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Maio de 2006, edição n°. 244
Jornal Eletrônico Verdade e Luz
Índice
Reflexões de Maio
Rádio Educativa, FM 87.9
Eurípedes Barsanulpho, O Filho de seu Mogico e Dona Meca
Envio de artigos e matérias
22ª Feira do Livro Espírita de Cajuru
XVI Feira do Livro Espirita de Luiz Antônio
Preparativos para o Sesquicentenário do Espiritismo
Liberdade: Condição é essencial para o amadurecimento
5º Congresso Espírita Mundial
Preparando na Terra o Reino da Paz e da Fraternidade
Naqueles dias...
A alegria da sexta-feira da paixão
3º Encontro Almas Integradoras
Sobre Prefácios e um Prefácio
33ª Feira do Livro Espirita de Ribeirão Preto
A Resposta Divina
Em busca da Paz e da Felicidade
A Justiça Divina
Mãe, Mulher e Educadora
REFLEXÕES DE MAIO
O Espiritismo reconhece no Trabalho uma lei natural, portanto lei divina, eterna e imutável como o próprio Deus. É uma necessidade e uma fonte de alegria para o trabalhador, pois afasta do lar a carência material e colabora para o progresso da sociedade.
Ensinam-nos os autores espirituais que, no atual estágio evolutivo da Terra, o trabalho é quase sempre uma expiação para a maioria de nós que precisamos resgatar o abuso das forças entregues à ociosidade ou ao crime nas existências anteriores, mas é sempre um meio de aperfeiçoamento da inteligência. Ensinam-nos também que, além do trabalho-obrigação, existe o trabalho-doação, que vai além do dever e pode chegar à abnegação. A diferença não está em ser ou não profissional, está na aura de humildade, benevolência, otimismo, tolerância e renúncia que caracteriza o trabalhador. É nesse diferencial que se situam os homenageados de maio.
Eurípedes Barsanulfo (que nasceu no dia 1º) de maio) foi o missionário que vivenciou o Evangelho de Jesus em terras mineiras, doando-se até ao sacrifício em frentes de trabalho amplas e diversificadas: na Educação, principalmente através do Colégio Allan Kardec; nos Serviços Sociais, principalmente através da Farmácia Espírita Esperança e Caridade, totalmente gratuita; na Mediunidade, principalmente curando e receitando.
Quanto às Mães, ensina-nos a espiritualidade que no coração delas repousa a sementeira de todos os bens e de todos os males. Quanta responsabilidade carregam esses anjos de Esperança, ternura e amor, ao nos oferecerem novos corpos que correspondem a novas oportunidades de serviço e purificação!
É por isso que Emmanuel recomenda: “Auxiliar o espírito materno, no desempenho de sua tarefa sublime, constitui obrigação primária de todos nós que abraçamos nos Centros Espíritas novos lares de idealismo superior e que buscamos na Boa Nova do Divino Mestre a orientação maternal para a renovação de nossos destinos.”
Pense nisso. Pense agora.
Fundada e mantida pela Associação Distribuidora de Pão aos Pobres (rua João Ribeiro, 911, Campos Elíseos), a Rádio Educativa, emissora comunitária, legalizada, presta serviço à comunidade da região, com sua programação de músicas, notícias e utilidade pública. Destacamos os seguintes programas que, dentro da programação geral da emissora, trazem conteúdos espiritualizantes:
- Aos sábados, de 16 às 19 h, Verdade e Luz, sob a responsabilidade da USE Interm. de Rib. Preto;
- Segundas e quartas-feiras, das 10 às 12 h – Músicas e Mensagens, a cargo da Sra. Gilda Cintra;
- às sextas-feiras, de 19 às 22 h, “Amor e Alma”, com Samuel;
- Aos sábados, de 7 às 10h, Músicas e Mensagens, com João Boresso e Sueli.
EURÍPEDES BARSANULPHO, O FILHO DE SEU MOGICO E DONA MECA
Fernanda Ripamonte
Ribeirão Preto, SP
O filho de Hermógenes Ernesto de Araújo, conhecido por Mogico e de Jerônima Pereira de Almeida, chamada de dona Meca, nasceu no dia 1º de maio de 1880 e deram-lhe o nome de Eurípedes Barsanulpho. Era o terceiro filho do casal. Um dos grandes espíritas do Brasil que viveu em Sacramento, nas Minas Gerais, uma província de tradicional, de senso conservador, situada próximo a Uberaba, no Triângulo Mineiro. O município teve como data de fundação 24 de agosto de 1820, em virtude da construção de uma capela erguida pelo reverendo Hermógenes Casimiro de Araújo Bruswick, parente próximo de Mogico, o pai de Eurípedes. A capela, às margens do ribeirão Borá, sob o patrocínio de Maria Santíssima, mudava os rumos de Sacramento, até então distrito da Freguesia de Nossa Senhora do Desterro do Desemboque. Passando por dificuldades de trabalho e recursos para a manutenção da numerosa família, Mogico se transfere para a Estação Cipó, tronco ferroviário da Mogiana, onde iria gerenciar uma casa comercial. Ali não havia escola e Eurípedes, que era aluno aplicado, aprendera a ler e a contar rapidamente, assim, prosseguiu os estudos com o pai que, nas horas vagas, transmitia-lhe lições de Aritmética e Língua Portuguesa. Auxiliava no trabalho com o comércio e todas as vezes que o trem apitava na estação para lá ele corria a fim de auxiliar no carregamento de malas dos viajantes que desciam ou embarcavam. Ganhava algum dinheirinho e entregava para sua mãe dizendo: “é para o dia em que a senhora não tiver pão em casa”.
Em 1889 o Colégio Miranda é instalado em Sacramento, seu diretor, o professor João Derwil de Miranda era natural de Mariana, MG e tivera formação no mais famoso educandário mineiro, o Caraça. Seu Mogico levou Eurípedes para o Colégio Miranda com a idade de nove anos, encaminhado para a classe adiantada. Tornou-se assistente dos professores, colaborava incansavelmente com as atividades pedagógicas e dedicava-se inclusive a matérias que estavam incluídas no currículo do educandário. Chegou a ser matriculado no Curso Preparatório para a Escola de Medicina da Marinha no Rio de Janeiro, no entanto, não foi, ficou em Sacramento para cuidar da saúde de dona Meca. A vida prosseguiu em meio a muito trabalho e inúmeras renúncias. Participou da fundação do Liceu Sacramentano, um instituto de ensino primário e secundário, em 1902, bem como do jornal Gazeta de Sacramento, onde escreveu colunas semanais sobre política, direito público e métodos educacionais, entre outros temas, durante dois anos. Apesar de não possuir diploma de curso superior, dominava diversos assuntos, como filosofia, direito e medicina.
Foi na sexta-feira da Paixão do ano de 1904 que Eurípedes Barsanulfo, acompanhado do amigo José Martins Borges, foi assistir a uma sessão espírita na fazenda Santa Maria, segundo narra Corina Novelino no livro “Eurípedes O Homem e a Missão". O primeiro contato com a doutrina foi através de seu tio, Sinhô Mariano, que fundou e dirigiu o Centro Espírita Fé e Amor, um dos mais antigos e conhecidos do povoado, lhe presenteou com o livro de León Denis "Depois da Morte". Sinhô Mariano estudava o Espiritismo com um grupo de pessoas, na fazenda Santa Maria, próxima a Sacramento. Encantado com o que vira e sentira, dias depois voltou a Santa Maria e assistiu nova sessão, quando recebeu de Vicente de Paulo uma mensagem que o convocava a assumir a Terceira Revelação: "Meu filho, as portas de Sacramento vão fechar-se para você. Os amigos afastar-se-ão. A própria família revoltar-se-á. Mas, não se importe. Proclame sempre, a Verdade, porque, a partir desta hora, as responsabilidades de seu Espírito se ampliarão ilimitadamente". Eurípedes torna-se espírita. Na data de 27 de janeiro de 1905 funda o Grupo Espírita Esperança e Caridade, onde irá prestar assistência material e espiritual aos necessitados, em sua própria residência, local em que já realizava o chamado “Culto Cristão”. No dia 1º de abril de 1907 fundou o Colégio Allan Kardec, instituição que, entre outras disciplinas, ensinava Fundamentos da Doutrina Espírita. Sob a orientação de Bezerra de Menezes, algum tempo depois, fundou a Farmácia Espírita Esperança e Caridade, que contaria com o apoio de laboratório que funcionava ao seu lado. Um verdadeiro discípulo de Jesus conhecia a fraternidade e todos os seus atos foram de caridade. Entre 1907 e 1912, Eurípedes Barsanulfo foi vereador de Sacramento e trabalhou em benefício da população. Sua grande vocação era o trabalho com a educação, pois sabia que, através dela, poderia infundir valores morais que julgava poder de transformar as crianças e os jovens. Nas vivências mediúnicas, por diversas vezes presenciadas pelos seus alunos, conforme nos relatou um deles, o Doutor Thomaz Novelino, que conviveu com Eurípedes e fundou o Educandário Pestalozzi, na cidade de Franca-SP, inspirado em seu trabalho. Ocorriam, dentre outros, fenômenos de bicorporeidade, como aquele que se pôs a relatar informando o horário e os participantes de uma reunião a que havia acabado de assistir na cidade de Versailles, na França, quando foi assinado histórico tratado, ao final da I Grande Guerra.
Incansável, trabalhava na Farmácia, que funcionava ao lado de seu quarto, ofertando medicamentos que tratavam de todos que o procurassem. Eurípedes Barsanulfo desencarnou no dia 1º de novembro de 1918, às 18 horas, por ocasião da epidemia de gripe espanhola a se espalhar por toda parte, redobrando o trabalho do grande missionário, que a previra muito antes, noticiando a gravidade que se aproximava. A população de Sacramento sofreu com sua partida para o mundo espiritual e guardou dele, impressões que foram transmitidas até os dias de hoje, da mais ampla de doação de amor que um homem pode ter para com os seus semelhantes.
BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
NOVELINO, CORINA, Eurípedes o Homem e a Missão. 3ª.ed., Araras/SP, IDE, 1979
ZÊUS WANTUIL, Grandes Espíritas do Brasil, 1ª ed. FEB
Este Jornal aceita colaboração. Só serão publicadas matérias que estiverem de acordo com os princípios da Doutrina Espírita, respeitada a linha editorial. A equipe preserva o direito de revisar os textos, fazendo, quando necessário, correções gramaticais. Os artigos deverão ter de 3000 a 3500 caracteres. Os textos podem ser enviados por carta ou e-mail – Caixa Postal, 827, CEP: 14001-970 – Rib.Preto (SP). – e-mail – jornal@userp.org.br
22ª Feira do Livro Espírita de Cajuru
Promovida pelo Centro Espírita Eurípedes Barsanulfo, será realizada nosdias 13 e 14 de maio a 22ª Feira do Livro Espírita, na Praça Central de Cajuru. A abertura da Feira será no dia 13, às 9h da manhã com uma apresentação do Coral do Centro Espírita Batuíra, de Rib. Preto, e o encerramento dia 14, às 18 h, com a presença da família espírita de Cajuru. Boa variedade de livros, com descontos especiais, estará a disposição do público. O mesmo Centro Esp. Eurípedes Barsanulfo realizará várias palestras com oradores de outras cidades, convidados para esse fim. Programa:
- Dia 5, orador, Dr. Tácito Elias Sgorlan, de Rib. Preto. Tema: Deus
- Dia 8, orador, Vanderlei D. Miranda, de Sertãozinho. Tema livre.
- Dia 10, orador: Valmir de Lima, tema: O Ser Consciente
- Dia 12, orador: Carlos A. Correa Fonseca, de Rib. Preto. Tema: Nosso Lar
Todas as palestras serão realizadas na sede do C. Esp. Eurípedes Barsanulfo e serão iniciadas às 20h.
XVI FEIRA DO LIVRO ESPIRITA DE LUIZ ANTÕNIO
De 14 a 16 de abril último aconteceu a Feira acima, realizada pelo Centro Espírita André Luiz. A abertura foi no dia 14, às 10 hs, com pequena palestra do Dr. Gustavo Marcelo Rodrigues Daré, de Rib. Preto, e o encerramento, dia 16, às 16 h, quando falou o companheiro Aldo Aguillar Bianco.
Preparativos para o Sesquicentenário do Espiritismo
Com base em proposta apresentada durante reunião do Conselho Federativo Nacional da Federação Espírita Brasileira, que se reuniu em Brasília, de 11 a 13 de novembro de 2005, foi formada uma Comissão para elaborar propostas para as comemorações do Sesquicentenário da Doutrina Espírita. Essa Comissão do CFN da FEB foi composta por representantes das várias áreas do país: Região Norte – Jorge Alberto Elarrat do Canto e Sandra Faria de Moraes; Região Nordeste – Creuza Santos Lage e Sônia Maria Arruda Fonseca; Região Centro – Maria Túlia Bertoni e Saulo Gouveia Carvalho; Região Sul – Jason de Camargo e José Antônio Luis Balieiro; Entidades Especializadas de Âmbito Nacional – Gezsler Carlos West e Jorge Pedreira de Cerqueira; Federação Espírita do Distrito Federal – César de Jesus Moutinho; FEB – Altivo Ferreira e Antônio César Perri de Carvalho. Os preparativos para o Sesquicentenário estão centralizados na Secretaria Geral do CFN.
O objetivo é destacar os 150 anos de lançamento de O Livro dos Espíritos, assinalando a data de 18 de abril de 2007. Com esse objetivo, o CFN da FEB também aprovou a realização do 2º Congresso Espírita Brasileiro, em Brasília, no período de 12 a 15 de abril de 2007.
Espiritismo: 150 anos de luz e paz
A Comissão referida já se reuniu várias vezes e definiu um plano geral de ações, com o lema “Espiritismo: 150 Anos de Luz e Paz”. Esse plano geral está sendo apresentado nas Comissões Regionais do CFN, que acontecem em quatro regiões do país, entre abril e junho, e às Federativas Estaduais e Associações Especializadas que integram o CFN:
1) “Plano de Trabalho para o Movimento Espírita Brasileiro”: Os estudos para este “Plano de Trabalho”serão iniciados nas já citadas quatro Reuniões das Comissões Regionais do CFN, concluindo-se na Reunião Extraordinária do CFN, que antecederá a abertura do 2º Congresso Espírita Brasileiro.
2) 2º Congresso Espírita Brasileiro: Programado para Brasília, de 12 a 15 de abril de 2007, promovido pela Federação Espírita Brasileira, e efetivado no Centro de Convenções Ulysses Guimarães. Terá como tema central “O Livro dos Espíritos na Edificação de um Mundo Melhor”
3) Reuniões do CFN da FEB: Antecedendo a abertura do 2º Congresso serão realizadas as Reuniões das quatro Comissões Regionais do CFN e Reunião Extraordinária do CFN, em Brasília. O encerramento das comemorações do Sesquicentenário se dará na Reunião Ordinária do CFN, em novembro de 2007.
4) Atividades junto ao Movimento Espírita: Serão estimuladas ações das Entidades Federativas Estatuais e das Associações Especializadas, junto às suas áreas de abrangência, montando-se um cronograma das programações alusivas ao Sesquicentenário do Espiritismo, durante o ano de 2007, mas com destaque à promoção de eventos em todas as Instituições Espíritas em torno do dia 18 de abril de 2007.
5) Ações para a difusão espírita: Serão criadas peças promocionais sobre o Sesquicentenário do Espiritismo e sobre as Obras Básicas da Codificação e estimuladas a edição de livros, jornais e revistas especiais sobre a efeméride.
6) Edição de Selo Postal Comemorativo: A FEB proporá aos Correios a emissão de selo postal e a preparação de carimbo, comemorativos ao Sesquicentenário do Espiritismo, com previsão para lançamento, em Brasília, no dia 18 de abril de 2007, e com lançamento simultâneo em todas as Capitais do país, nas sedes das Entidades Federativas Estaduais.
Liberdade – Orson Peter Carrara
Condição é essencial para o amadurecimento
Duas edições seqüenciais da revista Veja (1915, de 27/07/05 e 1916, de 03/08/05, Editora Abril) trouxeram entrevistas que abordam um tema comum: a liberdade. Na primeira delas, o entrevistado é Raúl Rivero, considerado o maior poeta de Cuba, atualmente exilado na Espanha; a segunda traz entrevista com Carmen bin Laden, cunhada de Osama bin Laden.
Ambos relatam experiências vividas nos países envolvidos, com restrições à liberdade individual, que podemos analisar à luz dos ensinamentos espíritas.
Desconsideremos os fatores culturais e temporais de cada povo (que influem decisivamente nos hábitos e costumes) e adiantemos que o objetivo aqui não é criticar ou analisar posturas pessoais. O próprio Jesus recomendou que não julgássemos e efetivamente não temos esse direito, pois as Leis Divinas determinam que cada um é responsável pela própria conduta que adote. E devemos considerar ainda o estágio espiritual divergente que assinala os povos e as pessoas, individual e coletivamente considerando. Analisemos, porém, o assunto.
Allan Kardec destinou um capítulo inteiro, o X – Da lei de liberdade, integrante da parte terceira de O Livro dos Espíritos, com 47 perguntas (825 a 872) para abordar o importante tema. Das respostas oferecidas pelos Espíritos, extraímos parcialmente alguns trechos, a título de estudo:
a) “É contrária à lei de Deus toda sujeição absoluta de um homem a outro homem (...)” (829)
b) “O mal é sempre o mal e não há sofisma que faça se torne boa uma ação má”. A responsabilidade, porém, do mal é relativa aos meios de que o homem disponha para compreendê-lo. Aquele que tira proveito da lei da escravidão é sempre culpado de violação da Lei da Natureza. Mas, aí, com em tudo, a culpabilidade é relativa. Tendo-se a escravidão introduzida nos costumes de certos povos, possível se tornou que, de boa-fé, o homem se aproveitasse dela como de uma coisa que lhe parecia natural. Entretanto, desde que, mais desenvolvida e, sobretudo, esclarecida pelas luzes do Cristianismo, sua razão lhe mostrou que o escravo era um seu igual perante Deus, nenhuma desculpa mais ele tem.” (830)
c) “(...) os atos que pratica não foram previamente determinados; os crimes que comete não resultam de uma sentença do destino. Ele pode, por prova ou expiação, escolher uma existência em que seja arrastado ao crime, quer pelo meio onde se ache colocado, quer pelas circunstâncias que sobrevenham, mas será sempre livre de agir ou não agir (...)”. (872)
Sugerimos aos leitores consultarem o capítulo X, acima referido, na íntegra. Suas 47 questões culminam no Resumo teórico do móvel das ações humanas (destaque deste autor), mas o capítulo analisa ainda Liberdade de pensar, Liberdade de Consciência, Livre-arbítrio, Fatalidade e Conhecimento do Futuro. Ora, isto envolve crenças, motivações, pensamentos, consciência, iniciativas e ações, num assunto de grandes e graves reflexões para a conduta individual. E que direito temos para impor, sujeitar, constranger, senão sob força da Lei? Eis, pois, o alcance do tema, inclusive nas questões internacionais.
Na Revista Espírita* encontramos notáveis referências:
a) No exemplar de outubro de 1863, em mensagem assinada por Espírito familiar, na mensagem Livre-arbítrio e Presciência Divina, , vamos ler: “Há uma grande lei que domina tudo no Universo: a lei do progresso”. É em virtude dessa lei que o homem, criatura essencialmente imperfeita, deve, como tudo quanto existe em nosso globo, percorrer todas as fases que o separam da perfeição. (...) como, porém, todo progresso deve resultar de um esforço tentato para o realizar, não haveria nenhum mérito se o homem não tivesse a liberdade de tomar este ou aquele caminho. (...) os infelizes expiam sempre, tanto uma vida anterior mal empregada, quanto sua recusa a seguir o bom caminho, quanto este lhe era mostrado claramente. Assim depende de cada um abreviar a prova que deve sofrer; e, por isto, os guias seguros, bastante numerosos, lhe são concedidos, para que seja inteiramente responsável por sua recusa de seguir os seus conselhos. (...) O livre-arbítrio existe, pois, muito realmente no homem, mas com um guia: a consciência. (...)”
b) Por sua vez, Allan Kardec, no exemplo de fevereiro de 1867, comentando matéria veiculada no Libre conscience, assevera (em matéria que intitulou Livre Pensamento e Livre Consciência):
“(...) Como aquele que concentra o pensamento sobre uma determinada ordem de fatos, que assim põe um ponto de parada em seus movimentos intelectuais, em suas investigações, pode pretender emancipar aquele que se move sem entraves, e cujo pensamento sonda as profundezas do infinito? Restringir o campo de exploração do pensamento é restringir a liberdade (...). Aquele que acredita que uma coisa é vermelha, porque a vê vermelha, não é livre de a julgar verde. Desde que o pensamento é detido por uma convicção qualquer, não é mais livre. (...) Toda opinião raciocinada, que nem é imposta, nem encadeada cegamente à de outrem, mas que é voluntariamente adotada em virtude do exercício do raciocínio pessoal, é um pensamento livre, quer seja religioso, quer político, ou filosófico. Em sua concepção mais larga, o livre pensamento significa: livre exame, liberdade de consciência, fé raciocinada; simboliza a emancipação intelectual, a independência moral, complemento da independência física; não quer mais escravos do pensamento, quanto não os quer do corpo, porque o que caracteriza o livre pensador é que pensa por si mesmo, e não pelos outros, em outros termos, sua opinião lhe é própria. Assim, pode haver livres pensadores em todas as opiniões e em todas as crenças. Neste sentido, o livre pensamento eleva a dignidade do homem; ela dela faz um ser ativo, inteligente, em vez de uma máquina de crer. (...)”
Notável, não é mesmo? Dispensamos quaisquer outros comentários, para concluir com a direção dada por aqueles que lutam por privar a liberdade alheia, em texto apresentado pelo próprio Codificador, na continuidade dos argumentos e no mesmo texto acima referido, e que contraria toda a essência dos ensinos de Jesus e da própria Doutrina Espírita (importante frisar que trata de direção data pelos que lutam contra a liberdade):
“(...) Vosso espírito só é livre com a condição de não crer no que quer, o que significa para o indivíduo: Tu és o mais livre de todos os homens, com a condição de não ir mais longe do que a ponta da corda a que te amarramos (...)” Um autêntico paradoxo para nossa condição de filhos de Deus!
*Publicação fundada por Allan Kardec, em 1858, e por ele dirigida até sua desencarnação, em 1869; continua sendo editada, e atualmente em diversos idiomas, pelo Conselho Espírita Internaciuonal.
Nota do autor: Os exemplares da Revista Espírita, da época de Kardec, também estão disponíveis em língua portuguesa, em edições do IDE-Araras, EDICEL-São Paulo e mais recentemente da FEB-Rio-RJ.
O 5º Congresso Espírita Mundial será realizado de 10 a 13 de outubro de 2007, na cidade de Cartagena de Índias, situada na Costa Atlântica da República da Colômbia e declarada patrimônio histórico e cultural da humanidade, pela Unesco. O evento, promovido pelo Conselho Espírita Internacional (CEI), contará com o apoio da Confederação Espírita Colombiana (Confecol) e da Federação Espírita da Costa Atlântica (FEDCA), tendo como tema central “Doutrina Espírita: libertadora de consciências ante os desafios contemporâneos”. A comissão organizadora conta com a colaboração do Centro de Estudos Espíritas Joanna de Angelis e da Sociedade Espírita de Cartagena.
Outras informações, na Calle 22 A Sur no 9-71-81 – Bogotá D.C. – Colômbia – fone (571) 2720670, ou correio eletrônico – confecol@yahoo.com e página www.geocities.com/confecol.
PREPARANDO NA TERRA O REINO DA PAZ E DA FRATERNIDADE
“a doutrina espírita faz (...) ressaltar a necessidade do melhoramento individual”.¹
Através do conhecimento da Doutrina Espírita sentimos que temos um trunfo em nossas mãos: o roteiro para chegarmos lá, num futuro de paz e fraternidade...
Interessante é observar qual o caminho para se atingir esse objetivo, traçado pelo próprio Kardec¹: “Dando a prova material da existência e da imortalidade da alma, iniciando-nos nos mistérios do nascimento, da morte, da vida futura, da vida universal, tornando palpáveis as conseqüências inevitáveis do bem e do mal, a doutrina espírita faz (...) ressaltar a necessidade do melhoramento individual. Por ela, o homem sabe donde vem e para onde vai, e por que está na Terra; o bem tem um fim, uma utilidade prática”.
O que se depreende deste texto citado é que este sentimento da necessidade do melhoramento individual é resultado do conhecimento sobre os mistérios da vida e da morte, das conseqüências do bem e do mal em cada um de nossos atos.
O estudo para a apropriação desse conhecimento é fundamental. Pode-se argumentar que basta agirmos segundo nossa consciência para acertarmos o rumo. Mas, por que não expandir essa consciência?
Na pergunta 780-a, do Livro dos Espíritos², Kardec indaga: Como pode o progresso intelectual engendrar o progresso moral? A resposta é clara: Fazendo compreensíveis o bem e o mal. O homem, desde então, pode escolher. O desenvolvimento do livre-arbítrio acompanha o da inteligência e aumenta a responsabilidade dos atos.
Ressalta-se também que esse não é um processo cujos resultados aparecerão somente lá na frente, ou seja, quando eu achar que já aprendi o bastante. Ao contrário, os efeitos vão aparecendo ao longo do próprio debruçar-se sobre o objeto do estudo, afetando tanto a quem aprende como às pessoas à sua volta. Kardec também já nos alertara que o Espiritismo não forma o homem somente para o futuro, forma-o também para o presente e para a sociedade.¹
Assim, o trabalho para a nossa evolução - bem como para o progresso de todo o nosso grupo social - começa agora, a partir da busca de condições que nos propiciem entender melhor as leis que tudo regem, seu funcionamento e nossa inserção nesse todo.
Ao mesmo tempo partimos, conscientemente, para a busca dessa transformação em nós, no dia a dia, nas pequenas coisas do cotidiano, como: não jogar papel de bala no chão, não passar no sinal vermelho, não burlar o imposto de renda, respeitar a todos sempre, não usar indevidamente qualquer objeto que não nos pertença... E aí vai uma série de atitudes que, quanto mais presentes estiverem nas pessoas, mais próximos estaremos de uma verdadeira revolução em nosso planeta, aquela que começa a partir do melhoramento de cada um.
É assim que podemos ir fazendo nossa parte, agindo e entendendo - pelo conhecimento das leis divinas - porque cada atitude dessa é importante numa sociedade que reúne tantas pessoas num objetivo comum: o progresso e bem estar de todos. Kardec, em Obras Póstumas¹, conclui: Pelo melhoramento moral os homens preparam na Terra o reino da paz e da fraternidade.
Referências Bibliográficas:
1.ALLAN KARDEC, Obras Póstumas, LAKE, 2ª Parte, Credo Espírita, pág.292.
2.ALLAN KARDEC, O Livro dos Espíritos, LAKE, pergunta 780a.
Marlene Fagundes Carvalho Gonçalves
Nos momentos difíceis...
Não desanime!
Nas horas amargas...
Não deixe de confiar ainda mais em Deus!
Nas decepções...
Não guarde mágoas!
Elas só te farão sofrer mais
Além de prejudicarem seu organismo...
Sua saúde!
Nas ingratidões...
Retribua fazendo o bem!
Perdoe!
Sei que não é fácil!
Mas pelo menos, tente!
Nos revezes que porventura enfrentares...
Encare-os como lições salutares
Para o seu crescimento interior!
Não se entregue à revolta
Ou à cólera!
Use e abuse da oração!
Não tenha vergonha de pedir ajuda...
Proteção...
E inspiração para sanar suas dúvidas!
Orai e vigiai!
Disse Jesus!
Não se faça de rogado...
Se os problemas forem maiores do que suas forças...
Acredite...
Você terá capacidade de enfrentá-los!
E por fim...
Se todos te abandonarem...
Tenha certeza...
Deus nunca o fará!
Léia Conceição Aparecida Pantoni
Ribeirão Preto – SP
A alegria da sexta-feira da paixão
Quando ainda criança, uma data no ano causava enorme tristeza nas pessoas: a sexta-feira da paixão. Neste dia, minha avó, pessoa humilde e religiosa praticante, se vestia com roupa bem formal e tinha no rosto um olhar de uma profunda tristeza. A única emissora de rádio tocava apenas músicas orquestradas e solenes. Na rua não encontrava nenhum colega para correr ou jogar futebol. No cinema, o filme era “A paixão e morte de nosso senhor Jesus Cristo”, um filme em preto e branco, sem diálogos, para causar ainda mais tristeza.
O dia transcorria demoradamente, preguiçosamente, tristemente, como se o mundo fosse terminar. As pessoas quase não conversavam e as crianças eram proibidas de brincar ou fazer barulho. Naquela época não conseguia entender a razão de tanto sentimento de culpa e de remorso, tanto penar e sofrimento propagado pelos religiosos. Aquele dia, aos meus olhos de criança era como um outro qualquer.
O tempo passou, o progresso chegou novas profissões surgiram, a tecnologia nos colocou a possibilidade de saber tudo o que acontecia em qualquer lugar do mundo, nos tornamos mais informados e a cultura nos mostrou um mundo cada dia melhor. Mas, com todo esse desenvolvimento, ainda assim a sexta-feira da paixão continua a ser um dia dedicado exclusivamente a relembrar os enormes sofrimentos impostos a esse Homem que dividiu a história em antes e depois dele, tal a Sua importância.
Alguém assim tão decisivo certamente fez muito mais do que sofrer e morrer por todos nós, ou não? Claro que a resposta é um enorme sim. Este Homem, que ensinou que devemos amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos, certamente que merece ser lembrado sim, todos os dias de nossa vida, mas com alegria e admiração, com respeito e amor, jamais com essa tristeza derramada pela chamada via-crúcis, representada amorosamente ano após ano por artistas amadores, que fazem essa representação com enorme carinho. Mas, qual é a utilidade disso? Porque lembrar somente de Jesus sofrendo, apanhando, sendo humilhado?
Jesus realmente caminhou por essa estrada de sofrimento, mas em nenhum momento deixou de confiar no amor de Deus, tanto que nos instantes finais de suas forças físicas rogou ao Pai que nos perdoasse, pois não sabíamos o que estávamos fazendo, numa prova de que Ele, Jesus, sabia muito bem que aquela prova de amor pela humanidade serviria de exemplo para que nos transformássemos em pessoas melhores e pudéssemos também oferecer, como ele ensinou, a outra face.
O seu sofrimento não é o que importava, mas sim a sua coragem e abnegação em enfrentar todos os obstáculos colocados à sua frente para testar o seu amor a Deus e ao próximo. Aliás, Ele mesmo disse “ser o caminho, a verdade e a vida”. Quem O seguisse, em atitudes e sentimentos, chegaria até Deus com mais rapidez.
A sexta-feira da paixão deveria ser transformada num dia de alegria, para lembrar que aqui esteve entre nós num distante dia alguém que efetivamente era todo amor, paz, sabedoria, compreensão e equilíbrio. Equilíbrio que o fazia, de antemão perdoar os erros que iríamos ainda cometer, tais como o de Pedro, o apóstolo que amava a Jesus de todo o coração, mas que no instante de provar este amor, renegou o Cristo, tal como Ele havia dito que aconteceria. Mas Pedro, passado o instante de desequilíbrio tornou-se um trabalhador incansável dos ensinamentos Cristãos, falando sobre o amor e praticando em todos os instantes o amor propagado. Judas é outro bem amado apóstolo de Jesus que não entendeu a sua missão e por isso errou. Mas, Jesus já o havia perdoado antes mesmo de ele errar. Nós é que ainda não temos esta capacidade, pois, nos sábados de aleluia, depois de chorar pelo Cristo, amaldiçoamos e matamos novamente Judas, mostrando pela televisão o quanto ainda estamos distante do amor e do perdão que Jesus veio nos ensinar há mais de 2000 anos.
Que pena que a maioria das religiões não mostra o verdadeiro Jesus, filho de Deus, nosso irmão querido, como ele realmente é. Um filho amoroso, ciente das suas responsabilidades de amar a Deus e ao próximo. Preferem ficar relembrando apenas os seus sofrimentos, que certamente foram muito pequenos diante da imensidão de Luz que trouxe para os nossos corações. E trazer esse amor e essa luz certamente era o seu objetivo, que foi conseguido. Os sofrimentos pelo caminho ficam esquecidos quando chegamos ao fim da estrada e nos sentimos vitoriosos, por termos cumprido a nossa missão.
Agora posso dizer com certeza, pois já tenho discernimento para isso, que a sexta-feira da paixão é um dia de alegria, pois me trás à mente e ao coração, a figura de Jesus sorrindo e dizendo: estou do seu lado meu irmão e estarei sempre contigo, pois a minha promessa de levar todos até Deus permanece verdadeira. Aqui está a minha mão, tome-a e caminhe comigo praticando o amor ao próximo. Mas caminhe sempre com alegria, pois o Pai é de amor e nos quer ver sorrindo e felizes.
Jorge Jossi Wagner
Historiador
jorgewa@estadao.com.br
3º Encontro Almas Integradoras
Comunicação e Conhecimento
04 DE JUNHO DE 2006
Gustavo Leopoldo Rodrigues Daré
(coordenadoria de estudos da mediunidade da USE-RP)
leopoldodare@ig,com.br
Dia 09 de abril realizamos o 2º Encontro Almas Integradoras, na Sociedade Espírita Mariano do Nascimento, em ambiente acolhedor e estimulante. Participaram 39 pessoas, participantes de três sociedades espíritas de Ribeirão Preto.
Na Oficina de Debate Teórico foram gratificantes a definição de Espírito como um ser estruturado, com forma e regras de funcionamento, e a conclusão de que estudando a natureza, a biologia e a psicologia, estamos estudando a evolução do princípio espiritual. Ficaram dúvidas sobre a relação entre energia e fluído, quando o princípio espiritual individualiza-se e sobre a possibilidade do espírito e da matéria serem duas facetas de uma mesma essência.
Na Oficina de Debates de Vivências foram debatidas as origens das sensações durante o processo de relaxamento e concentração, que antecedem o transe mediúnico. Buscou identificar as influências das experiências do dia na produção das sensações. A possibilidade de interpretar certas sensações deste momento como indicativos do estado de saúde do corpo físico e diferenciar das influências dos espíritos desencarnados.
Dia 04 de junho realizaremos o 3º Encontro, das 9:00 às 12:00 horas. A Oficina de Debates Teóricos será com o tema Perispírito. A Oficina de Debates de Vivências será sobre as imagens emergentes durante o relaxamento induzido. Nossas dinâmicas de estudo nos Encontros buscam a participação de todos. Os participantes são divididos nas duas oficinas. Em cada oficina, um representante de cada grupo de educação mediúnica apresenta suas conclusões, dúvidas e experiências sobre os temas escolhidos para debate em grupo. Convidamos todos os grupos de educação mediúnica a participar. Pedimos aos interessados em acessar o site da USERP para futuras informações sobre o local do encontro. Entrem em contato conosco para troca de idéias e organização da seqüência de apresentações dos grupos de educação mediúnica.
Um abraço a todos e até breve.
Sobre Prefácios e um Prefácio
Celso Fonseca Jr. – de Sales Oliveira
Alguém já disse que prefácio é coisa que só o autor da obra lê. Discordamos totalmente. Os prefácios, chamem-se eles apresentação, introdução, preâmbulo, prólogo, exórdio ou outros nomes de menos uso, são, o mais das vezes, pequenos tesouros. Só não merecem ser lidos quando representam elogios gratuitos de quem é suspeito até de nem ter lido a obra a que se refere.
Ser um pequeno tesouro é o caso deste. Ainda não lemos o livro e o prefácio já nos ensina e faz pensar.
Não conhecemos Lião, cidade natal do Codificador, nem o prefaciador de “Viagem espírita em 1862”. O tradutor da edição original francesa deste pequeno livro de Kardec é também o autor da longa introdução.
Trata-se de Wallace Leal V. Rodrigues, companheiro que desde jovem militou no trabalho doutrinário em Araraquara e Matão. Escritor, publicou farto material em artigos e livros impressos pela tipografia de O Clarim, a oficina divulgadora de Cairbar Schutel. Entre eles, o romance “A esquina de pedra”. Como tradutor, além do próprio Kardec, verteu para o Português Dickens e Gautier.
Wallace, faz tempo, voltou à Espiritualidade onde, com as lideranças, imaginamo-lo planejando diretrizes de trabalho para esta nossa conturbada orbe. Apesar de não tê-lo conhecido pessoalmente, nutrimos simpatia pelo escritor, desde os tempos quando ouvíamos comentários sobre ele na Comunhão Espírita Cristã do fim dos anos cinqüenta, escutando Chico, Waldo, Marlene (então estudante de Medicina) e outros instrutores daqui e de lá. Na época, Marlene Rossi Severino, que ainda não assinava Nobre, mantinha um programa na rádio de Uberaba, chamado “Ondas de Luz”.
Mas voltemos ao prefácio de “Viagem espírita”, onde Wallace nos ensina que a terra de Kardec (como se alvo de sua missão não fosse o Planeta inteiro), Lião, foi também a terra de mártires do Cristianismo. Fundada há quase 2050 anos na confluência dos rios Ródano e Saone, Lião teve a primeira igreja cristã da Gália, o nome romano da França. Assim, fácil é compreender a perseguição dos pagãos e o surgimento de mártires. Para melhor conhecimento, Wallace nos remete ao “Ave, Cristo”, de Emmanuel.
O Professor Rivail, viajando às próprias expensas, sem recorrer à Sociedade Espírita de Paris, deteve-se em Sens, Macon e Saint-Etienne, para verificar como iam as atividades espíritas nessas cidades. Chegando ao destino, deparou-se com uma Lião muito diferente daquela de sua infância.. A casa do juiz Rivail e de Jeanne Duhamel, pais de Kardec, não mais existia. A enchente de 1840 a destruíra, assim como o depósito de águas minerais de Monsieur Dittmar e a residência de Monsieur Targe. Esses dois cidadãos lioneses foram testemunhas notariais do reencarne do Codificador em 1804.
Na “Viagem”, que na verdade foram três, Kardec, vigoroso propagandista da Doutrina, visitou os centros espíritas de mais de vinte cidades. Na sua Lião, comoveu-se ao constatar ser o Centro de Broteaux carinhosamente dirigido pelos Dijou, simples casal de operários.
Como era de se esperar, a presença do Professor Rivail não agradou a todos. Pela “Gazette de Lyon”, um cidadão tacha os espíritas de “alucinados que romperam com todas as crenças religiosas de seu tempo e de seu País...” – o que não nos surpreende.
Lembrando Arthur Conan Doyle e André Moreil, aquele, historiador do Espiritismo e este, biógrafo do Codificador, Wallace lamenta nosso parco conhecimento da História da Doutrina Espírita que, melhor estudada, levaria a uma compreensão apoiada em mais sólidos alicerces.
Refletimos quão mais difícil se tornou tal estudo, por causa das duas guerras mundiais que afetaram profundamente a França, berço da Codificação.
Eis o resumo de um dos incontáveis prefácios valiosos que acompanham obras literárias não menos maravilhosas.
Por dar-lhes menor importância, perdemos informações fundamentais às nossas atividades e à nossa evolução mesma. Leiamo-los, estejam eles no corpo ou nas orelhas dos livros. Os prefácios também enriquecem o conhecimento. E como!
33a FEIRA DO LIVRO ESPIRITA DE RIBEIRAO PRETO
O encontro da nossa comunidade com o livro espirita já tem data para acontecer. Será de 8 a 16 de julho de 2006, na Praça Carlos Gomes, no coração de nossa cidade.
Promovido anualmente pela União das Sociedades Espiritas de Ribeirão Preto, este evento faz parte do calendário cultural de nossa cidade e, alem de divulgar a Doutrina Espírita, congrega em sua realização confrades participantes de todas as Sociedades Espiritas de Ribeirão Preto.
Serão expostos em torno de 1.000 títulos, e aproximadamente 20.000 livros de vários autores encarnados e desencarnados. Juntamente com os livros de Allan Kardec, sempre entre os dez mais vendidos, estarão os livros psicografados por Francisco Cândido Xavier, Divaldo Pereira Franco e Ivone Pereira. E, também as obras clássicas de Flammarion, Bozzano, Denis, Crookes e vários autores contemporâneos como Richard Simonetti, Jorge Andréa, Herminio Miranda, Herculano Pires, entre outros.
A literatura espirita é composta por livros científicos, filosóficos, estudos do evangelho, poesias, contos, romances, infantis, etc. Todos abordando e desenvolvendo os princípios da Doutrina Espirita e temas atuais, sempre alicerçados na moral ensinada por Jesus.
Participe! Faça parte deste trabalho de divulgação!
Maiores informações pelo telefone (16) 3610 1120.
MENSAGEM PARA NOSSA REFLEXÃO:
TÍTULO: A RESPOSTA DIVINA
Quando na Assembléia dos Eleitos se cogitava de perpetuar a Mensagem de Jesus, renascida no Espiritismo, junto aos homens, emoção e ansiedade tomaram os corações angélicos. Sábios da Erraticidade opinavam pela divulgação do livro imortal; místicos acostumados aos longos testemunhos da solidão e da renúncia sugeriam a caridade para atender à aflição dos milênios; santos enrijados pelo trabalho da abnegação e aureolados pelas virtudes apresentavam a disseminação da oração como ponte de ligação com os Altos Comandos da Vida; cientistas aclimados às longas pesquisas e às árduas labutas laboratoriais apontavam a necessidade de difusão do fenômeno mediúnico em linhas de segurança; os heróis da Fé optavam pela fomentação de lutas infatigáveis em que se testassem as resoluções dos crentes, como valiosos meios para as refregas contra as trevas.
Era necessário, afirmavam todos, manter aceso o ideal espírita-cristão nas horas que se desenhavam rudes para o porvir.
Constatada, entretanto, a impossibilidade de reencarnações, em massa, dos numerosos seareiros do Reino, as sugestões exigiam ponderações e estudo. Alguém, que se encontrava em silêncio, opinou que se consultassem os Céus em fervorosa prece à busca da inspiração divina.
Enquanto os corações se fundiam num só sentimento de comunhão oracional, orvalho sidéreo, em flocos prateados, caiu sobre os prepostos do Senhor, abençoando-lhes a rogativa. Todavia, num deslumbramento de luzes, fulgurava um coração – símbolo do amor e da maternidade -, tendo ao centro o Evangelho do Mestre aberto no doce convite: “DEIXAI QUE VENHAM A MIM OS PEQUENINOS...”
Narram os apontamentos espirituais que, desde então, anualmente reencarnam-se espíritos comprometidos com o programa da Evangelização espírita-cristã junto às criancinhas, a fim de disseminarem o Verbo Divino, perpetuando nas mentes e nos corações a revelação Kardequiana sob as bênçãos de Jesus-Cristo, pelos tempos a fora.
Amélia Rodrigues (Mensagem recebida por Divaldo Pereira Franco em 28/01/1961 em Salvador, contida no livro Evangelho e Educação de Ramiro Gama, pg 7)
Ciclo de Palestras da USE-RP 2006
Reflexões Espíritas sobre Problemas Atuais do Mundo
EM BUSCA DA PAZ E DA FELICIDADE
Palestra de Maio de 2006
Gustavo Leopoldo Rodrigues Daré
leopoldodare@ig.com.br
Quando estamos angustiados, sofrendo, aspiramos “uma ordem de coisas melhor”, e isto “é um indício da possibilidade de a isso chegar” (OP, pág. 233). Onde poderíamos encontrar soluções efetivas para nossos sofrimentos? O Espiritismo nos apresenta uma proposta prática ou apenas fundamentos teóricos?
Existe um modelo espírita de sociedade ideal?
Para compreendermos as soluções espíritas para o sofrimento da humanidade, devemos lembrar que o Espiritismo surge e se desenvolve dentro de um contexto histórico, e, portanto, nutre-se de um conjunto de sonhos e pensamentos filosóficos de seu tempo. O Espiritismo surge no século XIX, denominado Século das Revoluções, cujas palavras mais importantes eram: liberalismo, nacionalismo e socialismo. O século XIX alimenta-se do racionalismo iluminista, que defende a atividade empírica e experimental como única forma para se alcançar a verdade; o racionalismo de Descartes, que coloca a liberdade como exigência vital da consciência humana; e convive com a contraposição de Rousseau, para quem a liberdade dependia da solidariedade e da igualdade, ambos frutos da moralidade. No século XIX o homem europeu rejeita a tutela da Religião e se dá o direito de examinar tudo, tornando-se difícil a conciliação entre a Religião e a comunidade científica. Os novos intelectuais acalentam um sonho: organizar cientificamente a humanidade (ISE, pág. 26 a 33). O Espiritismo também almeja modificar a humanidade.
No Livro dos Espíritos, Allan Kardec começa a delimitar o sonho espírita de uma sociedade feliz. No livro terceiro, Leis Morais, desenvolve as conseqüências filosófico-morais das descobertas científicas do mundo espiritual. Kardec e os espíritos desenham as diretrizes de uma sociedade humana feliz. O limite do trabalho é o limite das forças, e o forte deve trabalhar para o fraco (LE, p. 683 e 685-a), uma referência nítida à finalidade de nossas vidas: trabalhar e solidarizar com o próximo. O homem não pode retroceder, e busca a sociedade, por instinto, para progredir. A finalidade da sociedade é promover o progresso de todos os indivíduos. Este progresso é irresistível e depende do progresso moral desencadeado pelo progresso intelectual. Reforça o papel da inteligência para o desenvolvimento humano: aquisição da racionalidade para tornar o espírito capaz de escolher entre o bem e o mal. O conhecimento intelectual é insubstituível, mas, em contraponto, identifica o orgulho e o egoísmo como os maiores obstáculos ao progresso, concluindo que a sociedade só conduz ao progresso através da ajuda mútua (LE, p. 767, 778, 780-a, 785).
Para não deixar dúvidas sobre sua preocupação social, Kardec constrói 3 capítulos apoiados no lema da Revolução Francesa do século XVIII, a utopia social da modernidade: Liberdade, Igualdade e Fraternidade (capítulos IX, X e XI). A desigualdade das condições sociais é uma lei humana que deve ser destruída. Igualdade social não significa igualdade de riquezas, a qual é impossível “devido às diversidades de faculdades dos indivíduos”. Buscar a igualdade de riquezas é buscar a felicidade no lugar errado. O que realmente traz a felicidade é a igualdade de bem-estar, a qual pode ser alcançada pela igualdade de oportunidades, a possibilidade de cada um escolher ajudar a sociedade como desejar, e não ser obrigado a fazer o que não gosta devido à baixa remuneração ou falta de alternativa. Porque “o verdadeiro bem-estar consiste no emprego do tempo de acordo com a vontade” (LE, p. 806, 811, 812). Imagine alguém poder decidir ser lixeiro porque gosta, pois a sociedade respeita a profissão, a remuneração permite a vida saudável de sua família e oferece a possibilidade de seus filhos serem o que quiserem!
A liberdade absoluta dos atos é impossível, “porque nós necessitamos uns dos outros”. Porém, alicerçado na filosofia racionalista, que valoriza a iniciativa intelectual e o julgamento humano dos fatos, afirma que somente o pensamento goza de liberdade absoluta. Em contra posição dialética ao pensamento, temos a ação, a qual deve ser orientada pelo sentimento de justiça, de respeito aos direitos de cada um, e só pode ser praticada com amor e caridade ao próximo. Quando, para opinarmos sobre questões cotidianas, integramos o conceito de amor, liberdade e igualdade, nossas idéias sofrem mudança radical. Para exemplificar, vejamos a definição kardequiana de propriedade legítima, uma questão delicada em nossa sociedade capitalista: uma propriedade será legítima somente se “foi adquirida sem prejuízo para os outros”. (LE, p. 825, 833, 840, 875, 879, 884).
No início do século XX, Léon Denis, em continuidade ao pensamento de Kardec, classifica a filosofia social espírita e seu modelo de sociedade feliz como: “um socialismo etéreo, baseado sobre as regras absolutas da justiça e sobre as leis da consciência e da razão”. Devemos destacar que para Denis o Socialismo é “compreendido como o estudo e a aplicação de meios susceptíveis de melhorar a situação material, intelectual e moral da Humanidade”. Proclama que “o Espiritismo, o Socialismo e o Cristianismo devem dar-se às mãos”, pois “do Espiritismo pode nascer o Socialismo Idealista” (SE, pág. 31, 56, 100), ou seja, um socialismo que acredita na existência do modelo perfeito proveniente do pensamento divino e que pode ser descoberto e praticado pelo homem.
Como construir a sociedade ideal?
O pensamento de Allan Kardec evolui das propostas de seu mestre Pestalozzi, o qual foi discípulo de Rousseau. Para acreditarmos nestas idéias precisamos acreditar em algumas premissas: o homem é potencialmente bom, a sociedade é perfectível, a eficácia da mudança social está na ação educacional e não na mudança econômica ou na imposição política (ISE, pág. 80 a 84). Kardec nos convida a começar o trabalho deste edifício social pela base: a fraternidade. A fraternidade é a mãe da igualdade, e estas, unidas, constroem a liberdade. A igualdade sem fraternidade causa “o abate do grande pelo pequeno”. “A liberdade sem fraternidade dá liberdade a todas as más paixões”. (OP, pág. 229 a 233). Estas afirmativas confirmaram-se pelas experiências posteriores do comunismo e do liberalismo capitalista. Um grupo de filósofos do final da primeira metade do século XX, denominados de Escola de Frankfurt, também concorda que a Humanidade experimentou a liberdade e a igualdade, porém a felicidade social não foi alcançada pois faltou a fraternidade, e defende que a aplicação da fraternidade esta em marcha. A fraternidade pode ser conceituada como “a cooperação sincera e legítima em todos os trabalhos da vida” (OC, perg. 350), “agir para os outros como gostaríamos que os outros agissem conosco” (OP, pág. 229). O inimigo da fraternidade é o egoísmo, e da igualdade, o orgulho (OP, pág.229 e 231).
Denis afirma que “a reforma social para ser mais segura e prática, deveria começar pela reforma do homem em si mesmo” (SE, pág. 65). Herculano Pires reafirma a mesma idéia 22 anos depois: “nenhuma reforma social será possível sem a reforma íntima e verdadeira dos indivíduos” (OR, pág. 35). Acreditamos que “a reforma do indivíduo deve conduzir à reforma da coletividade... e que o progresso do conjunto reaja sobre cada indivíduo” (SE, pág. 116). Mas como transformar o indivíduo? Karce, Denis e Herculano respondem em uníssono: através da educação. “O mais essencial seria dar ao povo uma educação baseada sobre uma doutrina espiritualista vasta e racional... É preciso, sobretudo, falar ao coração do homem, ensiná-lo a reconhecer a finalidade real da vida” (SE, pág. 51, 64). A educação não pode perder-se na simples instrução, deve atentar ao ensino da moral, aquela que “consiste na arte de formar os caracteres, aquela que cria os hábitos”. “À medida que os homens se esclarecem sobre as coisas espirituais, dão menos valor às materiais, em seguida, é necessário reformar as instituições humanas... Isso depende da educação”. Deste modo, o Espiritismo poderá concretizar sua grande contribuição para o progresso da humanidade: “destruindo o materialismo... destruindo os preconceitos de seita, de casta e de cor, ensina a grande solidariedade” (LE, p. 685-a, 799, 914).
Tomada de Atitude
Herculano Pires completa, com vigor, o convite à ação social: “Cada espírita ao compreender a grandeza da finalidade doutrinária – transformação moral, social, cultural e espiritual do nosso mundo – assume um grave compromisso com sua consciência”. O Espiritismo se serve de 3 elementos para transformar nosso mundo: “amor, trabalho e solidariedade”. A solidariedade espírita, também poderíamos dizer fraternidade espírita, apresenta 3 dimensões: “no plano social geral da comunidade espírita”, desde a comunidade limitada ao centro espírita até a comunidade espírita mundial, “envolve todas as criaturas vivas”, na família, no trabalho, os seres racionais e irracionais, e “eleva-se aos planos superiores... a todos os espíritos esclarecidos” (CDE, pág. 108, 112, 118).
Educar o caráter, intelectualmente pela compreensão da vida futura e afetivamente por suas conseqüências morais, desenvolvendo e praticando a fraternidade em todos os ambientes de nossa vida. Este é o convite espírita, esta é a missão do espírita. Repensemos em nossos projetos profissionais e familiares e de nossas sociedades espíritas, eles se fundamentam na educação e na fraternidade? Emmanuel insiste em nossa tomada de atitude imediata: “é imprescindível estudar educando, e trabalhar construindo” (RE, pág. 68). Saiamos da inércia! “Comumente inventamos pretextos para recusar os deveres que nos constrangem ao exercício do bem: confessamo-nos incompetentes, alegamos cansaço, afirmamos-nos sem tempo, declaramo-nos enfermos, reclamamos cooperação”. “Meditamos em todos os que se encontram suando e sofrendo, lutando e amando, no levantamento do futuro melhor” (LdaE, cap. 5 e 37). “Cultivemos a humildade, aprendendo a valorizar o esforço de nossos irmãos... e oferecendo à construção do bem de todos o melhor concurso de que sejamos capazes” (EM, cap. 49).
BIBLIOGRAFIA
CDE: Curso Dinâmico de Espiritismo – O Grande Desconhecido. J. Herculano Pires (1979?), Editora Paidéia, 4° edição, 2000.
EM: Encontro Marcado, Emmanuel – FC Xavier (1971), FEB, 2° edição, 1971
ISE: Idéias Sociais Espíritas, Cleusa Beraldi Colombo (1991), Editora Comenius e IDEBA Editora, 1° edição, 1998.
LdaE: Livro da Esperança, Emmanuel – FC Xavier (1964), FEB, 12° edição, 1992.
LE: Livro dos Espíritos, Allan Kardec (1857), LAKE, 34° edição, 1975.
OC: O Consolador, Emmanuel – FC Xavier, FEB, 5° edição.
OP: Obras Póstumas, Allan Kardec (1869), IDE, 1° edição, 1993.
OR: O Reino, J. Herculano Pires, LAKE, 1946.
RE: Religião dos Espíritos, Emmanuel – FC Xavier (1960), FEB, 3° edição, 1974.
SE: Socialismo e Espiritismo, Leon Denis (1924), Casa Editora O Clarim, 1° edição, 1982.
NOVIDADES:
Estamos divulgando mensalmente os horários e endereços dos centros espíritas que possuem aulas de Evangelização Infantil.
Centro Espírita “Pai Jacob dos Santos”
Rua: Barão de Mauá, nº 188 – Vila Virginia
Aos domingos - das 8:45 às 10:00 horas
Participem, enviem-nos ou entreguem pessoalmente na Banca do Livro Espírita, os horários de sua Evangelização.
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PARA VOCÊ CRIANÇA - INCENTIVO A LEITURA
Livro : KIT - 05 Unidades
Autor: Robson Dias
Espírito: Vovó Amália
São cinco livrinhos, trazendo lições sobre afeto, paciência, coragem, amor e Deus.
Este Kit contém encantadoras histórias, muito coloridas, e destinadas à crianças à partir de 03 anos de idade.
CONVITE - SEMINÁRIO EVANGELIZAÇÃO INFANTIL
“Diga-me, eu esquecerei.
Mostre-me, eu lembrarei.
Envolva-me, eu entenderei!
II MÓDULO
DATA: 10 DE Junho de 2006.
LOCAL: Sociedade Espírita “Allan Kardec”
Rua: Monte Alverne, nº 667 – Vila Tibério
HORÁRIO: 15:00 Horas
Inscrições e Informações na Banca do Livro Espírita com Srta Elidia - Fone: 3610-1120
PARA VIVER BEM É PRECISO:
Respirar profundamente diante de algum problema, para que possamos pensar antes de responder ou resolver!
Manter a calma para o bom funcionamento de nosso corpo!
Aprender a escutar tudo o que está em nossa volta e reter apenas o que nos levará a bons aprendizados!
Adquirir o hábito das boas leituras, alegres e instrutivas.
Equilibrar os nossos pensamentos admirando a criação Divina, observando a Natureza!
Respeitar a tudo e a todos, afinal todos somos filhos do mesmo Pai!
Não esquecer das palavras mágicas: POR FAVOR, MUITO OBRIGADO, COM LICENÇA, etc!
E principalmente utilizar sempre o remédio infalível da convivência: DIALOGAR!
PERGUNTE RESPONDA CONVERSE QUESTIONE ESCUTE DIALOGUE
ATIVIDADES:
1] Dinâmica de Grupo: À PARTIR 08 ANOS
OBJETIVO : Percepção e expressão de emoções, sentimentos e sensações ligadas a certos fatos.
MATERIAL: Cubo Conforme modelo abaixo. Você pode copiar ou fazer uma xerox ampliada
COMO APLICAR:
A} Este jogo pode ser um momento bom para falarmos de muitas coisas que andam guardadas, sobre as quais nem sempre se pode dialogar. Também é uma oportunidade de conhecermos melhor sobre nossos colegas.Explique com suas palavras.
B} Com todos os participantes sentados em círculo, conte que vamos fazer um tipo de “Jogo da verdade”. Cada um jogará o dado e completará a frase que cair para si.
C} Peça para cada um tentar identificar o que acontece no seu corpo, nestes momentos que descreve.
A Justiça Divina
José Argemiro da Silveira
De Ribeirão Preto,SP
“Com a medida com que medirdes sereis medidos” (Mateus, 7:1)
Encontramos nos ensinamentos de Jesus muitas passagens onde fica bem claro o esclarecimento sobre a lei de causa e efeito. “Todo o que comete pecado é escravo do pecado”(Jô.8:34) “Todos os que tomarem espada, morrerão à espada”(Mt. 26:52). “Se perdoarmos as ofensas recebidas, Deus igualmente perdoará nossos pecados” (Mt. 6:14-15). “O que quereis que vos façam os homens, isso mesmo fazei vós a eles”(Lc. 6:31) A humanidade poderia estar em melhor situação, mais evoluída espiritualmente, se esses ensinos tivessem sido compreendidos e praticados. As pessoas se tornariam mais responsáveis, mais honestas, mais cumpridoras dos seus deveres. Entretanto, isto não ocorreu. A compreensão da lei de causa e efeito, ou ação e reação, nos faz sentir que somos os construtores dos nossos destinos, e que, portanto, cabe a cada um, trabalhar para melhorar o seu futuro. A lei funciona sempre como as leis que disciplinam os fatos materiais: lei de gravidade, de astronomia, de biologia, etc. Tudo o que fazemos, por atos, palavras e pensamentos produz um resultado correspondente.
Para se compreender bem o mecanismo da lei de ação e reação é necessário admitir a pré-existência da alma, ou seja, a vida do Espírito antes da existência física atual. Só na existência atual, efetivamente, não há como entender o princípio de causa e efeito. Se admitirmos que todos partimos de um mesmo ponto, criados iguais por Deus, sem conhecimento, sem desenvolvimento, mas com um potencial, com capacidades a serem desenvolvidas, tudo fica compreensível. Se pela criação se conhece o Criador – tal como pela obra se conhece o artífice – a reencarnação é um pressuposto indispensável para aceitarmos a bondade e a justiça do Supremo Pai. Ora, um pai trata igualmente os seus filhos. E o Pai não criaria alguns filhos dotados de grande inteligência, enquanto outros arrastam a tragédia da debilidade mental ou da idiotia. Um pai ama igualmente os seus filhos. E o Pai não daria vitalidade e saúde para uns, e deformidade e doença para outros. Deus não pode ser injusto. Não podemos imaginar um Deus que protege alguns de seus filhos em detrimento de outros. Deus não pode ser injusto. Não se pode admitir que o Criador distribua flores aos filhos que abençoa e espinhos aos que deserda. Quem pensa isto não conhece a lição luminosa de Jesus, ou se a conhece, distorceu-a até os limites do absurdo. Afirmou o Mestre: “Qual dentre vós é o homem que, pedindo-lhe pão o seu filho, lhe dará uma pedra? E, pedindo-lhe peixe lhe dará uma serpente? Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas coisas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará coisas boas aos que as pedirem!(Mt. 7:9-11)
Se admitirmos que todos partimos do mesmo ponto, em igualdade de condições, com um potencial a desenvolver, compreenderemos que devemos ser bons e evitar ser maus por causa da nossa própria realização e aperfeiçoamento. O Pai nos dá tarefas, as condições adequadas, para desenvolvermos as faculdades, atualizar as potencialidades. Cabe a cada um apressar o seu progresso, e conseqüentemente a conquista da felicidade.
As diferenças individuais se referem ao grau evolutivo de cada um. Ou porque já viveram mais, ou porque aproveitaram melhor o tempo, já cresceram mais em conhecimento e virtudes. Daí os predicados que parecem beneficiar uns em detrimento de outros, mas, a injustiça é aparente. Ocorre porque só vemos o presente. Na verdade, cada um constrói o seu destino. O presente é resultado do passado, assim como no dia de hoje estamos construindo o amanhã. A cada um segundo suas obras como ensinou Jesus
Huberto Rohden, filósofo e sábio brasileiro, foi sacerdote durante cerca de 30 anos. Depois deixou a Igreja, tornando-se um pensador independente. Ele escreveu: “o homem medianamente sensato não se tornará melhor por promessa de prêmio, ou ameaça de castigo póstumo, por dois motivos: 1º) porque os mais sensatos não acreditam no céu ou no inferno da teologia; 2º) porque os crentes nesses lugares póstumos sabem, de acordo com as próprias teologias, que bastam 5 minutos de arrependimento ou confissão para cancelar 50 anos de crimes e maldades. Ninguém se sujeitaria a meio século de vida honesta, em vez de alcançar um céu eterno em 5 minutos”
Se na infância e na adolescência da humanidade o homem preferiu se iludir com teorias que lhe acenavam com conquista da “salvação” rapidamente, de maneira até bastante fácil, hoje que já crescemos um pouco mais, que nos achamos amadurecidos, é tempo de encararmos a realidade. Estudar, meditar, e procurar compreender os ensinos do Mestre Jesus, empenhando-nos para afeiçoarmos nossas vidas a eles, única maneira de realizarmos nossa evolução espiritual. Edificar o “reino de Deus” em nós, como disse o Mestre.
Todos os anos, por ocasião da proximidade das comemorações de homenagem às Mães, muitas reflexões surgem no âmbito sócio-religioso, visando estimular e orientar a mulher no desempenho do difícil papel de mãe.
No meio espírita não tem sido diferente e queremos deixar aqui a nossa despretensiosa contribuição, ressaltando a importância da função educadora da mulher que é mãe.
A Doutrina Espírita esclarece-nos que o vínculo entre mãe e filho surge desde antes mesmo da concepção, quando o Espírito reencarnante é aproximado do futuro ambiente familiar e, em especial dos futuros pais, para que se formem os primeiros laços afetivos necessários ao sucesso das medidas reencarnatórias empreendidas pelos Espíritos responsáveis por tal processo.
Não à toa, o Espírito do filho é mantido ligado ao corpo em formação dentro do útero da mãe, estabelecendo com ela uma proximidade e uma integração fluídica tão estreita, que proporcionará a ambos o íntimo compartilhamento de emoções necessárias ao desenvolvimento da justa afetividade que poderá, inclusive, durante o período de gestação, minimizar laços de inimizade, rancor, raiva, insegurança e vingança que possam emergir do passado em comum de ambos.
Os avanços da ciência hoje já comprovam-nos essa realidade, demonstrando as reações emocionais e físicas do feto perante estímulos os mais diversos, durante todo o seu desenvolvimento embrionário. Experimentos em torno do aleitamento materno têm demonstrado também, que a amamentação desenvolve a afetividade entre mãe e filho, além de contribuir para o desenvolvimento de um caráter mais autoconfiante no futuro jovem.
Necessário é, no entanto, que os vínculos de amor entre mãe e filho, que se iniciam desde muito cedo, se desenvolvam de uma forma muito positiva e atuante ao longo de toda a encarnação atual e, porque não pensarmos, por toda a existência (que, como sabemos, se estende pela espiritualidade afora e por inúmeras outras encarnações)?
Muitos são os benefícios que sobrevêm dessa vinculação afetiva, mas, sem dúvida alguma, o mais importante é o papel educador que a mãe consciente poderá exercer sobre seu filho.
Na visão espírita, Educação é todo tipo de influência que um espírito puder exercer sobre outro, visando o despertar de suas potencialidades espirituais, tão necessárias à sua evolução. Sendo assim, a figura da mãe poderá, em muito, contribuir para a educação de seu filho, com a sua palavra orientadora e amiga, com seus exemplos dignificantes e verdadeiros, com seu amor conciliador, capaz de modificar suas disposições infrutíferas e reerguer seus ânimos abatidos pelas lutas cotidianas.
É claro que o sucesso da mãezinha no desempenho se tão árdua e importante tarefa dependerá, principalmente, de sua disposição sincera em moralizar-se interiormente, empenhando para isso, todo esforço ao seu alcance, no sentido de trabalhar as transformações espirituais possíveis e necessárias à sua própria evolução atual.
Nos tempos atuais, em que a mulher luta por estabelecer-se profissionalmente com competência e dignidade, ausentando-se por longo período do convívio familiar, torna-se urgente e inadiável o desempenho de sua função de mãe com o mesmo empenho, não apenas no desenrolar das atividades domiciliares rotineiras junto aos familiares amados, mas principalmente, no cumprimento das atividades educadoras junto aos filhos, reconhecendo ser esse um papel intransferível, mesmo que encontre auxílio junto à avó amorosa ou à empregada dedicada.
Para tanto, não importa muito o número de horas, mas a “qualidade” dessas horas dedicadas à troca de experiências e de convivência íntima salutar junto aos filhos. Esses momentos de lazer, de conversação edificante, de orientação, de estudos variados, de cuidados diversos, precisam se revestir de todo carinho, amor, dedicação e paciência de que puder dispor a mãe, para que eles se transformem nas melhores horas de seu dia-a-dia, por serem as suas horas mais gratificantes e empreendedoras.
Daí então, o vínculo afetivo que se iniciou entre mãe e filho antes mesmo que ele viesse à luz, se desenvolverá e se efetivará num relacionamento profundo, verdadeiro e duradouro, cujos frutos serão a parceria, a confiança e o amor mútuos, condições essas essenciais ao bom aproveitamento das oportunidades oferecidas pelo Pai, ao longo de suas vidas, para o crescimento espiritual de ambos.
Márcia Pacciulio
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