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Março de 2006, edição n°. 242
Jornal Eletrônico Verdade e Luz

Índice

O Que Vem Por Aí?
Olhar para o futuro
Filhos ou Servos
Efemérides do mês
Aprendendo a amar
Quando há Evangelho no Lar
Coordenação de palestras
Jesus veio para todos
Existência de Deus
Paciência
A fé e seu poder
Reflexões sobre o orgulho
As crianças da nova era e a pedagogia espírita

 

 

 

 

 

 

O QUE VEM POR AÍ?

Mais um ano se foi. Como passou depressa! Com todos que conversamos, em casa, na rua ou no trabalho, a sensação parece ser a mesma: o tempo está correndo depressa demais… Dos planos feitos para 2005, numa passada de olhos, muita gente reconhece que poucos foram integralmente realizados.

A parte boa da história parece ser que vem aí outro ano, 2006, e podemos recomeçar de novo. Mas uma reflexão se faz necessária. Quantas vezes o mesmo plano foi deixado para trás? Quantas vezes recomeçamos a mesma proposta, e ela acabou morrendo no decorrer do ano?

O que é preciso para mudar isso? Um processo de transformação é lento, mas não parado. Se algo não for feito, a transformação, o crescimento não ocorre, e ficamos estacionados naquele ponto, com a desculpa de que é difícil…

Ter um plano implica consciência do que somos e fazemos, e também do que precisa ser diferente.

O ano que se descortina à nossa frente será de oportunidades de reflexão e mudanças. Da copa às eleições, muitos acontecimentos envolverão todo o país, e nos chamarão a tomadas de posição que implicam posturas e firmeza nas atitudes. Nossas ações estarão divulgando a Doutrina Espírita e mostrando ao mundo caminhos possíveis para um mundo melhor. Vejam aí a responsabilidade que assumimos como espíritas e como seres humanos engajados na transformação do mundo para melhor.

Não se trata só da nossa mudança e do nosso crescimento, mas de todo o grupo do qual fazemos parte, uma vez que as ações de cada um de nós repercutem no outro e na sociedade em que vivemos. As transformações sociais começam assim.

Pense nisso. Pense agora.



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Olhar para o futuro

A aproximação de um novo ano nos enseja a fazer um retrospecto e avaliar o que realizamos no ano que findou, em termos materiais, morais e espirituais, no campo pessoal, familiar, labores espíritas e atividades profissionais.

Avaliar é uma atitude saudável que nos possibilita verificar os acertos e desacertos e, paralelamente, repensar conceitos, redirecionar ações bem como determinar novos objetivos.

Neste aspecto, as pessoas, as famílias, bem como as sociedades espíritas têm muito a fazer, em função das constantes e acentuadas mudanças de toda ordem, que estão ocorrendo, à sua volta.

Como atender de maneira coerente com a Doutrina Espírita às responsabilidades que são de nossa alçada, como pais e dirigentes de instituições e fazer valer os conceitos cristão-espíritas?

Sem esse balanço, torna-se difícil olhar para o futuro e planejar ações que possam concorrer para o equilíbrio e o fortalecimento dessas instituições.

Quem pensa que o futuro é algo que já existe e fica na expectativa de encontrá-lo sem esforço, certamente sofrerá grandes decepções.

O futuro começa a ser construído no presente, somando conquistas positivas do pretérito às ações coerentes às Leis Divinas do presente.

E por que olhar para o futuro?

Simplesmente, por que é da Lei Natural avançar e vislumbrar novas perspectivas que possam oferecer contribuições para um mundo melhor.

O tema exige reflexão e ação, ainda hoje.



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Filhos ou Servos
JOSÉ ARGEMIRO DA SILVEIRA
de Ribeirão Preto, SP

"Disseram os discípulos ao Senhor: Aumenta-nos a fé! Respondeu-lhes Jesus: Se tiverdes fé, que seja como um grão de mostarda, e disserdes a esta amoreira: arranca-te e transplanta-te para o mar, ela vos obedecerá". (Lucas, cap. 17, vers. 5 e seguintes)

Há pessoas que duvidam do valor da fé. Até dizem que o importante não é ter fé, mas saber, conhecer. Essas pessoas confundem fé com crença. Ensina Huberto Rohden: "A nossa palavra "fé" vem do termo "fides", radical de fidelidade. Fé é, pois, uma atitude de fidelidade, harmonia, sintonia. Quando o meu aparelho de rádio está sintonizado com a onda eletrônica emitida pela estação emissora, então o meu rádio apanha nitidamente a música irradiada pela emissora – meu rádio tem "fé", fidelidade, alta fidelidade, com a estação emissora. Mas, quando o meu aparelho receptor não está afinado pela mesma freqüência vibratória da emissora, não apanha a música, porque não tem "fé", fidelidade, sintonia. A "crença" nada tem que ver com a fé. A crença, substantivo derivado do verbo crer, é uma opinião vaga, incerta, indefinida. Assim como quando alguém diz: creio que vai chover, creio que fulano morreu". (1)

Após Jesus afirmar o valor da fé, esclarecendo que nada é impossível ao que tem fé, contou uma pequena parábola que parece não estar relacionada com o assunto, mas, na verdade, o Mestre, nessa parábola está ensinando como obter ou aumentar a fé. Ele fala de alguém que, possuindo um escravo, este depois de trabalhar todo o dia no campo, volta para casa à tarde, e ainda vai limpar a casa, fazer o jantar, enfim realizar várias outras tarefas. Depois de tudo isso, o escravo não recebe nenhum pagamento pelo seu trabalho, nem elogio, nenhuma outra recompensa, pois, como escravo, ele só cumpriu o seu dever. E conclui Jesus: Assim também vocês. Depois de fazerem tudo o que devia ser feito não devem esperar nenhum tipo de pagamento, pois apenas cumpriram o seu dever.

Jesus nos ensina, assim, que desenvolvemos a fé em nós, através do trabalho no bem, sem esperar retribuição. Não basta fazer o que devia ser feito; realizar todas as tarefas. Importante observar como isso é feito. Quando se faz e se envaidece , ou quando se espera reconhecimento, gratidão, elogio, algum tipo de pagamento é como se a pessoa estivesse se colocando como credora da lei. Ela está servindo a si, e não a Deus. O interesse dela não é o mesmo do Pai e isto dificulta aquela sintonia mencionada acima. Ela está se colocando como servo e não como filho de Deus. O servo não fica para sempre na casa; o filho fica para sempre (João, 8:35). Ao se colocar como servo, ela fica aguardando retribuição. Os interesses dela são diversos do Pai. Está pretendendo servir a dois senhores, a Deus e a si mesmo, fato impossível de ser praticado como diz Jesus em Mateus, 6:24 – Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou há de odiar um e amar o outro ou se dedicará a um e desprezará o outro. O filho tem interesse em comum com o Pai, permanece sempre na casa paterna. Trabalha sem visar pagamento, porque o que é do pai é do filho. Por outro lado, as necessidades do filho são atendidas sem restrições pelo pai que não avalia o trabalho do filho para dar-lhe o de que necessita. Mesmo que esse atendimento signifique o gasto de elevadas somas, o pai não mede esforços. Tudo faz pelo filho. Entre os dois o interesse é comum. Daí a sintonia, a fidelidade, como citado.

O bem que se faz aos irmãos em humanidade, seja perdoando, tolerando, compreendendo, ou auxiliando, visando minorar-lhes as dores, se feito sem motivo de envaidecimento e sem visar retribuição, é a condição que criamos para receber o auxílio da misericórdia divina, abundante e que nos favorece sem medir nosso provável merecimento. É a tão desejada conexão com o Divino, ou o fortalecimento da fé, a sintonia com os poderes superiores do Bem.

Reflitamos: Como temos nos posicionado perante o Pai Celestial – Como filhos ou como servos?



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Efemérides do mês
VERA GAETANI
de Ribeirão Preto, SP

Aniversário da Federação Espírita Brasileira

O "Reformador" de 1.º de janeiro de 1.884 anunciou: "Acha-se em via de organização a Federação Espírita Brasileira".

O anúncio referia-se a uma reunião realizada em 27 de dezembro de 1883, na residência de Augusto Elias da Silva, proprietário do "Reformador", o qual convidou para a reunião os companheiros que mais o auxiliavam no citado órgão da imprensa espírita.

Nessa noite memorável, em sessão preparatória, firmou-se entre os presentes o ideal de fundar-se uma nova Sociedade, que federasse todos os Grupos Espíritas, através de um programa equilibrado e que difundisse por todos os meios o Espiritismo, principalmente pela imprensa e pelo livro.

Nessa mesma reunião foi aclamada uma diretoria provisória, para gestão até o próximo dia 02 de janeiro, quando Augusto Elias da Silva reuniu os membros instaladores e procedeu à eleição e posse da primeira diretoria, na forma do regulamento aprovado.

O primeiro presidente da FEB foi o major Ewerton Quadros e o primeiro tesoureiro, Augusto Elias da Silva.

Outra reunião realizou-se no dia 09 do mesmo mês, consignando-se em ata um voto de agradecimento ao proprietário do "Reformador", pela cessão desse periódico à Federação espírita Brasileira, voto esse extensivo ao sócio fundador Sr. Pedro da Nóbrega.

No dia 15 do mesmo mês, Augusto Elias da Silva assim escrevia no "Reformador": "Apresentando-se hoje uma Sociedade bem constituída, à frente do movimento programador das sublimes doutrinas do Cristianismo Verdadeiro, entendemos do nosso dever entregar a direção do "Reformador" a esses vigorosos trabalhadores que, dispondo de vários recursos intelectuais e materiais, são um penhor de prosperidade para o modesto órgão que tão imperfeitamente temos dirigido".

***

Neste sucinto relato lembrando a data de fundação da FEB, um nome foi intencionalmente repetido sempre em destaque, como homenagem àquele que foi, no dizer de Manuel Fernandes Figueira, "quem teve a idéia, levou-a efeito e por muito tempo foi a alma dessa instituição".

Elias da Silva era português e veio para o Brasil, em data que não foi possível precisar, na condição de fotógrafo profissional .

Converteu-se ao Espiritismo através de fenômenos mediúnicos que investigou e achou-os verdadeiros. Quando começou a estudar a Doutrina Espírita, rápida e profundamente apreendeu-lhe os vários aspectos. Logo também sentiu a necessidade de um órgão de propaganda espírita e, mesmo conhecendo as dificuldades que encontraria, lançou o "Reformador", em 21 de janeiro de 1883, com os recursos do seu próprio bolso.

Elias da Silva desencarnou em 18 de dezembro de 1903, aos 55 anos de idade.

Fonte: Wantuil, Zêus – Grandes Espíritas do Brasil.



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Aprendendo a amar
MARLENE FAGUNDES CARVALHO GONÇALVES
de Ribeirão Preto, SP

"O amor (…), esse sol interior, que reúne e condensa em seu foco ardente todas as aspirações e todas as revelações sobre-humanas". ¹

Temos aprendido na Doutrina Espírita que todos nós trazemos, no fundo de nossas almas, o amor, talvez de forma ainda incipiente, mas já presente, como legado de Deus para nós, seus filhos. Fenélon, no Evangelho Segundo o Espiritismo, diz que "O amor é essência divina. Desde o mais elevado até o mais humilde, todos vós possuís, no fundo do coração, a centelha desse fogo sagrado." ²

Falta-nos, então, saber como alimentar tal centelha, como transformá-la naquele sol interior que nos aproxima de nossos semelhantes, permitindo-nos sentir uma felicidade e a sensação de proximidade com Deus. Como transformar aquele amor egoísta por nossos filhos e familiares, ou até mesmo por nossas coisas materiais, num amor poderoso, capaz de transformar o mundo?

Humberto de Campos, no maravilhoso livro Boa Nova ³, traz algumas lições que ele próprio diz ter aprendido em uma das Escolas do Evangelho, no plano espiritual. Dos milhares de episódios que por lá circulam, sobre a passagem de Jesus na Terra, ele apresenta trinta casos, repletos de ensinamentos. A síntese de todos eles: o amor.

Mas vamos refletir sobre um episódio especial, que traz essa lição de amor com extrema beleza: Maria.

O autor conta que Maria estava ao pé de Jesus, na cruz, no momento extremo de sua agonia. Ela relembrava todos os momentos por que passara junto àquele que deu à vida por todos nós: lembrava do seu nascimento, de sua infância, do amor infinito que ele trazia a todos. Embora resignada e aceitando a vontade de Deus, em seu íntimo sofria ao ver tal agonia. João, o apóstolo, junto a ela, buscava também a luz do olhar do Mestre querido, ambos em profundo desalento. "– Meu filho! Meu amado filho!… – exclamou a mártir, em aflição diante da serenidade daquele olhar de melancolia intraduzível. O Cristo pareceu meditar no auge de suas dores, mas, como se quisesse demonstrar, no instante derradeiro, a grandeza de sua coragem e a sua perfeita comunhão com Deus, replicou com significativo movimento dos olhos vigilantes: – Mãe, eis aí teu filho!… – E dirigindo-se, de modo especial, com um leve aceno, ao apóstolo, disse: – Filho, eis aí tua mãe!" (Boa Nova, pág. 198) ³.

Maria põe-se a chorar, e João entendeu ali, naquele momento, a lição de Jesus: o amor não deveria restringir-se ao círculo familiar, mas expandir-se para toda humanidade, como amor universal.

Algum tempo depois, sem esquecer daquele momento mágico, João e Maria, como filho e mãe, juntos em Éfeso desenvolveram um trabalho belíssimo. Maria contava a todos suas lembranças da vivência com Jesus, seus exemplos e atitudes. João comentava as lições do evangelho.

Mas, mais que isso, era o amor que estava sendo expandido. Maria era vista como mãe de todos, e assim a chamavam: mãe santíssima. Cada criatura que a procurava com dores, sofrimentos, doenças ou desespero era recebida por ela, que sempre tinha um bálsamo para todos. Aquela confiança filial que lhe dedicavam era um tesouro do coração, trazendo-lhe paz e felicidade. Maria conseguiu ampliar aquele sentimento que nutria por seu filho, alcançando todos aqueles irmãos necessitados que a buscavam.

Ela punha em prática a lição do Evangelho, na qual Fenélon ensina: "para praticar a lei do amor, como Deus a quer, é necessário que chegueis a amar, pouco a pouco, e indistintamente, a todos os vossos irmãos. A tarefa é longa e difícil, mas será realizada. Deus o quer". ²

E nós, que estamos longe ainda de tal modelo de ação e renúncia? Podemos começar devagar, construindo esse amor, através de pequenos atos para com aqueles que não nos são caros ainda, mas que convivem de alguma forma conosco: proporcionando a eles alguma alegria, buscando compreender as razões das suas ações, deixando de ser tão intransigente, e, claro, tentar atender aquela máxima: fazer aos outros aquilo que gostaria que fizessem a você!

Ao provocar essas mudanças, nossas relações com essas pessoas vão se alterando, os nossos sentimentos vão se depurando, o amor vai crescendo e se instalando, nos aquecendo e transformando-se ele próprio naquele foco ardente, capaz de alcançar todos à nossa volta.

Toda mudança exige um tempo, persistência, e trabalho. Por que essa, a mais importante, seria diferente?

Essa tentativa já seria um bom começo para o trabalho de desenvolver aquele germe de amor, depositado em nosso coração. Seria também um primeiro passo para um mundo melhor, pois, como dizia Fenélon ²: "Os efeitos da lei do amor são o aperfeiçoamento moral da raça humana e a felicidade durante a vida terrena (…) Este é um imã a que ele não poderá resistir, e o seu contato vivifica e fecunda os germes dessa virtude, que estão latentes em vossos corações".

Fenélon termina sua mensagem fazendo um apelo: "Queridos irmãos, utilizai como proveito essas lições: sua prática é difícil, mas delas retira a alma imenso benefício. Crede-me, fazei o sublime esforço que vos peço: 'Amai-vos', e vereis, muito em breve, a Terra modificada tornar-se um novo Eliseu, em quem as almas dos justos virão gozar o merecido repouso". ²

Referências Bibliográficas:

1. KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. XI, item 8.

2. KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. XI, item 9.

3. XAVIER, Francisco. C., pelo Espírito Humberto de Campos. Boa Nova. FEB. Cap. 30.



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Quando há Evangelho no Lar
FERNANDA RIPAMONTE
de Ribeirão Preto, SP

Quando completei cinqüenta e quatro anos nesta existência, encontrava-me no limiar de uma nova experiência. Tive até ali um modelo que fui seguindo e que norteava meus caminhos, escolhas e decisões. Mesmo sendo possuidora de autonomia e independência, que me foram conferidas pela educação que recebi, sentia-me, por vezes, livre e por outras, subordinada aos preceitos que me orientavam a conduta e a convivência, seguindo passos que asseveraram posturas e resultados pela vida. Minha nova experiência era por estar seguindo, a partir de então, desprovida do modelo que me foi mais proximamente oferecido por Deus: minha mãe. Os pais devem servir de exemplo para os filhos. Podemos ter nos escolhido, para sermos mãe e filha quando dos planejamentos reencarnatórios e creio que vi os exemplos que ela não se cansava de me dar. Desencarnou no dia em que comemoraria cinqüenta e quatro anos de idade. Foi uma pessoa inesquecível. Até que eu houvesse atingido a idade com que ela se despediu de nós, dificilmente se passou um dia em que eu não consultasse meus arquivos mentais a analisar, confirmar se ela teria agido desta ou daquela maneira em determinada situação. Onde, agora, o referencial de emoções do qual me utilizara antes de 1984? Como serão os dias de hoje? Onde a certeza de informações de amor que me garantiram alguns acertos e conseqüentemente tanto me auxiliaram na vida? Ela me apoiara com a segurança que me fora oferecida e que eu aceitara. Na comunicação intrínseca de nosso entendimento pleno e que se faz pelas vibrações sutis do pensamento. Pela aceitação. Jamais me arrependerei de ter aceito o que minha mãe me entregou, com as mãos, com o sentimento e com a razão. É o amor cumprindo seu papel. Escolheu muitas vezes na minha infância, o vestuário, a escola, o médico, o remédio… Permitiu tantas outras que eu escolhesse a maneira de pentear os cabelos, o presente de aniversário, os livros e os amigos. Recebia em casa as crianças da vizinhança e ensinava as meninas a fazer sapatinhos de tricô, os meninos preparavam teares de madeira para executar trabalhos manuais e confeccionavam pipas como outros brinquedos. Tudo iria compor doações para as instituições que ela tão bem conhecia. A campanha do quilo de alimento era trabalho de todos em recolher e encaminhar para a nascente instituição "Casas de Betânia"; depois a entrega no "Campo Aberto", onde nem arruamento existia, nos idos dos anos 60… A convivência com tantos companheiros, alguns entre nós, outros já, como ela, nos planos da espiritualidade, foi profícua. Caminhadas nas noites de sábado pelas habitações que compunham uma aglomeração sem recursos, necessitada de receber os caravaneiros que levavam lanternas nas mãos para iluminar os caminhos sem luz, e o Evangelho nos corações para acender a esperança…

Funcionária da Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto, fazia a folha de pagamento do Prefeito aos trabalhadores da limpeza pública… Dona Diva era muito respeitada e tinha uma alegria contagiante. Tudo que me ofereceu, no entanto, não supera o fato de me haver encaminhado à Escola de Evangelização, ou melhor, ao Catecismo do Centro Espírita (naquele tempo), me entregue às mãos amorosas de Elisabete Pasqualin, Américo Orlandi, Drina Boscaia Artioli, Maria Helena Barini, evangelizadores que me proporcionaram conhecer a Doutrina Espírita. A mãe e a avó de minha mãe eram espíritas, freqüentaram o Centro Espírita Joana D'Arc e os atendimentos do "seu" Emiliano Cardoso de Moraes, além de estarem sempre no Centro Eurípedes, onde hoje me encontro com minha família e os melhores amigos que tenho, na Unificação Kardecista de Ribeirão Preto. Freqüentaram o Centro Espírita Amor e Caridade Jesus e Maria e havia o Evangelho no Lar… Eu fui atrás delas, acreditar na imortalidade da alma, na oportunidade da reencarnação, entender nesta vida as conseqüências dos atos praticados em vidas passadas, aceitar o sofrimento, as provações, encontros e reencontros e não desistir do processo evolutivo. O que ela colocou em ordem nesta vida, se tivesse desaparecido com a morte, não poderia ser transferido às minhas filhas, aos sobrinhos, às netas… Há o Evangelho no Lar. Tudo permanece assim, como assim progride. Atravesso a barreira do tempo, em que dia a dia contei com a lição verdadeira do exemplo materno, ultrapasso a medida do tempo que ela viveu encarnada sempre desejando cumprir seus deveres, melhorar-se e tornar melhores seus filhos. Conseguiu quanto a si mesma; quanto a nós, legou-nos, além da oportunidade do reencarne, um caminho a percorrer e a certeza de que fomos e que somos muito amados. Quando meu irmão e eu nos encontramos sob o teto de um Centro Espírita, na busca da compreensão e vivência das leis de Deus, estudando a Doutrina codificada por Kardec; quando agradecemos a Jesus por ser, para nós, o Caminho, a Verdade e Vida, vislumbramos o reencontro com nossa mãe. Sentimos que esse encontro nos faz tão felizes, como felizes são os momentos abençoados de concepção e nascimento, por representar a oportunidade de resgate e progresso. Gratos somos a mãe querida, por termos estado juntos neste pequeno espaço de tempo, nesta jornada que prossegue com o amor que compartilhamos.



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Coordenação de palestras
ORSON PETER CARRARA
de Matão, SP

O movimento espírita tem assimilado bem uma necessidade premente de nossos dias: o ressarcimento das despesas de locomoção e hospedagem de expositores espíritas que se deslocam de suas cidades para as tarefas de divulgação espírita pela palavra. Vivemos outros tempos onde as condições econômicas do país já não permitem fácil deslocamento. Principalmente para os expositores que possuem agenda cheia e viagens longas e contínuas.

Muito mais que o simples ressarcimento das despesas do expositor, há outros itens importantes que nunca devem ser esquecidos. São procedimentos aparentemente pequenos, mas de grande importância para o bom êxito de uma tarefa de divulgação e relacionamento seguro entre o expositor e a instituição que o convida. Afinal a palestra ou seminário espírita é tarefa nobre, sem desprestígio das demais – já que todas são valiosas –, dentro das inúmeras atividades que caracterizam o movimento espírita. Citamos alguns:

a) Contato prévio para ajuste de horário, endereço, local ou referência de encontro;

b) Colocação de cone ou cadeira para reserva de vaga à frente da instituição ou em estacionamento próximo, quando se tratar de cidades maiores;

c) Cuidados quanto às refeições e deslocamentos internos do expositor quando este viajar de ônibus;

d) Quando possível, a troca de números dos celulares entre quem recepciona e quem chega, para avisos de última hora e possíveis desencontros ou ocorrências inesperadas;.

e) Recepção na chegada; companhia e acompanhamento no retorno à cidade de origem.

Claro que a lista poderá ser acrescida de outros itens, a depender do evento e até do expositor, em virtude de circunstâncias ocasionais. O que se deseja destacar é o cuidado que a atividade de divulgação espírita deve merecer daqueles que a organizam e a ela se dedicam. E posso afirmar, de mim mesmo, com que carinho e atenção o assunto tem sido tratado pelo movimento espírita, no geral.

Por outro lado, vale recordar o exemplo maior de divulgador da Boa Nova: o grande Paulo de Tarso. Aliás, o belíssimo livro Paulo e Estevão, que temos todos grande necessidade de ler e reler, tamanho seus ensinamentos, traduz lição inesquecível de dedicação ao bem, desprendimento e autêntica determinação nos propósitos de fidelidade ao Cristo. Mas, curioso, é exatamente nesta obra prima da literatura espírita que vamos encontrar referências claras sobre o ressarcimento de despesas com deslocamentos. É na segunda parte do livro – quando Saulo já se transforma em Paulo –, é que surgem orientações igualmente valiosas e específicas do apoio financeiro para as possibilidades das tarefas. Leremos, emocionados, a questão da provisão dos tarefeiros, dos vários núcleos fundados por Paulo, para que este pudesse continuar suas viagens; além, é claro, dos próprios recursos obtidos por Paulo no serviço de tapeçaria mas que nem sempre eram suficientes para atender grandes distâncias.

Igualmente vamos encontrar o médico Lucas financiando viagens e cedendo recursos para as tarefas de expansão da Boa Nova. Transcrevemos parcialmente da 10.ª edição, Segunda Parte, capítulo VI, pág. 405:

"(…) Paulo cientificou os companheiros logo pela manhã, não sem ponderar a extrema dificuldade da viagem por mar, baldo que estava de recursos. Entretanto concluía, que o Mestre não lhes facultaria o necessário". "(…) quando Paulo fixou o olhar numa casa de comércio, eis que Lucas estava lá fazendo compras". Depois de revelar ao companheiro a intenção de irem à Macedônia, mas que estavam sem dinheiro, respondeu Lucas. "Quanto a isso não te preocupes. Se não tenho fortuna, tenho vencimentos. Seremos companheiros de viagem e tudo pagarei com muita satisfação."

Mas o assunto não é só de ressarcimento de despesas. O assunto é mesmo a seriedade com que devemos assumir a tarefa espírita. Expositores, público, anfitriões, instituições, coordenadores de programação de palestras ou estudos, dirigentes e espíritas em geral: estamos todos convocados a espalhar o conhecimento e, óbvio, vivê-lo. E vivê-lo integralmente significa melhorar-se continuamente Isto faz lembrar trecho do livro A Esquina de Pedra, de Wallace Leal V. Rodrigues:

"Donnatto não tem dificuldades, compreende de pronto. Sente-se alimentado espiritualmente. Os conceitos que ouve, mesmo os mais singelos são flores preciosas de amor e de luz. Voltará amanhã, voltará em todos os dias de sua vida! – Perdoai-me, – diz humildemente à guisa de explicação, à saída – sou um escravo comum e desgraçadamente não tenho com que retribuir a Jesus o que me oferta e me ofertará, pois amanhã estarei de volta. – Ele não espera que retribuas, filho – Dizem-lhe. – Surgem, entretanto, dois deveres novos para ti. – E quais são? – Que não retenhas só para ti o que tenhas e que te modifiques à luz de tua fé. (…)"

Portanto, como propõe Cairbar em seu livro Médiuns e Mediunidades, no capítulo Deveres da Propaganda, "(…) os que têm o dom da palavra, falem, façam palestras públicas, conferências (…)", pois "(…) as (sessões) teóricas são para conversão dos incrédulos. Estes, despertados pela palavra espírita, por sua vez tratarão das sessões experimentais que o seu espírito de crítica e raciocínio exigem, a fim de tomarem conhecimento positivo dos fenômenos".

Estejamos na condição de expositores ou anfitriões, coordenadores ou ouvintes, dediquemos a maior atenção a esta poderosa ferramenta de divulgação espírita: a palavra.

Nota: A presente matéria é resultado de pesquisa e indicação de Américo Sucena e elaboração textual de Orson Peter Carrara.



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Jesus veio para todos
VERA GAETANI
de Ribeirão Preto, SP

Há uma página na literatura espírita que focaliza a diversidade entre as pessoas que Jesus convidou para a auxiliá-LO na divulgação da BOA NOVA e na conseqüente construção do Reino de Deus na Terra. Seu teor é, mais ou menos, o seguinte:

Os primeiros chamados foram Pedro e André, humildes pescadores. Como eles, também eram pescadores os dois convidados seguintes, Tiago e João, estes, na idade, bem mais jovens que os dois primeiros. Um dia, Jesus dirigiu-se à coletoria de Cafarnaum e convidou Levi, o futuro evangelista Mateus, homem culto, administrador de impostos. Fora do que se convencionou chamar de colegiado apostólico, Jesus atraiu muitas pessoas por sua pregação e, entre elas, duas mulheres que O procuraram pessoalmente: Maria de Magdala, a obsidiada de vários demônios, em quem ELE reconheceu quanto era real a sua sede do verdadeiro amor; e Joana, a admirável esposa de Cusa, caráter nobre, altamente colocada na sociedade de Cafarnaum. Jesus também chamou Zaqueu, homem muito rico. Em Betânia, visitando as irmãs de Lázaro, exaltou em Maria o valor da meditação mas também chamou Marta, a preocupada servidora doméstica. O Mestre ainda acordou Nicodemos, o mestre intelectual de Israel, ergueu Lázaro do túmulo e, no último dia, chamou para a esperança um ladrão crucificado.

Diante da diversidade das pessoas chamadas por Jesus, é natural que nos sintamos todos incluídos em seu convite, homens e mulheres, moços e velhos, cultos e incultos, ricos e pobres, virtuosos ou pecadores, pois ELE veio para todos.

Ao agradecer-LHE a mensagem de amor que trouxe para a Humanidade, procuremos vencer nossos preconceitos e aceitemos nossos irmãos em sua diversidade, como são, na condição em que atualmente estagiam, na certeza de que também nós precisamos da aceitação dos outros.



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Existência de Deus
ALINE PATRÍCIA DE OLIVEIRA
de Ribeirão Preto, SP

As leis propostas

Por nossa atual ciência

São materialistas e se baseiam

No que pode ser comprovado pela experiência

A lei de causa e efeito

É pela ciência aceita e provada

Porém, a existência de Deus

Dizem os cientistas que não pode ser comprovada

Mas se todo efeito tem uma causa

O universo e toda sua imensidão

Não pode ser efeito do nada

E sim obra de uma criação

E uma obra com tantos detalhes

Beleza e perfeição

Só pode ser efeito

De uma causa da mesma proporção

O sol, a chuva, os animais, as flores, as pedras

A humanidade, a beleza, a vida, o amor

Olhe, observe e sinta tudo que existe em torno de você

E com certeza vai perceber que isso é obra de Deus, nosso Criador!



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Paciência
LÉIA CONCEIÇÃO A. PANTONI
de Ribeirão Preto, SP

Cultivar a paciência

Eu sei, não é fácil não!

É preciso obediência

Paz e resignação.

Há muita coisa na vida

Que nos pede tolerância

E a gente se faz de esquecida

Sem lhe dar muita importância!

Tropeços do dia a dia

Problemas que não tem fim

Mais dor do que alegria

A vida é mesmo assim.

Porém, vale a pena insistir

Nesta virtude bendita

Para sua vida seguir

De forma bem mais bonita.



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A fé e seu poder
LEDA MARQUES BIGHETTI
de Ribeirão Preto, SP

Analisando a trajetória evolutiva identificamos o homem a caminhar dentro de horizontes e arrastando-os na seqüência existencial através das raízes em heranças. O que vai contribuir para que se liberte desses atavismos, será o conhecimento, permitindo este que cada um se analise, escolha e trace os caminhos da própria libertação.

Sob essa reflexões, teve o homem sempre a oportunidade de escolher caminhos?

Após a instalação do Cristianismo como religião oficial, com o predomínio da vida religiosa sobre as demais formas sociais, e, sobretudo, com a concentração do campo espiritual nos conventos e seminários, durante a Idade Média principalmente, o comum nas questões da fé, é a imposição dos pontos considerados de fundamental interesse ao pensamento humano e que devem ser aceitos como dogma de fé, incontestáveis, proibidos de serem discutidos, não se admitindo não só refutações como também simples trocas de idéias sobre os mesmos. A autoridade de quem dita o dogma é absoluta, infalível, definitiva e todo cristão deve acatá-la como expressão autêntica da verdade revelada.

Fé é chamada de virtude teologal, isto é, qualidade essencial para salvação e como tal deve-se aceitá-la, não importando o modo como se viva. Basta ter fé.

A vigência de tal estado, vem desaguar mais ou menos no século XVIII e se afirma em dois grandes movimentos: o materialismo, anterior ao Cristianismo, mas que se acentua por rejeitar a salvação pela fé. Na outra opção, firma-se a fé cega, que nada examina, tudo aceita, sectária, fanática e passiva.

Esse panorama no início do século XIX mescla-se ao lado das contestações nascentes, dos raciocínios que acirravam discussões em verdadeira oposição ao dogma. Lógica, razão, observação e experimentação vão caracterizar o pensamento da época. Questionam, buscam, refutam. Nesse clima, em face à tantas controvérsias, principalmente frente aos efeitos físicos que imperam, uma mente lúcida, personificada pelo professor Rivail procura a Verdade. Não o faz, nem dentro do materialismo, em nem na fé cega. Busca estudar através do campo científico. Aplica o método da experimentação: sem teorias pré concebidas observa, compara, deduz. Dos efeitos procura causas. Encadeia os fatos e só admite uma explicação como válida quando resolve ela todas as dificuldades de uma questão.

O conteúdo espírita, advindo dessa busca "(...) não pretende forçar convicção alguma, mas tão somente oferecer uma base racional de crença espiritual dos que não podem tê-la por não aceitarem as formas existentes (...)" 1

Tal afirmação é lógica, uma vez que a evolução vai fazendo com que as criaturas superem propostas ingênuas na procura de princípios mais claros na fé que esclarece satisfazendo a razão.

Como então, fé é entendida?

O vocábulo possui várias significações: pode ser entendido como crença, confiança, crédito, preceitos desta ou daquela religião ou fé pura, isto é, aquela que não diz respeito a nenhuma forma de crença ou seita em especial, mas que se traduz por segurança absoluta quanto ao que diz respeito à existência de um ser superior, Deus, sua justiça e misericórdia.

Seria esta a mais sublime como também a mais difícil de ser encontrada, pois se estabelece sob bagagem que fala de aprimoramento passado.

Ter fé nesse sentido, é ter convicções, certezas que ultrapassam o âmbito de uma sigla religiosa e que leva a que se vençam barreiras, porque não se sente sozinha, sabe por onde, porque e para onde caminha, repousada a sensibilidade em alegria íntima. Traduz certeza na Providência, confiança que leva a posicionar-se diante das lutas e conflitos com tranqüilidade e luz no coração.

Crer e ter fé, nesse caso, são a mesma coisa?

Não. Acreditar é expressão de crença, dentro da qual os legítimos valores da fé se encontram embrionários. O indivíduo admite sem exame, afirmações absurdas ou não, propostas estranhas ou dogmas. Age só pelo sentimento, no qual aceita sem verificação tanto o verdadeiro como o falso. Levada ao excesso, conduz ao fanatismo. No oposto, pode abolir o sentimento e só usar a razão. Encontrará fantasmas impiedosos que podem levar à negação, à obstinação e ao crime.

Na realidade, desenvolver fé, é alcançar a possibilidade de não mais dizer eu creio, mas afirmar eu sei, com todos os valores da razão e do sentimento.

Essa fé – eu sei – não caminha sozinha e ao exercer-se, desenvolve outros aspectos, considerados estes como virtudes uma vez que essa fé não existe sem a paciência, esperança, humildade, persistência, sem o entendimento racional, daquele que crendo, sabe.

Como efeito, teremos um homem desperto nos sentimentos nobres; torna-se empolgante; traduz certezas, exprime confiança na disposição sadia daquele que entendendo, confia, trabalha e aguarda.

Fé – razão e sentimento, tríade inseparável em que um vivifica o outro e a união dos três abre ao pensamento campo de certezas no qual a vida se harmoniza.

Quais os efeitos dessa forma de fé?

Diante dos perigos e turbulências, o homem assim convicto, age, faz a sua parte, permanece em equilíbrio e aguarda respostas atento para identificá-las, não no sentido do que quer que se realize, mas conforme a necessidade que atenderá. Torna-se robusto e forte nas atitudes. O conhecimento do mundo invisível, a confiança numa lei superior de Justiça e progresso, propiciam calma e segurança.

"(...) Efetivamente, que poderemos temer, quando sabemos que a vida é imortal e quando, após os cuidados e consumições da vida, além da noite sombria em que tudo parece afundar-se, vemos despontar a suave claridade dos dias infindáveis? (...)" 2

Para que tal estágio seja alcançado a base tem que ser sólida amparada no livre exame e liberdade de pensamento, na observação direta das leis naturais, reguladoras estas de todos os fenômenos. Este é o caráter da fé espírita: decorre do exame racional dos fatos em perfeita consonância com as leis que regem a Vida.

Como adquirir essa forma de fé?

Não é conquista que se estabelece de uma hora para outra. É ação individual no tempo, nas experiências vivenciadas em reflexões lógicas das causas, oração, meditação para discernir e acertar. Em gérmen, está presente em todos os seres; é inata a aguardar o esforço de cada um para crescer e fazer sentir sua ação.

No Espiritismo, é entendida como uma faculdade natural da alma. A semelhança do Amor, também contido em gérmen, cultivado à luz da razão, desenvolve-se da mesma forma que as outras faculdades. Naqueles em que já se apresenta espontânea, atestam sinais de progresso anterior, no qual já creram compreendendo, trazendo ao renascer a intuição do conhecido.

Os que sentem dificuldades, que estão na luta da busca, no conflito, na dualidade do passado detido na fé cega que não mais satisfaz e abrindo-se a um futuro ainda não claro, buscar, pesquisar, raciocinar, comparar, compreender para que a inteligência lhe aponte a lógica de uma proposta.

A fé que não se assentar sob essas bases, impõem-se sobre uma das mais preciosas prerrogativas do homem: o raciocínio e o livre-arbítrio.

Fé raciocinada se apóia em fatos, na lógica que não deixa dúvida. Leva o homem a melhoria íntima em certezas que o direcionam para agir livremente sem medo de castigos, sem promessas, trocas ou dependências na fé raciocinada que "(...) pode encarar a razão face a face, em todas as épocas da Humanidade (...)" 3

Qual passagem evangélica é um exemplo do poder da fé?

Um certo pai procura Jesus para que lhe cure o filho obsedado, já que os discípulos não haviam conseguido faze-lo. Jesus pergunta:

"(...) — Há quanto tempo isto lhe sucede?

Desde a infância; mas se tu podes alguma coisa, tem compaixão de nós, e ajuda-nos.

Ao que lhe respondeu Jesus:

— Se podes! Tudo é possível ao que crê.

E imediatamente o pai do menino exclamou (com lágrimas): — Eu creio, ajuda-me na minha falta de fé (...)" 4

O texto passa esperança ao mesmo tempo que ensina que no campo íntimo, no sentimento, na estrutura moral, impossível é termo sem significação, aceito apenas por aqueles que desconhecem a força dos que tendo fé, crêem porque sabem.

Quando a crença, a fé nos pareça pouca, insuficiente, titubeante, surge a exclamação do Pai: "— (...) Creio Senhor! Ajuda-me na minha pouca fé (...)" 4

Exterioriza-se ainda nessa passagem as características da fé verdadeira: o filho sofria desde a infância e não há desânimo; há persistência, humildade, pois leva primeiro aos discípulos e só depois procura Jesus; não perde a esperança, não desanima, não se entrega. Mantém a atitude de certeza na busca do bem para o outro, atitudes enfim, corajosas, que no seu todo davam-lhe forças para prosseguir buscando sem desequilíbrios ou descontrole.

"(...) A fé é o maior tesouro da alma (...)." 5 Sem ela nenhum sentimento generoso, caridade ou amor poderá habitar, crescer e florescer na alma humana, uma vez que não há a certeza que gera a esperança para alcançar. Analisando, o valente pai da parábola não sente dificuldade, procura, busca, entende, tem objetivos, desvincula-se de si, busca o melhor reflete, aceita, recomeça e encaminha-se para Deus.

"(...) Eu repito: a fé humana e divina, se todos os encarnados estivessem bem persuadidos da força que têm em si, se quisessem colocar sua vontade a serviço dessa força, seriam capazes de realizar o que, até o presente, chamou-se de prodígios, e que não é senão, o desenvolvimento das faculdades humanas (...)" 3

Conclui-se que sendo inata, aguarda pelo trabalho de cada um consigo, para que crescendo, clareie e fortaleça a alma como mensagem de Deus libertando as criaturas.

Bibliografia:

1. KARDEC, Allan. O que é o Espiritismo. Rio de Janeiro, RJ: FEB, 1968, 14. ed., primeiro diálogo, p. 10.

2. DENIS, Léon. Depois da Morte. Rio de Janeiro, RJ: FEB, 1983, 12. ed., Parte Quinta, XLIV, p. 260.

3. KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Araras, SP: IDE, 34. ed., cap. XIX– 7, p. 247, 12 e 250.

4. BÍBLIA, Novo Testamento. Rio de Janeiro, RJ: Sociedade Bíblica do Brasil, 1973, in: Mc 9 : 21-24, p. 57.

5. SCHUTEL, Cairbar. Parábolas e ensinos de Jesus. Matão, SP: Casa Editora O Clarim, 1976, 10. ed., p. 260.



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Reflexões sobre o orgulho
JORGE JOSSI WAGNER
de Ribeirão Preto, SP

Os estudiosos dos ensinamentos do Espiritismo, tem ao longo do tempo se acostumado a ouvir em praticamente todas as reuniões de estudo nos centros espíritas que, o orgulho e o egoísmo são duas chagas que dificultam o crescimento moral. Do egoísmo se diz que - estudando os males que afligem o espírito - impede a prática do amor, da solidariedade e da caridade.

O orgulho, outra imperfeição que o espírito ainda possui, é demonstração da falta de humildade. O orgulhoso se julga sempre melhor do que os outros, tudo o que faz é mais perfeito. Todas as suas manifestações são para se vangloriar.

Em razão da sua imperfeição moral, a maior parte da humanidade costuma ver o mal dos outros sem ver o seu próprio. O Orgulhoso dissimula os seus defeitos, divulgando os que ele julga que os outros possuem. O orgulho é o contrário da caridade, que é simples, modesta, faz o bem sem alardear nem buscar os holofotes.

O orgulho torna a pessoa infalível. Leva o orgulhoso a acreditar na supremacia de suas qualidades. O orgulho é a negação de muitas virtudes. Porque isso ocorre?

Os ensinamentos espíritas têm trazido, com muita racionalidade, a idéia de que o orgulho é o sentimento de superioridade pessoal. Ele resulta do processo natural de crescimento do espírito. "É um subproduto do instinto de conservação" ( Ermance Dufaux ). É um principio que foi colocado para o bem. Sem o sentimento do valor pessoal e a necessidade de auto-estima, não haveria motivação para existir. Dessa forma, o orgulho impulsiona o espírito a buscar mais conhecimentos e aprimoramento moral. Dentro dos limites do racional e do equilíbrio, o orgulho leva o Espírito a buscar incessantemente seu aprimoramento. Quando começam a aparecer os excessos, a situação tende a fugir do controle. Aí, o orgulho se torna um grande mal e responsável por imensos dissabores.

Surge o melindre, porque não admitimos ouvir crítica; aparece a pretensão, pois, não encontramos limites em nossas atitudes; a prepotência nos faz tiranos em todas as circunstâncias; a vaidade nos leva a considerar que os outros não têm importância; surge o desprezo, pois ninguém merece a nossa atenção e a indiferença nos deixa insensíveis para olhar o nosso irmão como um filho de Deus, que busca também encontrar seu rumo.

Todos nós, encarnados ou desencarnados, precisamos estar sempre atentos ao que se passa ao nosso redor, para que, em estando alertas, possamos detectar os sinais do orgulho, que pouco a pouco toma conta de nossos pensamentos, nos levando a tomar atitudes que mais tarde iremos, certamente, lamentar muito.



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As crianças da nova era e a pedagogia espírita
Alkíndar de Oliveira
de São Paulo, SP
alkindar@terra.com.br

No excelente livro (não espírita) Crianças Índigo, Editora Buterfly, lançado em 2.005, seus autores norte-americanos Lee Carrol e Jan Tober relatam que, de poucas décadas para cá, os pesquisadores e educadores estão descobrindo um novo tipo de criança. Relatam os autores que praticamente 90% das nossas crianças atuais são portadoras de atitudes que as configuram ser crianças "índigo". Esta denominação deve-se ao fato de que estas crianças têm suas auras azuis (índigo). No livro citado não há a palavra aura, mas pesquisadores norte-americanos portadores de vidência (esta palavra também não está no livro) enxergam ao redor destas crianças a cor azulada.

De acordo com pesquisas científicas constantes no citado livro, relaciono a seguir algumas das principais características das crianças índigo:

Têm inteligência superior à atual geração de adultos;

Têm nobreza de caráter;

Não aceitam a liderança imposta;

Resistem a qualquer tipo de autoridade que não seja exercida de maneira democrática;

Sabem viver o presente;

Necessitam da presença de adultos emocionalmente estáveis e seguros ao seu redor;

Frustram-se facilmente quando suas grandes idéias não podem ser colocadas em prática por falta de recursos ou de compreensão por parte das pessoas;

Aprendem pela própria experiência, recusando-se a seguir metodologia repetitiva e passiva;

Dispersam-se facilmente, a não ser que estejam envolvidas em alguma tarefa que lhes despertem grande interesse; etc..

Duas informações espíritas sobre as crianças da nova era:

A primeira: No livro Momentos de Harmonia, lançado e editado em 1.991 (esta informação é importante), Editora Leal, psicografia de Divaldo Franco, o espírito Joanna de Ângelis diz: "(…) dá-se neste momento a renovação do Planeta, graças à qualidade dos espíritos que começam a habitá-lo, enriquecidos de títulos de enobrecimento e de interesse fraternal".

A segunda informação: No livro Reforma Íntima Sem Martírio, lançado e editado nesta primeira década do século XXI (esta informação é importante), Editora Dufaux, psicografia de Wanderley Soares de Oliveira, o espírito Maria Modesto Cravo diz: "Uma geração nova regressa às fileiras carnais da humanidade para arejar o panorama de todas as expressões segmentares do orbe, interligando-as e projetando-as a ampliados patamares de utilidade. (…) É tempo de renovar".

Caro(a) leitor(a), se você convive com crianças, pergunto-lhe: As crianças de hoje não são muito inteligentes? Sei qual vai ser sua resposta: "Sim, muito inteligentes!!!"

Por que são tão inteligentes? A resposta está na análise dos dois textos dos espíritos amigos acima: Informam-nos os amáveis espíritos Joanna de Ângelis e Maria Modesto Cravo que, de poucas décadas para cá, os espíritos que estão nascendo em nosso planeta são muito especiais. São nobres de alma, são fraternais, e por natural dedução, inteligentes.

Esta alvissareira notícia de renovação do nosso planeta por meio de seres especiais que ora estão reencarnando, certamente é a mais importante ocorrência depois da vinda de Cristo e do nascimento de Kardec.

Retornando ao conteúdo do livro Crianças Índigo:

Dizem os autores do citado livro que "Nem todos os índigos têm problemas psicológicos, mas quando isso ocorre são normalmente classificados com portadores de DDA ou TDAH (Distúrbio do Déficit de Atenção e Transtorno do Deficit de Atenção com Hiperatividade, respectivamente)."

O livro em questão tem vários colaboradores, um destes, Doreen Virtue, relata: "Sabemos que as crianças índigo já nascem com um talento especial. Muitas têm a consciência de verdadeiros filósofos sobre o sentido da vida e sobre como salvar o planeta. São grandes artistas, inventores e cientistas. Mas nossa sociedade antiquada está sufocando essas preciosas qualidades.

Muitas crianças que nascem com talentos especiais têm sido diagnosticadas como portadoras de 'deficiências de aprendizado', segundo a The National Foudation for Gifted and Creative Children, uma organização sem fins lucrativos cujo principal objetivo é identificar e ajudar crianças especiais. Segundo seus dirigentes, muitas delas estão sendo praticamente destruídas no sistema público de educação e qualificadas como portadoras de TDAHs".

Caro(a) leitor(a), o objetivo deste, além de divulgar a informação de que a ciência e o Espiritismo novamente se dão as mãos, é também mostrar a cada um de nós a importância de abraçarmos a causa que nossa confrade Dora Incontri a tem como objetivo de vida: A Implantação da Pedagogia Espírita no sistema educacional, tendo como meta primeira a criação de Colégios Espíritas, para que estes possam servir como modelo à revolução educacional que está por vir.

Certamente a Pedagogia Espírita não será o único instrumento educativo desta nova era (a espiritualidade age por muitos meios e formas), mas com certeza será um dos mais bem fundamentados, pois traz em seu bojo os princípios educativos da Doutrina Espírita, dentre eles, o fundamental conceito de que a criança é um ser reencarnado. Tese esta que altera e revoluciona profundamente a essência dos sistemas educacionais da atualidade.

Finalizando, que nossos sonhos conjuguem-se com os sonhos de grandes educadores espíritas encarnados e desencarnados, como Anália Franco, Dora Incontri, Eurípedes Barsanulfo, Herculano Pires, Leopoldo Machado, Ney Lobo, Tomaz Novelino, Vinicius, dentre outros que agora não me ocorre os nomes. E que a concretização deste sonho seja a profusão de unidades e mais unidades de Colégios Espíritas por todo o nosso país!

"O futuro pertence àqueles que acreditam na beleza dos seus sonhos". Eleanor Roosevelt

P.S.:

a) Site da Associação Brasileira de Pedagogia Espírita: www.pedagogiaespirita.com.br

b) Leitura sugerida:

Pedagogia Espírita, Dora Incontri, Editora Comenius. Site: www.pedagogiaespirita.com.br
Crianças Índigo, Lee Carrol e Jan Tober. Site: www.flyed.com.br

Atitude de Amor, Diversos Autores/Wanderley Soares de Oliveira, Editora Dufaux. Site: www.ermance.com.br



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