento da estrutura do indivíduo. (...) a educação dos sentimentos sempre é essencialmente uma reeducação desses sentimentos.” ²
Mudamos para a posição de encarar aquelas emoções indesejáveis como um desafio, buscar encontrar formas de possibilitar que ocorra a transformação dos sentimentos em nossos educandos. Compreender esses sentimentos que a princípio nos parecem totalmente ruins, buscando neles próprios elementos para sua transformação. O egoísmo ferrenho transformando-se no cuidado necessário consigo mesmo e com suas coisas; o orgulho transformando-se em segurança e fé na sua própria capacidade; a insegurança e dúvida na humildade...
São grandes passos para tal transformação, e como ninguém é uma folha em branco, todos têm por onde começar a querer mudar, transformar e aprender a lidar melhor com os próprios sentimentos.
Sendo assim, podemos imaginar a importância da criança participar de um trabalho de Evangelização. Além daqueles tijolinho que lançamos em casa, outros tantos vão sendo recebidos pela criança na Casa Espírita. Já não se trata mais de idéias ou noções que as crianças vêem apenas em casa, mas de noções e informações que encontram respaldo e complementações, possibilitando melhor entendimento, e dando mais sustentação à construção particular da criança.
Hora de “rebelião”
Socialização em meio espírita
Fortalecimento pelo grupo
Até porque, vai chegar um momento em que a criança vai questionar tudo aquilo que seus pais lhe falaram. Não pelas questões em si, mas porque a criança passa por fases em que vai se constituindo como um sujeito particular, diferente de seus pais. Esta fase mais evidente de oposição aos pais, ocorre normalmente na adolescência. Há muitos casos de jovens que nessa fase acabaram por se afastar dos pais, associando-se a outros jovens com propósitos menos elevados, apresentando diferentes e mais tristes opções... Como é importante então que essa criança tenha amigos, que também conheçam a doutrina, para poder discutir, aprender, se orientar. O trabalho de evangelização, oferecido pelas casas espíritas, é um espaço saudável, onde a criança poderá encontrar amigos que comungam as mesmas idéias, fortalecendo laços que poderão acompanhá-la por toda a vida.
Nosso trabalho hoje, em relação ao desenvolvimento moral nosso e daqueles que nos cercam, é de possibilitar que aquele roteiro dado por Jesus assuma significado para as pessoas que o buscam, faça sentido e desperte para a vontade de seguí-lo. Por que deixar para que cada um invente, sozinho, a sua roda?
Não se trata de fazer pelo outro o que ele próprio deve fazer, nem de tentar substituir o processo de construção de cada um da sua própria roda, mas de possibilitar meios e condições para que cada um tenha como fazê-lo, de indicar ao outro algum modelo ou caminhos para tal tarefa. Tal como a gente faz quando se trata de ensinar alguém algo sobre a ciência e a tecnologia de hoje!
Espiritismo é mais que religião, é entendimento é estudo, ciência e filosofia
Sabemos que o Espiritismo é mais que religião. É também ciência e filosofia. É estudo e entendimento. Por isso não basta apenas a presença física momentânea, como se fosse um “ritual semanal”. É necessário envolvimento, não só da criança, mas da família, nesse trabalho de ampliação das melhores oportunidades de aprendizado e crescimento.
Confúcio: fala esquecerá, mostra lembrará, envolva entenderá
Não se dá só a partir do que se fala para ela. “exemplo do não cabeu”
Curioso é que a idéia de que não basta a criança ouvir ou ver para aprender já foi tratada por Confúcio, 500 anos antes de Cristo: Diga-me, eu esquecerei. Mostre-me eu me lembrarei. Mas envolva-me e eu entenderei. A criança não aprende só ouvindo, nem só vendo. Ela precisa estar envolvida, e isso vale pra tudo e qualquer coisa a ser aprendida. Que maneira melhor de possibilitar esse envolvimento da criança com a Doutrina Espírita do que proporcionar a ela a participação em um grupo no qual há trocas, discussões, propostas de trabalho e aprendizado dentro dessa perspectiva!
Exemplo de uma criança que sempre escrevia “cabeu”, então a professora mandou escrever 100 vezes no caderno: “coube”. Quando a criança terminou, a professora foi conferir e viu que só tinha 98 vezes. Perguntou à criança por que não havia feito os 100, e a criança respondeu: Ah, professora, não cabeu! Então, para que haja apropriação do conhecimento não basta falar e repetir, é necessário mais que isso, é necessário envolver ...
Deixar a criança escolher sua religião quando crescer é bom?
Perdendo o momento de docilidade
Diante disso tudo, coloco uma questão, que já ouvi algumas vezes. Deixar a criança “escolher sua religião” quando crescer é o melhor? Estamos sendo “democráticos” ou fugindo de nossa responsabilidade? Ao fazer isso, estaremos perdendo o melhor momento de aprendizado da criança, aquele momento chamado de docilidade, em que ela poderia aproveitar melhor as informações e experiências para a construção de seus valores.
Conclusão
Importância da Educação Moral
Deus confia que nós, pais, cumpriremos nossa missão
Evangelização é um instrumento para nos ajudar em nossa missão
Voltando a questões formuladas no início, sobre acordar as crianças de manhã... Alguém questiona isso se tem que ir ao médico? Ou se tem que ir à escola? Por que cuidar do corpo, da saúde ou da inteligência é mais importante que cuidar do lado moral?
Há uma confiança da espiritualidade de que os pais cumprirão sua missão. Esta não lhes foi entregue sem uma grande possibilidade de acerto.
Tenhamos clareza também de que a Evangelização oferecida pelas casas espíritas é um instrumento que pode nos ajudar no sucesso de nossa missão.
Deixai vir a mim os pequeninos Evangelho Cap. VIII
Referências Bibliográficas:
1. Allan Kardec, O livro dos Espíritos.
2. Allan Kardec, O Evangelho Segundo o Espiritismo.
3. Vigotski, L.S. Psicologia Pedagógica, SP: Martins Fontes, 2001, pág. 141
Faça florescer a paz em seu lar
O Evangelho no Lar
"Orar em família é ver derramar-se sobre ela o cálice aurífico dos céus, acondicionando-nos nesse imenso bojo de ventura que o Cristo traz a visitar-nos."- Tereza de Brito
Conta-nos o Espírito Néio Lúcio, pela psicografia de Francisco Cândido Xavier, que Jesus, quando se abrigava na casa de Simão Pedro, percebendo que o teor das conversações já caminhava para a improdutividade, tomou das Sagradas Escrituras e, após colocações simples, por meio das quais trouxe à realidade daqueles Espíritos a importância do instituto doméstico, desenrolou os Escritos Divinos e convidou os familiares de Simão à palestra e à meditação.
Iniciava-se o primeiro Evangelho no Lar.
1. O que é a reunião do Evangelho no Lar?
" É o estudo da Doutrina Espírita, à luz do Evangelho do Cristo e sob a cobertura moral da oração". O Evangelho no Lar é o momento semanal em que, beneficiando-nos da companhia de nossos familiares que comungam dos mesmos princípios religiosos que nós, podemos elevar o pensamento ao Mais Alto através da prece reconfortante e do estudo e debate de problemas corriqueiros, do âmbito familiar ou social, à luz do Evangelho de Jesus, decodificado pelo Espiritismo. É "a festiva oportunidade de conviver algumas horas com os Espíritos de Luz que virão ajudar-te nas provações purificadoras, em nome daquele que é o Benfeitor vigilante e amigo de todos nós".
2. Como implantar o Evangelho no Lar?
Determine, ao menos uma vez por semana, um horário que seja conveniente para a família, tendo em mente que o Evangelho dura em média trinta minutos e não deve prolongar-se excessivamente. Respeitando sempre o dia e o horário, reuna-se com o maior número de pessoas possível de componentes do seu lar.
Crianças podem fazer parte da reunião, executando tarefas como fazer a prece de abertura ou de encerramento. Visitantes ocasionais podem ser convidados a participar, explicando, caso não sejam espíritas, que não se trata de sessão espírita, mais de um breve estudo do Evangelho, seguido de preces.
3. Por quanto tempo deve ser realizado o Evangelho no Lar?
Sua prática deve ser constante; salvo circunstâncias especiais, nada deverá impedir sua realização. Mesmo que somente um membro da família esteja em casa no momento aprazado, o Evangelho deverá ser lido em voz alta, seguindo procedimentos rotineiros. Caso toda a família esteja ausente, porém reunida em lugar possível, deverá ser feito o Evangelho, no mesmo dia e horário de costume.
4. O que é preciso ter para a realização do Evangelho no Lar?
O desejo sincero de aprender e praticar os ensinamentos transmitidos por Jesus, um exemplar de "O Evangelho segundo o Espiritismo", de Allan Kardec, e um livro de mensagens.
5. Bom, mas para que serve o Evangelho no Lar?
André Luiz, no livro Conduta Espírita, diz que "quem cultiva o Evangelho em casa, faz da própria casa um templo de Cristo." Durante a reunião, a família restaura suas forças despendidas ao longo da semana, enquanto eleva o padrão vibratório da casa, unificando os laços familiares por terem a oportunidade de partilhar conhecimentos e dores.
6. E no âmbito espiritual, qual a repercussão do Evangelho no Lar?
"Toda vez que se ora num lar, prepara-se a melhoria do ambiente doméstico. Cada prece do coração constitui emissão eletromagnética de relativo poder. Por isso mesmo, a reunião familiar do Evangelho não é tão só um curso de iluminação interior, mas também processo avançado de defesa exterior, pelas claridades espirituais que acende em torno. O homem que ora traz consigo inalienável couraça.
7. E como podemos fazer "O Evangelho no Lar"?
Joanna de Ângelis, fala-nos: "Prepara a mesa, coloca água pura, abre o Evangelho, distende a mensagem de fé, enlaça a família e ora." Todavia, indispensável que tomemos das palavras de Jesus como base para os comentários principais da noite. É bom fixar um horário e um dia da semana específicos para o mister, o qual não deverá ser burlado nem legado ao esquecimento, a Mentora Espiritual no livro Messe de Amor, é clara ao nos informar: "Não demandes à rua, nessa noite, senão para os inevitáveis deveres que não possas adiar. Demora-te no Lar para que o Divino Hóspede ai também se possa demorar". É importante frisar que o Evangelho no Lar não é um momento para manifestações mediúnicas, salvo em situação extrema, em que se faça necessário a um Mentor Espiritual dar algum recado mais importante.
Orientações para roteiro do Evangelho no Lar estão no trabalho no mês de maio.
8. Mas, se só eu em casa sou espírita? Então não há Evangelho no Lar em minha casa?
Tereza de Brito, por intermédio de José Raul Teixeira, no livro Vereda Familiar, fala que "caso os seus familiares não concordem, por serem adultos e pensarem de maneira diferente, não se iniba. Ore e vibre com Jesus você sozinho, seja nos seus aposentos de dormir ou em alguma parte da casa onde você possa recolher-se por alguns momentos." E se nos lembrarmos de que Joanna de Ângelis disse que podemos beneficiar um prédio inteiro, uma rua toda, o que não faremos àqueles que não participam do Evangelho no Lar, mas vivem sob o mesmo teto que nós! "Se os teus se negarem a compartir o ministério a que te propões, a sós, reservadamente na limitação de tua peça de dormir, instala a primeira lâmpada do estudo evangélico e porfia…"
Em contrapartida, diz que não devemos assim proceder quando temos filhos sob nossa tutela: "Se, todavia, os teus filhos estiverem, ainda, sob a tua tutela, não creias na validade do conceito de deixá-los ir, sem religião, sem Deus … Como lhe dás agasalho e pão, medicamento e instrução, vestuário e moedas, oferta-lhes, igualmente, o alimento espiritual (…)".
9. E afinal, é mesmo importante que o espírita faça o Evangelho no Lar todas as semanas, ou basta freqüentar o Centro e ler os livros doutrinários?
É importante, imprescindível mesmo, que todo espírita faça o Evangelho no Lar, independentemente do número de vezes que compareça ao Centro Espírita, porque a sua prática significa a proteção que a família necessita contra as investidas das trevas. É através do Evangelho no Lar que colhemos os benefícios de apaziguamento das animosidades do lar, o aumento da cordialidade entre os que vivem sob o mesmo teto, a força necessária para resolver os problemas familiares de difícil solução, o estreitamento dos laços de consangüinidade.
Instituamos o Evangelho no Lar em nossos lares, cuidando de nossos filhos para que lhes seja dado o devido encaminhamento religioso, o "pão da vida" de que Jesus nos falou, aquele que realmente nos sacia a fome de luz. E levemos aos irmãos que ainda não o cultivam a informação dos benefícios que ele proporciona, ensinando-os nas duas ou três primeiras reuniões, para que, assim, mais famílias possam recolher as luzes que nós já começamos a receber.
11. Sugestões e livros recomendados
As sugestões: - além de "O Evangelho segundo o Espiritismo", selecionar os livros a serem lidos, autores conhecidos, temas evangélicos, sem polêmicas e divergências; - fazer vibrações especiais para casos concretos e atuais que preocupem os presentes e a sociedade; - contar com o apoio do Plano Espiritual, mas não transformar a reunião em sessão mediúnica, cujo espaço próprio é o centro espírita; - evitar comentários em desdouro às religiões ou pessoas e não manter conversação menos edificante; - evitar suspender as reuniões em virtude de visitas, passeios ou acontecimentos fúteis, da mesma maneira como não suspendemos as refeições básicas; - a reunião deverá ser de trinta minutos, aproximadamente; - crianças e adolescentes devem participar e colaborar no Evangelho, facilidades e motivação devem existir neste sentido.
Os livros recomendados: O Evangelho segundo o Espiritismo (Allan Kardec); Caminho, Verdade e Vida - Pão Nosso - Fonte Viva - Vinha de Luz (Emmanuel); Agenda Cristã (André Luiz); Jesus no Lar (Néio Lúcio); Luz no Lar (Autores Diversos); Deus Aguarda (Meimei); Messe de Amor (Joanna de Ângelis) e outros neste contexto …!
"A finalidade do Evangelho no Lar é o aprendizado dos ensinamentos de Jesus para sua aplicação na vida prática, não devendo, portanto, ser transformado em sessão mediúnica."
"O roteiro do Evangelho no Lar"
No mês de maio, o trabalho de exposição será realizado através da dramatização, encenação, ou como quiserem, a realização, na prática, de uma reunião de "O Evangelho no Lar". Os colaboradores, além do expositor, que representará o papel de chefe da família, coordenador da prática, serão participantes da reunião convidados para ajudar na dramatização. Esta prática deve ter no mínimo quinze minutos e no máximo trinta minutos. Para leitura e comentário use o prefácio de "O Evangelho segundo o Espiritismo" (é uma boa mensagem e dá ótimos comentários). Recomendamos espontaneidade, naturalidade, simplicidade e segurança no comando do trabalho. Ele é possível, independente da casa, do tipo de reunião, do horário, elimine os obstáculos com jeito e bom senso. O tempo que ficar disponível até o término da reunião, use para comentar a prática. Estimule companheiros e diretores da casa para motivarem esta prática, criando mecanismos que facilitem a continuidade da tarefa. Orientações quer facilitam este trabalho já foram dadas no mês de abril. Bom trabalho a todos!
Inicia-se com um prece de abertura que deverá ser seguida mentalmente por todos. Logo após, deve ser lido um breve trecho de "O Evangelho segundo o Espiritismo" que deverá ser comentado por aqueles que o desejarem, para melhor compreensão dos ensinamentos que a passagem encerra. Pode ainda ser lida uma passagem de um livro de mensagens, que como o Evangelho deverá ser comentado sucintamente. No momento seguinte, todos, unidos pelo pensamento, concentram-se em Jesus e acompanham mentalmente as vibrações. A reunião termina com uma prece de encerramento, agradecendo a Deus, a Jesus, e aos Mentores Espirituais pela tarefa executada e pelas bênçãos recebidas. Música instrumental suave em volume brando favorece uma melhor ambientação para a realização do Evangelho no Lar. Pode-se deixar água filtrada para ser fluidificada durante a reunião, devendo a mesma ser bebida por todos da família, logo após o término do Evangelho no Lar.
Prece de abertura: é uma oração simples, feita de coração, onde conversamos com Jesus, expondo nossos propósitos da realização do Evangelho no Lar, pedindo sua companhia e dos Mentores Espirituais, solicitando permissão para o estudo do Evangelho e pedindo forças para o nosso aprimoramento moral. Finaliza-se esta prece com o "Pai Nosso".
Leitura do Evangelho e Mensagens: Tanto na leitura do Evangelho quanto na da mensagem o procedimento é o mesmo. Comece do começo. Desde o prefácio, até o final do livro; no caso do Evangelho segundo o Espiritismo, leia um ou dois itens por reunião. Qualquer membro da família poderá ler, devendo os demais prestar atenção. Em seguida à leitura, todos os presentes que desejarem devem comentar sucintamente, em voz alta, o que entenderam do trecho lido. O comentário da passagem lida não deverá tornar-se polêmico ou desviar-se do seu curso, a fim de que não se estabeleça conturbação vibratória. Note que "O Evangelho segundo o Espiritismo" possui uma numeração ao lado de alguns parágrafos. O trecho a ser lido é aquele compreendido por um único número.
Vibrações: são doações de energia em favor dos nossos irmãos através do pensamento. Um membro da família deverá falar em voz alta para que todos escutem e, mentalizando Jesus, vibrem. Entre um e outro item das vibrações deverá haver uma pausa, para emissão de sentimentos de amor e fraternidade. Podemos vibrar (outros itens podem ser incluídos):
Pela paz do mundo, para todos os trabalhadores do bem,
Pelo amparo aos pobres, pela harmonia nos lares desajustados,
Pela saúde dos enfermos, pela iluminação dos Espíritos sofredores
Pela unificação das religiões, pelo desenvolvimento espiritual da juventude,
Por nossos familiares e amigos, pela bem estar com os nossos desafetos,
Pelo reerguimento dos decaídos, pelo amparo aos velhos e crianças,
Pela reabilitação dos presidiários, por nossos governantes,
Por nossos legisladores, por nós mesmos.
Prece de encerramento: é um agradecimento a Deus, a Jesus e aos Mentores Espirituais pelos ensinamentos e bênçãos recebidos durante o Evangelho no Lar e pela colaboração e companhia diária.
Adendo, como reforço - A FEESP, neste tópico, didaticamente, oferece o seguinte roteiro para a realização do "Evangelho no Lar":
Escolher um dia e uma hora por semana e convidar todos da família, se não puderem ou não quiserem participar, faremos sozinhos, só fisicamente, na certeza de que Jesus se fará presente através de seus mensageiros.
1. Início da reunião - prece simples e espontânea.
2. Leitura de O Evangelho segundo o Espiritismo - começar desde o prefácio, lendo um item ou dois sempre em seqüência.
3. Comentários sobre o texto lido - devem ser breves, com participação de todos os presentes.
4. Vibrações - pela fraternidade, paz e equilíbrio de toda a humanidade: pelos governantes e os que trabalham na elaboração das leis; pela implantação e vivência do Evangelho em todos os lares; para o nosso lar, mentalizando paz, harmonia, saúde e muita luz. Disse Jesus "vós sois luzes".
5. Pedidos - Mestre Jesus abençoe nossa família e dá-nos o entendimento e o espírito de compreensão e cooperação, aumente o amor em nossos corações.
6. Segundos em silêncio (individualmente) - em pensamento e coração vamos conversar com Jesus: Jesus, cada um de nós tem pedido a Te fazer, a fim de receber a orientação necessária e amorosa que é a iluminação do Cristo em nós.
7. Prece de encerramento - simples e espontânea.
(este roteiro e detalhes, encontram-se nos livros "Evangelho no Lar à luz do Espiritismo" e "Experiências à luz do Evangelho no Lar".)
J A L Balieiro - 31/03/2005.
Síntese da Palestra da USE-RP no mês de junho:
O Evangelho Segundo o Espiritismo:
Fundamentos Éticos Morais
Objetivo: dar visão geral sobre os conceitos espíritas destacando a importância da vivência moral e cristã nas relações interpessoais e sociais. Conceitua-se os termos: doutrina, espiritismo ou doutrina espírita, ética, moral, espécie humana, codificador. A partir da colocação de Kardec que para a segunda edição da obra modificações foram feitas a fim de tornar a obra de mais fácil leitura e facilitando igualmente as consultas, fez-se o agrupamento dos capítulos na busca da identificação das regras de bom proceder. Seis agrupamentos foram feitos: PREMISSAS - capítulos I, II, III, IV; COMO ESTAMOS: capítulo V; COMO PODEMOS SAIR: capítulo VI; IDEAL A ATINGIR: capítulos VII, VIII, IX, X, XI, XII, XIII, XIV, XV, XVI, XVII; AS NOSSAS DIFICULDADES: capítulos XVIII, XIX, XX, XXI, XXII, XXIII, XXIV; A NOSSA DIRETRIZ: capítulos XXV, XXVI, XVIII.
Síntese da palestra de setembro da USE-RP
As aflições humanas e "O Evangelho Segundo o Espiritismo"
GUSTAVO MARCELO R. DARÉ
de Ribeirão Preto, SP
No capítulo Bem-Aventurados os Aflitos d'O Evangelho segundo o Espiritismo, Kardec descreve a perplexidade do homem contemporâneo diante das desigualdades sociais, principalmente ao ver quantos "homens virtuosos sofrem ao lado de malvados que prosperam". "As compensações que Jesus promete aos aflitos da Terra só podem realizar-se na vida futura", mas a utilidade do sofrimento e a Bondade e Justiça Divinas só podem ser compreendidas, em um Mundo de Provas e Expiações como a Terra atual, através da realidade da preexistência do Espírito, sua imortalidade e as reencarnações múltiplas.
Mesmo que, em sentido geral, "pode afirmar-se que a felicidade é uma utopia" em nosso globo, o homem "poderia gozar de uma felicidade relativa", se soubesse "contentar-se com o que possui", não inventando "necessidades absurdas", criadas pela "inveja e o ciúme". A crise existencial humana é conseqüência de nosso "Espírito que aspira à felicidade e à liberdade, mas, ligado ao corpo (…), se cansa em vãos esforços para escapar". "Essas aspirações de uma vida melhor são inatas no Espírito de todos os homens", mas não devemos busca-las neste mundo. As expiações, na grande maioria dos casos, é evidenciada por "reclamações e revolta contra Deus", enquanto que as provas são vivenciadas por "pessoas de tendências naturais boas (…) que parecem nada trazerem de mau de sua precedente existência."
Bem-aventurados os aflitos pode ser assim traduzido: bem-aventurados os que têm a oportunidade de provar a sua fé, a sua firmeza, a sua perseverança e a sua submissão à vontade de Deus, porque terão centuplicadas as alegrias".
Síntese da palestra da USE-RP de outubro
O Evangelho Segundo o Espiritismo
O Cristo Consolador - Capítulo VI
Meta: Evidenciar que só a ética cristã será capaz de transformar nosso planeta e que a doutrina Espírita revive e resgata essa ética em sua essência.
O capítulo inicia-se com "O jugo leve" baseado no Evangelho de Mateus e Kardec explica que esse jugo leve é a lei divina, que apenas impõe, como dever, o amor e a caridade. A seguir "Consolador prometido" baseado no Evangelho de João, com respeito a esse item afirma Kardec "Assim, o Espiritismo realiza o que Jesus disse do Consolador prometido: conhecimento das coisas, fazendo que o homem saiba donde vem, para onde vai e por que está na Terra; atrai para os verdadeiros princípios da lei de Deus e consola pela fé e pela esperança".
Instruções Dos Espíritos: Advento do Espírito de Verdade: São quatro mensagens assinadas pelo Espírito de Verdade nos anos de 1860, 1861(2) e 1863.
Neste capítulo podemos entender que o Espiritismo, como vivência Evangélica nos ajuda a não trazer de volta para nossa conduta moral os condicionamentos de nosso passado religioso baseado no fanatismo e no favoritismo.
ESTUDO DO EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO
CAPÍTULOS VII, VIII, IX, X.
CAPÍTULO VII: Bem-aventurados os pobres de espírito.
1) O que é preciso entender por pobres de espírito.
Por pobres de espírito Jesus não entende os homens desprovidos de inteligência, mas o humildes...
...contestam-Lhe (de Deus) um dos seus mais belos atributos: sua ação providencial sobre as coisas deste mundo, persuadidos de que só eles bastam para bem governá-lo.
Se se recusam a admitir o mundo invisível e um poder extra-humano,... porque seu orgulho se revolta com a idéia de uma coisa acima da qual não podem se colocar,...
...simplicidade de coração e a humildade de espírito;...Em todas as circunstâncias, ele coloca a humildade no plano das virtudes que nos aproximam de Deus,...Humildade é um ato de submissão a Deus,...
2) Todo aquele que se eleva será rebaixado
...se vós não vos converterdes, e se não vos tornardes como crianças, não entrareis no reino dos céus.
...mãe dos filhos de Zebedeu...quanto a estar sentado à minha direita ou à minha esquerda não cabe a mim vos conceder, mas isso será para aqueles que meu Pai tenha preparado...Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir...
Quando fordes convidados para bodas, não tomeis nelas o primeiro lugar,...ide vos colocar no último lugar...
O Espiritismo vem sancionar a teoria pelo exemplo, em nos mostrando grandes no mundo dos Espíritos aqueles que erampequenos na Terra,...sua grandeza na Terra, e não se leva: a forutna, os títulos, a glória,o nascimento;...O Espiritismo nos mostra uma outra aplicação desse princípio nas encarnações seucessivas...
3) Mistérios ocultos aos sábios e aos prudentes
...na antiguidade,prudente era sinônimo de sábio,...
...Deus...não coloca a luz sob o alqueire, uma vez que a derrama com abundância por toda parte; cegos,pois, aqueles que não a vêem.
...os incrédulos não se espantem, pois, se Deus, e os Espíritos...não se submetem às suas exigências...O orgulho é a catarata que obscurece sua vista;...É preciso, pois, primeiro curar a causa do mal e, como médico h’;abil, corrige primeiramente o orgulho.
4) O orgulho e a humildade
Sem a humildade vos adornais de virtudes que não tendes...todos que sofreis injustiças dos homens, sede indulgentes...
...Deus pune sempre os soberbos. Se os deixa, algumas vezes, subir, é para lhes dar tempo de refletirem e de se emendarem sob os golpes que, de tempo em tempo, ele dá em seu orgulho...
5) Missão do homem inteligente na Terra
...Se deus, em seus desígnios,vos fez nascer num meio onde pudestes desenvolver vossa inteligência,é que ele quer que dela useis para o bem de todos;...
CAPÍTULO VIII: Bem-aventurados aqueles que têm puro o coração



